Gays e conservadores

Este artigo é interessante porque revela que a questão do “casamento” homossexual é algo polémico mesmo dentro da comunidade homossexual. Isto é importante porque muitos secularistas querem catalogar os que se opõe ao “casamento” homossexual de “homofóbicos”.

Se isso é assim, será que os homossexuais que se opõem ao “casamento” homossexual são também “homofóbicos”?

Nos anos noventa, nasceram os movimentos gays conservadores, que recusam a ideia de um casamento gay.

No princípio, nos anos setenta e oitenta, os movimentos gays tinham como prioridade o “direito à diferença” e a afirmação orgulhosa da sua identidade própria. O “sair do armário”, a forma de vestir, as discotecas e as festas, foram as manifestações sociais de um grupo que queria afirmar a sua força política nas sociedades americana e europeia. E, é preciso reconhecê-lo, conseguiu atingir esse objectivo. A partir dessa época, a preferência sexual passou a ser característica distintiva de um ser humano, e geradora de direitos. Deixaram de existir apenas dois sexos, o masculino e o feminino, para passar a existir quatro categorias, homossexuais e heterossexuais para cada sexo. A ascensão da identidade sexual a característica essencial, equiparada à raça e à religião, foi a primeira grande vitória do movimento gay.

Contudo, o princípio orientador dessa guerra era a “diferença”, e vencida a contenda, o movimento gay descobriu que demasiada diferença empurrava as suas comunidades para um gueto desagradável. Quando se divide o mundo em heteros e homos, a consequência é o aumento da distância entre as pessoas, uma espécie de apartheid social subtil, prejudicial para todos. E, com o passar dos anos, as paradas gays haviam-se transformado em extravagâncias, meio cómicas, meio patéticas, que prejudicavam a imagem do movimento gay.

Atentos, os líderes do movimento passaram à fase seguinte, a da luta pela “igualdade”, cuja bandeira maior é o casamento civil. Numa importante inversão de valores, depois de lutarem pela diferença desejaram o regresso à igualdade, para fechar o ciclo e vencer a tal distância que se instalara entre as pessoas. Porém, e ao contrário do que se passou na “identidade”, na polémica questão do casamento o movimento gay fracturou-se.

Nos anos noventa, na América e em Inglaterra, nasceram os movimentos gays conservadores, que recusam a ideia de um casamento gay. Ou seja, a “fractura” entre a esquerda e a direita rasga também o movimento, e não apenas o resto da sociedade.

Em Portugal, a luta gay tem sido sempre uma bandeira da esquerda radical, que tem no Bloco o seu motor. É evidente que o PS adoptou a causa por mera táctica oportuna, e o PCP já não tem paciência para a contrariar, como fez durante décadas. O que é pena é que os gays conservadores portugueses não apareçam, opondo-se ao casamento gay como fizeram os seus compadres lá fora. Nesta, como noutras questões, estamos ainda na idade da pedra.

Domingos Amaral, Director da GQ

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"Posterity will serve Him; future generations will be told about the Lord" (Psalm 22:30)
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3 Responses to Gays e conservadores

  1. jonas says:

    Mats!
    Aqui no Brasil um Projeto de Lei tramitando no Congresso,sob a sigla PL 6418/2005 anti-homofobia,que quer colocar uma mordaça gay nos brasileiros.O artigo 5 do inciso 4 da Carta Magna diz:è livre a manisfestação do pensamento,sendo vedado o anonimato.O que os homossexuais querem é ficar imunes a críticas,taxando tudo como homofobia.Discordar é legal,ilegal é axincalhar,desprezar,denegrir ou proferir palavrões e ameaças.Por falar em homofobia,este termo tem o objetivo excuso de moldar o debate e canalizar para uma discussão falsa de ser homofóbico ou não.A homofobia é um sintoma psiquiátrico raríssimo com manifestações de desejos de espancar ou matar os homossexuais.e isto não nada a haver com a manifestação da grande maioria da população em ter uma repulsa expontânea da idéia de ter contato sexual com o mesmo sexo.Como vês o engôdo é grande,e precisamos colocar a questão como ela é,em que a homofobia só existe se tal atitudes forem tomadas por alguém.Ninguém nasce homossexual,pois a ordem cromossômica é igual,já foi descartado o tal “gene homossexual”,por isso o problema é comportamental,pois se é homem ou mulher por determinação genética e homosessual por preferência adquirida ou imposta.Então não deixe levar o debate para a homofobia,pois isso é canalizar a discussão para se moldar o debate,de origem falaciosa quanto ao termo empregado.

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  2. Mats says:

    Jonas,

    Ninguém nasce homossexual,pois a ordem cromossômica é igual,já foi descartado o tal “gene homossexual”,por isso o problema é comportamenta

    É verdade isso, mas mesmo que houvesse predisposição para a homossexualidade, isso não a torna moralmente válida. Vimos há pouco isso mesmo.

    Já que os secularistas e os seus Sambalates dentro das igrejas usam termos sem significado objectivo dentro deste debate (“homofóbico”), é perfeitamente justo usar-se a expressão “cristofóbio” ou “teofóbico” a todos aqueles que são contra o cristianismo ou contra Deus.

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  3. jonas says:

    Mats!
    Mas o termo “homofóbico ” deve ser compreendido pelo senso comum,para que não haja direcionamento do debate.Patologia é patologia, e repulsa expontânea é comportamento hígido.

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