A teoria da evolução é uma religião

Por Randy Hedtke

A questão em torno da origem da vida é, fundamentalmente e inevitavelmente, uma questão religiosa. A forma como a pessoa ou um grupo de pessoas responde à questão da forma como surgiu a vida invariavelmente se torna a base da sua filosofia religiosa. Tentar entender o debate criacionismo versus evolucionismo apenas ao nível científico, que é o que muitos evolucionistas querem, é negar qualquer tipo de resolução para o problema. Nenhum problema pode ser resolvido sem que primeiro todos os factores vitais sejam assimilados. Os dados científicos em torno das nossas origens têm sempre que ser levados em conta com o facto da nossa tão-propagada objectividade científica não existir. O investigador irá sempre interpretar os dados com base nas suas crenças religiosas. Os livros escolares comuns são um exemplo clássico deste fenómeno.

A debate em torno da origem da vida centra-se na crença da procedência animal (ou evolução ateísta) e na criação particular. Uma vez que o humanismo secular, que requer o evolucionismo como crença cardinal, tem actualmente o controle das escolas públicas, dos livros escolares e das revistas profissionais, os dados em torno da questão da origem da vida são interpretados, ou usados (ou excluídos), de modo a confirmar a sua crença religiosa; eles não querem perder o seu controle monopolista nas escolas visto que é profundamente contra a sua fé religiosa tolerar outros pontos de vista.

WanikaPara aqueles que acreditam que o ser humano procede dum animal não parece que haja um limite para o animal particular que é usado como ancestral. Os Wanika, na África Oriental, acreditam que eles vieram das hienas. Outra tribo africana nomeia os hipopótamos como ancestral dos seres humanos. Os nativos do Madagáscar alegam que o primeiro a sua linhagem foi um lémure, um animal nocturno parecido com os macacos. Esta crença bem poderia ter procedido dos actuais livros escolares evolucionistas. Outros animais alegados como ancestrais são os tigres, os macacos, os gatos, as cabras, os búfalos, etc. A crença evolucionista recua ainda mais no tempo, para além do lémure, e postula que os seres humanos procedem da sua ideia do ancestral final, a matéria orgânica do mar primordial.

A segunda categoria de crença, a criação sobrenatural – aquela que defende que os seres humanos foram criados a partir do barro ou do pó da Terra – está também amplamente propagada por todo o mundo. Nas civilizações industriais, a antiga crença da procedência animal ganhou a forma duma teoria sofisticada e tornou-se a doutrina básica do humanismo secular. Na verdade, o termo “humanismo secular” é enganador para o público geral. A palavra “secular” significa “que não pertence a qualquer ordem religiosa” mas tal como o Tribunal Supremo determinou, o humanismo secular é uma religião no verdadeiro sentido do termo. Um nome mais apropriado para o humanismo secular, e bem mais revelador para o público, seria “humanismo sectário”. Por “seita” entende-se como “grupo que tem um líder comum ou uma doutrina distinta; uma filosofia a ser seguida; uma escola de pensamento, tal como uma filosofia” ou “partido antagónico da igreja estabelecida, ou igreja afiliada.”

Até tempos recentes, e devido à influência Cristã, a crença na procedência animal não era aceite nas culturas do Ocidente industrializado. A dada altura, no entanto, algo de historicamente sem precedentes aconteceu, o que deu um impulso tremendo na popularidade da crença na procedência animal: a revolução económica, cientifica e tecnológica teve início. O novo materialismo da ordem, a crença num mundo utópico através das realizações humanas, e a crença subsequente de que não havia qualquer autoridade acima dos homens, foram as condições ideias para se fazer proselitismo em favor da crença da procedência animal.

Esta revolução deu origem ao cientismo, a filosofia humanista de que a ciência confirma a supremacia da lei natural e refuta a crença no sobrenatural. Tudo o que era necessário para solidificar o movimento era uma teoria científica credível e não-criacionista para a origem da vida, nomeadamente, a evolução orgânica. A evolução orgânica tornou-se na forma pseudo-científica moderna da antiga crença da procedência animal. Em relação à aceitação da teoria da evolução, um autor especulou da seguinte forma:

Uma das razões prováveis para a liberdade relativa que a teoria da evolução desfrutou centra-se nas suas afinidades com outros aspectos da ciência. Afinal de contas, a ciência e a tecnologia eram o esteio da expansão económica. Muitos cientistas eram ou tornaram-se evolucionistas, e muitos líderes sociais devem ter ficado com a impressão de que a teoria da evolução era um ponto fraco da ciência que tinha que ser tolerado.2

Quais são as implicações de se converter a crença na procedência animal numa alegada teoria científica? O significado histórico é profundo visto que o que os proponentes da procedência animal fizeram foi eliminar a criação como uma teoria religiosa rival. Eles já não estavam a competir na área religiosa visto que a crença na procedência animal havia-se tornado numa alegada teoria científica e a ciência havia-se tornado na força mais pervasiva e influente da sociedade. Isto significava que na mente de muitas pessoas não havia espaço para qualquer tipo de discussão.

Como consequência disso, muitas pessoas de então, e dos dias de hoje, operam segundo o equívoco de que a crença na criação é arcaica e a teoria da evolução é a “nova” explicação para a origem da vida, quando na realidade a teoria da evolução mais não é que a antiga crença da procedência animal mascarada de nova teoria científica. Foi uma manobra estratégica brilhante – manobra essa que havia sido a esperança e o sonho de outros que vieram antes de Darwin, e é precisamente por isso que frequentemente se diz que a “evolução estava no ar” nos anos que antecederam a publicação do livro de Darwin “A Origem das Espécies”.

A Importância de se Saber o Contexto Adequado para a Controvérsia.

À medida que a teoria da evolução foi-se tornando cada vez mais popular, sob os auspícios da ciência, o clero naturalmente respondeu declarando que ela era uma heresia. Os proponentes da teoria da evolução responderam que a evolução encontrava-se no domínio da ciência e não da religião e como tal, ela estava imune às críticas do establishment religioso. A estratégia de separar a teoria da evolução da religião foi eficaz na medida em que o clero foi mais ou menos incapacitado nos seus esforços de impedir a sua disseminação. Por esta altura, passou a ser responsabilidade dos cientistas criacionistas responder; isto levou a que os teóricos evolucionistas tivessem que lidar com o tópico no seu próprio campo, a ciência.

Nos anos mais recentes, a controvérsia tomou a forma da “ciência da criação versus ciência da evolução”, e mais uma vez o clero, aqueles que continuam a defender a criação especial, foram em larga parte excluídos do combate. Como consequência do esforços dos cientistas criacionistas, tem havido um maior entendimento de que a interpretação evolutiva dos dados não é infalível, e que há um argumento em favor da criação dentro do âmbito da ciência (…). Mais uma vez, os evolucionistas responderam alegando que eles têm o monopólio da ciência enquanto que os criacionistas são religiosos. O facto é que os evolucionistas são tão religiosos quanto os criacionistas.

Nenhuma controvérsia pode algum dia ser resolvida se ela não for analisada por parte dos participantes dentro do contexto próprio. Tal como explicado previamente, os evolucionistas foram bem sucedidos em gerar a ilusão de que este é um assunto que se centra na ciência versus religião, o que está incorrecto. Mais tarde, e até hoje, ele tornou-se num assunto que se centra na ciência versus a ciência, o que subverte o tópico. A realidade dos factos é que o debate entre o evolucionismo e o criacionismo é um debate duma religião contra outra religião; esse foi o caso no passado, e esse é o caso no presente. Só se o debate for entendido dentro do seu contexto é que ele pode ser resolvido visto que nenhuma quantidade de eloquência científica irá alterar a religiosidade da controvérsia em torno das nossas origens.

As crenças religiosas são imunes à refutação científica. [ed: É precisamente por isso que ainda existem pessoas que defendem a evolução ateísta quando só o ADN seria suficiente para refutá-la.] Não devemos pensar por algum momento que as crenças religiosas se encontram de alguma forma, ou modo, abertas a serem falsificadas segundo uma rigorosa metodologia científica. Por exemplo, o axioma que se segue, do livro A Treatise on Logic and the Scientific Method, de W. Stanley Jevon, não se aplica:

A existência de um único facto absoluto que encontre em conflito com a hipótese é fatal para a hipótese.

Ou para dizer as coisas de outra forma:

Concordância com o facto é o único e suficiente teste para as hipóteses verdadeiras. As crenças religiosas não podem ser refutadas com dados científicos. Os dados científicos só são úteis para refutar fenómenos mundanos e quotidianos que são vazios de qualquer conotação filosófica ou religiosa que possa causar uma visão tendenciosa por parte do investigador. Dados contraditórios para uma crença particular serão, inicialmente, ignorados e, se isso não for possível, a crença religiosa tomará outra forma de modo a incorporar os dados contraditórios. O objectivo primário é preservar a ponto fundamental da crença. A metodologia científica e a integridade científica são considerações secundárias.

[ed: Isto explica o porquê da teoria da evolução sofrer tantas “revisões”.]

Para ilustrar ainda melhor o ponto de que a crença religiosa não pode ser refutada com dados científicos, consideremos as seguintes contradições em relação a duas crenças em torno das origens.

Uma categoria da crença da procedência animal do ser humano é a noção dos homens a acasalar com animais. Animais tais como sapos, lobos, peixes, veados, etc, são tidos como ancestrais do ser humano através do acasalamento entre humanos e animais. O que é que aconteceria se alguém tentasse convencer alguém a abandonar a crença do acasalamento homem + animal usando só os dados científicos? Poderíamos informar os defensores dessa tese de que a bioquímica e o número de cromossomas do ovo humano e do animal são incompatíveis para fertilização. Isto é óbvio na medida que não vemos descendência produzida a partir de animais radicalmente distintos.

Estou certo que os dados científicos nada mais seriam que palavras sem sentido para um nativo sem educação, e ele insistiria que quando o acasalamento humano + animal ocorreu, nenhuma das condições actuais de incompatibilidade existiam, mesmo que elas sejam válidas aplicadas para o passado. Uma vez que a ciência não pode provar o passado, e uma vez que a questão em torno das nossas origens é uma questão religiosa, o nativo não pode ser responsabilizado por ignorar os dados científicos.

Um argumento semelhante pode ser feito em relação às origens evolutivas da vida. Dentro da Biologia existe uma lei conhecida como Lei da Biogénese, que significa que na natureza, a vida biológica só pode surgir a partir de vida biológica pré-existente. O oposto da biogénese é a abiogénese, significando que, na natureza, a vida biológica pode sim surgir a partir de material sem vida. A biogénese é normalmente explicada nos livros escolares ao mesmo tempo que se fala das experiências levadas a cabo por Francisco Redi, Louis Pasteur, e Lazzaro Spallanzani que, por fim, refutaram a biogénese. Obviamente que, segundo a teoria da evolução, a dada altura do passado a vida surgiu espontaneamente a partir de matéria sem vida (contrariamente ao que a Lei da Biogénese e a ciência demonstram).

Se nós formos exibir este tipo de evidências contra a teoria da evolução, o cientista sofisticado, para quem os dados deveriam realmente contar, apenas usará a mesma táctica usada pelo nativo sem educação científica, afirmando que “as condições na Terra eram diferentes no passado, o que permitiu que a abiogénese ocorresse.Este é precisamente o tipo de alegação que os evolucionistas actuais fazem para proteger a sua visão da origem da vida.

Concordo plenamente com o que a “National Academy of Sciences” diz, nomeadamente que “O verdadeiro entendimento científico não pode ser obtido ou até buscado de forma eficaz quando explicações que não derivam ou que não são testadas pelo método científico são aceites.“4

Conclusão:

Quando ficamos a saber que não há nada de novo debaixo do Sol, e que a teoria da evolução é um subterfúgio para a antiga crença na procedência animal do homem, e que a ciência não pode provar o passado, podendo apenas especular de forma tendenciosa sobre o mesmo, ficamos logo com uma visão diferente da controvérsia “evolucionismo versus criacionismo”. Só podemos concluir que a questão em torno das nossas origens, e da origem da vida em si, é um tópico fora do âmbito da ciência.

Num livrete com o título tendencioso de Ciência e Criacionismo, o “Council of the National Academy of Science” emitiu a seguinte resolução:

A religião e a ciência são domínios separados e mutuamente exclusivos do pensamento humano, cuja apresentação no mesmo contexto leva a um mau entendimento tanto das teorias cientificas, como da crença religiosa.5

Concordo plenamente, e desafio-os a descobrirem um mecanismo testável e decorrente que confirme a procedência animal do ser humano que seria então uma ciência legítima. De outro modo, vamos dar os nomes certos às coisas e dizer aos estudantes que, na ausência dum mecanismo observável, a teoria da evolução é uma religião.

Referências
1 Freund, P. Myths of Creation. Washington Square Press, Inc., 1965.
2 Strickbergre, M. “Evolution and Religion,” Bioscience July 1973, Vol. 23-7, pp. 417-421.
3 Jevons, W. The Principles of Science: A Treatise on topic and the Scientific Method. Dover Publications, 1958, p.516.
4 Science and Creationism. 1984. National Academy Press, Washington, D.C., p. 11.
5 lbid., p.6.

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"Posterity will serve Him; future generations will be told about the Lord" (Psalm 22:30)
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3 Responses to A teoria da evolução é uma religião

  1. Olá Mats, eu sei que minha pergunta não tem nada a ver (em partes) com a postagem, mas é uma dúvida que eu carrego comigo e acho que você é uma pessoa que poderia me informar melhor a respeito.
    Minha dúvida é a respeito sobre o Livro de Gênesis. É fato que os 11 primeiros capítulos do Livro usa um tipo de linguagem diferente dos demais capítulos, por conter uma linguagem “mitológica”, você já deve ter estudado as figuras de linguagem a respeito desse assunto.
    Qual o posicionamento dos Criacionistas da Terra Jovem a respeito dessa afirmação? Se o autor (ou autores) do Gênesis usaram figuras de linguagem nos 11 primeiros capítulos, a gente poderia levar tudo ao pé da letra?
    Espero que tenha entendido minha pergunta. Obrigado ;D ..

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    • Lucas says:

      Victor,

      Minha dúvida é a respeito sobre o Livro de Gênesis. É fato que os 11 primeiros capítulos do Livro usa um tipo de linguagem diferente dos demais capítulos, por conter uma linguagem “mitológica”,

      Os primeiros 11 capítulos de Génesis usam o mesmo estilo literário do resto do Livro de Génesis.

      Qual o posicionamento dos Criacionistas da Terra Jovem a respeito dessa afirmação?

      Que ela não está de acordo com os dados.

      Se o autor (ou autores) do Gênesis usaram figuras de linguagem nos 11 primeiros capítulos, a gente poderia levar tudo ao pé da letra?

      Quais foram as “figuras de linguagem” que os autores de Génesis usaram?

      Mats.

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  2. Ivani Medina says:

    “A verdade histórica é a mais ideológica de todas as verdades científicas […]Os termos de subjetivo e de objetivo já não significam nada de preciso desde o triunfo da consciência aberta […]. A verdade histórica não é uma verdade subjetiva, mas sim uma verdade ideológica, ligada a um conhecimento partidário”. (ARON cit. por Marrou, s/ data, p. 269)

    Se a fé nunca dependeu da história, porque fazem tanta questão desta última? Por que insistem em preservar essa bruma que envolve os primeiros séculos do cristianismo? Não devia ser assim. No entanto, quando fazemos uma aproximação dos fatos com fatos e não com ideias, é possível outra conclusão.

    http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/paguei-pra-ver

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