Como a ciência depende de visão Bíblica do mundo

Por Philip Carlson

É-me dito com frequência que a ciência deveria ser a juíza maior da verdade. Seria muito bom se isto fosse verdade, mas esta crença não sobrevive ao escrutínio visto que seria preciso que a ciência fosse a autoridade final em todos os assuntos. Embora isso possa ser um pensamento simpático, a realidade dos factos é que ele não aguenta o seu próprio peso.

“Nós só devemos acreditar naquelas coisas que podem ser cientificamente comprovadas”. Mas é esta frase em si cientificamente comprovável? E o que dizer daquelas ideias que parecem inacessíveis para a ciência? Declarações tais como “Ela é bonita”, “Isso está errado”, “O aborto é um mal”, “O vermelho é uma cor”, “O um é um número ímpar”, e assim por adiante.

Torna-se claro que muito tópicos teriam que ser explorados como forma de analisar esta ideia conhecida como cientismo, e uma destas áreas envolve as muitas pressuposições da própria ciência.

Como é que algo que depende de outras coisas pode ser declarada como a juíza única da verdade e a única fonte de conhecimento?

Pode-se ver facilmente que se P é uma pressuposição de Q, então P é fundamental para Q, e que P é necessário para Q. Se colocarmos de parte P, então temos também que colocar de parte Q.

Quais são os P da ciência? Se por acaso tu és um realista científico, tens que concordar que a ciência opera segundo algumas pressuposições. Em “Nature of Philosophy”, John Kekes afirma:

A ciência tem compromisso com várias pressuposições: que a natureza existe, que ela tem uma ordem detectável, e que ela é uniforme, são tudo pressuposições existenciais da ciência. A distinção entre o espaço e o tempo, entre a causa e o efeito, entre o observador e o objecto observado, entre o aparente e o real, e entre o ordenado e o caótico, mais não são que pressuposições classificativas.

Enquanto que a testabilidade interdisciplinar, a quantificabilidade, e a disponibilidade pública dos dados são pressuposições metodológicas, algumas das pressuposições axiológicas são o relato honesto dos resultados, a nobreza moral de se apurar os dados reais, e a escrupulosidade em se evitar erros observacionais ou experimentais.

Se qualquer uma destas pressuposições é colocada de parte, a ciência tal como a conhecemos, não pode ser feita. No entanto, a aceitação destas pressuposições não pode ser vista como algo mundano porque todas elas foram colocadas em causa e  temos à nossa disposição alternativas.  (1)

Kekes levanta um argumento sólido em favor do falhanço do cientismo. Se há coisas concretas que têm que estar em operação antes de ciência funcionar, então essas coisas são ainda mais fundamentais e fundacionais para se determinar a verdade.

Muitas pessoas dizem que temos que olhar para os artigos científicos revistos por pares para encontrarmos declarações reais em torno da forma como o mundo é, mas esta frase assume a honestidade das pessoas que reportam os seus resultados. Esta suposição não pode ser tida como certa visto que, por motivos de fraude em favor do autor ou dos autores dos artigos, o número de retratações, de plágios, e até de processos criminais estão dentro do âmbito das possibilidades.

Existem pressuposições filosóficas adicionais que têm que ser levadas em conta antes de se poder fazer ciência. J. P. Moreland fez uma lista decente destas pressuposições científicas em mais do que uma das suas obras (2,4). Ele lista (2) pelo menos 10:

1. A existência dum mundo real, independente de qualquer teoria.
2. A natureza organizada do mundo externo.
3. A cognoscibilidade do mundo externo.
4. A existência da verdade.
5. As leis da lógica.
6. A fiabilidade das nossas capacidades cognitivas e sensoriais como colectores-de-verdade e como motivo da crença justificada no nosso ambiente intelectual.
7. A adequação da linguagem como forma de descrever o mundo.
8. A existência dos valores [morais] usados na ciência.
9. A uniformidade da natureza e da indução.
10. A existência de números.

Todas estas pressuposições servem de fundamento para quem quer levar a cabo ciência da forma como ela é executada. Estas ideias têm que estar estabelecidas e discutidas antes da ciência ser forjada. (Elas têm que, pelo menos, ser assumidas de modo implícito.)

A consistência e a coerência destas pressuposições depende da visão do mundo mantida pela pessoa. É muito difícil para um ateu avançar com um certo número destas ideias de forma consistente, no entanto muito provavelmente ele é a pessoa que avança com esta visão (ou com uma variação da mesma).

(…)

–  http://bit.ly/1swMGFN

* * * * * * *

As pressuposições Bíblicas da ciência revelam como é ridículo o ateu tentar usar a ciência contra o Cristianismo visto que ciência moderna depende de crenças que só têm justificação dentro da visão Cristã do mundo.

Dos 10 items citados em cima, nenhum deles depende da visão ateísta do mundo, mas sim da visão Cristã do mundo. Isto não significa que só os Cristãos conseguem fazer ciência, mas sim que para se fazer ciência tem que se assumir coisas que são podem ser explicadas se o Deus da Bíblia for o Criador do universo.

Tomando como exemplo a verdade e a obrigação do cientista de reportar os seus dados de forma honesta, das duas visões do mundo – ateísmo e Cristianismo – qual das duas afirma que é imperioso dizer a verdade? Para o ateísmo, a verdade encontra-se sujeita à sua utilidade pragmática, mas dentro do Cristianismo a verdade é absoluta (isto é, o Cristão é sempre obrigado a dizer a verdade, quaisquer que sejam as consequências).

Por isso é que é hilariante ver um ateu menos informado a tentar validar o ateísmo com base na ciência, sem no entanto se aperceber que a ciência (e especialmente as suas  pressuposições) é uma evidência óbvia de que o ateísmo é falso e que Deus tem que existir.

Referências:
(1) Kekes, John; “Nature of Philosophy” (Totowa, New Jersey: Rowman and Littlefield, 1980) pp.156-157
(2) Moreland, J. P.; “The Creation Hypothesis” (Downers Grove, Illinois: Intervarsity Press, 1994) p. 17
(3) Moreland, J. P.; Craig, William Lane; “Philosophical foundations for a Christian worldview” (Downers Grove, Illinois: Intervarsity Press, 2003) pp. 346-366
(4) Moreland, J. P.; “Christianity and the Nature of Science” (Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, 1989)

About Miguel

"Contempla agora o Beemoth, que Eu fiz contigo, que come a erva como o boi." (Job 40:15)
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One Response to Como a ciência depende de visão Bíblica do mundo

  1. Melissa R. Torres says:

    Muito Bom!

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