Ludwig Krippahl – O Propósito – 6

A natureza à nossa volta fascina-nos, quer nós sejamos criacionistas ou evolucionistas. Nós olhamos para a velocidade do colibri, para a força do elefante, para a beleza das penas do pavão e ficamos maravilhados. Eu pessoalmente sou mais voltado para felinos. Gosto da elegância, da inteligência e da velocidade dos gatos em particular, dos restantes no geral.

Os criacionistas e os evolucionistas, embora reconhecendo a elegância, a beleza, a especificade complexa das formas de vida, dividem-se no que toca às origens. Os evolucionistas acreditam que as forças da natureza são capazes de gerar toda a complexidade presente no mundo biológico, enquanto que os criacionistas tomam a posição de que a vida biológica deve as suas origens a Um Ser Sobrenatural, nomeadamente, o Deus da tradição Judaico-Cristã.

O propósito existente nas formas de vida pode ser usado como evidência para uma ou para a outra crença. Em relação a isto, o Ludwig diz:

Algumas religiões assumem que só os humanos podem ter propósitos próprios porque os restantes animais não têm “alma”, mas isso é treta para outra altura.

Quais são as religiões que dizem isto?

Sinceramente, nem sei em que sentido o Ludwig usa a palavra “propósito”. Será no sentido de “razão para existir” (tipo, “o propósito da vida humana é conhecer a Deus”) ou “este atributo biológico existe para uma determinada função”?

Primeiro, a hipótese do deus omnipotente torna impossível compreender o mecanismo que deu ao pássaro essa aparência de propósito que nos intriga.

O facto de não sabermos como é que Deus criou o pássaro, embora Deus levante um pouco do véu no Livro do Génesis, não invalida que o pássaro tem atributos fisicos com um propósito pré-determinado Toda a sua estrutura, o seu sistema de respiração foram especialmente arquitetados para uma determinada função originalmente. Muita coisa aconteceu desde a criação (a Queda, por exemplo, que mudou tudo), mas mesmo assim podemos vêr muito propósito e especificação no mundo à volta.

Os detalhes ficam debaixo do tapete do milagre divino. 

Isto  é uma posição fantástica, especialmente para alguém que acredita que uma força não-conhecida foi capaz de criar os seres vivos, através de mecanismos nunca vistos, e num local não determinado, e num tempo não específico. (Sabemos que aconteceu, só não sabemos como, onde, quando e porquê!) Acho que os detalhes ficam debaixo do tapete do misticismo darwinista.

Segundo, que propósito servirá o pássaro para um deus omnipotente?

Isto assume que a natureza foi criada para Deus. De certa forma sim, mas não da forma utilitária que o Ludwig tem em mente. A mundo à nossa volta foi criado para nós, não para Deus. Deus deu ao ser humano domínio sobre tudo aquilo que Ele tinha criado:

Génesis 1:28 Então Deus os abençoou e lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos; enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra.

Esse domínio é uma dádiva de Deus que, como todas as outras dádivas divinas, serve para aproximar mais o homem de Deus. O homem, sim, é que foi criado para o Deus Omnipotente, sendo o resto da criação uma das muitas formas que Deus usa para atrair o homem para si.

Portanto, nessa ordem, podemos vêr como o pássaro foi feito para Deus.

Ora um deus omnipotente não tem problemas para resolver. Por definição, está sempre tudo como ele quer. 

“Definição” de quem? Se tudo estivesse como Ele quer, então tu tens uma visão de Deus um bocado diferente. Hoje, por todo o mundo, nasceram imensos bébés que não chegarãm à idade adulta.  Uns morrerão por doenças, outros por calamidades, e outros ainda serão mortos por pessoas que deveriam cuidar delas. Achas que este é o mundo que Deus quer?

Portanto a tua “definição” não é Bíblica. Um pouco mais de estudo Bíblico está em ordem, Ludwig.

Com o criacionismo não sabemos o como nem percebemos o porquê, mas vamos assumir que o propósito real do pássaro é o seu propósito aparente.

Ou seja, vamos ignorar o que a Bíblia diz sobre a origem, estado e propósito da criação, e vamos especular de uma forma totalmente fora do contexto Bíblico, certo? Boa sorte!

Porquê? E porquê asas, escamas, dentes, ferrões, cérebros, pólen e tanta tralha se o propósito é só a replicação? 

Mas quem disse que o propósito “é só replicação”? A tua pergunta assume aquilo que tem que ser demonstrado.

A alternativa é supor que a propagação faz parte do mecanismo que cria a aparência de propósito em vez de ser o propósito em si.

Uma vez que a Bíblia não diz que o propósito é *só* a propagação, isto é uma falsa dicotomia.

A herança com modificações, de geração em geração, favorece as combinações vantajosas à propagação.

O problema é que também favorece a propagação de deformidades genéticas hereditárias.

Isto tira o mecanismo de debaixo do tapete, explica porque todas as espécies propagam as suas características e explica a diversidade dos seres vivos.

Como dizem os americanos, “Not even close”. O facto de que os seres vivos se reproduzem não significa que o seu propósito seja *só* reproduzir.

Segundo, a variação genética, muito bem pesquisada pelo cristão Gregory Mendel, não “tira o mecanismo de debaixo do tapete”, um vez que nunca esteve debaixo do tapete. Nós sabemos que variações acontecem, mas nenhuma variação genética serve evidência para a teoria da evolução. Variações são acontecimentos não controversos, e não exclusivos da teoria da evolução. O criacionismo e o Design Inteligente incorporam em si a crença na variação genética.

O design dos seres vivos não é “explicado” na ocorrência da reprodução.

O pássaro parece feito de propósito porque seria muita coincidência ter tantas características a contribuir de forma coordenada para o voo.

Sim, de facto é preciso muita credulidade para se crêr que os complexos sistemas existentes nos pássaros são obra de “coincidências”. É mais lógica supôr-se que estão lá porque Alguém as quis assim.

Mas não é coincidência. São milhões de anos de selecção natural que criaram o pássaro quase como se tivesse sido criado por um ser inteligente para o propósito de voar.

“Quase como se tivesse sido criado por um ser inteligente” é uma posição filosófica, e não científica.

Ou seja, o pássaro age como se tivesse sido criado, voa como se tivesse sido criado, e tem características que estão de acordo com a criação, MAS isso é só uma ilusão. “Não deixes que aquilo que vês com os teus olhos te engane!”

Segundo, a selecção natural, como estou farto de dizer , não é uma força criativa, mas sim uma força selectiva. Ela escolhe entre aquilo que já existe, e como tal não pode ser a causa do design biológico que vêmos à volta.

Se não me engano, há darwinistas que já não dão à selecção natural todos estes poderes mágicos. Will Provine, um evolucionista, mudou a sua visão sobre a selecção natural.

As an undergraduate studying evolutionary biology — like many other such students, I [Paul Nelson do Discovery Institute]  suppose — I read Will Provine’s classic The Origin of Theoretical Population Genetics (University of Chicago Press, 1971), a standard history of the laying of the mathematical and conceptual foundations, in the work of Fisher, Haldane, and Wright, of what later came to be known as the Evolutionary Synthesis (i.e., textbook neo-Darwinism).

When Chicago reissued the book in 2001, Provine added a remarkable Afterword. With characteristic candor, he wrote that “my views have changed dramatically.” Natural selection, for instance, Provine no longer saw as a “force” or “mechanism” of any kind:

Natural selection does not act on anything, nor does it select (for or against), force, maximize, create, modify, shape, operate, drive, favor, maintain, push, or adjust. Natural selection does nothing….Having natural selection select is nifty because it excuses the necessity of talking about the actual causation of natural selection. Such talk was excusable for Charles Darwin, but inexcusable for evolutionists now. Creationists have discovered our empty “natural selection” language, and the “actions” of natural selection make huge, vulnerable targets. (pp. 199-200)

Resumindo,  em 1971, quando Provine escreveu o livro, ele defendia a selecção natural como força criativa. Quando o mesmo livro foi re-impresso em 2001, ele já tinha mudado dramaticamente de opinião!

Os próprios evolucionistas são os primeiros a dizer que a selecção natural não é capaz de fazer aquilo que a teoria diz.

Eram moléculas orgânicas simples que apenas se copiavam

O Ludwig, no entanto, não disse como (e porqué) é que as primeiras moléculas aprenderam a copiarem-se a si mesmas.

Em vez de postular um propósito vindo sabe-se lá como e sabe-se lá porquê, com esta hipótese a aparência de propósito e, eventualmente, os propósitos de seres como nós, emergem de um processo sem propósito.

O que, diga-se de passagem, faz todo o sentido do mundo, certo?  Certo?!!

E de forma compreensível, sem mistério ou milagre. Já não é preciso o tapete.

Sim, não há mistério nenhum. Mas olha, se o objectivo é inventar teorias sem mistério, eu também posso inventar uma história qualquer, e no fim dizer “Viram? Não há mistério nenhum!”

Mas, o que não falta na teoria da evolução são mistérios: como apareceu a vida? Como é que ela superou a ausência de oxigénio? Como é que ela superou a presença de oxigénio? Como é que ela foi ficando mais complexa, especificada, estruturada, em clara violação da 2ª Lei? etc, etc, etc..

Tens toda a razão, Ludwig. Não há mistério nenhum.

Respondendo à pergunta do «Mats», eu sei que o propósito aparente dos seres vivos é só aparência porque é a melhor explicação.

É a melhor, ou a mais plausível, depois de assumires à priori que Deus não existe? Mesmo nos seus próprios méritos, a tua explicação falha porque não há mecanismo que faça o papel de Deus.

Conclusão:

1. É ilógico pensar-se que um processo sem propósito criou propósitos nos seres vivos.

2.  O facto e os seres vivos se reproduzem não implica que esse é o seu único propósito.

3. A natureza foi criada para o homem, para  este se aproximar mais de Deus.

4.  A selecção natural não é uma força suficientemente capaz para gerar os seres biológicos.

5. A forma mais racional para se entender a biologia é vê-la como a emanação do Poder criativo de Deus. Desta forma, podemos entender o porquê da existência dos extraordináriamente complexos sistemas e sub-sistemas presentes nele.

Como sempre, o ateísmo é um impedimento para o progresso da ciência.

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"Posterity will serve Him; future generations will be told about the Lord" (Psalm 22:30)
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3 Responses to Ludwig Krippahl – O Propósito – 6

  1. alogicadosabino says:

    ” Variações são acontecimentos não controversos, e não exclusivos da teoria da evolução. O criacionismo e o Design Inteligente incorporam em si a crença na variação genética.”

    até porque o génesis tem umas 6 vezes a oração “segundo a sua espécie”… como que antecipando dúvidas a este respeito.

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  2. Volto a insistir: como é possível um problema universal, porque diz respeito a toda a humanidade, tenha a solução num livro que apenas abrange uma pequena parcela dela?
    Ou o vosso Deus só criou os cristãos, os árabes e os judeus?

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  3. Mats says:

    Qual é o problema universal?

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