Cruzadas, Torcidas e Retorcidas

A notícia seguinte foi enviada pelo Adalberto Felipe, a quem lhe agradeço o tempo dispensado.

Basicamente o que o artigo faz é levantar um pouco o véu da História, e mostrar que a “sabedoria” politicamente correcta que temos sido “ensinados”/indoutrinados não corresponde à verdade dos factos.

Cruzadas, Torcidas e Retorcidas Percival Puggina

Suponho que o leitor tenha péssima imagem das Cruzadas. Considera-as momentos negros da história da humanidade. Mais ou menos assim: estavam os elegantes e cultos seguidores de Maomé postos em sossego, como Inês de Castro, colhendo o doce fruto de seus anos, quando irromperam os selvagens cristãos, em sucessivas investidas, tentando arrancar-lhes do peito a sua Jerusalém.

Essa imagem se formou em aulas de história, nas piadas e gracejos anticatólicos de cursinhos e universidades, e em criteriosas conversas de mesa de bar. As Cruzadas fazem parte da surrada coletânea de acusações com que se denigre a imagem da Igreja, sempre repetindo as mesmas coisas.

Seria desonestidade desenhar qualquer das Cruzadas como marcha de indivíduos exemplares, soldados valentes e leais, em busca da libertação do Santo Sepulcro. Entre os nobres propósitos da convocação feita em Clermont por Eudes de Châtillon, o papa francês, Urbano II – “Homens de Deus, homens eleitos e abençoados…” – e a massa humana que chegou a Jerusalém, havia enormes diferenças: dois anos de marcha, milhares de quilômetros e uma curiosa amálgama de santos (como S. Luis), guerreiros valentes e generosos (como Godofredo de Bulhões) e bandidos interesseiros (como Boemundo). Tinha que acontecer de tudo um pouco e aconteceu mesmo.

Mas não é isso que ponho em discussão. O que pretendo suscitar é o que não se menciona sobre o contexto em que se desenrolaram tais fatos. Corria o século XI. Cavaleiros de Alá e muçulmanos de várias nacionalidades, havia quatro séculos, tinham tomado Jerusalém e ameaçavam a Europa por todas as suas penínsulas sobre o Mediterrâneo. E não o faziam com bons modos.

Havia mais de trezentos anos dominavam a Península Ibérica. Al-Hakim, em 1010, destruíra o Santo Sepulcro. Sucediam-se os ataques contra Bizâncio, de onde o basileu Aleixo Comneno pedia socorro ao Ocidente para defendê-la de investidas que se prolongaram por oitocentos anos e se completariam em 1453 quando Maomé II tomou a cidade em definitivo.

Aliás, a longa saga e a agonia de Bizâncio, as terríveis 72 horas que se sucederam à queda do último baluarte cristão no Oriente, quando milhares de cristãos foram decapitados (o sultão invasor prometera entregar a cidade a seus soldados por três dias), compõem uma das páginas mais terríveis da História. Mas não é verdadeiro que esse fato só entra no nosso conhecimento como “a tomada de Constantinopla pelos turcos” a dar causa às Grandes Navegações?

Essa é a narrativa histórica, cruzada, torcida e retorcida, zarolha e tendenciosa, nitidamente anti-cristã, que a cada dia mais se avoluma através de todas as formas de comunicação à disposição dos manipuladores. A quem servem? À verdade é que não é.

About Mats

"Posterity will serve Him; future generations will be told about the Lord" (Psalm 22:30)
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12 Responses to Cruzadas, Torcidas e Retorcidas

  1. Mats, eu é que agradeço!! Muito obrigado por publicar!!

    É ótimo que os ateus vejam o outro lado da cruzada que as escolas não mostram o que comprova o quanto os livros estão cada vez mais anti cristãos.

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  2. Mats says:

    É verdade. A indoutrinação ateísta nas escolas está a gerar pessoas totalmente desconhecedoras da sua própria História.

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  3. Mats,

    Gostaria de te sugerir uma outra matéria a colocar no seu blog: sobre a inquisição. Vários ateus alegam que foi milhões, dezenas de milhões, centenas de milhões ou até bilhões de pessoas que foram mortas no inquisição, sendo que não foi bem assim não… o número de mortos pelo que já ouvi falar num vídeo no youtube e em um outro site que não lembro qual, não chega nem a 50… e havia outro fato também: o Estado estava muito envolvido nisso, não era só a igreja, ao contrário do que muitos pensam.

    Outra coisa que já ouvi falar, mas não posso informar se é verdade é que várias pessoas cristãs morreram pois lutavam contra o abuso de falsos papas, bispos e padres contra um povo desinformado, ou seja: havia um movimento que lutava contra as mentiras que eles falavam contra o cristianismo.

    Mesmo, apesar de nunca incentivar a violência, o cristianismo foi ofendido, mas não ficou fraco, continuou como exemplo a ser seguido e sempre continuará.

    Será ótimo fazer uma pesquisa assim, assim se um ateu vier com aquele argumento das cruzadas ou da inquisição você já terá dois artigos para desmentir esses mitos ateus!:)

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  4. Corrigindo, o número de mortes, pelo que ouvi falar, não chega nem a 50 mil.

    Encontrei um vídeo no próprio canal do Sabino que fala isso, embora tenha visto em outro vídeo:

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  5. Mats says:

    Adalberto,
    Obrigado pela dica.

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  6. ND says:

    @Adalberto
    “Bem, sim… é verdade… mas tens de ver que os cristãos mataram em nome do Cristianismo. Talvez tenham existido tiranos que eram ateus mas ele não mataram em nome do ateísmo”
    ao que ele responde… “ele é um bom biólogo mas não devia sair do laboratório”

    E isto são os vossos contraargumentos? Deviam era ter vergonha de não conseguirem apresentar nada que não seja um insulto barato e de serem tacanhos ao ponto de não conseguirem distinguir religião de política. O quanto custa compreender que um qualquer pretexto é usado por quem sobe ao poder?! – Príncipe, Maquiavel

    Mas não é aqui que reside o principal problema. O problema é que Deus não existe. Não conseguem encontrar nada que não sejam jogos de palavras e suposições. E porque existe quem vos aponte o dedo e diga que vocês vivem uma mentira ficam todos ofendidos e fazem-se de vítimas.
    OH! PÁ! até pode ser que a vossa mentira resulte para a sociedade em mais progresso e menos mortes MAS CONTINUA A SER UMA MENTIRA!

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  7. Mats says:

    Nuno,
    As mortes do ateísmo são bem superiores às mortes do Cristianismo. Só um ateu (Mao Tse Tung) causou mais mortes que TODOS os cristãos em 2000 anos.

    Isto são dados históricos e não um “insulto barato”.

    Mas o pior disto tudo é que, enquanto que o Cristianismo não ensina que se deve converter as pessoas à força, o ateísmo diz que cada pessoa ou sociedade pode inventar a moralidade que ela bem quiser e entender. Portanto o que os ateus Stalin, Mao e Pol Pot fizeram está de acordo com o ateísmo.

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  8. Adalberto Felipe says:

    Mas um excelente artigo sobre as cruzadas:

    As cruzadas, a jihad e certos professoreshttp://www.midiasemmascara.org/artigos/educacao/11226-as-cruzadas-a-jihad-e-certos-professores.html

    Alguns mitos sobre as cruzadashttp://timedecristo.wordpress.com/2010/06/18/alguns-mitos-sobre-as-cruzadas/

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  9. Mats says:

    Adalberto,
    Gracias! Vou guardá-los e ver se consigo por aqui também.

    Paz.

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  10. Adalberto Felipe says:

    Mats,

    Mais um texto sobre as cruzadas: http://www.rafikresponde.com/perguntas-e-respostas/nova-cara-do-islam.html?start=4

    Ver a parte chamada: “A MENTIRA de que as CRUZADAS foram ataques sem provocação ao Islam”

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  11. Mats says:

    Adalberto,

    Obrigado pela dica.

    Deus te abençoe.

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  12. Adalberto Felipe says:

    Mats,

    Neste artigo que mostra mais algumas verdades sobre o islã também há mais textos desmentindo as cruzadas.

    Esse assunto é bom passar para os ateus que adoram vir falando das cruzadas sem saber do que se tratava.

    Agora, Mats, gostaria de sugerir: teria como também você fazer um texto com as evidências históricas de que a inquisição não matou “milhões” de pessoas como pregam os ateus (e que o Estado estava muito envolvido nela)?

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