A criação do universo viola a Primeira Lei da Termodinâmica?

UniversoFonte

Uma coisa interessante da internet é que ela facilita o reaparecimento de argumentos que foram já totalmente refutados no passado. Esta objecção que os ateus fazem contra Deus é um daqueles argumentos que esfumou-se com o passar do tempo, mas que recentemente voltou a aparecer nas discussões online. Outra observação interessante é que os argumentos que os ateus usam têm a propensão de se tornarem numa “tendência”. O que quero dizer com isto é que quando estes argumentos emergem, muitos ateus começam imediatamente a usá-los.

O que é a Primeira Lei da Termodinámica (PLT)?

Dito de forma simples, a PLT declara que a matéria e a energia não podem ser criadas nem destruídas.

Qual é a obkecção que os ateus fazem em torno da Primeira Lei da Termodinâmica?

Os ateus irão tipicamente afirmar que, uma vez que a matéria e a energia não podem ser criadas nem destruídas, então Deus nunca poderia ter criado o universo porque isso  seria uma violação da PLT.

O problema com esta objecção.

O primeiro problema é o facto das leis da natureza serem descritivas e não prescritivas. O que isto significa é que as leis da natureza não determinam a forma como o universo opera, mas sim descrevem a forma como o universo opera. As leis da natureza são, portanto, uma descrição da forma como o universo opera quando não há algum tipo de intervenção junto destas leis descritivas. Portanto, e em igualdade de circunstâncias, quando Deus não está em processo de criação, então a PLT aplica-se,

[Para se observar de modo gráfico este ponto, imagine-se uma maçã amadurecida que cai duma macieira. Segundo a Lei da Gravidade, se nada de anormal ocorrer, esta fruta cairá por terra. Mas se durante a sua queda alguém a agarrar e suster a sua queda, isso não invalida a Lei da Gravidade ; isso só demonstra que a lei da Gravidade opera de modo normal sempre que não ocorre nada fora do comum.]

O segundo problema é que se nós seguíssemos esta objecção até a sua conclusão lógica, isso implicaria que o universo nunca poderia ter um início de existência (com ou sem Deus). A única opção seria acreditar que o universo é eterno, mas este artigo explica o porquê do universo não ser eterno. 

O terceiro problema é a criação dum argumento-espantalho em relação ao conceito Cristão de Deus. Deus existe fora do espaço, do tempo e da matéira física. Deus é, por definição, o que nós seres humanos identificamos como um Ser Sobrenatural. Génesis 1 e 2 claramente descrevem a criação do universo como sendo um acto directo da parte de Deus (que é Omnipotente, ou “Todo Poderoso”). Isto significa que a criação do universo foi algo sobrenatural. Mal a criação se completou, todas as coisas estavam ao mesmo nível e as leis da natureza aplicavam-se, visto que elas são uma descrição da forma como o universo natural funciona.

Uma vez que o evento da criação descrito em Génesis foi um acto sobrenatuiral, não há qualquer ponto de discórdia ou contradição entre a Bíblia e a PLT. Portanto, os Cristãos são consistentes dentro da sua visão do mundoao aceitarem a criação do unviverso como um acto sobrenatural, e não um acto sujeito às descritivas leis da natureza.

No entanto, quando o ateu levanta uma questão-espantalho e tenta arbitrariamente atribuir propriedades limitadas a Deus (que é Descrito na Bíblia como Todo Poderoso e Omnisciente) então os ateus não estão a ser lógicos. A própria noção do Deus Todo-Poderoso encontrar-Se sujeito aos limites do mundo natural não é algo consistente com a visão Bíblica do mundo.

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"Posterity will serve Him; future generations will be told about the Lord" (Psalm 22:30)
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22 Responses to A criação do universo viola a Primeira Lei da Termodinâmica?

  1. Luiz says:

    Compartilhei esse post no facebook e um ateu veio com a seguinte reposta:”Coisa de teísta mesmo tentar explicar física quântica com lei da mecânica… Um pouco mais de conhecimento: http://www.youtube.com/watch?v=8hspspghojU“.
    Ficaria só um adendo ao post: sem universo, não há lei da termodinâmica (mecânica) a ser quebrada. As leis só passam a existir com a existência do universo.

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    • I am the one who wrote the article that was linked here. The atheist is actually agreeing with my point. It makes me wonder if he doesn’t understand. The article that I wrote was in response to atheists who claim that God creating the universe violates the law of thermodynamics. He is actually agreeing with my point. Once that point is agreed on, the question is, what CAUSED the universe to come into existence? If they appeal to quantum mechanics, point out there are over 20 interpretations of quantum mechanics and that there is no consensus. Oftentimes when they try to explain quantum mechanics they will use multiple and contrary interpretations. This is due to them not having a good grasp on quantum mechanics. Hope that helps!

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  2. Maxim says:

    “Segundo a Lei da Gravidade, se nada de anormal ocorrer, esta fruta cairá por terra. Mas se durante a sua queda alguém a agarrar e suster a sua queda, isso não invalida a Lei da Gravidade” isto não me parece que seja uma comparação como deve ser, visto que a lei da gravidade nunca deixou de existir nesse cenário, porque a fruta estava sujeita à lei da gravidade mesmo antes da queda, na queda, e no momento que que algué, sustenta a sua queda. Por isso dizer que a PLT existiu ao mesmo tempo que Deus estava criando coisas é algo que não encaixa.

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    • Mats says:

      Por isso dizer que a PLT existiu ao mesmo tempo que Deus estava criando coisas é algo que não encaixa.

      O exemplo do texto serve para mostrar como as leis naturais são descritivas e não prescritivas. É claro que há muitas diferenças entre a Lei da Gravidade e a PLT.

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      • caiman says:

        Mas o seu exemplo não ilustra muito bem o que quer dizer. Mesmo agarrando a maçã, ela continua sujeita à força gravítica. Apenas lhe é aplicada uma força extra, de sentido contrário à força gravítica. No seu exemplo, a força gravítica sempre existiu e sempre existirá. A lei da gravidade continua a ser “prescritiva” e não meramente “descritiva”.

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      • Mats says:

        A lei da gravidade continua a ser “prescritiva” e não meramente “descritiva”.

        A lei diz o que acontecerá se não hovuer interferência. A lei não diz o que vai acontecer. O mesmo com a PLT.

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    • Carlos says:

      Caiman, existem várias visões epistemológicas para embasar a ciência. Para entender melhor sobre uma lei é interessante saber sobre qual corrente epistemológica pensava o cientista a propô-la. E também estudar quais as críticas e correções que surgiram posteriormente àquela epistemologia. Acredito que quem iniciou o pensamento de uma ciência apenas descritiva tenha sido Enrst Mach. E fez isto para tirar da ciência todo o problema metafísico como o da causalidade e deixá-la apenas com o que é físico e, para isto, recorrendo apenas à descrição.
      No problema de uma força oposta que impede que ela caia não enxergamos tal força. Assim como não enxergamos força nenhuma. Apenas efeitos que dizemos ser causa de uma força. Força é dito um conceito elementar e fundamental porque não podemos defini-la. Mas podemos e só podemos ver fatos que atribuímos acontecer por causa de uma força. Porém existem fatos que nos parecem também serem causados por uma força e nos é dito que não, como a centrifugação. Diz-se não haver uma força centrifuga.

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  3. Saga says:

    Só faltou que fosse dada a opção de que a matéria existente do universo veio a existir da energia de Deus.

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    • Saga,
      Nota que, nesse caso teríamos uma visão panteísta de Deus (entre os diversos panteísmos possíveis) pois apenas existiria uma única substância… O Universo eria uma emanação de Deus.

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  4. A cosmologia naturalista, quando admite a possibilidade de um criador, o entende apenas como um dos componentes do grande mistério cósmico, sujeito a limitações, circunstâncias e cercado por uma escuridão infinita, algo totalmente divergente do Criador Todo-Poderoso apresentado pela Bíblia. Estes “cientistas” não vêm absurdo algum em propor que ordem e informação podem emergir do puro caos, mas se irritam quando Deus, exercendo suas autonomia e soberania, ignora leis que ele mesmo estabeleceu.

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    • Carlos says:

      Se aparece até a possibilidade de as leis terem validade local(em outros pontos do universo seriam outras leis) o que nos garante que este Deus estaria violando uma lei universal se só conseguimos criar leis para descrever a parte do universo em que nos encontramos? Seria necessário supor que as leis que criamos para descrever o que acontece na nossa região fossem válidas no universo inteiro. E as leis que temos atualmente impede que o universo tenha sido criado sob elas e também parecem descrever um universo em evolução que teria um começo.

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      • É uma maneira de abordar o assunto. Porém, permanece a dificuldade da cosmovisão naturalista, que fecha o cosmo em si mesmo, totalmente impermeável a uma ação externa porque não se concebe que exista algo além dele mesmo. Quem melhor resumiu isto foi Carl Sagan, que na abertura do seu famoso documentário “Cosmos” pontificou: “Cosmos é tudo o que existe, existiu ou existirá.”. Este é o verdadeiro “gênesis 1:1” dos naturalistas.

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  5. Érick says:

    Bom, também temos um exemplo extremo, mas do lado oposto. Já que o post foi sobre a primeira lei da termodinâmica, permita-me falar da segunda.

    Muitos criacionistas ainda utilizam o argumento da segunda lei da termodinamica para invalidar a evolução. Segundo estes, um sistema fechado (ou seja, sem entrada nem saída de matéria) tende ao caos e a desordem, logo, não haveria como estruturas complexas terem surgido por processos naturais. Esquecem eles que a Terra não é um sistema fechado, portanto, há o fluxo de matéria em nosso planeta.

    O pior é que eu já vi este argumento em livros de uma biblioteca escolar e num fascículo criacionista. O que é bem mais grave se estivesse apenas em um site. Muito cuidado para não gerar uma visão estereotipada do grupo que quer atacar. Criacionistas também propagam falsos argumentos com facilidade e sem lógica.

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    • Mats says:

      A SLT aplicada à informação diz que , com o tempo, a informação dissipa-se e perde-se. A teoria da evolução diz exactamente o contrário.

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  6. Por acaso não há nenhuma incompatibilidade.

    Se eu definir Deus como todo poderoso isso significa que pode fazer tudo.

    Só existiria um problema se eu definisse Deus como todo poderoso mas sujeitos às leis físicas.

    É uma mera questão semântica e de definições. Deus pode ser definido como se quiser logo só tem limites se estes já existirem na definição.

    Agora outra coisa:

    As nossas leis parecem ser válidas em quase todo o universo. Pelas observações as mesmas leis muito cá de casa são válidas em todo o universo.

    Parecem falhar dentro dos buracos negros e no instante zero do big bang. Se se aplicam ainda ninguém descobriu como é que isso é possível. Tudo indica que não se aplicam e não se vislumbra maneira de resolver este problema.

    Portanto o big bang é uma teoria que até admite um ou mais deuses, ou o que quer que seja, que tenha dado origem ao universo.

    Não é por acaso que a teoria do big bang foi hostilizada ao principio no meio cientifico por parecer ter um cunho religioso. Ainda por cima proposta por um padre.

    Tiveram que se render às evidências e estas são muitas.

    Aliás o nome big-bang era pejorativo.

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  7. Penso que podemos definir Deus como quisermos. Podemos atribuir-lhe as capacidades que bem nos aprouver.

    Podemos dar a Deus a capacidade de nos dar vida eterna, salvar uns e outros não e por aí fora.

    O limite, se quisermos alguma coerência, são efeitos mensuráveis.

    Mesmo esses efeitos podemos afastar definindo que sendo reais não são mensuráveis.

    Como é tudo uma questão semântica todas as proposições são mais igualmente não verificaveis.

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    • Mats says:

      Penso que podemos definir Deus como quisermos.

      Se Ele fosse criação humana, sim. No entanto, se Ele existir independente das experiências humanas, então Ele é Quem se define e Se apresenta ao ser humano, É isso mesmo que Ele fez por toda a Bíblia.

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      • Carlos says:

        Creio que o João Carlos falou que enquanto a ciência não puder alcançar uma manifestação física de Deus, nós poderíamos tentar definir Deus de inúmeras maneiras conforme nossa vontade para tentar prová-lo ou desmenti-lo cientificamente. Mas claro que seriam estudos em cima de um espantalho e por isto as definições seriam inverificáveis sob a ciência.

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  8. W. Frank says:

    Olá meus irmãos! Existem leis que existem embora não as conheçamos ou entendamos. O fato de Deus agir aparentemente contra uma lei criada por Ele mesmo não significa que Ele tenha feito isso. Vou ilustrar com um simples exemplo. No código de trânsito há uma norma que diz que não podemos andar na contra mão de direção, mas não podemos pegar isso como verdade absoluta e imutável pois no mesmo código há normas que permitem, em caso de acidentes por exemplo, uma viatura atender uma ocorrência se deslocando na contra mão de direção. Vejo que não podemos identificar nem quantificar o número de leis existentes no universo. Conhecemos apenas aquelas que o nosso parco conhecimento é capaz de identificar. Foi um enorme prazer ter participado neste sítio. Abraços!!!

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  9. Thanks for posting my article in a different language by the way. I hope it has been helpful to all of you!

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