Giordano Bruno e os ateus historicamente ignorantes

Por Tim O’Neill

Há alguns meses atrás, durante a minha visita a Roma, cometi o erro que turista algum deve cometer quando se encontra numa cidade estranha: tomei um atalho. Enquanto caminhava do Fórum de volta para o meu apartamento junto ao Rio Tibre, eu deveria ter tomado o caminho mais óbvio através da Corso Vittorio Emanuele II rumo ao Castel Saint ‘Angelo, mas decidi que sabia para onde caminhava, e como tal, usei o caminho mais directo através alguns árvores e rapidamente me perdi.

Depois de me aventurar por uma rede de pequenas vias tentando encontrar a estrada principal, vi mais à frente uma piazza e decidi seguir em frente para me orientar através dela. Parei perto duma estátua no meio da praça para olhar para o meu mapa, olhei para a estátua e rapidamente vi quem era. Apercebi-me que estava no Campo de’Fiori, visto que a estátua era o famoso monumento dedicado a Giordano Bruno, erigido no local onde ele foi queimado na fogueira em Fevereiro de 1600.

Campo-dei-FioriBruno é a imagem-propaganda para a “Draper-White Thesis” – a ideia de que a ciência e a religião sempre estiverem em guerra, uma ideia muito querida do movimento dos Novos Ateus apesar dela ter sido efectivamente rejeitada pelos historiados da ciência há mais de 100 anos. Tentem ter algum tipo de discussão inteligente das inter-relações complexas, reais e cheias de nuances entre a religião e o que estava para emergir como a ciência moderna durante o período medieval e a fase inicial do período moderno, e Bruno é normalmente usado como a “prova” de que a Igreja era um inimigo implacável e ignorante da ciência primitiva. Afinal, porque é que se atreveram a queimá-lo na fogueira senão pelo facto dele ter afirmado que a Terra não era o centro no universo, e que as estrelas eram outros sóis com outros planetas?

Para aqueles que preferem slogans e caricaturas simples em vez do trabalho árduo de efectivamente analisar e entender a História, Bruno é uma resposta simples para uma questão complexa. A nuance e a complexidade são as primeiras vítimas da guerra cultural.

Portanto, quando eu vi os primeiros clips promocionais da versão reformulada da série “Cosmos”, de Carl Sagan (desta vez apresentada pelo genial protegido de Sagan, Neil deGrasse Tyson), e reparei numa sequência animada de alguém a ser ameaçado por Inquisidores e queimado na fogueira, soube logo que a ressuscitada série Cosmos seria apresentada com deformações históricas. Acho que isto nada mais é que seguir os passos de Sagan visto que na série original ele desviou-se rumo a uma visão distorcida da Hipatia de Alexandria que fixou na mente duma geração inteira a ideia de que ela era uma mártir da ciência, tal como já falei noutro local.

Portanto, quando as primeiras imagens da série “Cosmos: A Spacetime Odyssey” foram emitidas durante a semana passada, uma das partes mais importantes era uma versão de 11 minutos do mito de Bruno. Eu normalmente refiro-me à fábula moral simplista que as pessoas confundem com a história da relação entre a Igreja e a ciência primitiva como a “versão desenhos animados”, visto que ela é reduzida a uma caricatura a preto e branco, simplista e bi-dimensional da realidade. Mas neste caso ela é mesmo a versão desenhos animados; a sequência foi animada, e a voz de Bruno foi providenciada pelo produtor-executivo, Seth MacFarlane, famoso por fazer a série Family Guy; deve ser por isso que Bruno tem um sotaque italiano do tipo normalmente ouvido em anúncios publicitários para uma pizza ou para molhos de macarrão.

Os clichés não acabam com os sotaques apalermados. Na versão estranhamente distorcida da história que o programa mostra, Bruno é caracterizado como um frade jovem e sério de Nápoles, verdadeiro pesquisador da verdade. Mas DeGrasse Tyson assegura-nos que “ele atreveu-se a ler os livros banidos pela Igreja e essa foi a sua ruína.” Por essa altura é-nos mostrada uma sequência onde Bruno lê uma cópia de Lucrécio com o nome “On the Nature of Things” que ele tem escondida debaixo do soalho da sua cela.

O primeiro problema com isto é que o trabalho de Lucrécio não foi de maneira nenhuma “banido pela Igreja”, e ninguém precisava de o esconder por baixo do seu assoalho. Poggio Bracciolini tinha publicado uma edição impressa do livro um século antes de Bruno ter nascido, e ele nunca foi banido durante o período em que os manuscritos medievais sobre os quais Bracciolini trabalhou haviam sido copiados (e nem foi o livro banido depois da sua edição se ter tornado amplamente disponível). A ideia de que a Igreja baniu e/ou tentou destruir o trabalho de Lucrécio é um mito que Christopher Hitchens gostava de repetir, e um mito que recebeu uma concessão de vida popular através do terrível trabalho pseudo-histórico de Stephen Greenblatt, “The Swerve”, que, de alguma forma, ganhou um Prémio Pulitzer apesar de ser uma pastiche de disparates.

O desenho animado de Tuson prossegue retratando Bruno tendo a sua mente aberta pela ideia dum universo infinito presente no livro de Lucrécio, mas sendo depois expulso sa sua confraria por uma turba de personagens de igreja, ao estilo dos vilões da Disney, que aparecem de forma inesperada tal como na “Inquisição Espanhola” da série da humor “Monty Python”. Isto, obviamente, é uma parábola bem melhor que a verdade; o trabalho de Lucrécio não foi banido pela Igreja, e Bruno virtualmente fugiu da sua casa religiosa e não foi despejado por ter lido livros maldosos.

Outra coisa que teria complicado este desenho animado simplista seria reportar onde foi que Bruno obteve as suas ideias dum universo vasto onde a Terra não era o centro, onde as estrelas eram outros sóis, onde existia uma multiplicidade de mundos e onde alguns destes outros mundos poderiam ser habitados. Bruno não obteve estas coisas numa visão enquanto dormia, como alega o desenho animado da “Cosmos”, mas sim directamente dum homem que ele chamou de “Cusano o divino” – o filósofo natural e teólogo com o nome de Nicholas de Cusa.

Nicolás-de-Cusa1

Se os escritores da série realmente estivessem interessados na verdadeira história em torno das origens do pensamento científico, encontravam-se à sua disposição muitas outras histórias pessoais que poderiam ter sido mais dignas de serem contadas do que a história de Bruno – pessoas que eram proto-cientistas no verdadeiro sentido do termo. Os escritores do programa, Steven Soter e a viúva de Carl Sagan, Ann Druyan, parece que sabiam o suficiente em torno de Bruno para estarem cientes de que não o poderiam apresentar como um cientista, e a narração de DeGrasse Tyson a dada altura menciona que Bruno “não era um cientista”.

Mas eles tocam de forma imperceptível no facto de Bruno, segundo a nossa forma de pensar, ter sido um completo místico maluco. Na sua defesa feita à sequência animada de Bruno, que entretanto gerou críticas, Soter ressalva que muitas outras figuras da ciência primitiva também levaram a cabo estudos que nós qualificamos de não-científicos, tais como a obsessão de Newton com a alquimia e com os cálculos apocalípticos. Mas a diferença é que Newton e Kepler dedicaram-se a esses estudos ao mesmo tempo que faziam estudos baseados na verdadeira ciência empírica, enquanto que o misticismo hermético de Bruno, a geometria sagrada, e a ilegível e largamente inventada religião Egípcia antiga eram a totalidade dos seus estudos; ele nunca chegou a fazer verdadeira ciência.

Mas se eles [Soter e a viúva de Sagan] realmente quisessem ser exactos, eles deveriam ter detalhado, ou pelos menos reconhecido, a dívida de Bruno a Nicholas de Cusa, que falou num universo infinito sem centro 109 anos de Bruno ter nascido. Eis aqui o que Cusano diz no seu livro “De docta ignorantia”:

O universo não tem circunferência, uma vez que se tivesse um centro e uma circunferência, existiriam coisas para além do mundo, suposições que têm uma total ausência de verdade. Logo, uma vez que é impossível que o universo se encontre fechado dentro dum centro corporal e limites corporais, não está dentro do nosso poder entender o universo, Cujo Centro e Circunferência são Deus. E embora o universo não possa ser infinito, mesmo assim ele não pode ser concebido como finito visto que não limites dentro dos quais ele possa ser limitado.

Este é o discernimento que o desenho animado de Bruno atribui por inteiro a ele. Porque não, então, atribuí-lo a “Cusano o divino”? Bem, isso iria destruir por completo a parábola, visto que, longe de ser pontapeado por vilões mal-encarados ao estilo de desenhos animados da Disney, Cusano era reverenciado e foi na verdade nomeado para cardeal. Isto, claramente, não fica bem dentro da fábula moral de génios livres-pensadores a serem oprimidos por teocratas dogmáticos.

O desenho animado prossegue retratando o corajoso Bruno a dar uma palestra em Oxford perante estudiosos irritáveis e de aparência aristocrática a colocarem objecções à sua promoção do Copernicanismo e, eventualmente, a atirarem-lhe peças de fruta e a expulsarem-no. Mais uma vez, a realidade não é assim digna. Não há qualquer evidência de objecções ao heliocentrismo e o problema que os estudiosos de Oxford tinham com ele era o plagiarismo que Bruno havia feito de outro estudioso. Mas, outra vez, isso não fica bem na fábula do puro livre pensador vítima de perseguição.

A ideia presente por todo o desenho animado é a noção de que ele foi afligido porque deu o seu apoio ao heliocentrismo e à tese dum universo sem limites, onde a Terra não era o centro. Como já tivemos oportunidade de ver, a segunda ideia não era nova e nem era controversa. Pelos finais do século 15, a hipótese heliocêntrica de Copérnico também não era particularmente nova, embora fosse mais controversa (practicamente nenhum cientista a aceitou porque ela era reconhecida como tendo várias falhas científicas). O ponto importante a lembrar é que por esta altura, essa ideia não era considera uma heresia por parte das autoridades religiosas, embora algumas pessoas pensassem que ela tinha alguma implicações preocupantes.

Nicholas_OresmeO próprio Copérnico não havia sido o primeiro proto-cientista a explorar a ideia duma Terra em movimento. Por volta de 1377 o estudioso medieval Nicholas Oresme havia analisado as evidências que apoiavam a ideia da Terra girar, e achou a ideia pelo menos plausível. A Igreja nem se importou com essa ideia. Os cálculos de Copérnico e a sua ideia já estavam circulação muito antes do seu opus ter sido publicado postumamente e ele gerou o interesse de várias figuras ligaras à Igreja, incluindo o Papa Clemente VII, que conseguiu que Johan Widmanstadt desse uma palestra pública em torno da teoria nos jardins do Vaticano que o Papa qualificou de fascinante.

Depois disso, Nicholas Cardinal Schoenburg insistiu que Copérnico publicasse o trabalho inteiro, embora Copérnico tivesse atrasado não por motivos de temer algum tipo de perseguição religiosa mas sim por temer a potencial reacção de outros matemáticos e astrónomos. O heliocentrismo não se tornou num tópico religioso “quente” até o incidente em torno de Galileu, em 1616, uma década e meia depois da morte de Bruno.

Mais uma vez, os escritores de “Cosmos” parecem estar vagamente cientes de tudo isto e como tal, fazem um imaginativo sapateado como forma de impedir a implosão da sua fábula. Na caracterização do julgamento de Bruno feita pelos desenhos animados da série “Cosmos”, temos a primeira evidência de que os pontos de discórdia entre a Igreja e Giordano Bruno em nada estavam relacionados com a ideia dum universo infinito, múltiplos universos, ou qualquer outra especulação cosmológica. Devido a isto, os Inquisidores ao estilo da Disney listam uma série de acusações tais como “questionar a Santíssima Trindade e a Divindade de Jesus Cristo” e mais algumas acusações puramente religiosas.

A caracterização da séria gera a impressão de que estas eram acusações menores, ou até acusações inventadas, mas na realidade, estas foram a verdadeiras razões que levaram Bruno, bem como outros, à fogueira. Por mais horrível que isso seja para nós, negar a virgindade de Maria, afirmar que Jesus era só um mágico ou negar a Transubstanciação, podiam levar uma pessoa à fogueira por volta de 1600 AD, embora só se a pessoa recusasse as repetidas oportunidades para se retratar.

Mas o desenho animado da série quer-se manter fiel à sua parábola, e como tal, eles colocam no final da lista de acusações, e nós somos levados a acreditar que esta era a acusação mais grave, “afirmar a existência de outros mundos”. Mas como já vimos, isto não era problema algum para a Igreja. Eis aqui o que Nicholas de Cusa diz sobre estes outros mundos no livro que inspirou muitas das crenças de Bruno:

A vida, tal como aquela que existe na Terra na forma de homens, animais e plantas, pode ser encontrada, suponhamos nós, na sua forma mais elevada nas regiões solares e estelares. Em vez de pensarmos que tantas estrelas e partes dos céus se encontram inabitadas, e que só esta nossa Terra está povoada de pessoas – e mesmo assim, com seres dum tipo inferior – iremos supor que todas as regiões se encontram habitadas, distinguido-se na natureza pela sua categoria, e todas elas devendo a sua origem a Deus, Que é o [C]entro e a [C]ircunferência de todas as regiões estelares …. Dos habitantes dos outros mundos, para além do nosso, podemos saber por enquanto ainda menos coisas, não tendo um padrão através do qual os louvar.

Mais uma vez, lembrem-se que Cusano não foi queimado na fogueira, e que ele era reverenciado, louvado e foi feito cardeal.

A única menção feita a outros mundos na acusação contra Bruno especifica que ele acreditava numa “pluralidade de outros mundos e na sua eternidade”. Foi esta última parte que se tornou num problema, e não o facto dele ter dado o seu apoio a uma tese que um líder da Igreja havia falado um século antes.

O desenho animado termina com as ressalvas de DeGrasse Tyson relativas ao facto de Bruno “não ter sido um cientista” e que as suas ideias não terem sido mais que “palpites de sorte“. Alguns comentadores parecem ser de opinião de que isto de alguma forma absolve toda a sequência das suas distorções, e que o programa apenas caracteriza Bruno como mártir do pensamento livre e que a sua história é uma lição sobre os perigos do dogmatismo. Mas o problema com o desenho animado é que ele é uma pastiche da verdadeira história.

A verdadeira história de Cusano poderia, na verdade, ser muito mais interessante de ser contada, e ela não estaria carregada de bagagem inspirada pela tese Draper-White em torno dos mitos que existem sobre Giordano Bruno. Mas a sequência inteira parece ter sido motivada por uma agenda e a história do herético queimado na fogueira serviu ao propósito dessa agenda duma forma que a história dum cardeal reverenciado livre de oposição nunca poderia ter servido.

O objectivo parece ser o de formar uma opinião em relação ao pensamento livre e ao dogmatismo dentro do contexto da guerra cultural nos EUA em torno do Criacionismo. Que Bruno era um crente em Deus é uma ideia repetida por diversas vezes no desenho animado, embora ela tenha sido mais um panteísta que outra coisa qualquer. Mas ele é mostrado como um crente de mente aberta e sem constrangimentos que foi oprimido e, eventualmente, morto pelas forças do dogmatismo literalista.

O grito de Bruno quando lhe estavam a atirar peças de fruta em Oxford – “O vosso Deus é demasiado pequeno!” – é, na verdade, o propósito de toda a parábola. Toda a sequência tem como alvo os literalistas dogmáticos da guerra cultural Americana ao mesmo tempo que tenta apelar aos crentes, dado que a maior parte da audiência Americana seriam teístas. Esta é o enquadramento desta fábula e os escritores cortaram partes da verdadeira história de Bruno e de forma desarrumada uniram tudo até gerar esta mensagem moderna.

Grande_Oriente_ItaliaE isto leva-me de volta ao meu encontro com a estátua no Campo de’Fiori; a estátua foi criada por Ettore Ferrari, e erigida em 1889 pouco depois da unificação da Itália, apesar da oposição da Igreja. O monumento, erigido por membros da Ordem Maçónica “Grande Oriente de Itália”, foi um símbolo político anti-clericalista deliberado. Os ateus e os livres pensadores reverenciam-na até os dias de hoje, e comemoram a execução de Bruno no dia 17 de Fevereiro de todos os anos.

Claro que qualquer pessoa que ressalve que Bruno é um ícone ridículo para os ateus, dadas as suas visões místicas excêntricas e as suas prácticas mágicas, é normalmente ignorada. E qualquer pessoa que tenha a temeridade de ressalvar que Bruno foi executado por motivos puramente religiosos, e não por especular acerca de uma multiplicidade de mundos ou um universo infinito, é normalmente (e de modo bizarro) acusada de justificar a sua horrível execução.

Tal como já disse, para pessoas que se identificam como “racionalistas”, muitos dos meus amigos ateus podem ser tudo menos racionais. Infelizmente, o desenho animado tolo de Neil deGrasse Tyson, Ann Druyan, Steven Soter e Seth MacFarlane sobre Bruno não irá definitivamente ajudar em nada em relação a isso.

Bruno_2013

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"E pelejarão contra ti, mas não prevalecerão contra ti; porque Eu sou contigo, diz o Senhor, para te livrar." (Jeremias 1:19)
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30 Responses to Giordano Bruno e os ateus historicamente ignorantes

  1. Sodré says:

    Há sempre objetivos políticos quando se erigem estátuas a figuras históricas…, escolhendo-se umas em detrimento de outras. Por trás da estátua escolhida há sempre o ponto de vista do presente que a manda erguer…, do poder vigente que julga beneficiar disso para efeitos de propaganda e de reforço da sua visão do mundo junto da população…, há sempre alguma mistificação da figura retratada e nunca uma rigorosa preocupação com a veracidade e exposição todos os factos a ela relativos…

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  2. Saga says:

    Embora os ateus e os seculares pintem que Giordano foi queimado por ser um cientista ou por ser ateu, está claro que os trinitários o queimaram por motivos mais comuns da época, como não acreditar na Trindade. Mas execuções por motivos religiosos não vendem né, tem de dizer que foi por ideias cientificas, protestantes foram executados por católicos por não acreditarem na transubstanciação, ou seja, religiosos sendo executados por motivos religiosos.

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    • Sodré says:

      “execuções por motivos religiosos não vendem né” “religiosos sendo executados por motivos religiosos”.

      Religiosos sendo executados por outros religiosos por motivos religiosos…, podes ter a certeza que “vende”…

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      • Lucas says:

        Religiosos sendo executados por outros religiosos por motivos religiosos…, podes ter a certeza que “vende”…

        Não vende não. Se vendesse, os anti-Cristãos que controlam os centros mediáticos fariam vários livros e filmes sobre a matança de Cristãos por parte de maometanos.

        Mas não acontece.

        LPor isso mesmo é que os anti-Cristãos inventam a tese de que Giordano Bruno e Hipatia foram mortos por ódio à ciência” e não por motivos políticos (Hipatia) ou por heresia (Giordano Bruno).

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      • Sodré says:

        “vende” entre aspas, não é no sentido de dar dinheiro, mas no sentido de ter impacto forte entre religiosos, descrentes e ateus, servindo perfeitamente para efeitos de “propaganda” contra as religiões, os seus líderes, a sua pretensa “bondade” ou superioridade moral (por assim dizer)… Era neste sentido que eu disse “podes ter a certeza que vende”.
        Bruno foi morto pelas suas ideias religiosas não é muito “melhor” do que dizer que ele, afinal, não terá sido morto pelas suas ideias científicas…,, pouco ajuda a “superioridades morais” de quem o matou.

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      • Lucas says:

        “vende” entre aspas, não é no sentido de dar dinheiro, mas no sentido de ter impacto forte entre religiosos, descrentes e ateus, servindo perfeitamente para efeitos de “propaganda” contra as religiões, os seus líderes, a sua pretensa “bondade” ou superioridade moral (por assim dizer)

        As guerras entre as “religiões” servem tanto de propaganda contra as religiões tal como as muito mais mortiferas guerras causadas pelos não-religiosos servem de propaganda contra a não-religiosidade.

        Normalmente quem defende a sua própria superioridade moral são os anti-Cristãos.

        Bruno foi morto pelas suas ideias religiosas não é muito “melhor” do que dizer que ele, afinal, não terá sido morto pelas suas ideias científicas…

        Quando os anti-Cristãos dizem que ele foi morto por ser um “cientista” quando na verdade a sua execução em nada esteve relacionada com a sua “ciência”, então uma é “melhor” que a outra, e a História volta a refutar mais um mito usado contra o Cristianismo.

        pouco ajuda a “superioridades morais” de quem o matou.

        Ajuda no sentido em que refuta a tese de que ele foi morto por ser cientista, e esvazia o argumento anti-histórico de que o Cristianismo é “contra” a “ciência”. Ou seja, os ateus historicamente ignorantes são (mais uma vez) refutados pelas evidências.

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      • Sodré says:

        “as muito mais mortiferas guerras causadas pelos não-religiosos”

        O que é isso? Quais são as guerras causadas pelos não-religiosos?
        Mais mortíferas? Mas civilizações religiosas aniquilaram-se completamente em guerras entre si…, onde é que tal ocorreu com “não-religiosos”? Que civilização não-religiosa aniquilou outra civilização e quando isso aconteceu?
        E em termos modernos, foram os “não-religiosos” que inventaram as armas nucleares e as usaram?

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      • Miguel says:

        “as muito mais mortiferas guerras causadas pelos não-religiosos”

        O que é isso? Quais são as guerras causadas pelos não-religiosos?

        Todas as guerras e mortandades causadas pelos comunistas e pela Revolução Francesa.

        Mais mortíferas? Mas civilizações religiosas aniquilaram-se completamente em guerras entre si…, onde é que tal ocorreu com “não-religiosos”?

        Não há “civilizações não-religiosas” porque a não-religiosidade é incapaz de gerar uma civilização. O que eu disse foi que As guerras entre as “religiões” servem tanto de propaganda contra as religiões tal como as muito mais mortiferas guerras causadas pelos não-religiosos servem de propaganda contra a não-religiosidade.” E para se ter noção das guerras causadas pelos não-religiosos basta atentar para a sangrenta história do comunismo.

        Que civilização não-religiosa aniquilou outra civilização e quando isso aconteceu?

        Não existem “civilizações não-religiosas”; existem países com lideranças não-religiosas mas a civilização que serve de base para esse país é , ou foi, uma civilização religiosa. Portanto, falar em “civilização não-religiosa” não faz sentido. Faz mais sentido em falar de países liderados por pessoas não religiosas, como são os casos dos países comunistas.

        Estes países causaram mais mortes em menos de 100 anos do que toda a história do Cristianismo. Logo, se as guerras das “religiões” são evidência contra as “religiões”, as matanças dos sem-religião são evidência contra a não-religiosidade.

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      • Saga says:

        Sodré.

        Bruno não foi morto por ser cientista, sabe aquela histórinha de que a Igreja mandou queimar milhões de cientistas na fogueira? Falso.

        Sobre os conflitos entre religiosos, quem tem de protestar contra a perseguição e intolerância religiosa, são OS RELIGIOSOS PERSEGUIDOS, os protestantes executados pela inquisição católica devem ser valorizados, e os ortodoxos eliminados atualmente pelos islâmicos também. A perseguição e a intolerância aos cristãos antiga, moderna e atual tem de ser noticia, senão os antiteístas terão a liberdade para ficar contando histórias de que os cristãos malvados perseguem todos seus desafetos, editando, manipulando, adicionando e omitindo fatos a seu bel prazer.

        Alguém lembra de quantos católicos os ateus mataram na França? Isso pode ficar esquecido na história? Se depender dos antiteístas eles reescrevem a história demonizando o cristianismo e se pintando como as vitimas inocentes e passivas dos malvados bispos e pastores por serem ateus e defenderem a ciência e a razão.

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      • Sodré says:

        “O que eu disse foi que” (Miguel)
        Desculpa lá, pensei que tivesse sido o “Lucas”, contigo já vi que quando falas de religiões e religiosos é sempre e apenas do cristianismo que estás a falar, mas seria melhor que o dissesses expressamente, porque guerras entre civilizações religiosas vêm do fundo dos tempos bem como o respetivo extermínio (e extermínio é pior do que comunismo e guerras liberais mesmo que estes tenham feito mais mortes, porque obviamente havia menos pessoas nos tempos remotos)…Além disso a revolução francesa e o comunismo revelam formas de religiosidade laica que, conquanto não remetam para um Criador, não deixam envolver “religiosidade”….

        Interessante que se fale muito das perseguições católicas a protestantes e nada das perseguições calvinistas em Genebra, da caça às bruxas efetuadas por protestantes… Talvez lembrar o auto-de-fé de Miguel Servet não fosse descabido…

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      • Miguel says:

        “O que eu disse foi que” (Miguel)
        Desculpa lá, pensei que tivesse sido o “Lucas”,

        Mesma pessoa.

        contigo já vi que quando falas de religiões e religiosos é sempre e apenas do cristianismo que estás a falar

        Obviamente.

        , mas seria melhor que o dissesses expressamente, porque guerras entre civilizações religiosas vêm do fundo dos tempos bem como o respetivo extermínio

        A maior parte das guerras da história da humanidade não foram por motivos religiosos.

        (e extermínio é pior do que comunismo e guerras liberais mesmo que estes tenham feito mais mortes, porque obviamente havia menos pessoas nos tempos remotos)

        Curioso que digam isso mas ao mesmo tempo muitos de vocês falem “dos milhões de mortos causados pela Inquisição”. Ou seja, os não-religiosos mataram muito mais pessoas num espaço de tempo bem mais curto não porque a não-religiosidade seja mais violenta que a religiosidade, mas porque “havia mais pessoas”. Mas ao mesmo tempo, os inquisidores e os Portugueses e os Espanhóis mataram “milhoes de indígenas” no Novo Mundo.

        Decidam-se.

        …Além disso a revolução francesa e o comunismo revelam formas de religiosidade laica que, conquanto não remetam para um Criador, não deixam envolver “religiosidade”….

        Ou seja, a não-religiosidade é ilibada dos seus imensos e bárbaros crimes através da re-qualificação de “religiosidade” aos seus maiores genoocidas. Assim é fácil defender a não-religiosidade: basta qualificar com o termo oposto a todos aqueles que lhe deram um mau nome.

        Se é assim, então eu também qualifico de não-religiosidade efectiva todos aqueles que cometeram crimes no nome do Cristianismo visto que o Cristianismo não defende a conversão à força nem ao genocídio. Desta forma, o Cristianismo e os Cristãos ficam totalmente ilibados de qualquer maldade; foi tudo culpa dos não-religiosos que estavam dentro do Cristianismo.

        Interessante que se fale muito das perseguições católicas a protestantes e nada das perseguições calvinistas em Genebra, da caça às bruxas efetuadas por protestantes… Talvez lembrar o auto-de-fé de Miguel Servet não fosse descabido…

        Tudo isso não é nada quando comparado com os gulags que os não-religiosos construíram, com o facto dos anti-religiosos da revolução francesa terem morto mais pessoas no espaço de alguns meses do que 400 anos de inquisição, com o facto dos não-religiosos Espanhóis terem morto mais pessoas inocentes num só ano (1936) do que toda a inquisição espanhola, e aí por diante.

        Ou seja, o testemunho claro da história é que para além da não-religiosidade ser totalmente incapaz de construir uma civilização próspera, quando os não-religiosos chegam ao poder, eles propagam um inferno na Terra nunca visto no mundo, nem mesmo pelos bárbaros jihadistas.

        Não-religiosos no poder é sinal de genocídio. Logo a tua raiva tem que ser dirigida a eles.

        Mas tu não vais fazer isso porque tu não és contra o genocídio: tu só o és quando ele é feito pelos teus opositores religiosos. Quando os genocídios são feitos por pessoas com a mesma visão anti-Cristã que tu, tu tentas re-qualificar esses genocidas de “religiosos laicos”.

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  3. Sodré says:

    Estás a confundir “não-religiosos” com “anti-religiosos”…., os meros descrentes não têm razões para perseguir quem quer que seja…

    A Inquisição não matou ninguém nem o podia fazer…, as execuções eram levadas a cabo pelo poder do Estado e não da Igreja. Quem era julgado pela Inquisição era depois passado às autoridades do Estado e eram estas quem decretava a sentença.

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    • Lucas says:

      Estás a confundir “não-religiosos” com “anti-religiosos”…., os meros descrentes não têm razões para perseguir quem quer que seja…

      Tens que dizer isso às pessoas que se identificavam como não-religiosas mas que mataram milhões de pessoas. Uma coisa é o que deveria ser, outra é a que realmente é.

      A Inquisição não matou ninguém nem o podia fazer…, as execuções eram levadas a cabo pelo poder do Estado e não da Igreja. Quem era julgado pela Inquisição era depois passado às autoridades do Estado e eram estas quem decretava a sentença.

      Tens que dizer isso aos anti-Cristãos que propagam mitos de que a Inquisição “matou milhões”. Aliás, esse é um mito tão forte que até alguns Cristãos são enganados.

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    • Saga says:

      Sodré:
      “guerras entre civilizações religiosas vêm do fundo dos tempos bem como o respetivo extermínio (e extermínio é pior do que comunismo e guerras liberais mesmo que estes tenham feito mais mortes, porque obviamente havia menos pessoas nos tempos remotos)”

      Não entendi essa parte, mas pareceu querer colocar conflitos que nem são religiosos mas que envolvem nações ou pessoas que são religiosas (Tipo Inglaterra calvinista vs Alemanha luterana, ou Itália católica? Estados Unidos protestante vs Japão Xintoísta, ou contra Iraque islámico? ) como sendo piores que as guerras revolucionárias e o morticínio comunista ; Você tava falando de conflitos que não são necessariamente religiosos, mas os países envolvidos no conflito o são???

      “A Inquisição não matou ninguém nem o podia fazer…, as execuções eram levadas a cabo pelo poder do Estado”
      Ah, dá na mesma, distinção só pro Bispo envolvido dormir tranquilo a noite. As execuções que por ventura acontecesse teriam o consentimento ou apoio eclesiástico, que foi quem julgou e condenou o infeliz a tal pena. Obrigado por lembrar disso, mas vejo como o rei que assina a morte de alguém, sendo que quem efetivamente mate seja um com um executor com um machado, ainda direi que o rei matou.

      Meu principal problema com a inquisição é com os procedimentos no processo, que eram injustos e opressivos com os acusados, eles não tinham direito a ampla defesa, como que nossos criminosos tem hoje em dia, eles eram culpados até que provem o contrário, sendo que nem sabiam qual era a acusação, some isso a indivíduos que mesmo escapando da pena de morte e não sofrendo qualquer tortura, ficavam privados de todos os seus bens! O fato do estado usar de pena de morte e mesmo tortura era muito comum, então O PRINCIPAL PROBLEMA NA INQUISIÇÃO era A DIFICULDADE DO INOCENTE de se sair bem daquilo por causa das absurdas regras envolvidas no processo. O OUTRO PROBLEMA era que um católico convertido ao protestantismo que fosse pego num processo da inquisição, já estaria se condenando automaticamente se fosse fiel a sua nova fé, a inquisição dava oportunidade ao “herege” de se dizer arrependido e de se reconciliar publicamente com a fé católica, como uma Testemunha de Jeová num campo de concentração nazista, onde a única maneira de ser libertada era assinando um documento onde negava sua fé em Jeová e na Bíblia, aceitando o Reich como o salvador da Alemanha. Era fácil pra Galileu se dizer arrependido quanto a uma questão cientifica, mas é desumano e cruel pedir a um religioso para renegar as suas crenças mais sagradas via ameaça de tortura e martírio.

      “Além disso a revolução francesa e o comunismo revelam formas de religiosidade laica”

      Tadinha das “religiões ateias”, o fato é que não a crença no sobrenatural, deuses ou em Deus o caso, o ser humano pode idolatrar e venerar outras coisas, isso mesmo sendo ateu, o problema é o que ele escolhe adorar na falta das religiões. na falta de uma figura de “Deus” ou de um “Salvador do Mundo”, pode cismar que ele mesmo tem de “salvar o mundo” a sua maneira e resultar numa dessas religiões políticas calcadas no darwinismo como o comunismo e o nazismo. Quando você se elege assim, os que se oporem a você serão vistos como sendo seus “inimigos”, inimigos do “mundo melhor”, da sua “causa justa”, da “evolução da humanidade” e da “igualdade” que você vislumbrou trazer, etc etc.

      “Interessante que se fale muito das perseguições católicas a protestantes e nada das perseguições calvinistas em Genebra, da caça às bruxas efetuadas por protestantes… Talvez lembrar o auto-de-fé de Miguel Servet não fosse descabido”

      Eu nunca esqueço, na parte que citei ali “os trinitários mataram”, nunca me sai o Servet da cabeça, vem o nome dele enquanto escrevo.

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      • Sodré says:

        Saga,
        Concordo com o que escreve sobre a Inquisição… Quanto aos “conflitos que não são necessariamente religiosos, mas que envolvem nações ou pessoas religiosas” e os exemplos que deu, julgo que seria importante definir então o que são os “conflitos religiosos”… Há exemplos? Quais?… De que você está a falar quando menciona guerras religiosas… Afinal houve alguma? Diga uma que eu rebato…

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      • Miguel says:

        Saga,

        Cuidado porque nem tudo o que os anti-Cristãos dizem da inquisição é verdade.

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  4. Vitor Silva says:

    http://www.apologia.pt/apologetica/religiao-causa-guerra/

    Em números e com análise gráfica, para ver se o discurso das “muitas guerras e mortes causadas pela religião” acaba de vez.

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    • Sodré says:

      “é simplesmente incorreto afirmar que a religião tem sido a causa primária para a guerra”.

      Certíssimo, mas isso não impede que posições relativamente a religiões (pró e contra, consoante o contexto) tenham tido e ainda tenham um papel muito importante nas guerras… Não é preciso que seja o primeiro nem o mais significativo fator numa determinada guerra, pois todas envolvem um conjunto complexo de causas e não é honesto identificar um só fator…
      O que, talvez, os ateus e também muitos descrentes estarão convencidos é de que, sem religiões oficiais, os Estados teriam menos uma causa para divergências e menos um fator, a juntar a muitos outros, para guerrear…, até porque cada Estado estaria menos convicto de que está na posse da verdade, da moral absoluta e dogmas deste tipo…., e gente menos dogmática seria menos propensa a guerrear….

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      • Lucas says:

        “é simplesmente incorreto afirmar que a religião tem sido a causa primária para a guerra”.

        Certíssimo, mas isso não impede que posições relativamente a religiões (pró e contra, consoante o contexto) tenham tido e ainda tenham um papel muito importante nas guerras…

        Tal como te foi dito em cima, o item “religião” (pró ou contra) é um facto mínimo no cômputo geral das guerras da humanidade. Porque é que tu queres arrastar para o palco principal um factor que nem deveria ser levado em conta?
        Põe isto na tua cabeça: a religião foi um factor mínimo e insignificante durante a história da humanidade como razão para guerrear.

        Não é preciso que seja o primeiro nem o mais significativo fator numa determinada guerra, pois todas envolvem um conjunto complexo de causas e não é honesto identificar um só fator…

        Ou seja, não é preciso que as religiões tenham tido qualquer papel nas guerras para tu as queres trazer ao barulho? Mas tu estás a brincar com as pessoas ou o quê?

        O que, talvez, os ateus e também muitos descrentes estarão convencidos é de que, sem religiões oficiais, os Estados teriam menos uma causa para divergências e menos um fator, a juntar a muitos outros, para guerrear…,

        Então foca-te no factores primários motivadores de guerras e quando resolveres esses, depois falamos das religiões que, como já te disseram, foram um motivo b>menor para as guerras.

        até porque cada Estado estaria menos convicto de que está na posse da verdade, da moral absoluta e dogmas deste tipo…., e gente menos dogmática seria menos propensa a guerrear….

        Como não existem pessoas que não acreditem que a sua moral está absolutamente certa, então esta “medida” é uma farsa. Se tu queres mesmo acabar com as guerras (que, volto a dizer, são MAIORITARIAMENTE causadas por motivos NÃO-RELIGIOSOS), tu tens que te focar nos motivos maiores e não nos menores. Como tu te focas nos motivos menores e não nos mais importantes, ficamos logo a saber que tu és um ideólogo mascarado de alguém que é “contra os dogmas”.

        O teu ódio não é contra as guerras; tu queres é usar as guerras como forma de atacares as religiões, mas como tu agora já sabes que as guerras são maioritariamente causadas por motivos não-religiosos, agora voltas-te aos “dogmas” como forma de acabar com os conflitos.

        Se queres mesmo militar contra as guerras, foca-te na causas primárias e não nas secundárias e minoritárias. Se te focas nas secundárias, então és desonesto.

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      • Sodré says:

        “Porque é que tu queres arrastar para o palco principal um factor que nem deveria ser levado em conta? Põe isto na tua cabeça: a religião foi um factor mínimo e insignificante durante a história da humanidade como razão para guerrear.”

        Mínimo e insignificante? O teu radicalismo faz-te perder o discernimento e com ele a parte de razão que poderias ter… Deliberadamente omites que eu comecei por escrever “Certíssimo” quanto à religião como razão única ou até principal.

        Repito “Mínimo e insignificante”? Pergunto-te se tens argumentos fortes para recusar a famosa tese de Samuel Huntington em “O Choque das Civilizações”? Eu aceito que por trás das guerras e conflituosidade internacional as diferenças de civilização são muito importantes, e Huntington aponta o papel das diferentes religiões nas estruturação das civilizações (até tu escreveste que não havia civilizações sem religiosidade). Em conclusão: mesmo que indiretamente o papel das religiões no atrito ou mesmo guerra entre civilizações nunca foi nem é “mínimo e insignificante”…

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      • Lucas says:

        Porque é que tu queres arrastar para o palco principal um factor que nem deveria ser levado em conta? Põe isto na tua cabeça: a religião foi um factor mínimo e insignificante durante a história da humanidade como razão para guerrear.”

        Mínimo e insignificante? O teu radicalismo faz-te perder o discernimento e com ele a parte de razão que poderias ter… Deliberadamente omites que eu comecei por escrever “Certíssimo” quanto à religião como razão única ou até principal.

        Não é que a religião não seja uma razão única ou principal, mas sim que é um motivo mínimo e insignificante.

        Diz-me por favor, porque é que queres trazer a religião para dentro da discussão das guerras quando elas são responsáveis por cerca 5% de todas as guerras já documentadas? Será porque tu és opositor da religião organizada? Não, não deve ser isso.

        Repito “Mínimo e insignificante”? Pergunto-te se tens argumentos fortes para recusar a famosa tese de Samuel Huntington em “O Choque das Civilizações”?

        Qual delas?

        Eu aceito que por trás das guerras e conflituosidade internacional as diferenças de civilização são muito importantes, e Huntington aponta o papel das diferentes religiões nas estruturação das civilizações (até tu escreveste que não havia civilizações sem religiosidade).

        Mas “estruturação das civilizações” não é o mesmo que “as religiões são tópico importante quando se tenta apurar as causas das guerras”.

        Tu estás preocupado com 5% das causas das guerras e não dos restantes 95%? Faz algum sentido isto?

        Em conclusão: mesmo que indiretamente o papel das religiões no atrito ou mesmo guerra entre civilizações nunca foi nem é “mínimo e insignificante”…

        Uma vez que as religiões causaram à volta de 5% da guerras história da humanidade, pode-se dizer, sim, que o papel das religiões foi mínimo e insignificante como factor causador de guerras.

        Vê bem estes gráficos até que a sua mensagem seja assimilada por ti.

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      • Renato Souza says:

        Não ter religião não torna ninguém menos dogmático.

        A não ser que você use o truque manjado de falar em religião laica para livrar a cara dos ateus. O problema desse argumento é que a imensa maioria dos ateus reais, de carne e osso, mostram-se intolerantes ao extremo quando tem os meios, os motivos e a oportunidade…

        Termino com uma crítica direta àqueles ateus “não fanáticos”, que não são adeptos de religiões laicas, e que portanto, não seriam contaminados pela intolerância. Ora esses mesmo ateus-não-fanáticos, em todas as oportunidades em que podem usar isso contra o cristianismo, falsificam a história, alteram as ordens de grandeza dos números, dão interpretações claramente inconsistentes com o conhecimento dos fatos, minimizam as mortes causadas por outros grupos, inventam ou aumentam grandemente as mortes causadas por cristãos, não dão apoio a cristãos que estão sendo mortos e perseguidos (mas dão apoio a outros que estejam sofrendo muito menos), incentivam a ignorância sobre a história e os debates filosóficos. Há raríssimas exceções a esse comportamento padrão dos “ateus-verdadeiramente-laicos”, mas essas exceções apenas servem para condenar a imensa maioria. Ora, o que é esse conjunto de comportamentos senão evidência de fanatismo? Então há fanatismo mesmo onde não tem sido identificada nenhuma “religião laica”.

        Logo, além de ser desonesto, o argumento da religião laica não é nem mesmo eficaz…Repetindo: Mesmo ateus que não são considerados identificados com nenhuma religião laica podem ser, e frequentemente são, fanáticos.

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    • Sodré says:

      Percebo melhor o argumento mas discordo em parte, porque julgo identificar a falácia dos gráficos para além de desconhecer a sua exatidão.
      Parece-me que o seu autor apenas considera o fator religioso quando ele é explícito: talvez guerras declaradas por líderes religiosos e em que as diferenças religiosas são alegadas pelos beligerantes como razão exclusiva para a confrontação. Ora como a religião nunca será o fator único e exclusivo de uma guerra segue-se as baixas percentagens 3 e 4% e a alegação, abusiva, de que as restantes guerras são não-religiosas… Ora serem guerras não-religiosas NÃO quer dizer que a religião também não estivesse presente, embora como elemento secundário…

      Se para percebermos o autor e a ti próprio, responde: a II Guerra Mundial teve a religião como um fator ou não? É absolutamente irrelevante que os EUA fossem cristãos; os japoneses xintoístas; os alemães pagãos e os russo ateus? Ou isso é “um fator que nem devia ser levado em conta” como escreveste? A minha posição é que foi um fator que deve ser levado em alguma conta por quem estuda o conflito…. Não só pela religiosidade em si mesma, mas, principalmente, como elemento gerador de diferenças importantes para a falta de empatia entre as nações envolvidas…

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      • Miguel says:

        Percebo melhor o argumento mas discordo em parte, porque julgo identificar a falácia dos gráficos para além de desconhecer a sua exatidão. Parece-me que o seu autor apenas considera o fator religioso quando ele é explícito: talvez guerras declaradas por líderes religiosos e em que as diferenças religiosas são alegadas pelos beligerantes como razão exclusiva para a confrontação.

        Não se pede menos do que isso visto que dessa forma não há espaço para equívocos. Se é uma “guerra religiosa”, então tem que ter a religião como factor incontornável – sem a qual essa tal guerra dificilmente se verificaria.

        Ora como a religião nunca será o fator único e exclusivo de uma guerra segue-se as baixas percentagens 3 e 4% e a alegação, abusiva, de que as restantes guerras são não-religiosas…

        Não tem que ser “único e exclusivo” mas sim primordial e fundamental. Os gráficos mostram que o item “religião”, como gerador de guerras, é mínimo.

        Ora serem guerras não-religiosas NÃO quer dizer que a religião também não estivesse presente, embora como elemento secundário…

        Se são guerras não-religiosas, então o factor “religião” não é o causador da mesma, e desde logo, é irrelevante como é que a religião se “fazia presente”.

        Se para percebermos o autor e a ti próprio, responde: a II Guerra Mundial teve a religião como um fator ou não?

        Não, tal como concorda Richard Dawkins.

        É absolutamente irrelevante que os EUA fossem cristãos; os japoneses xintoístas; os alemães pagãos e os russo ateus?

        O que eles ERAM é irrelevante para o que eles ALEGARAM ter sido o motivo da guerra. Eles também eram maioritariamente brancos; usando a tua lógica, como a etnia branca “se fazia presente”, então (de alguma forma estranha) a guerra teve como causa (embora “secundária”) a etnia branca. Logo (e ainda usando a tua “lógica”), há algo com a etnia branca como factor “causador de guerras”.

        Ninguém pensa assim porque todas as pessoas sabem ver que apesar de algumas pessoas se identificarem como X, não quer dizer que TUDO o que eles fazem é em nome de X. A maior parte dos cientistas da revolução científica vieram de países Cristãos, LOGO, o Cristianismo tem que receber crédito por isso. Concordas? Ou neste caso já consegues separar o facto desses cientistas virem duma cultura Cristianizada com o seu trabalhao científico?

        Nós temos que observar a forma como operam e as suas alegações para ver qual foi o factor causador. Segundo o registo histórico, as religiões só foram responsáveis por cerca de 5% de TODAS AS GUERRAS MUNDIAIS.

        Eu sei que tens dificuldade em aceitar este facto histórico, mas isso não é problema meu.

        Ou isso é “um fator que nem devia ser levado em conta” como escreveste? A minha posição é que foi um fator que deve ser levado em alguma conta por quem estuda o conflito….

        Mesmo quando nenhum dos intervenientes o levou em conta ou apelou a ele? Ou seja, tu sabes mais sobre as suas motivações do que eles mesmos? Ou tu tens algum propósito oculto em associar as religiões com conflitos que de maneira nenhuma estão relacionados com as religiões?

        Não só pela religiosidade em si mesma, mas, principalmente, como elemento gerador de diferenças importantes para a falta de empatia entre as nações envolvidas…

        Ou seja, como a “religião” gera “diferenças”, e como os países envolvidos eram de maioria religiosa, então de alguma forma ou outra a religião desses países tem que ser responsabilizada pelos confrontos – MESMO quando nenhum desses países declarou motivações religiosas para declarar guerra aos seus inimigos.

        Incrivel a ginástica mental que algumas pessoas fazem para culpar as religiões por eventos em nada relacionados com elas.

        A Alemanha e a União Soviética eram de maioria Cristã. Qual foi o “elemento” RELIGIOSO “gerador de diferenças importantes” que levou a que os Alemães tivessem “falta de empatia” com eles, e lhes tivessem declarado guerra ?

        A França e a Itália são ambos países Católicos, mas estiveram em lados opostos na 2ª guerra mundial. Segundo a tua “lógica”, deve ter havido algum elemento “religioso” a causar “diferenças” e “falta de empatia” entre estas duas nações Católicas. Certo? Ou será que me enganei?

        Os “elementos geradores de diferenças” que causaram a “falta de empatia” na maioria das guerras mundias foram elementos não-religiosos. Isto é o que a história revela. Agora, se tu pessoalmente acreditas que de alguma forma ou outra, as religiões têm que ser responsabilizadas e/ou associadas a eventos com causas fora do seu âmbito, isso é crença tua e só tua.

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  5. Azetech says:

    Mats

    Só uma curiosidade, porque está a utilizar “gravatares” diferentes?(Lucas e Miguel por exemplo)
    É algum tipo de homenagem?

    [[Mats responde: Só para variar]]

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  6. Nyew Ortiz says:

    Olá.

    Desculpas se não é o local mais apropriado para isso, mas quero dizer que estou muito feliz de achar este blog!!! Em apenas três posts obtive mais conhecimento do que encontrei até hoje por aí. A fé que criacionistas tem (digo a maioria deles) beira o irracional e, discutir à respeito é como acender o estopim de uma dinamite. Agora, porém, conhecendo mais a fundo questões científicas (graças ao blog), fica mais fácil ajudar tais pessoas à chegarem a conclusão de que a evolução é uma grande piada.

    Parabéns pelo Darwinismo!
    Estarei sempre por aqui.
    Abraço!

    Like

  7. Saga says:

    MIGUEL.

    Sim, nem tudo que dizem é verdade.

    Mas o procedimento era sim uma preocupação mesmo para quem fosse inocente, que passaria por um constrangimento e passaria a ser mal visto pelos seus vizinhos e conhecidos, ser um suspeito de heresia poderia causar séria discriminação, discriminação essa capaz de afetar social e profissionalmente esta pessoa ACUSADA de heresia. E a inquisição perseguiu e executou pessoas por motivos de religião, inclusive católicos que se converteram ao protestantismo. Se matou pouco ou se a % do uso da tortura era menor do que se pensava e mais leve do que a usada pelos seculares, não muda que este Ofício era algo infeliz. Experimente viver naquela época e traduzir a Bíblia para as línguas maternas, ou pior ainda, ser publicamente conhecido como um Unitário.

    Agora sobre a revolução francesa, sim, num período de meses supera todas as execuções registradas da Inquisição em séculos, e o procedimento de “Julgamento” é pior ainda, com execuções sumárias e investigações nulas, é tudo na base do “guilhotina neles!”, por pior que pudesse ser o procedimento jurídico inquisitório ainda assim era um procedimento.

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    • Lucas says:

      Provavelmente, mas o que interessa reter é que quem ataca os “crimes da inquisição” muitas vezes defende os muito maiores crimes da Revolução Francesa. Embora nem tudo tenha sido justo e perfeito com a Inquisição, é importante reter QUEM ataca a inquisição e o que essa mesma pessoa NÃO ATACA.

      É preciso ver que a maior parte dos ataques à inquisição são ataques à Ortodoxia Cristã tendo em vista a sua substituição por outra visão do mundo.

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  8. Sodré says:

    …Além disso a revolução francesa e o comunismo revelam formas de religiosidade laica que, conquanto não remetam para um Criador, não deixam envolver “religiosidade”….(Sodré)

    Ou seja, a não-religiosidade é ilibada dos seus imensos e bárbaros crimes através da re-qualificação de “religiosidade” aos seus maiores genocidas. (Mats)

    Se querer voltar à questão do papel dos “motivos religiosos nas guerras”, só queria deixar um protesto por aquilo que considero ser uma forma de “duplo-pensar” de Mats e outros devotos neste blog.
    Eu, seguindo vários autores, considero que existe religiosidade laica na revolução francesa e no comunismo, mas fui rebatido por Mats como se lê acima… Isso seria eventualmente coerente…, se vocês não fizessem gala em escrever que ” a teoria da evolução é uma religião”, que “ateísmo é uma fé” e outras do mesmo género! São vocês quem atribui “religiosidade” à irreligiosidade…, e depois vêm-me criticar por uma posição que até é bem mais lógica do que a vossa… Onde está a vossa coerência?

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  9. Ludo says:

    Gostei bastante do texto, mas ficaria grato se você deixasse fontes que confirmam sua versão da história sobre Giordano Bruno

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