As folhas da serralha comum, encontradas nas margens das estradas, não só são venenosas para as pessoas com também são para muitas outras criaturas. Juntamente com outras plantas, a sua folha contém venenos cardenolídos como defesas naturais.
No entanto, não só muitos insectos comem a planta venenosa e sobrevivem, como a serralha é tudo o que a lagarta das borboletas come. Quais são as capacidades que os insectos possuem que lhes permite fazer isto? Mais importante ainda, como é que eles as adquiriram?
Para encontrar algumas respostas, os cientistas aprofundaram o seu conhecimento em torno da genética e bioquímica de 18 tipos de insectos distintos que sobrevivem à base de plantas que produzem cardenolidas. Os seus resultados, publicados na Proceedings of the National Academy of Sciences, foram surpreendentes.
Os autores escreveram que as cardenolidas levam a cabo a sua acção destrutiva penetrando uma bolsa de ligação específica numa bomba de proteína específica que as células animais – incluindo os insectos – frequentemente usam. Mal ela se encontra encadeada, o pequeno químico desactiva a bomba, e uma quantidade suficiente de bombas desligadas desactivam a célula em si.
Os pesquisadores descobriram que, nas criaturas que conseguem comer estas plantas, mutações específicas alteram a forma de tal bolsa de ligação de maneira que ela exclua a cardenolida.
Depois de testes rigorosos, os cientistas descobriram que todos os 18 insectos continham certos animo-ácidos substituídos nas posições que receberam os números 111 e 122 dentro do gene que codifica para a construção da bomba celular. Muito poucas posições encontram-se alteradas neste gene. Uma vez que a maioria das alterações diminuiriam ou colocariam em suspenso a sua eficiência vital, as criaturas toleram poucas alterações deste tipo.
Como é que, neste gene, insectos distintos possuem exactamente a mesma alteração no ADN?
Os autores do estudo atribuíram isto à “evolução convergente”, sugerindo com este termo que, nos grupos de insectos, substituições genéticas idênticas ocorreram separadamente “pelo menos quatro vezes” durante 300 milhões de anos.1 No entanto, eles não disponibilizaram qualquer tipo de detalhe sobre a forma como isto poderá ter ocorrido – nem em teoria.
A evolução convergente é concebível, mas é cientificamente insignificante a menos que os pesquisadores a possam detectar. Identificar a evolução convergente como causa destas estruturas – como o fizeram os autores do estudo – nada mais é que alegar o que ainda não foi confirmado (“evolução convergente”). Dito de outra forma, os autores do estudo ignoraram todas as explicações não-evolutivas como explicação para a forma como estas diferenças específicas de ADN surgiram.
Talvez as diferenças genéticas tenham sido directamente construídas, ou talvez um sistema celular bem construído as tenha coloca em operação numa altura após a criação. A primeira hipótese não está sujeita à observação científica directa uma vez que é um evento agregado a outra linha temporal. Nenhuma experiência científica alguma vez verificou a segunda possibilidade, mas nenhuma experiência alguma vez demonstrou que o sistema que permite os insectos ingerir plantas venenosas é o efeito duma ainda-por-comprovar “evolução convergente”.
Para seu crédito, os pesquisadores levaram a cabo a um estudo rigoroso e louvável, no entanto, não há qualquer razão científica para excluir à priori hipóteses que expliquem a origem do dito sistema.
Modificado a partir do original
Referências
- Dobler, S. et al. 2012. Community-wide convergent evolution in insect adaptation to toxic cardenolides by substitutions in the Na,K-ATPase. Proceedings of the National Academy of Sciences. 109 (32): 13040-1304.









Aqui no Brasil “serralha” é uma planta comestível hehe.
Agora observações relevantes que gostaria de fazer: faltou a especificação de qual borboleta é, no caso, a borboleta-monarca.
No quarto parágrafo não é uma bolsa de ligação OU uma bomba de proteínas mas uma bolsa de ligação numa bomba de proteínas.
Espero ajudar.
Quanto a mim, não entendi a segunda hipótese: “talvez um sistema celular bem construído as tenha coloca em operação numa altura após a criação”.
Obrigado
Obrigado pelas correcções. São sempre bem vindas.
A tal frase implica que a activação de sistemas celulares depois da Queda. Por exemplo, venenos que antes não nos afectavam, passaram a afectar.
Assim por diante.
Cumps