A Historicidade das Pragas do Egipto

Por Simcha Jacobovici

Existe actualmente uma nova tradução dum antigo monumento Egípcio conhecido como “Stela” que foi recentemente publicado pelo “Journal of Near Eastern Studies” pelos professores Robert Ritner e Nadine Moeller (do “Oriental Institute” da Universidade de Chicago). Basicamente, a tradução faz uma ligação entre o Faraó Ahmose (18ª Dinastia/Novo Reino) com a erupção do vulcão Thera/Santorini.

No passado, os estudiosos alegavam que Ahmose e Thera estavam separados por mais de 100 anos, mas a nova tradução prova que eles eram contemporâneos – isto é, Ahmose testemunhou os efeitos de uma das mais mortíferas erupções vulcânicas da história da humanidade. Isto ajuda e muito em fazer uma ligação entre Thera, Ahmose e o Êxodo Bíblico.

Ahmose_Storm_StelaNo meu documentário de 2000 intitulado “The Exodus Decoded” [“Descodificando o Êxodo”], eu disse que a chave para se encontrarem evidências arqueológicas do Êxodo Bíblico era o assim-chamado “Tempest Stela” do Faraó Ahmose. O “Tempest Stela”, também conhecido como “Storm Stela”, foi encontrado por partes entre 1947 e 1952 na 3ª pylon/torre num tempo de Karnak no Tebes antigo (Alto Egipto). Ele é um texto único em linhas horizontais, copiado em ambos os lados dum bloco calcite que se estima que, de pé, atingiu 1,80m de altura. Da última vez que verifiquei, os fragmentos do “Ahmose Stela” encontravam-se numa caixa, perdidos nas entranhas do museu do Cairo. Mas os hieroglífos têm estado disponíveis há já algum tempo, e foram re-traduzidos por Ritner e Moeller.

O que é que eles descrevem?

O texto fala de uma tremenda tempestade que envolveu o alto e o baixo Egipto, e que essa tempestade revelava a “ira” do “grande Deus”. Note-se que fala de “Deus” no singular. Para além disso, o texto diz também que este Deus era “Maior” que os “deuses” do Egipto. Segundo o Storm Stela, a tempestade mergulhou o Egipto na “escuridão” total por um período de vários dias. Esta escuridão era anormal porque tornou impossível que fosse acesa até um tocha:

Nenhuma tocha pôde ser acendida nas duas terras.

Os acontecimentos que se seguiram à inundação foram tais que os templos dos deuses foram inundados, os telhados entraram em colapso, e os lugares santos “tiveram que ser declarados não-existentes“. O Nilo estava literalmente cheio de corpos humanos, “flutuando” como “pedaços” de papiro na água. Segundo Stela, “todas as casas” foram afectadas e todo o evento “espantoso” foi acompanhado das “vozes” mais barulhentas que alguma vez alguém tinha ouvido no Egipto.

Compare-se isto com a descrição do Êxodo Bíblico, das pragas de gelo e trevas que precederam o fim da escravatura dos Hebreus no Egipto, liderados por Moisés. Segundo a Bíblia, a 9ª praga foi a “Escuridão” (Êxodo 10:21) mas esta não era uma escuridão normal visto que ela era “palpável” e durou 3 dias. Nenhuma tocha poderia ser acendida. De facto, pessoas sentadas lado a lado “não se conseguiam ver uma a outra“. O Texto Bíblico declara também que a 7ª praga de “saraiva” foi acompanhada por “vozes” (Êxodo 9:29) e que o “terror apoderou-se dos habitantes do Ageu” (Êxodo 15:14), isto é, a área de Thera/Santorini. Basicamente, a “Ahmose Storm Stela” e o Torah/a Bíblia estão a descrever o mesmo evento.

Até hoje, os estudiosos tentaram minimizar a importância da “Storm Stela”, comparando isso a uma inundação normal do Nilo, ou minimizando os eventos espantosos descritos nela como “metáforas”. Mas o novo estudo de Ritner e Moerller coloca um ponto final nesse assunto. Os autores são inequívocos ao afirmar que Stela descreve um evento real, e que é um registo contemporâneo dos eventos cataclismicos de Thera..

O que eles deixam de parte é que o Faraó Ahmose governou o Egipto durante o tempo da assim-chamada expulsão dos “Hyksos”; este foi um êxodo em massa de um povo “asiático” ou “semita” que o historiador Egípcio, Manetho (que viveu no século 3 AC) e historiador Judeu Josephus, que viveu no século 1 DC, identificam como sendo o Êxodo Bíblico. Por outras palavras, Ramsés II (o Faraó favorito dos estudiosos e de Hollywood) não foi o Faraó do Êxodo, mas sim Ahmose.

Mais ainda, o que os historiadores chamam de “a expulsão dos Hyksos”, e os vulcanólogos chamam de “a erupção de Thera”, e o Torah chama de “Êxodo”, são todos o mesmo evento. Até hoje os cépticos alegavam que estes eventos não eram contemporâneos, mas os estudos mais recentes demonstram que a ciência conseguiu sincronizar Ahmose e Thera para menos de 25 anos.

É hora de admitir que há uma riqueza enorme de evidências arqueológical em favor do Êxodo Bíblico; é só uma questão de se saber onde procurar.

* * * * * * * *
Mais uma vez se vê que quando a Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada, reporta eventos históricos (tais como a criação em seis dias normais, a co-existência entre humanos e dinossauros, o Dilúvio de Noé, a Ressurreição, etc) como eventos reais, ela pode ser aceite sem qualquer tipo de reservas.

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"Posterity will serve Him; future generations will be told about the Lord" (Psalm 22:30)
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7 Responses to A Historicidade das Pragas do Egipto

  1. Glaucio says:

    Engraçado
    Para algumas coisas, a ciência serve; para outras a Ciência é o mal. não podeis servir a dois senhores ou seguirá e deixará o outro.
    Se Arqueólogos encontram textos bíblicos encrustados nos templos Egípcios e estes são datados como anteriores aos bíblicos: isto e mentira , são falsos, não provam nada. Mas se algum fragmento ,alguma coisa por minima que seja corrobora com alguma passagem do livro é uma verdade cristalina.
    Não é desta forma, tentando extrair a fórceps a verdade. Já se utilizaram de vários métodos para impor os outros uma cosmologia totalmente fora de de qualquer noção a qualquer mente que pense com a minima razão que pode ter a mente humana. Tentaram a tortura, psicológica e física, excomunhão e execração pública, como não funcionou, tentaram a fogueira,a empalação isto nem de longe calou aquele em que o espírito da verdade não se cala mesmo diante da Morte é igualmente quele em que a fé os impulsiona mesmo diante dos Leões. Se a sua fé precisa de escritos para provar a existência de Deus; não é diferente daqueles em que é necessário uma prova irrefutável em uma experiência comprovadamente replicável para aceitar sua existência. Ambos estão enganados, embora um só trabalhe com fatos comprovados; carece de humildade para aceitar o que esta fora de seu alcance e o outro que só trabalha com que foi escrito, lhes falta humildade para aceitar que ‘inspirada’ não quer dizer ‘escrita’ por Deus.
    e que ambos entendam que o mesmo homem que escreveu a Bíblia é o mesmo que faz Ciência.

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    • Lindo discurso, mas totalmente vazio de humildade como se exige no texto. Intelecto e razão, são os fragmentos encontrados nesse discurso.

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      • É bom que se entenda que o mesmo homem que escreveu a Bíblia é o mesmo homem que faz ciência… Tá mais ser inspirado não significa que DEUS escreveu, corretíssimo, assino em baixo. Mas e ciência quem os inspira a fazer? Para de se enganar…

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    • Ismael says:

      Glaucio

      Quem está com problemas de “loucura” é você.

      Ninguém está a dizer nada. Ter fé ou não, independe da ciência.

      Você escreveu com o “espírito” de criticar algo que não pcisa ser criticado.

      Por favor, o artigo a cima é muito importante. Porque é um relato paralelo as escrituras.

      Outra informação: as escrituras, a Bíblia, que você tem em mãos; tem um estudo muito profundo de concordância, de geografia, de arqueologia (pergaminhos, lugares, artefatos, etc), de interpretação que exigem método científico e muitas outras coisas.

      A palavra não só se cumpre nas sua escrita. Mas também quando passa pelo crivo do método científico. Por isso ela é inerrante em.todos os sentido.

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  2. Ismael says:

    Muito bom! Interessante que a tradução dos escritos são muito interessantes.

    Meu abraço,

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  3. Ismael says:

    Haha “interessante que a tradução dos escritos são muito interessantes” …. Desculpas por essa Mats….hahaha

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  4. Marylin says:

    Minha fé não depende do que a ciência diz, mas sim do que eu sinto.
    Se mesmo com provas alguém não acredita, o problema não é meu.

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