Rochas por onde passeavam os “primeiros organismos da Terra” afinal são recentes

Por Marcos Sabino

Neste post eu já tinha falado da excelência da datação evolucionista, onde vimos material que os geólogos afirmavam que tinha biliões de anos a passar a ter apenas alguns milhares de anos. No entanto, penso que a situação é má demais para deixar passar apenas com um post.
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O artigo dos geólogos Donald Lowe e Gary Byerly tinha como título:

“Ironstone bodies of the Barberton greenstone belt, South Africa: Products of a Cenozoic hydrological system, not Archean hydrothermal vents!“

Que me lembre, foi a primeira vez que vi um ponto de exclamação no título de um artigo científico. Se calhar o propósito do ponto de exclamação era transmitir a surpresa dos geólogos evolucionistas ao anunciar o facto. E de facto, não é para menos. Eles anunciaram [meu destacado]:

“Irregular bodies of goethite and hematite, termed ironstone pods, in the Barberton greenstone belt, South Africa, have been previously interpreted as the Earth’s most ancient submarine hydrothermal vent deposits and have yielded putative evidence about Archean hydrothermal systems, ocean composition and temperature, and early life.

This report summarizes geologic, sedimentological, and petrographic evidence from three widely separated areas showing that the ironstone was deposited on and directly below the modern ground surface by active groundwater and spring systems, probably during periods of higher rainfall in the Pleistocene.“

RochaOu seja, rochas que se diziam pertencer ao Arqueano (2.500.000.000 a 3.850.000.000 anos de idade), agora são tidas como pertencentes ao período do Pleistoceno (1.800.000 a 11.000 anos de idade). A Geologia deve ser a única área no mundo em que podes estar 99999% errado mas mesmo assim consegues manter o teu emprego e receber financiamento.

Tantas histórias foram contadas com base na extrema antiguidade destas rochas, tantos cenários montados, tanta imaginação sobre vida primitiva para agora nos virem dizer que estas rochas afinal não têm mais de 2 milhões de anos [*1].

Em 1994, o mesmo cientista falava na Geology a respeito do cinturão de Barberton. Nessa altura a idade dele era de 3,55 a 3,22 mil milhões de anos. Quantos artigos se escreveram sobre a elevada actividade microbiana nessas rochas super antigas:

 “A análise de rochas almofadadas do cinturão Barberton, na África do Sul, revelou novas evidências científicas de que a actividade dos micróbios era elevada no fundo dos oceanos, há biliões de anos. Artigo publicado na edição da Science desta sexta-feira (23/4), assinado por um grupo de cientistas liderado por Harald Furnes, do Departamento de Ciência da Terra da Universidade de Bergen, na Noruega, mostra a existência de pequenos tubos mineralizados feitos pelos arcaicos micróbios.“

Uau… até dá direito a escrever na prestigiosa Science. Então se está numa revista como a Science, só pode ser tudo verdade. Afinal, Science significa Ciência e Ciência, como todos os letrados sabem, lida com factos. E cá estão eles [meu destacado]:

“Pillow lava rims from the Mesoarchean Barberton Greenstone Belt in South Africa contain micrometer-scale mineralized tubes that provide evidence of submarine microbial activity during the early history of Earth.“

Só apetece dizer: Que treta! Se afinal de contas estas rochas são bem recentes, segundo a cronologia evolucionista, onde é que eles foram buscar as evidências de “actividade microbiana nos primeiros anos de vida da Terra”? Que treta! Como é que se pode confiar em métodos que mudam da água para o vinho? Que treta! Nem me atrevo a calcular a percentagem de erro com receio de pecar por defeito.

Para além de servir de exemplo da palhaçada que são os métodos de datação, este caso também serve de exemplo àqueles cristãos que querem contaminar a Palavra perfeita de Deus com as teorias malucas e falíveis do ser humano.
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REFERÊNCIAS OU NOTAS:

[*1] – Naturalmente que também não aceito a nova idade atribuída às rochas. Apenas uso os conceitos evolucionistas para mostrar as areias movediças com que estamos a lidar.

Fonte

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"E pelejarão contra ti, mas não prevalecerão contra ti; porque Eu sou contigo, diz o Senhor, para te livrar." (Jeremias 1:19)
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One Response to Rochas por onde passeavam os “primeiros organismos da Terra” afinal são recentes

  1. Ana Silva says:

    Conheço pouco sobre Geologia. Por isso em geral tento não debater questões de geologia. No entanto a minha ignorância relativa à classificação e formação e composição de rochas tem aumentado, muito graças à leitura dos postes e comentários deste blogue. Tanto assim que consigo facilmente detectar alguns pontos onde o raciocínio do Marcos Sabino, autor do texto postado, falha.

    Marco Sabino baseia-se em três artigos científicos, o primeiro publicado em 2007 pela revista “Geological Society of America Bulletin” (GSAB), o segundo publicado em 2004 pela revista Science e o último artigo publicado em 1994 pela revista Geology. Os três artigos referem-se a estudos de amostras do Cinturão de Rocha Verde de Barberton, mas chegam a resultados diferentes quanto à idade do desta formação geológica.

    Diz Sabino: “[seguindo o artigo da GSAB] rochas que se diziam pertencer ao Arqueano [3.85 – 2,5 mil milhões de anos], agora são tidas como pertencentes ao período do Pleistoceno [1,8 – 0,11 milhões de anos].” Mas a conclusão do artigo da Science é que o cinturão tem afinal 3,5 mil milhões de anos. Pior ainda, o artigo de 1994 escrito por Donald Lowe, o primeiro autor do artigo da GSAB defende que o cinturão afinal tinha “entre 3,55 a 3,22 mil milhões de anos”.

    Realmente, vendo as coisas de uma forma assim tão simples “só apetece dizer: Que treta!”. Mas a verdade é que as coisas não são assim tão simples. E basta apenas uma leitura mais cuidada dos abstracts dos artigos citados por Sabino para perceber porquê.

    É que o artigo da GSAB fala na formação de “ironstones”, um tipo de rocha muito diferente das rochas magmáticas que são a base de estudo dos outros dois artigos científicos. Mais, o artigo da GSAB explica porque é que as “ironstones” têm uma idade diferente da idade das rochas referidas nos outros artigos (porque se formou de uma forma diferente, e numa altura mais tardia). E isso explica as diferenças de idades, tornando tais diferenças um facto completamente aceitável.

    O Cinturão de Rocha Verde de Barberton (CRVB) é uma formação rochosa situada na África do Sul (país) constituída por rochas magmáticas e metamórficas, com idades entre os 3,5 e os 3,2 mil milhões de anos (https://en.wikipedia.org/wiki/Kaapvaal_Craton#Barberton_greenstone_belt). Os primeiros indícios de formas de vida simples foram encontrados em rochas do período arqueano (3.85 – 2,5 mil milhões de anos).Uma das hipóteses apresentadas para origem da vida são as fontes hidrotermais, em regiões de actividade vulcânica aquática (porque as fontes hidrotermais fornecem não só energia, mas também nutrientes essenciais à vida microbiana).

    A idade de formação do CRVB e o facto desta formação rochosa apresentar “lavas em almofada” (“pillow lava”, no original, rochas arredondadas com uma forma parecida com uma almofada que se formam debaixo de água – https://pt.wikipedia.org/wiki/Lava_em_almofada) torna muito provável que o CRVB tenha tido fontes hidrotermais no período da sua formação. Estes factos tornam o CRVB um possível candidato para conter indícios de vida do período arqueano, como é referido no artigo da revista Science indicado pelo Marcos Sabino no texto postado.

    No abstract do artigo da Science é referido que as “zonas de lavas em almofada do CRVB mesoarqueano na África do Sul contem tubos mineralizados de dimensões microméticas que fornecem evidência de actividade microbiológica submarina do início da história da Terra”. O artigo apresenta os estudos que permitem concluir que amostras recolhidas da superfície de lavas em almofada do CRVB apresentam formações semelhantes às encontradas em zonas modernas com características análogas (formação recente de lavas em almofada em zonas subaquáticas).

    O artigo de 1994 da revista Geology também parece referir-se à estrutura do CRVB e às rochas de origem vulcânica que são a base desta formação geológica. O abstract refere-se à formação destas e de outras rochas (incluindo rochas sedimentares, se percebi bem).

    No entanto, como já referi, o artigo de 2007 da GSAB não se refere às rochas magnéticas, mas sim às “ironstones”, “corpos irregulares de goethite e hematite”. O artigo apresenta um estudo que permite concluir que, ao contrário do que se pensava anteriormente, as “ironstones” têm uma origem bastante posterior á restante rocha, e como tal não podem ser usados como base para o estudo das primeiras formas de vida do período arqueano.

    O artigo da GSAB explica como “as “ironstone” foram depositadas sobre e directamente debaixo da superfície do chão moderno por sistemas activos de lençóis freáticos de fontes, provavelmente durante períodos de maior precipitação [chuva] no Pleistoceno.” Segundo o abstract do artigo, “a siderita [um tipo de rocha contendo grandes quantidades de ferro inicialmente presente na formação geológica] foi dissolvida [pela água] dos lençóis freáticos e o ferro [“libertado”] depositou-se como óxido [de ferro] entre a superfície dos sistemas freáticos e em torno das fontes por entre a água rica em ferro fluía para a superfície.”

    O abstract do artigo da GSAB conclui que “estes depósitos representam um notável sistema hidrológico quaternário formado pela deposição de óxido de ferro, mas não fornecem nenhuma informação acerca das condições de vida na Terra primitiva”. Mas antes O MESMO abstrat diz: “as veias e as massas de pedaços de quartzo cristalino mostram a corrosão [da rocha] e representam veias e cavidades cheias de quartzo, relíquias arquianas depois da reposição [substituição] do chert [uma variedade de quartzo] por óxido de ferro”.

    Ou seja o artigo da GSAB aceita a existência de material rochoso do período arqueano na CRVB, apenas defende que em certos pontos esta rocha foi substituída por “ironstones”.

    É difícil perceber o ataque de Marcos Sabino ao artigo da GSAB e aos “letrados” da “prestigiada Science”. A Ciência não é estática. A Ciência está continuamente a crescer e a mudar, uma consequência do constante (e esperado) aumento do conhecimento científico. E o artigo da GSAB, ponto de exclamação e tudo, é apenas (mais) um exemplo disso.

    O artigo da GSAB apresenta uma nova explicação para um fenómeno conhecido, a existência de “ironstones” no Cinturão de Rocha Verde de Barberton (CRVB). Essa nova explicação resulta de um estudo mais cuidado das “ironstones”, que levou à descoberta de novos factos. É baseada nesses NOVOS FACTOS que os autores do artigo apresentam uma NOVA EXPLICAÇÃO. Isso é (fazer) Ciência! (com ponto de explicação e tudo)

    É realmente uma pena que o Marcos Sabino não tenha feito uma pesquisa mais cuidada, não só do abstract do artigo da GSAB, mas principalmente da sua comparação com o artigo da Science. Porque, volto a repetir, o local de recolha pode ser o mesmo (o Cinturão de Rocha Verde de Barberton), mas as rochas são diferentes (têm constituição diferentes), logo é perfeitamente natural que tenham origens diferentes.

    Mais difícil de compreender é que este texto seja novamente postado, 7 anos depois da sua primeira publicação e numa altura em que não só é possível ter acesso online aos abstracts dos artigos, mas também ao artigo integral da Science e a outras fontes que referem o artigo da GSAB. Eu, por exemplo, precisei apenas de três dias de “pesquisa em tempo livre” para confirmar (e conseguir explicar) as minhas suspeitas quanto às falhas de argumentação do texto de Marcos Sabino.

    Nota: artigo da Science – https://www.researchgate.net/publication/8598648_Early_Life_Recorded_in_Archean_Pillow_Lavas

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