A ciência avança ignorando a teoria da evolução

Resposta a este comentário da Ana.

apendice-refutadoÉ interessante como este blogue retorna a temas que já foram debatidos e esclarecidos pelos comentadores, como se nada disso tivesse acontecido. Este post é um exemplo disso. Voltamos, mais uma vez, ao tema do conceito de “órgão vestigial”. Como já disse num comentário anterior, publicado há quase 2 anos, um órgão vestigial é um órgão “reduzido em tamanho ou utilidade quando comparado com órgãos homólogos em outros animais” (conforme definição do próprio Darwin, apresentada há mais de 100 anos). É um órgão que tendo perdido a sua função principal, manteve uma função secundária (como os ossos da pélvis na baleia, que suportam músculos importantes na actividade sexual) ou passou a ter uma nova função (como o caso do apêndice nos humanos, que serve de reservatório para a regulação da flora intestinal) [https://darwinismo.wordpress.com/2014/10/08/os-movimentos-de-cintura-da-teoria-da-evolucao/#comment-27403].

Logo aqui temos a ilusão darwinista. Órgão vestigial, tal como mantido por Darwin e companhia, é aquele que NÃO TEM FUNÇÃO ALGUMA. Entende a diferença? Vocês hoje falam em “órgãos que perderam a função principal”, mas isso é uma tentativa falhada de esconder o erro que vocês evolucionistas fizerem durante décadas (até que a ciência vos forçou a mudar de posição – finalmente).

Outra coisa a levar em conta é que vocês falam de “função principal”, mas vocês não sabem que “função principal” era essa. O que vocês sabem é que vocês não sabiam qual era a função do apêndice na altura em que ele começou a ser estudado. Portanto, a ilusão de que órgão vestigial é aquele que não executa a sua “função principal” (fosse ela qual fosse dentro do vosso paradigma) é falso. Dentro da mitologia evolutiva, órgão vestigial é aquele que não tem função.

Claro que com o passar do tempo e com o avanço da ciência, os cientistas começaram a descobrir funções para os órgãos que os evolucionistas diziam ser “sem função”. Isso forçou os crentes evolucionistas a mudar a definição de “vestigial” de modo a ocultar o seu erro grosseiro. Mas agora é tarde demais.

Volto a dizer o que já disse noutro comentário, vocês evolucionistas devem ser um dos poucos grupos do mundo que usa a ignorância como evidência em favor da vossa teoria religiosa: “Eu não sei qual é a função do apêndice, LOGO, ele não tem função, LOGO ele não foi criado mas é, sim, resultado dum processo gradual aleatório impessoal que, com o passar dos milhões de anos, o deixou sem função”.

Isto é o que passa por “ciência” aos vossos olhos?

[ Nota: É também importante relembrar que o conceito de “órgão vestigial” não surgiu com a teoria da evolução: Aristóteles (que viveu antes de Cristo), já tinha feito referência a estas estruturas.]

E se ele dizia que não tinham função, ele estava tão errado como Darwin. Apelar ao alegado erro de Aristóteles não muda o facto do mesmo erro ter sido feito por Darwin e pelos seus ministros.

Tenho dificuldade em compreender a crítica que o Lucas faz neste caso em particular, de que médicos e cientistas tenham, durante décadas, defendido que o apêndice não tinha função “e que quando algo corre bem”.

Simples. Vocês evolucionistas diziam uma coisa, mas a ciência mostrou que vocês estavam errados. Pelo que estamos a descobrir, não existem “órgão vestigiais” mas sim órgãos cuja função nós ainda não sabemos. É esta humildade que vocês evolucionistas não têm; vocês assumem que como não sabem como uma estrutura funciona, ela não tem qualquer função. Isso não é ciência mas sim algo que impede o avanço da ciência.

Pior ainda é o facto de vocês evolucio-animistas usarem a PERDA de funções como evidência em favor do poder criativo do gradualismo aleatório. Se uma estrutura perdeu a sua função com o passar dos anos, isso de maneira nenhuma é evidência de que forças graduais aleatórias podem gerar essa mesma função. O que vocês revelam quando usam o argumento do “mau design” é que vocês assumem que o “bom design” é evidência óbvia em favor de Deus. Logo, esmagados pela  preponderância de design excelente na biosfera, vocês buscam por “deformidades” e “mau design” como evidência CONTRA O CRIADOR, e não evidência em favor do gradualismo aleatório.

Só que para vosso desespero, não só os Cristãos têm uma resposta para o “mau design” e para as deformações, como temos a melhor explicação para o bom design. Vocês  evolucionistas não só estão errados em qualificar certas estruturas de “vestigiais”, como continuam sem as poder usar como evidência em favor da vossa fé MESMO que sejam “órgãos vestigiais” (que, como já disse em cima, não existem).

É que as apendicites são, ainda hoje, possível causa de morte mesmo em países ditos “civilizados” (quando não são detectadas a tempo), as pessoas podem perfeitamente viver sem um apêndice sem problemas de maior (como é o meu caso, por exemplo).

As pessoas também podem viver sem braços, sem pernas e sem olhos, mas isso não quer dizer que essas estruturas sejam “vestigiais”. O facto duma pessoa poder viver sem uma estrutura significa que…..ela pode viver sem essa estrutura, não significa que a estrutura não tem função.

Logo, DESCONHECENDO qualquer função para o apêndice nos humanos, é natural que cientistas e médicos concluíssem (sabemos hoje que erradamente) que este órgão não tem função.

Não, não é “natural” os evolucionistas dizerem que algo dentro do corpo humano “não tem função” só porque não se sabe como funciona. O natural é 1) defender que não sabem como funciona e 2) estudar até descobrir a sua função. Claro que o paradigma evolucionista impede esta atitude científica porque esta visão do mundo dá legitimidade a uma mundo aleatório, irracional, onde as coisas surgem e existem sem propósito algum.

Por outro lado, a visão do mundo Cristã, ao assumir como base de partida que a o mundo e as formas de vida surgiram como efeito do Poder Criativo do Deus Todo Poderoso, valida uma atitude mais científica e investigativa: “Eu não sei qual é a função deste órgão, mas como o corpo humano foi criado por Deus, e como Deus não faz as coisas sem intenção, então esta estrutura deve ter alguma função. Vamos estudar, analisar e fazer testes até descobrir o porquê de Deus ter feito o apêndice”.

Entende a diferença? A atribuição de “sem função” ao apêndice é consequência lógica do paradigma gradualista aleatório. Estudar e investigar e analisar são atitudes que estão de acordo com quem sabe que todas as estruturas do corpo humano estão lá por algum motivo. Descobrir uma função é algo que joga contra a teoria da evolução.

P.S.: O exemplo que o Lucas dá, da “nova” função do apêndice, é um belíssimo exemplo da importância da “ignorância” em ciência e de como a ciência funciona.

Mas a atitude dos evolucionistas não foi de “ignorância” mas de pseudo-conhecimento: vocês SABIAM (de sabedoria) que o apêndice não tinha função alguma e vocês SABIAM  que isso era evidência em favor da vossa fé no gradualismo aleatório. Onde está a “ignorância” nisto?

Até há dois anos a ciência desconhecia a importância do apêndice nos humanos.

A Ana não quer antes dizer “Até há dois anos os evolucionistas afirmavam que o apêndice não tinha função”? Note que a questão aqui é a falsa explicação dada por Darwin e pelos seus seguidores.

“Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos” (Romanos 1:22)

Se os cientistas se limitassem a aceitar como facto imutável, como “verdade inerrante”, de que o apêndice “não tem função”, os cientistas de TRÊS universidades norte-americanas não se teriam interessando neste pequeno órgão vestigial e não teriam descoberto a sua função, levando ao aumento do conhecimento científico.

Mas eles foram capazes de descobrir qual era a função do apêndice porque COLOCARAM DE LADO a errónea posição evolucionista de que o apêndice “não tem função”.

Portanto, a questão aqui não é que a ciência parou no tempo, mas sim que ela só avançou porque colocou de lado Darwin e operou segundo princípios mais de acordo com o criacionismo e com a Teoria do Design Inteligente: as estruturas existem com uma ou mais funções específicas.

Portanto, a Ana está no seu direito de louvar o trabalho dos cientistas; a Ana não se pode esquecer que a ciência avançou porque Darwin e as pseudo-conclusões da sua teoria foram ignoradas. Se a Ana diz que é assim que a ciência avança, eu concordo e assino por baixo: a ciência avança ignorando as desilusões de Darwin .

Anti-Evolution

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8 Responses to A ciência avança ignorando a teoria da evolução

  1. Douglas says:

    Os evolucionistas são muito lisos. Agora estão querendo “incrementar” o argumento original dizendo que vestigial significa “mudar de função” ou “perder a função original” para salvar o argumento darwinista.
    Então se o braço humano evoluiu da perna dum mamífero quadrúpede (tal como acreditam os evolucionistas), então o braço humano também é “vestigial”. E se as asas das aves voadoras evoluíram dos membros anteriores de dinossauros que as usavam com outro propósito, então as asas das aves são “vestigiais”. Quase tudo, portanto, é “vestigial”. Muito espertinhos.

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  2. Anderson F. says:

    A mentira, essa sim, tem pernas curtas sejam elas vestigiais ou não.
    Infelizmente, não basta uma mentira para a TE ser desacreditada, nem muitas delas ainda para alguns. Quando a opção é Deus, o Criador, então é melhor qualquer explicação, mesmo que agrida a própria inteligência.

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  3. Oliveira says:

    Eu vi que Dawkins insiste em dizer que o nervo laringeo na girafa demonstra inexistência de Designer.

    Assim como que jovens ateus adoram dizer que besouros, baratas e tartarugas são exemplos de Bad Design ao morrerem por não conseguirem se desvirar.

    Quais respostas os criacionistas dão a estes exemplos que com certeza já conhecem, em vista de tantos anoa debatendo com os evolucionistas?

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    • Miguel says:

      Assim como que jovens ateus adoram dizer que besouros, baratas e tartarugas são exemplos de Bad Design ao morrerem por não conseguirem se desvirar.Quais respostas os criacionistas dão a estes exemplos que com certeza já conhecem, em vista de tantos anoa debatendo com os evolucionistas?

      A resposta é simples: “Mau Design” é um argumento teológico, e não um argumento cientifico. Logo, podemos dar uma resposta religiosa. Nós vivêmos num mundo manchado pelo pecado, e como tal, é de esperar que coisas más ocorram.

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  4. Ana Silva says:

    Mats:

    É, de certa forma, uma honra o facto de um comentário meu dar origem a um post neste blogue. Obrigada. Digo-o sem qualquer desrespeito.

    Por essa razão tornou-se para mim importante responder. Tal exigiu alguma pesquisa e dois comentários em separado (dai, também em parte, o tempo que demoro a responder): este sobre a questão dos órgãos vestigiais em geral e outro sobre o apêndice em particular. [Nota: peço desde já desculpas pelo tamanho de ambos os comentários.]

    “Órgão vestigial, tal como mantido por Darwin e companhia, é aquele que NÃO TEM FUNÇÃO ALGUMA. Entende a diferença?”

    Não é por ser escrita “em letras maiúsculas” que uma afirmação se torna mais verdadeira, Mats. Aliás já tínhamos debatido esta questão anteriormente (https://darwinismo.wordpress.com/2014/10/08/os-movimentos-de-cintura-da-teoria-da-evolucao/#comment-27403).

    Nessa altura o Mats perguntou: “Então o Darwin começou com a tese de que esses órgãos eram “vestigiais” porque “não tinham função” mas depois mudou para “têm outra função”?”

    Na minha resposta à sua questão,Mats, eu apontei-lhe o óbvio: sim, os cientistas podem mudar de opinião. Devem, aliás faze-lo face a novas evidências. Darwin não foi diferente.

    Quanto à “companhia” de Darwin, os cientistas também dependem de novo conhecimento, que pode levar a que mudem de opinião. Novo conhecimento levou a ajustes muito importantes na teoria da evolução ao longo do tempo.

    É por isso aceitável que o conceito de “órgão vestigial” possa ter sido alterado tendo em conta esse novo conhecimento. Alterado ao ponto de a mais nova “companhia de Darwin” ter há já algum tempo a definição de órgão vestigial que eu referi no comentário que indiquei.

    Claro que a teoria da evolução prevê a possibilidade de os órgãos vestigiais poderem não ter qualquer função, como no caso dos olhos de animais que vivem em cavernas ou de escaravelhos que não voam mas têm asas “presas” debaixo das suas carapaças. Mas isso não é mutuamente exclusivo de os órgãos vestigiais poderem manter uma função secundária ou passarem a ter uma nova função. Porque também isso é explicável pela teoria da evolução (particularmente pelos mecanismos apresentados por esta teoria científica).

    “Outra coisa a levar em conta é que vocês falam de “função principal”, mas vocês não sabem que “função principal” era essa.”

    A determinação da “função principal” é feita por comparação entre animais de espécies diferentes, mas pertencentes à mesma família, à mesma ordem ou até à mesma classe (de acordo com a classificação de Linneu). Esta comparação já era feita antes de Darwin ter apresentado a primeira versão da teoria da evolução.

    Por exemplo no caso da muito discutida pélvis das baleias, a sua classificação como “órgão vestigial” resulta da comparação da pélvis das baleias com a pélvis de outros mamíferos: a pélvis da baleia é (comparada com o tamanho do corpo) bem mais pequena e (obviamente) não suporta os ossos das “nadadeiras inferiores”.

    “Vocês evolucionistas diziam uma coisa, mas a ciência mostrou que vocês estavam errados.”

    Se há algo que todo o cientista sabe é que ele nunca está completamente certo!

    Porque a ciência depende do conhecimento científico e este não é estático e está sempre em crescimento e transformação. Em ciência o que foi “certo” ontem pode não ser “certo” hoje e o que é “certo” hoje pode não ser nada “amanhã”. Em ciência, ao contrário da religião, não há Verdades Absolutas e/ou Inerrantes.

    Ou seja confirmar que os cientistas (“evolucionistas” ou não) “estavam errados” acontece com alguma frequência, é normal (e não um “drama”) e é uma parte importante da construção da ciência.

    Como disse no comentário que indiquei Mats, “em ciência não há profetas. Darwin não é um profeta da evolução, assim como Einstein não é o profeta da relatividade e Wegener não é o profeta da teoria das placas tectónicas. Isto acontece porque a ciência está em perpétua construção. Darwin baseou-se no conhecimento científico do seu tempo, que é muito inferior ao conhecimento actual. É portanto natural e lógico que Darwin esteja errado em muitas coisas.”

    “Pior ainda é o facto de vocês evolucio-animistas usarem a PERDA de funções como evidência em favor do poder criativo do gradualismo aleatório.”

    Imagino, Mats, que você refere isto porque existem realmente múltiplos exemplos de “perda de funções”, como as assas dos escaravelhos que não voam, os olhos de animais que vivem na escuridão e os fémures e tíbias dos cetáceos. Existem até vários exemplos a nível metabólico, como a nossa incapacidade de produzir vitamina C e o sistema de coagulação das baleias.

    E sim, a teoria da evolução consegue explicar estes exemplos.

    “O que vocês revelam quando usam o argumento do “mau design” é que vocês assumem que o “bom design” é evidência óbvia em favor de Deus. […] Vocês buscam por “deformidades” e “mau design” como evidência CONTRA O CRIADOR, e não evidência em favor do gradualismo aleatório.”

    Não, de todo. Se se refere à teoria da evolução, Mats esta não inclui os conceitos de “mau design” ou “bom design”. Na teoria da evolução, tais conceitos não existem.

    Darwin deu muita ênfase à importância da “selecção natural” como mecanismo de formação de novas espécies, mas também como um mecanismo responsável pela “perda de funções”. Esse conceito mantem-se ainda hoje. E a selecção natural é um facto provado em diferentes observações, aceite até por pessoas que se consideram criacionistas.

    “Vocês evolucionistas […] continuam sem as poder usar [as estruturas de “vestigiais”] como evidência em favor da vossa fé MESMO que sejam “órgãos vestigiais” (que, como já disse em cima, não existem).”

    A teoria da evolução explica bem a existência de “órgãos vestigiais” sem qualquer problema. É o próprio Mats que o admite quando diz que os “evolucio-animistas [usam] a PERDA de funções como evidência em favor do poder criativo do gradualismo aleatório.”

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  5. Ana Silva says:

    Mats:

    “Não, não é “natural” os evolucionistas dizerem que algo dentro do corpo humano “não tem função” só porque não se sabe como funciona. O natural é 1) defender que não sabem como funciona e 2) estudar até descobrir a sua função. Claro que o paradigma evolucionista impede esta atitude científica porque esta visão do mundo dá legitimidade a uma mundo aleatório, irracional, onde as coisas surgem e existem sem propósito algum.”

    O apêndice é (mais) um bom exemplo de como a ciência funciona e de como a ciência deve funcionar. É, mais ainda, um exemplo peculiar porque mostra que a ciência não precisa de “fazer” a pergunta “directa” para obter uma resposta. Mostra que a ciência pode chegar a uma conclusão por “vias indirectas”. O que acontece muitas vezes, até.

    Concordo com o Mats que muitos cientistas e médicos defenderam que “o apêndice não tem função”. O que o Mats esquece é que isso não é (por si só) impedimento para que se descubra a função do apêndice. Pelo contrário. Basta, como já disse, que a resposta apareça por “vias indirectas”.

    O estudo do apêndice tem sido muito motivado pelas consequências mortais provocadas pela apendicite (inflamação do apêndice). Pelo menos desde o início do século XX que o apêndice é estudado com atenção, mesmo por cientistas que sempre o consideravam um órgão vestigial sem função.

    Aliás, Mats, ao contrário do que você e eu temos argumentado, uma possível função para o apêndice tem sido debatida pelo menos desde 1912. Este debate cimentou-se na posterior descoberta de que o apêndice é constituído por tecido linfático, o que levou à proposta (já antiga) de que o apêndice talvez pudesse ter uma função importante a nível imunológico (protecção do corpo humano contra ameaças exteriores).

    A possibilidade de o apêndice ter uma função própria também se baseou em estudos comparativos (em que foram comparados os sistemas digestivos de vários mamíferos de espécies diferentes). Um exemplo foi o estudo realizado por G. B. Scott em 1980, que levou o seu autor a considerar a hipótese de o apêndice não ser, de todo, um órgão vestigial. [Nota: Os estudos comparativos que eu encontrei tiveram sempre por base a teoria da evolução, como pode comprovar lendo os links que refiro no final deste comentário].

    No entanto foi um “acaso” que levou à proposta inicial apresentada em 2007 para a função do apêndice. A proposta baseia-se em estudos que não estão directamente relacionados com o apêndice, envolvendo a formação de biofilmes (meio criado por bactérias, onde estas prosperam, formando colónias) na parede interna do intestino grosso dos mamíferos.

    Em 2004 um estudo já tinha confirmado a presença destes biofilmes também no apêndice de humanos. Em 2007, em conjunto com outras observações, este facto permitiu aos cientistas apresentar a (forte) hipótese de que os biofilmes no interior do apêndice protegerem as bactérias contra agressões externas. Ou seja o apêndice serve de reservatório de bactérias benéficas em caso de diarreias ou outros problemas intestinais.

    Portanto a função do apêndice foi descoberta por “vias indirectas”: um pormenor que parecia não estar directamente relacionado (“existem biofilmes no intestino grosso”) serviu para se determinar a função deste órgão.

    Para além disso, a procura de uma função para o apêndice é antiga. Embora tenha sido feita por um número reduzido de cientistas ao longo de várias décadas, não existem indícios de que eles tenham perdido o acesso a financiamento ou perdido a possibilidade de publicar artigos devido à sua “excentricidade” ou, até, perdido os seus empregos.

    Diz o Mats: “A atribuição de “sem função” ao apêndice é consequência lógica do paradigma gradualista aleatório.”

    Pode até ser, Mats. Mas como o exemplo do apêndice ao longo dos últimos (mais de) 100 anos demostra, o facto de se acreditar que algo “não tem função” não impede o seu estudo, nem impede que se descubra que afinal a função “sempre existe”.

    O mais interessante que eu pessoalmente retenho disto tudo é que informação recolhida desde 1912 até agora aponta hoje para a forte possibilidade de o apêndice não ser realmente um órgão vestigial, mas sim um órgão “novo”, com funções “novas” que evoluiu de forma separada em diferentes ordens de mamíferos, como os primatas e os roedores.

    Uma função NOVA, Mats. Algo novo que apareceu em diferentes ordens de animais, em diferentes alturas. E algo que a teoria da evolução consegue explicar bem (aliás vários estudos feitos desde que foi apresentada a hipótese para a função do apêndice têm a teoria da evolução como base).

    Realmente OBRIGADA Mats, pelo seu comentário feito texto postado. Aprendi imenso!

    Nota: Alguns artigos sobre o apêndice.
    – O artigo de 2007 a propor uma função para o apêndice pode ser “baixado” do site http://www.pubpdf.com/pub/17936308/Biofilms-in-the-large-bowel-suggest-an-apparent-function-of-the-human-vermiform-appendix (uma notícia sobre este artigo está em https://www.sciencedaily.com/releases/2007/10/071008102334.htm).
    – Artigo de 1912: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2334880/?page=1
    – O artigo referente à evolução independente do apêndice em mamíferos de ordens diferentes pode ser lido em http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1631068312001960 (uma notícia sobre este artigo está em http://www.sciencemag.org/news/2013/02/appendix-evolved-more-30-times).

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    • Lucas says:

      Ana,

      Diz o Mats: “A atribuição de “sem função” ao apêndice é consequência lógica do paradigma gradualista aleatório.”

      Pode até ser, Mats. Mas como o exemplo do apêndice ao longo dos últimos (mais de) 100 anos demostra, o facto de se acreditar que algo “não tem função” não impede o seu estudo, nem impede que se descubra que afinal a função “sempre existe”.

      Sim, mas esse estudo é feito à margem do paradigma evolucionista, e não como consequência do mesmo. Tal como eu disse, a ciência avançou porque colocou de lado o paradigma evolucionista e buscou funções para a dita estrutura.

      O mais interessante que eu pessoalmente retenho disto tudo é que informação recolhida desde 1912 até agora aponta hoje para a forte possibilidade de o apêndice não ser realmente um órgão vestigial, mas sim um órgão “novo”, com funções “novas” que evoluiu de forma separada em diferentes ordens de mamíferos, como os primatas e os roedores.

      “Forte possibilidade”, diz a Ana? Onde foi que eu já ouvi isso? Mas ainda bem que a Ana concorda comigo e defende que o apêndice não é, e nunca foi um “órgão vestigial”, que era o que Darwin dizia. A ciência forçou os evolucionistas a abandonar uma das grandes desilusões de Darwin.

      Uma função NOVA, Mats. Algo novo que apareceu em diferentes ordens de animais, em diferentes alturas.

      Sim, a teoria da evolução está cheia de histórias e de fantasias. Mas repare que a existência duma “história evolutiva” não serve de evidência para nada.

      E algo que a teoria da evolução consegue explicar bem (aliás vários estudos feitos desde que foi apresentada a hipótese para a função do apêndice têm a teoria da evolução como base).

      Ou seja, se dito órgão não tivesse função, isso estaria de acordo com a teoria da evolução. Mas o facto dele ter uma função TAMBÉM está de acordo com a teoria da evolução. É isso? E a Ana ainda se admira da existência dum crescente número de cientistas que são abertamente contra esta teoria?

      Mats

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      • Ana Silva says:

        Mats:

        “Sim, mas esse estudo é feito à margem do paradigma evolucionista, e não como consequência do mesmo. Tal como eu disse, a ciência avançou porque colocou de lado o paradigma evolucionista e buscou funções para a dita estrutura.”

        Mats, volto a repetir: não é por colocar “em letras maiúsculas” (ou, neste caso, “em bold”) ou, sequer, por repetir muitas vezes que algo se torna verdade.

        No artigo científico de 2007 que apresenta pela primeira vez uma proposta concreta de função para o apêndice, o conceito de “evolução” é apresentado como uma justificação para o apêndice ter “uma função específica em vez de ser um mero vestígio de um órgão importante [do sistema] digestivo no passado” [conforme referido no próprio artigo de 2007].

        Se dúvidas pudessem (ainda) existir, Mats, há pelo menos um cientista autor do artigo científico de 2007, William Parker (que é referido no artigo da Science Daily) que segue o “paradigma evolucionista”. É que William Parker é também um dos autores do artigo científico de 2013 que estudou a evolução independente do apêndice em mais de 300 mamíferos de ordens diferentes.

        Eu apresentei links para estes dois artigos no meu último comentário, Mats. Tenho, por isso, alguma dificuldade em perceber porque é que o Mats mantém este argumento.

        “Ainda bem que a Ana concorda comigo e defende que o apêndice não é, e nunca foi um “órgão vestigial”, que era o que Darwin dizia.”

        Realmente face às novas provas/evidências, estudos comparativos baseados na teoria da evolução, a probabilidade de o apêndice ser afinal um “novo” órgão, com novas funções é muito elevada. São estas “descobertas” que me fazem fazem gostar tanto de ciência.

        “A ciência forçou os evolucionistas a abandonar uma das grandes desilusões de Darwin.”

        Continuo sem perceber o foco nessa argumentação de “Darwin estava errado”, Mats. Sim é verdade: Darwin estava errado em muitas coisas. E depois?

        Volto a repetir: Darwin não é nenhum profeta. A teoria da evolução não é (nem se espera ser) infalível, e como todas as teorias científicas, está dependente do novo conhecimento que vai aparecendo. HÁ MUITO tempo que se conhecem muitas coisas em que Darwin estava errado. Olhe só o caso dos genes, por exemplo, que reforçou a teoria da evolução.

        “Repare que a existência duma “história evolutiva” não serve de evidência para nada.”

        Se fosse apenas UMA “história evolutiva” teria de concordar consigo, Mats. O problema com esse argumento é a enorme quantidade de “histórias evolutivas” que há para contar, todas coerentes entre si.

        “Ou seja, se dito órgão não tivesse função, isso estaria de acordo com a teoria da evolução. Mas o facto dele ter uma função TAMBÉM está de acordo com a teoria da evolução. É isso?”

        Sim, Mats. É isso mesmo.

        O facto de o Mats continuar a fazer essa pergunta, indicia que talvez você ainda não compreenda totalmente como [o avanço d]a ciência funciona.

        Pegando no exemplo mais simples do átomo. O nome “átomo” tem origem na sua definição original do cientista britânico John Dalton, de algo “que não é divisível”. Desde então descobriu-se que afinal o átomo é “divisível”, constituído por electrões, protões e neutrões, e que os dois últimos são constituídos por sub-partículas ainda mais pequenas. Mas a teoria atómica não “caiu” e John Dalton continua a ser um cientista respeitado por todo o trabalho que desenvolveu ao longo da sua vida (incluindo aquilo em que errou).

        Porque há-de a teoria da evolução ser “julgada” de forma diferente da teoria atómica. E porque há-de Charles Darwin ser “julgado” de forma diferente de John Dalton?

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