A religião ateísta envenena tudo

O crente ateu Christopher Hitchens veio a Portugal tentar explicar as razões que fazem do ateísmo uma religião superior ao cristianismo. Infelizmente não tive hipótese de lá ir, mas o Ludwig pelos vistos foi, e fez um post acerca disso.

Havendo lido as palavras lá presentes, não pude deixar de notar que os ateus continuam a assumir que a moralidade que eles escolheram de alguma forma é a que se aplica aos não-ateus. Se forem ler o post do Ludwig, vão reparar em frases como “princípios“, “acto que se reconheça como bom“, “valores condenáveis“, “a religião é desnecessária para se ser bom“.

Embora em todas estas instâncias esteja assumida uma forma absoluta de se distinguir o que é o “bom” do que é “condenável”, sempre que os ateus são questionados sobre isto eles não nos dizem qual é o ponto de referência absoluto para classificar escolhas morais. Se não há uma forma absoluta de se distinguir valores morais, então porque é que o ateu assume que a sua moral é superior a moral dos teístas cristãos? Porque é que o ateu acredita que o que ele classifica de bom, o é de facto?

Isto é um ponto muito importante quando se conversa com um crente ateu, porque ele claramente mostra que o ateu não tem bases ateístas para atacar escolhas alheias. Ele pode muito bem considerar algo como “bom” ou como “mau”, mas na falta de Um Ponto de Referência Absoluto para a moral, as suas escolhas são relevantes apenas para ele.

O Hitchens é um ateu desconhecedor da história, e pelo que se pode ler nos blogs ateus, ele não é o único. A crença de que o cristianismo (que ele apenas chama de “religião”) envenena tudo, não só é uma crença relativa (devido ao seu ateísmo), como revela uma profunda falta de conhecimento da História.

Será que a religião envenenou Isaac Newton? Ou Maxwell? Será que Francis Bacon, que disse “Prefiro acreditar em todas as fábulas na Lenda, no Talmude, e no Alcorão, do que acreditar que a composição do universo veio a existir sem Uma Mente” estava “envenenado” pelo cristianismo? Claro que não e tanto o Hitchens como o Ludwig sabem disso. O problema é que eles estão numa missão de conversão. Eles buscam novos convertidos entre a população, mas eles sabem que não podem implantar a sua religião sem primeiro destruir o cristianismo. É mais ou menos o que os muçulmanos fazem aqui no ocidente. O que varia são os métodos.

Toda esta retórica sobre os “males” causados pela “religião” (reparem que eles raramente indicam qual é a religião. Desta forma podem usar eventos presentes no Islão para atacar o cristianismo) são apenas desculpas por eles inventadas para se justificarem perante eles próprios e perante o mundo. Os motivos que os levam a rejeitar a Bíblia não tem nada a ver com o “mal” lá presente mas sim com o mal que a Bíblia diz estar presente em nós.

Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus;
Sendo justificados gratuitamente, pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus,
Ao qual Deus propôs para propiciação, pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus;
Para demonstração da sua justiça, neste tempo presente, para que ele seja justo, e justificador daquele que tem fé em Jesus.

Romanos 3:23-26

Dado que a religião ateísta faz com que pessoas inteligentes tenham que distorcer a ciência e a história como forma de se justificarem, eu deduzo que é o ateísmo, e não o cristianismo, que envenena tudo.

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[ACTUALIZAÇÃO: 21/02/2010 -13:30]

O Luciano comentou o post do Ludwig.

About Mats

"Posterity will serve Him; future generations will be told about the Lord" (Psalm 22:30)
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23 Responses to A religião ateísta envenena tudo

  1. Arnaldo says:

    OFF TOPIC:
    Mats, particularmente o tema anterior do seu blog estava melhor.
    O tema atual está com alguns problemas na coluna direita (usando firefox e iexplore).

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  2. Mats says:

    Bem, vamos tentar este tema.

    Depois diz-me se notaste algum problema.

    Obrigado.

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  3. lucianohenrique says:

    Parabéns pelo seu post, Mats. Realmente muito bom.

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  4. Nuno Dias says:

    Voltamos ao tema “ponto de referência absoluto” para a moral? Não, o ateísmo não tem. E porque haveria de ter? Não existe um qualquer motivo lógico para ter, a Evolução das Espécies não é a Bíblia, nem God Delusion, ou um qualquer livro de Hitchens. E sabes que mais, somos nós quem tem razão, baseamos as nossas crenças com o que parece lógico, mais fácil de corrigir, assumir erros e quem sabe encontrar o vosso Deus.
    A vossa crença baseia-se em algo tão discutível quanto o número de seitas que existem pela análise da Bíblia.

    Sobre Hitchens, uma seca. Não aprecio as suas análises, não concordo com muitas delas. É mais do que evidente que a religião sempre teve um papel poderoso e benéfico em vários aspectos da sociedade (hospitais surgiram como evolução das peregrinações, legislações transpostas de leis religiosas).
    Mas a religião é causadora de muitos males e apontado-te a ti o dedo, fobia à homossexualidade, superioridade moral, falta de imparcialidade, submissão, crença no imaginário.

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  5. Leonardo Ribeiro says:

    Como se desenrola o novelo que levou à ausência de razão para a razão, a ausência de moral para a moral?
    Se o racional veio de um progresso do irracional, como se lhe confiar valor?
    Se a moral veio de um progresso do não-moral, como se lhe garantir valor?
    CS Lewis, um pecador redimido, se atém sobre esses temas em parte de seu livro Miracles. Vale a leitura e a reflexão.

    Feliz cada novo dia…

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  6. Mats says:

    Voltamos ao tema “ponto de referência absoluto” para a moral? Não, o ateísmo não tem.

    Entãao o ateu não tem base para criticar a moralidade alheia.

    E porque haveria de ter? Não existe um qualquer motivo lógico para ter

    Moralidade e “lógica” nem sempre estão em harmonia.

    E sabes que mais, somos nós quem tem razão, baseamos as nossas crenças com o que parece lógico, mais fácil de corrigir, assumir erros e quem sabe encontrar o vosso Deus.

    OS pedófilos também fazem isso.

    A vossa crença baseia-se em algo tão discutível quanto o número de seitas que existem pela análise da Bíblia.

    Mesmo que isso fosse verdade, não invalida que o ateísmo não ofereça bases para criticar a moral alheia.

    Mas a religião é causadora de muitos males e apontado-te a ti o dedo, fobia à homossexualidade, superioridade moral, falta de imparcialidade, submissão, crença no imaginário.

    Mas quem é que disse que isso são coisas más?

    “Más” segundo a moralidade de quem?

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  7. jonas says:

    Se o ateísmo diz que não há valores morais objetivos,como há conceitualização de bem ou mal?Se a moralidade é decorrente do contexto social e do adaptativo social, issso não
    esclarece em nada o aparecimento de valores morais objetivos,em que não há nenhuma base objetiva para assumir o valor moral do propósito de vida em uma visão ateística.Numa visão ateística,todos os propósitos de vida que você escolhe são moralmente iguais,se você quer viver uma vida com um me´dico,que se preocupa com os mais pobres e oprimidos,ou escolhe ao invés disso ser um Stalin,Hitler ou Mao Se Tung.
    Se DEUS existe,então a objetividade de Valores,Obrigações e Responsabilidades Morais são asseguradas,mas na ausência de DEUS,se ELE não existe,então a moralidade é totalmente subjetiva e não obrigatória.Então podemos agir da mesma maneira que agimos,mas na ausência de DEUS essas ações não seriam consideradas boas( ou más),porque se DEUS não existe,valores morais objetivos não existem.Dizer que existem valores morais objetivos,é afirmar que algo é bom ou mau,independentemente de alguém acreditar que isso seja verdadeiro.Se o ateísmo é verdadeiro,os valores morais objetivos não existem.Se DEUS não existe,qual a base para os Valores Morais??Qual a base para o valor do ser humano??Por que temos obrigação moral para qualquer coisa??
    O padrão de moralidade estará firmado,se valores e obrigações morais forem objetivas; se a moralidade é apenas uma convenção e um construto humano,sedimentado pelo adaptativo social,porque deveríamos agir moralmente,especialmente quando há conflitos com interesses próprios???(como o altruísmo é explicado na evolução do ser humano?)Ou somos de alguma forma responsáveis pelas nossas decisões e ações???
    Há uma tentativa de se relativizar a conduta moral humana,mas em cima de valores morais objetivos,que por si só são um “Nonsense”.

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  8. Nuno Dias says:

    “ponto de referência absoluto”, “valores morais objectivos” são tudo conceitos demasiadamente vagos.

    É no entanto curioso verificar que entendem ser detentores de uma moralidade “mais correcta” por se guiarem por um livro que supostamente serve de guia. A verdade é que a vossa moral é tão boa como a minha, ou a de qualquer outro ateu. Pois ao exporem uma passagem sobre a bondade de Deus, não muito longe haverá outra que demonstre a sua crueldade. O que acontece é que vocês escolhem a que melhor proveito vos faz.
    Quando a atitude de Deus é condenada por ateus, a vossa resposta baseiam-se em “Ele tudo sabe” e “qual é a vossa moral para pensar o contrário?”
    Respostas de treta, respostas de quem não quer dar o braço a torcer, respostas de quem se quer enganar a ele próprio, respostas de quem tem medo.

    A crueldade com que são expostas algumas passagens na Bíblia são claras, em qualquer moral.

    @jonas
    os valores morais não são objectivos, penso que consegues admitir que as mensagens que a igreja tem vindo a passar ao longo das décadas tem variado

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  9. Arnaldo says:

    OFF TOPIC::

    Este tema do blog ficou bem melhor que o anterior.

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  10. Mats says:

    Nuno,

    “ponto de referência absoluto”, “valores morais objectivos” são tudo conceitos demasiadamente vagos.

    A ideia de que torturar bebés está errado é um conceito “vago” ou é bem específico?

    É no entanto curioso verificar que entendem ser detentores de uma moralidade “mais correcta” por se guiarem por um livro que supostamente serve de guia.

    A minha moral não é melhor que a tua. A moral de Deus é que é a Perfeita. Eu tenho tido o cuidado de dizer que, sem Deus, todos os comportamentos morais são válidos. Com Deus, tudo muda.

    A verdade é que a vossa moral é tão boa como a minha, ou a de qualquer outro ateu.

    Exactamente. O problema é que eu nunca disse que a minha moral é melhor que a tua.

    Segundo, se tu achas que a minha moral é tão boa como a tua, porque é que me atacas quando digo coisas contra o comportamento homossexual? Aparentemente tu achas que ser-se contra um comportamento sexual está errado, mas eu não. Ainda achas que a minha moral é tão boa como a tua?

    Pois ao exporem uma passagem sobre a bondade de Deus, não muito longe haverá outra que demonstre a sua crueldade.

    “Crueldade” segundo quem? Segundo a TUA moral?

    Quando a atitude de Deus é condenada por ateus, a vossa resposta baseiam-se em “Ele tudo sabe” e “qual é a vossa moral para pensar o contrário?”

    Exactamente. Quem é o ateu para criticar a moralidade alheia, quando o ateu acredita que todos os comportamentos morais são válidos? Pelo menos, ele deveria acreditar nisso, uma vez que é ateu.

    A crueldade com que são expostas algumas passagens na Bíblia são claras, em qualquer moral.

    Mas só são “crueldades” segundo a tua moral. A questão é: quem disse que a tua moral é a régua de medir no que toca a escolhas morais?
    O que tu consideras como um acto “cruel” pode ser considerado por outra pessoa como um acto “justo” e “misericordioso”. Como tu acreditas que Deus não existe, as tuas escolhas morais, incluindo o que tu chamas de “crueldade”, são tão válidas como quem pensa o contrário.

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  11. Leonardo Ribeiro says:

    Mas em que base se assumirá a responsabilidade por algo?
    O que se definirá uma atitude como legitimamente punível ou não?

    Vá dizer que a tortura é um conceito vago para as vítimas. Elas talvez achem consolo…

    Há uma diferença significativa entre matar e ter prazer em matar.

    Quando o Cristo falou em se evitar julgamento, falava do julgamento irresponsável, leviano, temerário. O mesmo Cristo falou sobre conhecimento advindo da observação de obras – isso é uma avaliação, um juízo de valor, um julgamento – “pelos frutos conhecereis as árvores.”

    Há um vestígio de hinduísmo nesse pensar sobre pior e melhor relativos. Não existiria bondade e crueldade absolutas, no frigir dos ovos… Hum, se eu chutar-lhe a genitália isso não poderia ser considerado uma crueldade, não é mesmo?

    Feliz cada novo dia…

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  12. Mats says:

    Roberto,
    Tenta não chamar nomes às pessoas senão vou ser obrigado a bloquear-te. Neste blog nem ateus nem cristãos tem o hábito de chamar nomes às pessoas com quem discordam.

    Torturar bebês é um conceito vago, culturalmente construído como um tabu e isso é facilmente constatado pela antropologia.

    Oh, ai é? Então torturar bebés pode ser moralmente aceitável?

    Com isso mostras a consequência do ateísmo. Se uma sociedade disser que não há nada de mal em torturar bebés,o ateu, sem uma Referência Absoluta para a moral, vai seguir esse práctica horrível.

    Obrigado por mostrares mais uma vez o quão socialmente perigoso o ateísmo é para a sociedade.

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  13. Leonardo Ribeiro says:

    Permita-me diminuir o foco. Ao invés de falar em assassinatos, furtos, vamos a algo mais cotidiano, tipo o ato de mentir ou o adultério.
    Se minha obtusidade deu uma trégua e pude entender um tiquinho do que está escrito, então, em essência, não há erro no adultério. Se minha consorte não toma consciência, estou isento de sua mercê. No Brasil, de onde escrevo, o adultério não é crime, não há lei de tolhimento. Só minha volução. Se eu quero, faço. Se eu não quiser, não será porque sou bonzinho, mas porque não vejo razão para tal ato. Entendi?

    Eu creio que estamos em mundo caído e todos somos potencialmente maus. Falhamos, nos corrompemos por migalhas. Se isso não será julgado, então nada é proibido, apenas convenientemente calado, quando há força coercitiva oposta – quando há lei. E isso ainda não é garantia de que haverá paz, sossego, segurança. De fato, não há. Eu não teimo quanto a isso. Embora haja leis, elas são – e enquanto houver tempo, espaço e homem natural – serão transgredidas.

    Se não há uma lei moral e universal, por que em todo canto que se pode conhecer, ela se mostra presente? Por que há vestígios dela desde o berço da humanidade? Por que se criaram códigos, leis, regras? Por que houve essa necessidade? Apenas para se regular o homem? De onde vem tanta verossimilhança, embora sejam origens das mais diversas?

    Se a base da minha ação é a reação dos outros, não tenho qualquer inclinação para o mal ou para o bem?
    Se não a tenho, o que determina minhas ações?

    Quanto ao Cristo, o que garante a certeza da sua não-existência? O que fazer dos relatos seculares que lhe apontam a existência?

    Embora não seja hindu, o sistema de crenças hindu tangencia parte da suas ideias. Especificamente a questão da moral.

    O que é ser um ateu agnóstico? Ou se é ateu ou se é agnóstico.

    Uma breve pesquisa, até mesmo descompromissada, sobre a história da ciência vai denunciar um fato curioso: seu alvorecer veio sob os auspícios da crença em mundo teísta.

    Feliz cada novo dia…

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  14. Nuno Dias says:

    Mats, és um bom psicólogo

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  15. Leonardo Ribeiro says:

    Roberto,
    Apenas as circunstâncias influenciam uma tomada de decisão ou uma reviravolta no comportamento?
    Não há um “motivo” a priori? Melhor dizendo, uma tendência que anteceda ao gesto? Por exemplo, se uma mulher me seduzir e, embora amando minha esposa, eu ceda, minha atitude foi determinada (perdoe-me se o emprego do termo remete à ideia de que esteja entendo que você, para mim, aparenta ser determinista) somente pela lascívia da outra?

    As exceções são inúmeras. Há muito que “filhos de peixe, peixinhos não são.” Não diminuo a influência do contexto em que se nasce, mas não partilho da ideia de que nascemos bom, e a sociedade nos corrompe. Afinal, a sociedade é constituída por homens, eles próprios fomentam a corrupção.
    Agora, eu lhe digo o que percebo nos inúmeros lares por aqui: pessoas criadas em berço que se inclinaram para a vilania. Meninos e meninas que cedo cederam aos apetites do sexo, embora tenham tido a melhor educação e desvelo. Não são exceções – não por aqui. E não tenho porque pensar que em outro local seja. Embora o habitat atue na formação da personalidade, o carater já estava lá. A índole predisposta ao mal.
    Você não percebe casos como estes próximos a você?

    Quanto ao Cristo, há, sim, relatos seculares do Cristo da narrativa bíblica. O historiador Flávio Josefo fez mênção dele. Outro historiador, Caio Plínio (o jovem), romano, nascido umas três décadas após ascenção de Jesus, cita-o também, além de fazer referência a práticas cristãs da então nascente igreja. Outro historiador, Suetônio, o mesmo que escreveu pormenorizadamente sobre a vida dos Doze Désares, cita o Cristo.
    Ainda outro, Tácito, em sua obra Historiae, faz citação do Cristo.
    De fato, a aliança de Constantino com o cristianismo deu-se em prejuízo funesto a este, cujas chagas não terão cura nesta vida. Mas se lhe interessar um estudo breve da história do cristianismo, você concluirá que esta fase é conhecida como “era daas trevas”, face aos conluios entre paganismo e fé cristã e os perjúrios perpetrados por quem carregava um título eclesiástico.

    Roberto, o que lhe garante a lógica do seu conhecimento. Como você sabe que pode saber realmente? Em quê sua razão se firma?
    Se o naturalismo é verdade, então o racional veio a partir do não-racional. Como isso se suscedeu? E se foi assim, o que assegura que se está em racionalidade e não em um “avanço” do irracional? E se for isso, então, não há razão, prevalece o incognoscível.
    Por favor, fale um pouco da sua epistemologia.

    O que você atribui de contradição a Deus não repousa nas contradições que cristãos praticaram ao longo da história?
    Você julga o conteúdo pelo continente?

    Feliz cada novo dia…

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  16. Leonardo Ribeiro says:

    Para me esclarecer: quando falei
    “Uma breve pesquisa, até mesmo descompromissada, sobre a história da ciência vai denunciar um fato curioso: seu alvorecer veio sob os auspícios da crença em mundo teísta.”

    Não tinha em mente a alquimia ou as interpretações amadoras da fenomenologia natural.
    Pensava em expoentes da ciência que tinham uma percepção do mundo (uma cosmovisão) teísta – há um criador.
    Por exemplo:
    Nicolau Copérnico, definindo a rota da Terra em torno do Sol;
    Johannes Kepler, lançando as bases para a mecânica dos corpos celestes;
    Isaac Newton, formulando a lei da gravitação universal;
    Robert Hooke, seus trabalhos em microscopia;
    John Dalton, sua teoria atômica e a compreensão da cegueira das cores;
    Gregor Mendel, sua compreensão em genética;
    Louis Pasteur, cujos estudos são decisivos na elaboração das vacinas. Citadas como hábeis por darem cura a tolos e sábios.

    Enfim, embora o progresso científico tenha reformulado ou retificado alguns conceitos trazidos por estes homens, sua atuação na história foi de relevância inquestionável. Cientistas cujas convicções não impediram de descobrir, interpretar, conciliar e até mesmo estabelecer vários aspectos do mundo ao seu redor.

    Feliz cada novo dia…

    P.S.: Ressalto também que não partilho da ideia de que a ciência tem que provar a existência de Deus. Há depoimento de vários cientistas, ateus e teístas, que defendem que a ciência não tem a resposta. Se eles, que são da área, pensam assim, com que fundamento pensarei o contrário?
    Ah, Dawkins não fala como cientista em suas palestras e livros. Fala como ateu.

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  17. Leonardo Ribeiro says:

    Puxa!
    Eu até que estava a gostar do bate-papo.
    Mas você cedeu à verborragia.
    Parece que você bebe Dawkins num brinde de cianureto!
    A facilidade em esteriotipar que as pessoas só podem ter algum valor se forem ateias vai ad lattere da crítica de que a religião é excludente.
    A violência nas palavras caminha na mesma trilha das imprecações que religiosos fazem aos não-seguidores.
    Não entro nessa. Pensei que você teria mais paciência.

    Não pus palavras nos seus dígitos, ao citar a raiz do pensamento de Rousseau. Fi-lo apenas para compartilhar que eu não penso assim. Eu não pensar assim não é igual a eu achar que você pensa assim. N’est-ce pàs?

    Cara, eu não tenho a menor ânsia em ser reconhecido por pessoas que vão além de meus amigos e familiares.
    Uma projeção maior não é para mim.

    Bom, como você acredita que o racional veio do irracional, não há mais discussão.
    O que você pensa não tem valor. O que eu penso também não.
    O que se expõe aqui, idem.
    A vida é a vida e pronto. Assim, sem propósito, sem nada.
    Então, às favas! Um mundo assim tem espaço para todos, para tudo!
    Você não pode estar certo porque sua razão veio da não-razão, então nada garente que o que atribui ser racional tenha de fato racionalidade.
    Eu também não posso estar certo, pois Deus é uma conclusão da minha razão que nasceu da não-razão.
    Não um padrão de certo e errado, o anarquismo deverá ser o progresso.
    Comamos, bebamos e depois morramos!
    Seja feliz!
    Abrace a vida e a beije com intensidade!

    Por falar em Carl Sagan, qual a contribuição na astromia vinda dos estudos dele?
    A de conjecturar que o DNA pode ter origem extraterrestre?
    A de afirmar a existência de seres mais inteligentes que nós? (Você sabe de algum fato a esse respeito?)
    Isso não é especulação e achismo?
    Porque a fama dele não está nos trabalhos junto à agência espacial estadunidense, mas em sua obra literária para popularizar a ciência (atéista).
    “A ausência de evidência não implica em evidência de ausência.” Esse dito dele só deve valer para o que ele quer? Pois ela abre espaço para que se creia em Deus, a despeito do fato de que não há evidência científica.

    E Dawkins? Qual a sua contribuição para a zoologia?
    Porque a fama dele não está nas discussões sobre genótipo e fenótipo, mas na sua divulgação literária da ciência (ateia) e, recentemente, do preconceito declarado à religião.
    Que não se creia em Deus é de cada um, mas daí a distinguir classes de seres humanos – os elevados são ateus e a escória é crente. Isso é pensar na humanidade com algum valor? Isso não é preconceito? É por essa senda que devemos ir? Sem respeito, sem tolerância?

    Os cientistas que citei anteriormente, até onde sei de suas biografias, não atribuíam a Deus o ato laboral e intelectual de suas perfomances. Eles criam em Deus e O percebiam à medida que suas pesquisas se desenvolveram. Você, que aprecia fatos, pode testar essas informações.

    Tá, o judeu Spinnozza cria num tipo de panteísmo, o alemão Max Stinrner era nihiilista influenciou o anti-semita alemão Nietzche que não cria em nada (um filho de peixe que não foi peixinho), embora tenha tido arroubo ao falar de amor. E? Você tem fatos que mostram o progresso nos valores em uso no presente século? Você percebe as pessoas melhores cada novo dia? Há mais altruísmo, compaixão? O super-homem voa sobre os telhados? Onde anda o homem além do homem?

    Feliz cada novo dia…

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  18. Mats says:

    A CIÊNCIA NÃO PODE “DES”PROVAR DEUS PORQUE NÃO SE PODE PROVAR O INEXISTENTE.

    Mas a ciência está de acordo com o cristianismo. Quem foi que te disse que a ciência e Deus estão em campos opostos?

    A ciência só é possível precisamente porque o Universo é o resultado de Uma Mente Sobrenatural. Se o universo fosse o resultado de forças aleatórias, como pensam os crentes ateus, não havia razões para se fazer ciência porque não haveria razões para se assumir que o universo é um lugar ordenado e inteligível.

    O sucesso da ciência é uma das evidências mais poderosas para a verdade da Bíblia.

    Portanto, tira da tua mente essa ideia de contrapôr a ciência com a Bíblia porque não funciona. Se tens dúvidas, pensa em pessoas como Maxwell, Faraday, Newton, Lineus, PAscal, Mendel, e muitos outros cristãosque praticamente moldaram a ciência para o que ela é hoje.

    Mas olha, eu não quero dizer que tu não tens o direito de ter as tuas crenças. Tu tens o direito de acreditar o que tu bem quiseres, mesmo acreditar que a vida criou-se a si mesma, mas não penses que isso é algo que vem da ciência porque não é.

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  19. Fabio Paiva says:

    “Crente ateu” é uma expressão nonsense, que revela a profunda desinformação do autor do post. Ateísmo não é uma denominação religiosa. Ateísmo é uma posição filosófica. Ateísmo não é crença, não tem líder “espiritual”. Não idolatra ninguém. Não existe fé no ateísmo.

    Caro Mats, porque devemos acreditar que “o Universo é o resultado de Uma Mente Sobrenatural”? O que você quer dizer com “forças aleatórias”? As quatro forças fundamentais conhecidas da natureza (da gravidade, elétrica, nuclear forte e nuclear fraca, que são as forças que moldam o Universo e lhe dão o comportamento que aparenta) tem ações bem definidas, portanto não deve ser a elas que você se refere. Se você fala em um Universo “ordenado e inteligível”, pressupõe-se que aquele a quem você considera o criador do Universo o criou para que seguisse um conjunto de leis tais que que deveriam ser obedecidas em qualquer parte. Se é ordenado e inteligível, deve ser coerente e não apresentar comportamento anômalo em qualquer de suas partes. No entanto, isso sugere que o criador do Universo não deveria intervir em nenhum momento para impor alguma vontade sua (tal como parar o Sol para favorecer um exército, conforme a bíblia relata), visto que isso representaria uma violação das leis estabelecidas pelo legislador, o qual, supondo-se ser um legislador justo, não deveria ele memso trangredí-las. Dizer que o Universo é ordenado retira a possibilidade de que seu criador intervenha para perturbar a ordem. Nesse caso, o criador está impedido, por uma questão de ética, de afetar o que quer que ocorra por aqui. Aí inclue-se favorecer devotos suplicantes em detrimento de descrentes.

    Não penso que esse texto foi tão bem construído como alguns comentários tentam dizer. Espero não ter parecido rude.

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  20. Sérgio Sodré says:

    É bem verdade que o Ateísmo não é uma denominação religiosa mas antes uma posição filosófica. Todavia o mesmo é válido para o Teísmo (base das religiões com um Deus pessoal), para o Deísmo e para o Panteísmo (podiamos ainda juntar o Panenteísmo).
    Mas julgo que se pode dizer que há uma fé ou crença ateia quando ela não resulta de posições racionais. A razão diz-nos que nada pode sair do nada e que tudo tem uma causa. Quando imaginamos uma causa incausada estamos, por definição a falar de Deus. A investigação racional levou o homem a provar que existiu um Bing Bang há 13-15 biliões de anos que gerou o Universo, tempo e o espaço. Ou seja caiu a teoria de que o nosso Universo era eterno sempre tendo existido, o que relança a razão no caminho de aceitar Deus.

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  21. Sérgio Sodré says:

    Este Deus que refiro não tem necessriamente que ver com o Deus referido em quaisquer livros religiosos feitos pelo homem ao longo da história, mas parece ser um factor racionalmente válido para justificar a racionalidade do Universo e das suas leis. A alternativa ateia é mais uma declaração de fé do que de razão, pois implica que electrões, protões e neutrões tenham surgido do Nada (e racionalmente nada pode sair do nada) criado átomos 300.000 anos após o Big Bang e acabado sem qualquer intervenção de uma força racional por levar a nós, humanos, 15 biliões de anos mais tarde, apenas por sorte, por acaso (na realidade implicaria milhões de “acasos” em que só um mal dirigido levaria a que não existissemos). Ora Fábio Paiva se esta posição não é uma posição baseada numa fé ou crença ateia é o quê? Razão não será… Nota que um pequeno desiquíbrio nas partículas que geraram os primeiros átomos já não permitiam o surgimento de um universo que gerasse vida.
    Para contrariar esta impossibilidade, alguns ateus defendem que existem triliões de universos paralelos que desconhecemos e assim o acasdo no nosso estaria justificado. Só que nada o prova, pelo que é uma mera declaração de Fé.
    É mais racional admitir a existência de uma entidade inteligente com um desígnio (Deus) do que triliões de universos para pseudo-explicar o nosso. Até porque se coloca a mesma questão (como surgiu) para cada um desses pseudo-triliões de universos paralelos.
    Nota, eu não afirmo que Deus existe, apenas digo que aceitar a sua existência é mais RACIONAL do que recusá-la. Ou seja, que há mais fá cega do ateísmo do que em aceitar um Deus (seja numa linha teísta, panteísta, deísta, panenteísta… como será Deus não é o que agora estou a discutir).

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  22. Sérgio Sodré says:

    Na realidade os primeiros electrões e protões terão surgido de um centro muito denso e quente, luminoso, que explodiu há 15 biliões de anos. O que justifica esse centro (que é anterior ao surgimento do tempo e do espaço) ninguém sabe. Admito que haja um Deus que o saiba, pois só ele poderia fazer algo sair do Nada. Ou talvez nem ele e o Universo venha da própria substância divina tendo sido gerado e não criado (Panteísmo emanentista).
    Quanto a nós somos feitos de material surgido em estrelas que explodiram, aí surgiu o carbono e os demais atómos necessários à vida pois do Bing Bang inicial só eclodiu hidrogénio e hélio.
    Um Deus do Acaso ou um Deus da Razão? qual estará mais de acordo com as regras do pensamento humano. Seguir a nossa razão e livramo-nos da superstição conduz-nos ao Logos, a Razão do Mundo.

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  23. Mats says:

    Fabio Paiva,

    Caro Mats, porque devemos acreditar que “o Universo é o resultado de Uma Mente Sobrenatural”?

    Deves acreditar nisso da mesma forma que deves acreditar que 2+2=4. É a verdade.

    O que você quer dizer com “forças aleatórias”?

    Forças não inteligentes.

    As quatro forças fundamentais conhecidas da natureza (da gravidade, elétrica, nuclear forte e nuclear fraca, que são as forças que moldam o Universo e lhe dão o comportamento que aparenta) tem ações bem definidas, portanto não deve ser a elas que você se refere.

    Nenhum dessa forças é uma força inteligente. É absurdo imaginar que a inteligência surgiu da não-inteligência.

    Se você fala em um Universo “ordenado e inteligível”, pressupõe-se que aquele a quem você considera o criador do Universo o criou para que seguisse um conjunto de leis tais que que deveriam ser obedecidas em qualquer parte. Se é ordenado e inteligível, deve ser coerente e não apresentar comportamento anômalo em qualquer de suas partes.

    MAs o criacionista não nega que o universo seja ordenado e inteligivel. O que nós dizemos é que é ilógico atribuir-se às leis que funcionam dentro do universo como criadores desse mesmo universo. Esse é o erro do ateu.

    No entanto, isso sugere que o criador do Universo não deveria intervir em nenhum momento para impor alguma vontade sua (tal como parar o Sol para favorecer um exército, conforme a bíblia relata), visto que isso representaria uma violação das leis estabelecidas pelo legislador, o qual, supondo-se ser um legislador justo, não deveria ele memso trangredí-las.

    Não há nenhum argumento lógico que impeça Deus de intervir no universo que Ele criou. Isso seria o mesmo que admitir que só porque um carro opera seundo princípios mecânicos lógicos, nós não podemos intervir dentro dele. Quão ilógico isso é, como deves ver.

    Dizer que o Universo é ordenado retira a possibilidade de que seu criador intervenha para perturbar a ordem.

    Da mesma forma que dizer que o carro é ordenado retira a possibilidade de que o seu criador intervenha para perturbar a ordem do mesmo.

    Nesse caso, o criador está impedido, por uma questão de ética, de afetar o que quer que ocorra por aqui.

    Não, Deus não está impedido de intervir no Seu Próprio universo.

    Aí inclue-se favorecer devotos suplicantes em detrimento de descrentes.

    Tens que fundamentar esta posição.

    Aqueles que buscam suporte emocional em Deus, conseguem-no devido Áquilo que Deus é. Não é que Deus não queira abençoar os ateus, mas sim que os ateus não buscam a benção de Deus.

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Todos os comentários contendo demagogia, insultos, blasfémias, alegações fora do contexto, "deus" em vez de Deus, "bíblia" em vez de "Bíblia", só links e pura idiotice, serão apagados. Se vais comentar, primeiro vê se o que vais dizer tem alguma coisa em comum com o que está a ser discutido. Se não tem (e se não justificares o comentário fora do contexto) então nem te dês ao trabalho.

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