“Crucifica-o!” – por César das Neves

Este texto já tem algumas semanas mas continua actual. O César das Neves mostra como toda a comoção em volta dos casos de pedofilia na Igreja Católica é mais uma forma de se atacar o cristianismo do que se tentar resolver os problemas. A indignação selectiva do mundo secularista não passa despercebida aos leitores mais atentos.

Ênfase adicionado.

por JOÃO CÉSAR DAS NEVES

Como Nero, os jornais hoje querem convencer-nos de que os padres comem criancinhas

A pedofilia é um crime horrendo. Pior se o criminoso for educador. Mais ainda se for clérigo. A prioridade em casos tão graves é prevenção, socorro às vítimas e punição exemplar. A Igreja Católica tem de ter regras muito claras para estes casos, e vigilância atenta e severa. E tem.

Então porquê o debate? Ele mistura dois crimes diferentes. As acusações de pedofilia vêm a par de outro crime, muito menos grave mas mais vasto, de difamação contra a Igreja.

Sabemos tratar-se de difamação porque os sintomas tradicionais são evidentes. Primeiro as acusações não se dirigem aos verdadeiros culpados. Quem realmente se ataca são, não pedófilos, mas o Papa, cardeais e bispos. Discute-se, não psicologia infantil, mas política eclesiástica.

Em segundo lugar utiliza-se um truque estatístico clássico. Tomam-se 50 anos, em todo o mundo e acumulam-se todos os casos encontrados. Desta forma demonstra-se o que se quiser; este é o método das provas “científicas” invocadas por horóscopos, charlatães e milagreiros. Empilham-se situações muito antigas e muito diferentes que, juntas, ninguém perde tempo a considerar com atenção. Conta só a imagem global. A imaginação faz o resto. Nunca se questiona a agregação de casos díspares ou a razão de surgirem todos de repente agora.

O terceiro sintoma é não se usarem os indicadores adequados: percentagens. Que peso dos criminosos no total dos sacerdotes? Muito mais importante, qual a percentagem destes casos no total dos abusos? Se o que nos preocupa são as crianças, este dado é decisivo.

Os poucos estudos sociológicos sérios mostram que «no mesmo período em que uma centena de sacerdotes católicos eram condenados por abusos sexuais de menores, o número de professores de educação física e de treinadores de equipas desportivas (…) considerados culpados do mesmo delito nos tribunais americanos atingia os seis mil. (…) Dois terços dos abusos sexuais a menores não são feitos por estranhos (…) mas por membros da família» (www.cesnur.org/2010/mi_preti_pedofili.html). E omitem-se factos incómodos, como «80% dos pedófilos são homossexuais» (idem).

Descuidadas nos dados, as notícias fervilham de comentários e interpretações. Muitas antecedidas de frases como «até há quem pense…», o que permite colocar a seguir o que se quiser, pois há sempre quem pense o mais abstruso. Espanta que jornais respeitáveis entrem nestas práticas. Práticas cuja finalidade fica clara ao ler-se a conclusão invariável: «perda de autoridade moral da Igreja». Mas a autoridade da Igreja vem de outro lado. E que autoridade moral tem o jornal para dizer isto? O contexto é a guerra cultural. Parecendo combater a pedofilia, visa-se a promoção do aborto, eutanásia, divórcio, promiscuidade.

A prática é tradicional. Assim se criou há séculos o mito da Igreja sanguinária nas cruzadas e Inquisição. Tirando os casos do contexto, relacionando épocas diferentes e empolando os números, gerou-se a lenda do terror inquisitorial em que hoje ainda até muitos católicos acreditam.

Não importa que os processos fossem rigorosos e transparentes, as condenações uma ínfima minoria dos casos julgados e pouquíssimas face às execuções civis, numa épocas de pena capital habitual. Julgadas em contexto cultural muito diferente, essas informações distorcidas e parciais criaram uma das maiores falsificações da História.

Nada disto anula os terríveis pecados cometidos, quer nos atropelos da Inquisição, quer nos indiscutíveis casos de padres pedófilos. Cada injustiça inquisitorial, como cada abuso de menor, é horrível e exige atenção e punição exemplar. Por isso Papa e bispos pedem desculpa e impõem responsabilidades.

Mas o que temos agora é outra injustiça, a de tentar degradar toda uma classe respeitável e, por arrastamento, a maior denominação religiosa do mundo, com acusações apressadas e distorcidas. Como Nero, os jornais hoje querem convencer-nos que os padres comem criancinhas. Como há 2000 anos, esta Páscoa é celebrada ao som do grito «crucifica-o, crucifica-o!»

naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt

About Mats

"Posterity will serve Him; future generations will be told about the Lord" (Psalm 22:30)
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4 Responses to “Crucifica-o!” – por César das Neves

  1. “Não importa que os processos fossem rigorosos e transparentes, as condenações uma ínfima minoria dos casos julgados e pouquíssimas face às execuções civis, numa épocas de pena capital habitual. Julgadas em contexto cultural muito diferente, essas informações distorcidas e parciais criaram uma das maiores falsificações da História.”

    As bruxas faziam mesmo bruxaria e voavam em vassouras?
    Esta do contexto cultural é um apelo ao relativismo moral ? :

    – Na altura a moral e ética eram outras, evolui-se nestas coisas…..
    Este personagem é um cromo…

    E agora uma opinião pessoal:

    Achas que os abusos na ICAR estão na média das outras confissões, acima, abaixo ?

    Qual é o teu sentimento?

    E as pessoas que sabiam disso e encobriram? Fizeram bem – temos de ser uns para os outros – ou cometeram um crime e independentemente da sua posição social e económica devem ser punidas ?

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  2. ND says:

    “E omitem-se factos incómodos, como «80% dos pedófilos são homossexuais»”

    pelo pouco italiano que sei (e que o google traduze) essa percentagem diz respeito a homossexuais-padres
    “Embora pouco politicamente correcto dizer que há uma figura que é muito mais importante: o relatório do percentual John Jay College de 81% dos casos, os padres acusados de pedofilia são homens abusando outros machos.”

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  3. Mats :

    É inegável que os padres duma geração mais jovem são em grande percentagem gays.
    Também estou convencido que os heteros terão maior tendência para abusar de meninas e os gays de meninas.

    No entanto estes abusos parecem de padres mais velhos quando ainda a influência gay na ICAR era muito baixa.

    Havia era a convicção que ter relações sexuais activas com jovens não era homossexualidade.

    Mesmo entre adultos o passivo é que era “paneleiro” o activo era muito macho.

    E com a vantagem dos putos não ficarem grávidos.

    Repara que os homossexuais masculinos tem tendência para gostarem de homens feitos. Jovens mas homens.

    Os que gostam de rapazinhos, os pederastas, não são homo com adultos só gostam de mulheres.

    A homossexualidade não me parece que tenha nada a ver com isto.

    Por outro lado há o regime repressivo dos seminários e conventos, com um horror atávico ao sexo e ao corpo da mulher, que deve ter um impacto muito negativo nos putos.

    Depois também há a questão do poder. Se já foste passivo és paneleiro logo vais guardar segredo e não me vais desobedecer. Penso que até vai muito por aí.

    E tenho quase a certeza que a procissão ainda vai no adro…

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  4. Mats says:

    João,
    A homossexualidade tem tudo a ver com isto porque os homossexuais estão disproporcionalmente representados em casos de abusos de menores, quer seja dentor das igrejas quer seja fora das igrejas.

    O que se passa é que o mundo secular não quer seguir essa linha porque é politicamente incorreta. É sempre mais fácil atacar cristãos.

    Felizmente que os dados científicos estão do nosso lado. Isso é notório pela forma como os proponentes do comportamento homossexual tentam terminar o debate mesmo antes de ele começar, catalogando os cristãos como pessoas motivadas peoo “ódio”.

    O que fica deste triste e lamentável incidente que ocorre dentro de todas as igrejas, e não só entre os católicos, é que há grupos sexuais que se escondem dentro de nós. Eles usam a cobertura das nossas igrejas para fazer coisas que estão em desacordo com a Bíblia (fornicação, homossexualismo, etc).

    O que fica também disto tudo é o quão selectiva é a “indignação” dos secularistas. O César das Neves disse-o bem melhor do que eu:

    Mas o que temos agora é outra injustiça, a de tentar degradar toda uma classe respeitável e, por arrastamento, a maior denominação religiosa do mundo, com acusações apressadas e distorcidas.

    O que interessa para os secularistas não é quem sofre (crianças) mas quem as faz sofrer (religiosos). Se em vez dos religiosos estivessem professores da primária, não haveria nem metade do alarido.

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