Resposta ao Ludwig: Naturalismo Não é Ciência

O evolucionista ateu Ludwig Krippahl fêz algumas observações a coisas que eu afirmei num dos últimos posts aqui apresentados.

O Ludwig afirma sem rodeios que se deve rejeitar o que ele entende por “sobrenatural” uma vez que “assumir à partida que um fenómeno é sobrenatural impede-nos de perceber o que o causou“. O ateu evolucionista Ludwig acrescenta ainda que “Não podemos desvendar o mecanismo dos milagres nem compreender os processos de intervenção divina“.

O problema destas declarações é que nenhum cientista criacionista assume à partida que um fenómeno é “sobrenatural” (seja lá qual for a definição que o Ludwig usa para “sobrenatural”). Por exemplo, existem diversos cientistas criacionistas a trabalhar em lugares seculares de grande importância. O que é que seria das suas carreiras se para todos os fenómenos observados eles assumissem à partida que é um fenómeno “sobrenatural”?

O Ludwig está a fazer aquilo que os anglófonos chamam de “strawmen argument” (argumento palha). Se não me engano, o mesmo deriva o seu nome daquilo a que nós conhecêmos como “espantalhos”. O Ludwig pôs de pé um espantalho lógico, e tratou rapidamente de destruí-lo. O problema é que refutar argumentos que nunca foram ditos pelos cristãos é o mesmo que lutar contra espantalhos: ganhas de certeza, mas tudo o que consegues é ficar sujo, cansado, e ainda por cima pode haver pessoas a observar que te tomem por chanfrado.

Os cristãos sabem muito bem que no universo em que vivêmos, para além das forças sobrenaturais, existem as forças naturais a actuar. Quando buscamos respostas para um dado fenómeno, começamos inicialmente pelas explicações naturais uma vez que a esmagadora maioria dos eventos observados têm uma explicação natural. Aliás, a própria Bíblia, sendo Um Livro com Origens Sobrenaturais, na sua esmagadora maioria ela reporta eventos naturais.

O que o Ludwig tenta fazer é rejeitar qualquer explicação sobrenatural apenas e só porque a maioria das explicações têm causas naturais, e porque ele afirma que “não podemos desvendar o mecanismo dos milagres“. Isto, claro, pondo de lado a sua fé ateísta que lhe obriga rejeitar à priori qualquer causa ou efeito sobrenatural.

Para além disto tudo, convém ressalvar que existe uma distinção clara no que toca ao tipo de ciências em que os cristãos aceitam causas sobrenaturais e outras que já não buscam causas sobrenaturais. Quando o cristão Gregory Mendel desenvolveu aquilo que mais tarde serviu de base para o desenvolvimento da genética moderna, ele buscou respostas naturais para o fenómeno da recombinação de características nas plantas. Ele não afirmou que Deus directamente recombinou as características das plantas, mas sim que havia outros fenómenos envolvidos no processo.

No entanto, se se fosse perguntar ao dito monge cristão qual era a origem da fotossíntense, do crescimento, da reprodução e das plantas em si, ele não teria problemas nenhums em logicamente atribuir isso ao Criador.

Este exemplo mostra a distinção entre ciência operacional (que é a mesma entre cientistas criacionistas e cientistas evolucionistas) e ciência histórica/forense (que é o grande ponto de discórdia). Como foi dito em cima, o Ludwig tenta estender o manto do naturalismo não só para o que se observa, mas também para aquilo que não se pode observar.

No entanto, e tendo em conta o que eu disse originalmente no post isto não é feito por motivos científicos mas por motivos puramente ideológicos.

Como é que sabemos que é por motivos ideólogicos? Sabemo-lo porque, o Ludwig acredita em mecanismos e eventos que não se podem entender, estudar, medir ou quantificar. A origem da vida ateísta (Abiogénese) envolve forças nunca vistas, processos nunca duplicados, e mecanismos nunca observados. A transformação de um dinossauro para uma áve envolve forças nunca vistas, processos nunca duplicados, e mecanismos nunca observados. A evolução de um animal terreste para uma baleia envolve forças nunca vistas, processos nunca duplicados, e mecanismos nunca observados. O mesmo se passa com a evolução da sexualidade, do sistema de visão, o sistema respiratório, a metamorfose de alguns insectos, o sonar dos golfinhos e dos morcegos, a evolução de um primata para um homo sapiens, etc,etc. (Explicar como é que uma baleia se transforma numa baleia não explica como é que as baleias surgiram)

Todos os eventos acima mencionados envolvem situações que não podem ser repetidas em condições controladas, mas o Ludwig não tem problemas em incorporá-las dentro daquilo que ele chama de “ciência”. Isto mostra que o problema do Ludwig não é o facto de não podermos “desvendar o mecanismo dos milagres nem compreender os processos de intervenção divina“, mas sim que a sua filosofia de vida rejeita como ponto de partida causas que violem a sua fé no naturalismo.

Tal como eu já tinha dito, ele é um naturalista que tem algum receio em afirmar que a sua fé no naturalismo lhe impede de considerar alternativas que contradigam a sua ideologia.

É muito importante ter isto em conta de cada vez que um ateu pedir “explicações naturais” para eventos que o cristão sabe terem origens sobrenaturais (origem da vida, origem do universo, etc). O que o ateu está implicitamente a fazer é a pedir evidências naturalistas para o sobrenatural! Totalmente ilógico.

O Ludwig acrescenta ainda

Assumir que tudo foi criado por um ser omnipotente impede qualquer investigação. É uma premissa estéril, não permite hipóteses testáveis e condena os criacionistas a ficar pasmados, assombrados, e ignorantes.

Mas se isto é assim, porque é que os criacionistas Mendel, Newton, Maxwell, Faraday, Pascal, Galileo e muitos outros conseguiram fazer avanços na ciência, mesmo tendo uma visão criacionista do mundo? A resposta é que eles correctamente sabiam separar a ciência operacional (que funciona à base daquilo a que chamamos “leis naturais”) da ciência forense (que funciona à base de inferências baseadas nos dados disponíveis.

A pressuposição de que o mundo foi criado por Deus não foi impedimento para o avanço da ciência mas o Ludwig afirma que essa posição “impede qualquer investigação”. Como se pôde vêr, isso é falso.

Conclusão:

O pior naturalista não é aquele que o proclama sem rodeios, mas sim aquele que o esconde por trás do manto da tão-mal-definida “ciência”.

O ateu evolucionista Ludwig Krippahl é um bom exemplo.

About Mats

"Posterity will serve Him; future generations will be told about the Lord" (Psalm 22:30)
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3 Responses to Resposta ao Ludwig: Naturalismo Não é Ciência

  1. Bangk says:

    Mas se isto é assim, porque é que os criacionistas Mendel, Newton, Maxwell, Faraday, Pascal, Galileo e muitos outros conseguiram fazer avanços na ciência, mesmo tendo uma visão criacionista do mundo?

    E simples… porque nao viam os fenomenos que estudavam como sobrenaturais! E no entanto ela move-se! 🙂

    Gostaria de ver um estudo cientifico sobre a fisica e a quimica das aparicoes de Fatima!

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  2. Darjo says:

    Mats,

    Isso me lembrou o teu blog. Acho que daria mais um excelente “post” (os comentários gerados lá, até agora, muito didáticos, por sinal):

    http://www.uncommondescent.com/intelligent-design/hieroglyphs-the-linguistic-challenge-to-darwinism/#comments

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  3. O. Braga says:

    Ser “naturalista” e simultaneamente “evolucionista” é contraditório:

    http://espectivas.wordpress.com/2008/07/07/evolucionismo-versus-naturalismo/

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