O mito de que os cientistas estão sempre prontos a abandonar as suas teorias se as evidências assim o exigirem.

Fonte

Durante os últimos dias um escândalo tem assolado a ciência política. Um aluno de pós-graduação da UCLA, Michael LaCour, parece ter falsificado os dados que são a base dum artigo que ele publicou para o altamente prestigiada revista científica com o nome de Science. Já examinei um segundo artigo também feito por LaCour, e tal como irei explicar, estou convencido que este também é o produto de resultados falsificados.

Michael_LaCour.wO artigo na Science alegadamente mostrou que a prospecção personalizada, porta-a-porta, é eficaz na alteração dos pontos de vista políticos. LaCour e o seu co-autor, Don Green da “Columbia University”, alistaram membros duma organização lgbt da UCLA para entrarem em contacto com os votantes que haviam indicado previamente (numa pesquisa) que eram contra o “casamento” homossexual.

O artigo mostra, com base em pesquisas posteriores, que a prospecção porta-a-porta levada a cabo pelos membros do grupo lgbt havia tido um efeito significativo na mudança dos pontos de vista de contra para a favor do “casamento” homossexual.

No entanto, dois estudantes da UC Berkeley tiveram dificuldades em replicar o estudo. Eles entraram em contacto com a empresa privada com a qual LaCour havia comissionado para levar a cabo a pesquisa, mas a empresa disse que não tinha levado a cabo tal pesquisa. LaCour tinha também revelado o nome dum funcionário da firma com quem ele alegadamente tinha trabalhado, mas a firma disse que os seus registos não tinham um funcionário com esse nome.

Depois de confrontar o seu co-autor, Green pediu que a Science retraia o artigo. LaCour, no entanto, continua a defender a veracidade dos seus resultados. Deparados com este dilema, a Science ainda não se retraiu do artigo.

Isto resume de forma gráfica se a ciência actual está mais preocupada com o método científico do que com a profissão científica. Uma “expressão editorial de preocupação” não é o suficiente. Não foi possível replicar o estudo, e existem evidências de que o primeiro estudo não é legítimo.

Logo, uma publicação reputada, que está preocupada com o método cientifico, iria retrair o estudo imediatamente, e comprometer-se a publicado no futuro se forem apresentadas evidências. Claramente a Science não está preocupada com a ciência, especialmente se levarmos em conta que o homem que desenvolveu o método que o pesquisador utilizou veio a público colocar-se contra a legitimidade do trabalho de LaCour.

Acho que a maior parte das evidências sugerem que LaCour falsificou pelo menos alguns dos resultados do segundo artigo. Não só eu estaria disposto a apostar nesta conclusão, como estaria disposto a dar-lhe uma probabilidade e 10:1. Mas mesmo assim, não tenho a certeza. e estaria hesitante em dar-lhe probabilidades na ordem de 100:1. E eu recusaria dar-lhe probabilidades na ordem dos 1,000:1

Mesmo assim, estou certo que LaCour falsificou os resultados do artigo original – aquele que foi publicado na Science. Prevejo que a UCLA se recuse a conferir-lhe o PhD e prevejo que Princeton se retraia na oferta do cargo de professor-assistente que lhe havia oferecido. Prevejo que UCLA ou Princeton ou ambas irão levar a cabo uma investigação. Suspeito que irão descobrir que ele falsificou os resultados de mais do que um artigo, e não só de um.

Mas a parte mais condenatória, principalmente no que toca à credibilidade da Science, é a seguinte observação:

É muito raro que cientistas políticos tenham os seus resultados mencionados lado a lado com as ciências “exacta”.

Então, porque é que este artigo foi seleccionado para uma publicação tão pouco usual?

Modificado a partir do original – http://goo.gl/D9JX6m

* * * * * * *

Não só a Science publicou um artigo bem fora do seu admitido contexto científico, como nem se deu ao trabalho de analisar os dados e as fontes, e apurar a veracidade do estudo. Como se isso não fosse suficiente, viemos a saber que pelo menos o artigo original teve resultados falsificados, mas mesmo assim, a Science não se retraiu em relação ao artigo.

Para mostrar de forma ainda mais total e óbvia como as grandes publicações científicas estão mais dedicadas a proteger as profissões científicas e não o método cientifico, ficamos a saber agora que o mesmo autor que a Science publicou, falsificou o seu Curriculum Vitae.

Três erros crassos daquela que é uma das maiores revistas cientificas no mundo. Mas, na opinião do evolucionista comum, este é o mundo que deve ser a base de julgamento para o resto da sociedade.

E se por acaso este mundo – que aceita dados falsos, que não se retrai, e que cita “estudos” que não estão de maneira alguma associados ao que é normal na revista – rejeitar uma teoria como o criacionismo, então todos nós temos que aceitar o que este mundo diz que é a verdade absoluta.

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"E pelejarão contra ti, mas não prevalecerão contra ti; porque Eu sou contigo, diz o Senhor, para te livrar." (Jeremias 1:19)
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10 Responses to O mito de que os cientistas estão sempre prontos a abandonar as suas teorias se as evidências assim o exigirem.

  1. Marco Antonio - Curitiba (PR) says:

    O mais sintomático dessa patifaria é a metonímia recorrente dos sedizentes “representantes da ciência”. Faz parte de suas estratégias doutrinantes, principalmente através de seus sabujos midiáticos e sub-acadêmicos, utilizar frases como: “a Ciência diz que…” “a Ciência afirma que…” “a Ciência nega que…” “a Ciência prova que…” etc etc etc.
    Não, cabotinos! A Ciência é um domínio impessoal de conhecimento e não um ente categórico de razão, supostamente encarnado em seus “representantes”. Quem diz, afirma, nega ou “prova” são homens mortais, mais afeitos a delitos morais que a deficiências epistêmicas. Quando guarda-pós são venerados como estolas sacerdotais temos uma sociedade de joelhos, impondo ao Estado Laico a religião cientificista.

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  2. Ana Silva says:

    Os cientistas são humanos. E como todos humanos alguns “caem em tentação”.

    A falsificação de resultados e até a criação de estudos “do zero” já aconteceram algumas vezes. Foram todas descobertas dentro da comunidade científica, o que demonstra que embora prevaricar seja humano, o sistema funciona (a comunidade científica é capaz de descobrir as prevaricações).

    Surpreende-me aliás um pouco a escolha deste caso. Existem casos muito mais mediáticos, como o caso da cientista japonesa Haruko Obokata, o cientista coreano Hwang Woo-suk ou do médico britânico Andrew Wakefield.

    Para quem quiser saber mais sobre fraudes cometidas por cientistas existe até um blogue (em inglês) inteiramente dedicado ao tema. O blogue é mantido por cientistas e é respeitado pela comunidade científica. Os textos postados nesse blogue demonstram que na quase totalidade dos casos as falhas são detectadas pela comunidade científica, comunicadas pela comunidade científica e resolvidas pela comunidade científica.

    http://retractionwatch.com/

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    • Lucas says:

      Ana, esta fraude foi descoberta mas a “comunidade científica” (na “pessoa” da revista Science) não parece interessada em corrigir o erro .

      Parece-me que para alguns cientistas (talvez para a maioria?) existem princípios que estão acima da verdade e da honestidade científica.

      Isto só confirma o que nenhum fetichista da ciência está disposto a admitir: o mundo da ciência é tão falho como todas as outras áreas da existência humana.

      Convém levar isso em conta quando se quiser invalidar teorias só porque elas atacam o que é actualmente considerado como “científico”.

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      • “Ana, esta fraude foi descoberta mas a “comunidade científica” (na “pessoa” da revista Science) não parece interessada em corrigir o erro.”

        Pelo que li neste link (http://www.sciencemag.org/content/348/6239/1100.2.full), houve uma retratação ao artigo publicado.

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      • Ana Silva says:

        Mats:

        “Isto só confirma o que nenhum fetichista da ciência está disposto a admitir: o mundo da ciência é tão falho como todas as outras áreas da existência humana.”

        Concordo que a ciência, como todas as actividades feitas por homens, não é perfeita nem sem falhas ou enganos. Os cientistas podem ter alguma dificuldade em o admitir publicamente, talvez porque vários grupos como os criacionistas, os negadores do aquecimento global, os anti-vacinas e variados grupos de teorias da conspiração, entre outros, pegam num qualquer pormenor e amplificam-no até ao extremo (o texto poderia ser aliás, e desculpe-me por o dizer, um exemplo).

        Pessoalmente não concordo com esta atitude da comunidade científica. Mas a questão da fraude é fortemente debatida dentro da comunidade científica. Em geral casos de fraude são descobertos e combatidos. O caso debatido no texto postado é um exemplo disso. Teve até um desenvolvimento invulgarmente célere (cerca de 6 meses desde a publicação do artigo até à sua retractação).

        “Convém levar isso em conta quando se quiser invalidar teorias só porque elas atacam o que é actualmente considerado como “científico””

        As hipóteses científicas apresentadas por criacionistas são em geral passíveis de ser rebatidas por não especialistas em qualquer área científica. Eu não sou cientista e consigo compreender as falhas nas hipóteses de cientistas criacionistas que eu conheço. O meu exemplo preferido são as hidroplacas. Mas existe também o caso do geocentrismo e mesmo o design inteligente tem falhas interessantes (embora nesse caso eu tenha tido de pesquisar muito mais).

        Um conhecimento mínimo de geologia (que é o meu caso) e de tectónica de placas é suficiente para que se possa compreender que a Terra tem bem mais do que algumas dezenas de milhares de anos e que não ocorreu um dilúvio universal.

        Nada disto evolve um conhecimento profundo das diferentes áreas científicas, que eu admito não ter. Não é necessário ler artigos científicos. Basta um bom conhecimento de conceitos básicos que se aprendem na escola, como o conceito de força, de pressão, de massa, de gravidade, de energia, de transferência de energia e de correntes de convecção. Ou seja: conhecimentos básicos de física são suficientes.

        Não faço estas afirmações polémicas para iniciar uma sequência desnecessária de comentários, porque duvido que alguma vez cheguemos a um acordo. Faço estas afirmações apenas para explicar que as teorias criacionistas não são rebatíveis pelo “que é actualmente considerado como “científico”. As teorias científicas são rebatíveis por conceitos científicos básicos, muitos dos quais propostos há muito por cientistas cristãos, como Newton e Kelvin.

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      • Ana Silva says:

        Mats:

        Encontrei um erro no meu último comentário. Passo a corrigi-lo.

        As teorias criacionistas são rebatíveis por conceitos científicos básicos, muitos dos quais propostos há muito por cientistas cristãos, como Newton e Kelvin.

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    • “A falsificação de resultados e até a criação de estudos “do zero” já aconteceram algumas vezes. Foram todas descobertas dentro da comunidade científica, o que demonstra que embora prevaricar seja humano, o sistema funciona”

      — Como é possível se garantir que TODAS as fraudes foram mesmo descobertas?

      Sabemos das que foram descobertas, mas não sabemos se há mais ou não.

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      • Ana Silva says:

        Marcelo:

        “— Como é possível se garantir que TODAS as fraudes foram mesmo descobertas?”

        Não é possível. A Ciência é uma actividade humana, feita por humanos que não são perfeitos. Às vezes nem se pode falar propriamente de fraude, porque os cientistas não se apercebem que estão a errar.

        A ciência constrói-se sempre sobre conhecimento (científico) passado. Por isso muitas vezes uma fraude ou mesmo um erro são descobertos da mesma forma que foi descoberta a fraude referida no texto postado: alguém tenta replicar o trabalho feito e não consegue.

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      • A teoria “cientifica” que diz que um punhado de moléculas virou homem através do tempo, não é ciência, é pura interpretação e achismo ideológico, por isso jamais será tirada do posto pela maioria da comunidade cientifica, contradições dentro da teoria jamais serão apontados como erros, por comodidade, a teoria pseudo cientifica será sempre elástica e encarada como a melhor explicação.

        No básico, pegam algumas características em comum entre organismos, e fazem a conclusão por achismo que isso se deve a um ancestral em comum..Aí fica a pergunta, por que não um Criador em Comum ao invés de um ancestral em comum?

        Simples, a ideologia preferida ,alimentada pela ARROGÂNCIA humana pós multiplicação da ciência, é o naturalismo.

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