A evolução das plantas e o silêncio de Charles Darwin

Por Mario  Seiglie

Pode ser surpresa para alguns o facto do livro de Charles Darwin “A Origem das Espécies” mal ter tocado na evolução das plantas. Afinal, as plantas são metade das formas vivas que existem no planeta. No entanto, o suposto mecanismo principal para o desenvolvimento de novas espécies – a selecção natural e as mutações – ainda não explicaram nem o aparecimento súbito das plantas no registo fóssil, e nem o porquê das plantas terem ficado essencialmente na mesma desde o início.

PlantaClaro que Darwin sabia do problema – e foi por isso que ele mal tocou nesse tópico no seu livro. Anos mais tarde, ele confessou a um bom amigo, um botânico Joseph Hooker, que o aparecimento súbito das plantas com flores no registo fóssil era um “mistério abominável.” De facto, practicamente tudo que se foca no aparecimento das plantas é um “mistério abominável” para os evolucionistas.

Actualmente existem cerca de 375,000 espécies de plantas, e a maior parte delas não mudou de forma notável desde que apareceram pela primeira vez no registo fóssil. Tal como o geneticista e biólogo salienta:

Um problema enorme para o Neo-Darwinismo é a ausência total de evidências em favor da evolução das plantas no registo fóssil. De forma geral, as evidências fósseis das plantas pré-históricas [sic] são na verdade bastante boas, no entanto nenhuma forma transicional convincente foi descoberta no abundante registo fóssil de plantas. (“The Evolution of Plants: A Major Problem for Darwinists,” Technical Journal, 2002, edição online).

Mais ainda, o princípio evolutivo da “sobrevivência da espécie” não se aplica da mesma forma nas plantas. Afinal de contas, as plantas, ao contrário dos animais, possuem a clorofila e não precisam de matar ou competir para comer visto que podem produzir a sua própria comida através do processo da clorofila.

Portanto, a ideia de que as plantas têm que competiar umas com as outras para sobreviver não é, de forma geral, aplicável. Até aquelas plantas que comem seres vivos, tais como a  planta carnívora “Venus flytrap”, não come outras plantas mas pequenos insectos.

Curiosamente, sabe-se hoje que muitas plantas têm sensores embutidos que indicam o quanto que elas podem continuar a crescer sem invadir o espaço de outras plantas. Um exemplo espantoso é o bonito dossel feito pelas árvores cujos ramos param de crescer mal tocam nos ramos das árvores vizinhas.

Há alguns anos atrás, o eminente botânico E.J.H. Corner fez esta espantosa admissão em relação à origem e desenvolvimento das plantas, e esta admissão continua a ser verdadeira:

Planta_OrquideaMuitas evidências podem ser aduzidas em favor da teoria da evolução – da biologia, biogeografia e paleontologia, mas ainda penso que, para a pessoa sem preconceito, o registo fóssil das plantas encontra-se em favor da criação especial [Deus a criar].

Se, no entanto, se pudesse encontrar outra explicação para esta hierarquia na classificação, isso seria a sentença de morte da teoria da evolução. Conseguem imaginar como é que uma orquídea, a lentilha-d’água, e a palmeira podem ter a mesma ancestralidade, e será que temos evidências em favor dessa suposição?

O evolucionista tem que estar pronto com uma resposta, mas acho que a maioria iria ceder perante uma inquisição. ( Contemporary Botanical Thought, 1961, p. 97). GN

http://goo.gl/jSzGe8

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11 Responses to A evolução das plantas e o silêncio de Charles Darwin

  1. Ana Silva says:

    Recomendo que os parágrafos 5 e 6 sejam retirados do texto postado porque são falsos. Vários estudos e a própria experiência de biólogos, agricultores e não só provam que as afirmações contidas nestes parágrafos estão errados.

    “O princípio evolutivo da “sobrevivência da espécie” não se aplica da mesma forma nas plantas. Afinal de contas, as plantas, ao contrário dos animais, possuem a clorofila e não precisam de matar ou competir para comer visto que podem produzir a sua própria comida através do processo da clorofila.”

    “O princípio evolutivo da “sobrevivência da espécie”” pode não se aplicar “da mesma forma nas plantas” que nos animais, mas aplica-se. Apesar de “possuírem a clorofila” as plantas precisam de um espaço para que as folhas possam “realizar” “o processo da clorofila”, ou seja a “fotossíntese”. Sem um espaço para crescerem e para “brotarem” folhas, as plantas não conseguem “produzir a sua própria comida através” da fotossíntese.

    Mais ainda uma planta não vive só de glicose, o produto principal da fotossíntese. Também precisa de água e de nutrientes que recolhe da terra através das suas raízes. Em situações de falta de nutrientes pode encontrar alternativas, como caçar insectos (plantas carnívoras) ou estabelecer simbiose com bactérias (leguminosas) ou fungos.

    Portanto, ao contrário do que é referido no texto, uma planta COMPETE. Compete com as plantas vizinhas por espaço e por acesso a nutrientes. Também compete com outras plantas (principalmente da mesma espécie) pela atracção de polinizadores. Por exemplo muitas plantas têm flores especificamente adaptadas para a acção de certos polinizadores.

    Uma planta também pode matar. Ao contrário do que é referido no texto postado, não precisa sequer de ser uma planta carnívora para o fazer. Citando um artigo publicado na revista Plant Signaling and Behavior em 2012 (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3493419/):

    “As defesas directas [das plantas] são mediadas pelas características da planta que afectam a biologia dos herbívoros, tais como protecção mecânica sobre a superfície das plantas (por exemplo, cabelos, tricomas, espinhos e folhas mais grossas), ou a produção de produtos químicos tóxicos, tais como terpenóides, alcalóides, antocianinas, fenóis, e quinonas, que destroem ou retardam o desenvolvimento dos herbívoros. Defesas indirectas contra os insectos são mediadas pela libertação de uma mistura de compostos voláteis que atraem especificamente inimigos naturais dos herbívoros e/ou pelo fornecimento de alimentos […] e habitação para melhorar a eficácia dos inimigos naturais.”

    Ou seja muitas plantas recorrem a variados processos para se defenderem dos herbívoros e/ou para desincentivar os herbívoros de as comer.

    “A ideia de que as plantas têm que competir umas com as outras para sobreviver não é, de forma geral, aplicável.”

    Errado. Para além do que eu referi anteriormente, o autor do texto original parece desconhecer o conceito de “espécie invasora”. Se conhecesse talvez não se lembrasse de fazer este comentário. É que as espécies invasoras demonstram como a frase citada está totalmente errada.

    Para saber um pouco mais sobre plantas invasoras e a sua importância pode consultar-se o site http://invasoras.pt/o-que-sao/.

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    • Minha querida, o texto aborda de modo geral, não especificidades para “poderiam”. Já percebeu que essa teoria de vocês sobrevive do “poderiam”? Ora, se “poderiam” então também pode ser que não. A divida da teoria é extensa em todo caso, no caso das plantas é terrível, insustentável. Tá bem pior que a situação da Grécia.

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      • Ana Silva says:

        Júnior:

        Verifico que o Júnior não tem nada a apontar ao meu comentário. Não faz nenhuma referência à minha indicação (e correspondente justificação) de que as plantas EFECTIVAMENTE competem (entre si por espaço, nutrientes e polinizadores) e EFECTIVAMENTE matam (recorrendo aos seus mecanismos de defesa contra herbívoros).

        Posso portanto concluir, Júnior, que você concorda comigo quando digo que os parágrafos 5 e 6 estão errados. Estou certa?

        “O texto aborda de modo geral, não especificidades para “poderiam””.

        Confesso que não percebi bem este seu comentário, Júnior. O texto postado defende que não existem provas para a evolução das plantas e defende que as plantas nem competem nem matam. A segunda parte está errada e no meu comentário eu expliquei porquê.

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    • jephsimple says:

      Ana

      O texto postado defende que não existem provas para a evolução das plantas… …

      Competição é evolução?

      Plantas não necessitam de competir… Acredito que podem competir, óbvio… Num espaço finito (como é o planeta) isso pode ocorrer, e deve ocorrer em alguma escala. De longe isso serve pra explicar a origem das plantas, toda sua diversidade, por processos estocásticos, sem objetivos… Aliás originando plantas que se comunicam, sinalizam, possuem estratégias, trocam informações com outros organismos e etc.

      Quais são as evidências que todas as plantas partilham um ancestral comum? Quer dizer que uma única forma de vida (???) deu origem aos animais, fungos, bactérias e VEGETAIS?

       

       

      Óh sim, essa forma simples não tinha informação para vegetais… Foi surgindo ao longo de tempo… Diga-se de passagem, aconteceu,por acontecer, por acaso… Sim, aleatoriamente, ou será que não?

      A natureza teve o propósito de criar uma biosfera equilibrada?... Não, não, isso é uma incrível coincidência que contemplamos com um cérebro que por coincidência a natureza nos deu.

       

      Eu fico me perguntando as vezes, por que as pessoas acreditam nisso…

       

      E por que resistem tanto a inteligência na natureza se ela está bem no nariz deles ???

      Esse evolucionista admite isso : Vida Inteligente: Por que não consideramos as plantas como inteligentes?

      Claro que o evolucionista crê que tudo isso é resultado da evolução darwiniana.

      Mas fica difícil entender qual a dicotomia entre TDI e natureza… Ou então porque processos sem sentido e propósito se encaixam como melhor explicação do que ID.

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      • jephsimple says:

        O link dos evos não saiu … É esse aqui

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      • Jesse says:

        A Ana teve bons argumentos. Quer uma boa hipótese que partimos de uma evolução? Todos temos DNA, répteis, mamíferos, plantas, etc. Não há problema algum em aceitar que a evolução do universo foi explicada metaforicamente em Gênesis, apenas precisa de interpretação, já que na época, não tinham o mínimo de conhecimento científico sobre o mundo, nem se tivessem escreveriam, já que a Bíblia é para crescimento espiritual e não material. Quem escreveu a Bíblia olhou para o universo, os cientistas também olham para ele, a única diferença é como se enxerga.

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      • Lucas says:

        Não há problema algum em aceitar que a evolução do universo foi explicada metaforicamente em Gênesis.

        Génesis não foi escrito de forma “metafórica” mas como Narrativa histórica.

        Mats

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  2. Raul says:

    Realmente… é sempre surpreendente a resposta de um evolucionista quando se pergunta a qualquer um deles como era o ancestral comum entre uma vitória-régia, um lótus, uma macieira e um coqueiro, ou como foi a transição gimnosperma>angiosperma. Mas a Ana está certa que sim, os parágrafos 5 e 6 estão simplesmente errados.
    Mats
    Imagino que talvez tu possa me esclarecer umas coisas: (1) sendo que o Dilúvio cobriu até o monte mais alto e mais sete metros, de onde veio a folha de oliveira que a pomba havia pego? (2) por que os dinossauros não poderiam ter ficado de fora da arca, já que eram muito perigosos e muitos eram grandes demais para entrar (como sugeriu um amigo meu, que é líder do grupo de jovens na minha igreja)? (3) o Dilúvio é necessariamente global? (4) há razões para eu pensar que a coluna geológica pode não ter se formado durante muito tempo e sim em uma catástrofe de escala global? (5) por que, pelo menos Gênesis 1 não poderia ser uma poesia representando simplesmente o Verbo, já que segundo a Bíblia, Deus falou e tudo se fez? (6) não é um tanto absurdo pensar que todos os animais eram herbívoros no princípio?
    A paz do Senhor!

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  3. jephsimple says:

    Plantas são mais surpreendentes do que muitas pessoas imaginam. Muito alem dessa idéia limitada de competição.

    Ah sim… Para além disso, inteligência permeia toda a vida…Imagine, mesmo sobreviver e competir, sem inteligência?

    Aqui vai um texto interessante sobre as plantas… Detalha, é do mundo de Darwin e o acaso…:

    Plantas são capazes de apresentar comportamento inteligente, tal qual formigas e abelhas.
    E agora “cerebrocentristas“?

    Que tal explorar o solo de forma inteligente?As plantas são capazes de criar redes escaláveis ​​de auto-manutenção, auto-operacional e unidades de auto-reparação”

    Ver a natureza pela lupa darwinista é absurdamente limitante… Pior ainda quando se chega a verdadeira conclusão ao qual fundamenta o darwinismo: a crença de que o universo e a vida são sem sentido e sem propósito.

    Mas eles não conseguem ficar nesses fundamentos, sempre extrapolam para além dessa caixinha pueril e sem evidências no mundo real.

    É só falar de inteligência e eles voltam pra caixinha

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  4. ANDRE BRAGA says:

    Recomendo este video,o único q achei : https://youtu.be/Un8vkGkHoz4

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