Dados e Naturalismo

A maior parte dos cientistas actuais usa o naturalismo como presuposição. O que isto significa é que qualquer facto, situação e argumento que choque com o naturalismo tem que ser re-intepretado para “caber” dentro da presuposição.

O problema é que não há razões científicas para se assumir que tudo aquilo que acontece, vai acontecer, e já aconteceu está dentro do domínio naturalista. Alguns evolucionistas honestos admitem isso mesmo:

We take the side of [Evolutionary] science in spite of the patent absurdity of some of its constructs, in spite of its failure to fulfill many of its extravagant promises of health and life, in spite of the tolerance of the scientific community for unsubstantiated just-so stories, because we have a prior commitment, a commitment to materialism. It is not that the methods and institutions of science somehow compel us to accept a material explanation of the phenomenal world, but, on the contrary, that we are forced by our a priori adherence to material causes to create an apparatus of investigation and a set of concepts that produce material explanations, no matter how counter-intuitive, no matter how mystifying to the uninitiated. Moreover, that materialism is an absolute, for we cannot allow a Divine Foot in the door. “Billions and Billions of Demons” (ênfase adicionado por mim)

Por outras palavras, a crença na materialismo/naturalismo não é alguma coisa que seja uma dedução científica, ou uma necessidade científica, mas sim uma presuposição filosófica que foi imposta à ciência como forma de eliminar Deus do panorama (“We cannot allow a Divine Foot in the door“)

Tendo sido demonstrado por muitos cientistas que o naturalismo é uma presuposição, e não uma dedução, os evolucionistas tentam agora justificá-la.

Foi isso que o Ludwig tentou fazer neste post.

Supomos que o carro não anda sem combustível. Podíamos supor o contrário, supor que se move a bolachas, a pensamentos positivos ou por obra e graça do espírito santo. Mas embora seja necessário assumir alguma coisa e embora se possa assumir o que quer que seja, o facto é que sem combustível o carro não anda.

“Facto” não implica que seja totalmente objectivo. Extrapolamos que o carro não anda sem combustível baseando-nos na nossa experiência e no que sabemos acerca do carro, o que é quase um raciocínio circular.

Não creio que esta analogia seja a mais realista uma vez que a razão principal pela qual sabemos que o carro tem que ter combustível é porque nós fazemos os carros assim mesmo. Não é preciso supôr isso. Mas mesmo assim, vamos assumir que sim.

Mas o que importa reter aqui é que o Ludwig está a falar de coisas que se podem testar HOJE, não sobre um passado remoto. Isto é muito importante ter em mente quando se fala da evolução, do naturalismo e da criação.

A ciência tem pressupostos destes. Assume que se tem que observar o objecto de estudo, que se tem que quantificar os dados e que as explicações são naturais.

Se isto é assim, então o que dizer da teoria da evolução, que postula coisas que não são observáveis (dinosauros a transformarem-se em áves), e muito menos quantificáveis? Mais ainda, como é que se pode ter a certeza que tudo aquilo que acontece no mundo é “natural”? Para piorar as coisas, o que é uma “explicação natural”? Há duas hipóteses:

1. É algo que está de acordo com o nosso conhecimento.

ou

2. Algo que acontece no mundo natural ?

Se é algo que está de acordo com o nosso conhecimento ACTUAL, então não se pode rejeitar o Sobrenatural só porque não está de acordo com o nosso conhecimento actual. Há muitas coisas que nós não sabemos HOJE, mas que vamos saber no futuro. Rejeitar o sobrenatural por causa de 1) é dizer que nós já sabemos tudo o que há para saber. Isso é falso.

Agora, se “natural” são coisas que acontecem no mundo natural, então também não há razão para se rejeitar o sobrenatural, uma vez que inúmeros eventos sobrenaturais foram testemunhados e escritos por muitas pessoas (a divisão do Mar Vermelho, os milagres do Senhor Jesus, etc,etc).

Portanto, a restrição da ciência com o “naturalismo” é uma limitação não realísta.

O Ludwig diz ainda:

A teologia é imune à realidade. Tanto faz se Cristo ressuscitou, se Maria era mesmo virgem ou se existe Deus porque estes pressupostos são tidos como irrefutáveis e não carecendo de justificação.

O naturalismo é que é imune à realidade. Tanto faz se o naturalismo é mesmo capaz de explicar o aparecimento do código genético, ou o aparecimento do sistema de visão dos vertebrados, ou mesmo a abilidade de fazer ciência.O que se sabe é que o naturalismo tem que ser verdade, independentemente das evidências. A crença no naturalismo é, nas palavras do Dr Lewontin, um absoluto.

No que toca à ressurreição de Cristo: acho que não há outra explicação lógica para o aparecimento do cristianismo. A preposição “Deus ressuscitou Jesus dos mortos” é a que melhor explica factos conhecidos, e é a mais coerente quando comparada com as explicações alternativas. Portanto, longe de ser disconectada com a realidade, a ressurreição de Cristo é um dos factos mais bem atestados da história antiga.

O Apóstolo Paulo disse:

1 Coríntios 15:17 – E se Cristo não ressuscitou, é vâ a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados.

Ou seja, todo o edifício cristão se baseia num e só num ponto histórico: a ressurreição de Cristo. Dois mil anos se passaram, e os cépticos ainda não ofereceram evidências que contradigam o relato Bíblico.

É verdade que os crentes tentam justificá-los apelando à revelação, à fé ou a à experiência pessoal.

E a evidências históricas, manuscritos Bíblicos, profecia, etc, etc.

À teologia de hoje basta que não se prove a inexistência de Deus, e suspeito que se um dia ficar provado que Deus não existe até desse requisito irão prescindir.

O problema é que é impossível de se provar que Deus NÃO existe. Por isso é que muitos ateus já não dizem que “acreditam que Deus NÃO existe“, mas sim que não tem fé em Deus algum. Ou seja, sacudiram a responsabilidade de oferecer evidências para a sua fé.

Em suma, a ciência é uma criação intelectual humana. É subjectiva e tem falhas mas gera conhecimento interagindo com os seus objecto de estudo.

Excepto a evolução. Nesse caso não se interage com os objectos de estudo, não se observam as transformações imaginadas, não se vê o mecanismo a fazer o que os darwinistas dizem que ele fez, e pior, tudo aquilo que nós observamos vai contra a fé darwinista. Mas isso parece não importar muito aos naturalistas filosóficos. Quem é que precisa de evidências quando se tem o naturalismo, certo?

Os seus pressupostos dependem de como o universo funciona e não reflectem apenas a imaginação humana.

Mas…. o presuposto naturalista não depende de como o universo funciona, uma vez que não há forma nenhuma de se saber que o universo, a sua causa, e a sua operação, depende SÓ de forças naturais. Os darwinistas ASSUMEM que sim, nas não oferecem evidências que suportam essa crença.

A teologia é uma criação intelectual humana. É subjectiva, também tem falhas mas não interage com o seu presumido objecto de estudo.

Mas há milhões de pessoas por todo o mundo que interagem com Deus. Há milhões de pessoas sãs, saudáveis, respeitadas que afirmam terem falado com Deus. Quem é que te disse que não interagimos com Deus? Será a tua fé naturalista mais um vez a pressupor o que ainda tens que provar?

É auto-contida, circular e arbitrária. Podemos escolher os pressupostos à vontade, mas reconhecer ou ignorar as dicas que o universo nos dá é a diferença entre seguir viagem ou ficar empanado.

O universo não dá dicas nenhumas que suportem a fé no naturalismo, obviamente.

About Mats

"Posterity will serve Him; future generations will be told about the Lord" (Psalm 22:30)
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