Os Filósofos de Deus e o mito da “Idade das Trevas”

Por Tim O’Neill

O meu interesse pela ciência Medieval foi largamente estimulado por um livro. Por volta de 1991, quando eu era um aluno de pós-graduação empobrecido e frequentemente esfomeado na Universidade da Tasmânia, dei com uma cópia do livro de Robert T. Gunther com o título de “Astrolabes of the World” – 598 páginas-fólio de astrolábios islâmicos, Medievais e Renascentistas meticulosamente catalogados, cheio de fotos, diagramas e listas estreladas, bem como uma vasta gama de outro tipo de informação.

Dei com ele, e de forma bem apropriada e não incidental, nos “Astrolabe Books” de Michael Sprod – no piso de cima de um dos lindos e antigos armazéns de arenito que se encontram alinhados num lugar com o nome de “Salamanca Place” (…). Infelizmente, o livro custava $200, o que por aquela altura era o equivalente ao que eu tinha para gastar durante o mês inteiro.

Mas o Michael já estava habituado a vender livros a estudantes empobrecidos, e devido a isso, não almocei e fiz um adiantamento de $10 e, durante vários meses, regressava todas as semanas para dar o mais que podia até que eventualmente consegui levá-lo para casa, embrulhado em papel castanho duma forma que só as livrarias Hobart se preocupam em fazer. Há poucos prazeres mais gratificantes do que aquele em que se tem nas mãos o livro que há já muito tempo se quer ler.

Filosofos_de_Deus_Gods_PhilosophersTive outra experiência igualmente gratificante quando, há algumas semanas atrás, recebi uma cópia do livro de James Hannam com o título de “God’s Philosophers: How the Medieval World Laid the Foundations of Modern Science [“Os Filósofos de Deus: Como o Mundo Medieval Estabeleceu os Fundamentos da Ciência Moderna”].

Há já alguns anos que brinco com a ideia de criar um site dedicado à ciência e à tecnologia Medieval como forma de tornar públicas as mais recentes pesquisas em torno do tópico, e também para refutar os mitos preconceituosos que caracterizam esse período como uma Idade das Trevas repleta de superstição irracional. Felizmente, hoje posso riscar essa tarefa da minha lista porque o suberbo livro de Hannam fez esse trabalho por mim, e em grande estilo.

A Idade das Trevas Cristã e Outros Mitos Histéricos

Um do riscos ocupacionais de se ser um ateu e um humanista secular que divaga por fórums de discussão é o de encontrar níveis assombrosos de ignorância histórica. Gosto de me consolar com a ideia de que muitas das pessoas que se encontram em tais fórums adoptaram o ateísmo através do estudo da ciência, e como tal, mesmo que essas pessoas tenham conhecimentos avançados em áreas tais como a geologia e a biologia, o seu conhecimento histórico encontra-se parado no nível secundário. Geralmente, eu costumo agir assim porque a alternativa é admitir que o entendimento histórico médio da pessoa comum, e a forma como a História é estudada, é tão frágil que se torna deprimente.

Logo, para além de ventilações regulares de mitos cabeludos tais como o da Bíblia ter sido organizada no Concílio de Niceia, ou do enfadonho disparate cibernético de que “Jesus nunca existiu!”, ou também do facto de pessoas inteligentes estarem a propagar alegações pseudo-históricas que fariam com que até Dan Brown suspirasse com escárnio, o mito de que a Igreja Católica causou a Idade das Trevas, e que o Período Medieval foi um vazio científico, é regularmente empurrado com um carrinho-de-mão ferrugento para a linha da frente como forma de o expor por toda a arena.

O mito diz que os Gregos e os Romanos eram sábios e pessoas racionais que amavam a ciência, e que estavam à beira de fazer todo o tipo de coisas maravilhosas (normalmente, a invenção de máquinas a vapor de grande porte é inocentemente invocada) até que o Cristianismo chegou. O Cristianismo baniu, então, todo o conhecimento e todo o pensamento racional, e inaugurou a Idade das Trevas.

Durante este período, diz o mito, a teocracia com punho de ferro, apoiada pela Inquisição ao estilo da Gestapo, impediu que fosse feita qualquer actividade científica, ou qualquer actividade de investigação, até que Leonardo da Vinci inventou a inteligência e o Renascimento nos salvou a todos das trevas Medievais.

As manifestações cibernéticas desta ideia curiosamente pitoresca, mas aparentemente infatigável, variam de quase atabalhoadas a totalmente chocantes, mas a ideia continua a ser uma daquelas coisas que “toda a gente sabe”, e que permeia a cultura moderna.

Um episódio recente da série “Family Guy” exibiu o Stewie e o Brian a entrar num mundo alternativo futurista onde, foi-nos dito, as coisas eram avançadas desse modo porque o Cristianismo não havia destruído o conhecimento, dado início à Idade das Trevas, e impedido o desenvolvimento da ciência. Os escritores não sentiram a necessidade de explicar o significado das palavras de Stewie porque assumiram que toda a gente sabia.

Cerca de uma vez a cada 3 ou 4 meses em fórums tais como RichardDawkins.Net temos algumas discussões onde sempre aparece alguém a invocar a “Tese do Conflicto”. Isso evolui para o normal ritual onde a Idade Média é retratada como um deserto intelectual onde a humanidade se encontrava algemada pela superstição e oprimida pelos cacarejadores asseclas da Velha e Maligna Igreja Católica.

Os velhos estandartes são apresentados na altura certa: Giordano Bruno é apresentado como um mártir da ciência, nobre e sábio, e não como o irritante místico “Nova Era” que ele era. Hipatia é apresentada como outra mártir deste tipo, e a mitológica destruição da Grande Biblioteca de Alexandria é falada num tom silencioso, apesar de ambas estas ideias serem totalmente falsas.

O incidente em torno de Galileu é apresentado como evidência dum cientista destemido a opor-se ao obscurantismo científico da Igreja, apesar do incidente ter tanto a ver com a ciência como com as Escrituras. E, como é normal, aparece sempre alguém a exibir um gráfico (ver mais embaixo), que eu dei o nome de “A Coisa Mais Errada de Sempre da Internet”, e a mostrá-lo triunfalmente como se o mesmo fosse prova de algo que não do facto da maior parte das pessoas serem totalmente ignorantes da História, e incapazes de ver que algo como “Avanço Científico” nunca pode ser quantificado, e muito menos pode ser representado visualmente num gráfico.

Ciencia_Idade_Media_Segundo_Os_Ignorantes

 

Não é difícil pontapear este disparate e reduzi-lo a nada, especialmente porque as pessoas que o apresentam não só não sabem quase nada de História, como também tudo o que fazem é repetir ideias estranhas como esta que eles viram em sites e livros populares. Estas alegações entram em colapso mal tu as atacas com evidências sólidas.

Eu gosto de embaraçar por completo estes propagadores perguntando-lhes que me apresentem um – um só – cientista que foi queimado, perseguido, ou oprimido durante a Idade Média por motivos científicos. Eles são incapazes de me apresentar um único nome. Normalmente, eles tentam forçar Galileu de volta à Idade Média, o que é engraçado visto que ele foi contemporâneo de Descartes.

Quando lhes é perguntado o porquê deles serem incapazes de apresentar um único nome dum cientista que tenha sofrido por motivos científicos, visto que aparentemente a Igreja esta ocupada a oprimi-los, eles normalmente alegam que a Velha e Maligna Igreja fez um trabalho tão bom a oprimi-los que todas as pessoas passaram a ter medo de fazer ciência.

Quando eu lhes apresento uma lista de cientistas da Idade Média – tais como Albertus Magnus, Robert Grosseteste, Roger Bacon, John Peckham, Duns Scotus, Thomas Bradwardine, Walter Burley, William Heytesbury, Richard Swineshead, John Dumbleton, Richard de Wallingford, Nicholas Oresme, Jean Buridan e Nicolau of Cusa – e lhes pergunto o porquê destes homens levarem a cabo a sua actividade científica durante a Idade Média alegremente e sem terem sofrido qualquer tipo de interferência por parte da Igreja, os meus adversários frequentemente coçam as cabeças confusos sobre o que foi que correu mal.

A Origem dos Mitos

A forma como os mitos que deram origem “A Coisa Mais Errada de Sempre da Internet” surgiram encontra-se bem documentada em vários livros em torno da história da ciência. Mas Hannam inteligentemente lida com eles nas páginas iniciais do seu livro visto que seria provável que eles viessem a formar uma base que levasse muitos leitores do público geral a olhar com suspeição para a ideia dos fundamentos Medievais da ciência moderna.

Uma melange purulenta envolvendo a intolerância do Iluminismo, os ataques anti-papistas feitos por Protestantes, o anti-clericalismo Francês, e a arrogância Classicista, levou a que o período Medieval ficasse caracterizado como uma era de atraso e superstição – o oposto do que a pessoa comum associa com a ciência e com a razão.

Hannam não só mostra como polemistas tais como Thomas Huxley, John William Draper, e Andrew Dickson White – todos eles com o seu preconceito anti-Cristão – conseguiram moldar a ainda presente ideia de que a Idade Média foi uma era vazia de ciência e de conhecimento racional, como revela que só quando historiadores no verdadeiro sentido do termo se incomodaram em colocar em causa os polemistas através das obras de pioneiros na área, tais como Pierre DuhemLynn Thorndike, e o autor do meu livro sobre o astrolábio,  Robert T. Gunther, que as distorções dos preconceituosos começaram a ser corrigidas através pesquisas fiáveis e vazias de preconceito .

Esse trabalho foi agora completado pela mais recente gama de modernos historiadores da ciência tais como David C. Lindberg, Ronald Numbers, e Edward Grant. Na esfera académica pelo menos a “Tese do Conflicto” duma guerra histórica entre a ciência e a teologia há muito que foi colocada à parte.

É, portanto, estranho que tantos dos meus amigos ateus se agarrem de forma tão desesperada a uma posição há muito morta que só foi mantida por polemistas amadores do século 19, em vez de se agarrarem às  pesquisas apuradas levadas a cabo por historiadores objectivos e actuais, e que cujas obras foram alvo de revisão por pares. Este comportamento é estranho especialmente quando o mesmo é levado a cabo por pessoas que se intitulam de “racionalistas”.

Falando em racionalismo, o ponto crucial que o mito obscurece é precisamente o quão racional a pesquisa intelectual foi durante a Idade Média. Embora escritores tais como Charles Freeman continuem a alegar que o Cristianismo matou o uso da razão, a realidade dos factos é que graças ao encorajamento de pessoas tais como Clemente de Alexandria e Agostinho em favor do uso da filosofia dos pagãos, e das traduções das obras de lógica de Aristóteles, e de outros feitas, por Boécio, a investigação racional foi uma das jóias intelectuais que sobreviveu ao colapso catastrófico do Império Romano do Ocidente, e foi preservada durante a assim-chamada Idade das Trevas.

O soberbo livro God and Reason in the Middle Ages de Edward Grant detalha precisamente isto com um vigor característico, mas nos seus primeiros 4 capítulos Hannam faz um bom resumo deste elemento-chave. O que torna a versão histórica de Hannam mais acessível do que a de Grant é que ele conta-a através das vidas das pessoas-chave da altura – Gerbert de Aurillac, Anselmo, Guilherme de Conches, Adelardo de Bath, etc.

Algumas das pessoas que fizeram uma avaliação [inglês: “review] do livro de Hannam qualificaram esta abordagem de um bocado confusa dado que o enorme volume de nomes e mini-biografias podem fazer com que as pessoas sintam que estão a aprender um bocado sobre um vasto número de pessoas. Mas dada amplitude do tópico de Hannam, isto é francamente inevitável e a abordagem semi-biográfica é claramente mais acessível que a pesada e abstracta análise da evolução do pensamento Medieval.

Hannam disponibiliza também um excelente resumo da Renascimento do Século 12 que, contrariando a percepção popular e contrariando “o Mito”, foi efectivamente o período durante o qual o conhecimento antigo invadiu a Europa Ocidental. Longe de ter sido resistido pela Igreja, foram os homens da Igreja que buscaram este conhecimento junto dos muçulmanos e das Judeus da Espanha e da Sicília.

E longe de ter sido resistido e banido pela Igreja, o conhecimento foi absorvido e usado para formar a base do programa de estudo dessa outra grande contribuição Medieval para o mundo: as universidades que começavam a aparecer um pouco por todo o mundo Cristão.

Deus e a Razão

Deus_Razao_Ciencia_Idade_MediaO encapsulamento da razão no centro da pesquisa, combinada com o influxo do “novo” conhecimento Grego e Árabe, deu início a uma autêntica explosão de actividade intelectual na Europa, começando no Século 12 e avançando por aí em adiante. Foi como se o estímulo súbito de novas perspectivas e as novas formas de olhar para o mundo tenham caído em terreno fértil numa Europa que, pela primeira vez em séculos, encontrava-se em paz  relativa, era próspera, olhava para o exterior, e era genuinamente curiosa.

Isto não significa que as forças mais conservadoras e reaccionárias não tenham tido dúvidas em relação às novas áreas de pesquisa, especialmente em relação à forma como a filosofia e a especulação em torno do mundo natural e em torno do cosmos poderia afectar a teologia aceite. Hannam é cuidadoso para não fingir que não houve qualquer tipo de resistência ao florescimento do novo pensamento e da investigação, mas, ao contrário dos perpetuadores “do Mito”, ele leva em consideração essa resistência mas não a apresenta como tudo o que há para saber sobre esse período.

De facto, os esforços dos conservadores e dos reaccionários eram normalmente acções de retaguarda e foram em quase todas as instâncias infrutíferas nas suas tentativas de  limitar a inevitável inundação de ideias que começou a jorrar das universidades. Mal ela começou, ela foi literalmente imparável.

De facto, alguns dos esforços dos teólogos de colocar alguns limites ao que poderia e não poderia ser aceite através do “novo conhecimento”, geraram como consequência o estímulo da investigação, e não a sua constrição.

As “Condenações de 1277” tentaram afirmar algumas coisas que não poderiam ser declaradas como “filosoficamente verdadeiras”, particularmente aquelas coisas que colocavam limites à Omnipotência Divina. Isto teve o interessante efeito de mostrar que Aristóteles havia, de facto feito alguns erros graves – algo que Tomás de Aquinas havia colocado ênfase na sua altamente influente Summa Theologiae:

As condenações e a Summa Theologiae de Aquinas haviam gerado um enquadramento dentro do qual os filósofos naturais poderiam prosseguir os seus estudos em segurança, e esse enquadramento havia estabelecido o princípio de que Deus havia decretado as leis naturais mas que Ele não Se encontrava limitado pelas mesmas. Finalmente, esse enquadramento declarou que Aristóteles esteve por vezes errado. O mundo não era “eterno segundo a razão” e “finito segundo a fé”. O mundo não era eterno. Ponto final.

E se Aristóteles poderia estar errado em algo que ele considerava certamente certo, isso colocava em dúvida toda a sua filosofia. Estava assim aberto o caminho para que os filósofos naturais da Idade Média avançassem de forma mais firme para além das façanhas dos Gregos. (Hannam, pp 104-105)

E foi exactamente isso que eles passaram a fazer. Longe de ser uma era sombria e estagnada, tal como o foi a primeira metade do Período Medieval (500-1000), o periodo que vai desde o ano 1000 até ao ano 1500 é, na verdade, o mais impressionante florescimento da pesquisa e da investigação científica desde o tempo dos antigos Gregos, deixando muito para trás as Eras Helénicas e Romanas em todos os aspectos.

Com Occam e Duns Scotus a avançarem com a abordagem crítica aos trabalhos de Aristóteles para além da abordagem mais cautelosa de Aquinas, estava aberto o caminho para que os cientistas Medievais dos Séculos 14 e 15 questionassem, examinassem e testassem as perspectivas que os tradutores dos Séculos 12 e 13 lhes haviam dado, e isto com efeitos surpreendentes:

Durante o século 14, os pensadores medievais começaram a reparar que havia algo seriamente errado em todos os aspectos da filosofia Natural de Aristóteles, e não só naqueles aspectos que contradiziam directamente a Fé Cristã. Havia chegado o momento em que os estudiosos medievais seriam capazes de começar a sua busca como forma de avançar o conhecimento……enveredando por novas direcções que nem os Gregos e nem os Árabes haviam explorado. O seu primeiro avanço foi o de combinar as duas disciplinas da matemática e da físicas duma forma que não havia sido feita no passado. (Hannam p. 174)

A história deste avanço, e os espantosos estudiosos de Oxford que o levaram a cabo e, desde logo, lançaram as bases da ciência genuína – os “Calculadores de Merton” – muito provavelmente merece um livro separado, mas o relato de Hannam certamente que lhes faz justiça e é uma secção fascinante da sua obra.

Os nomes destes pioneiros do método científico – Thomas BradwardineWilliam Heytesbury, John Dumbleton e o deliciosamente nomeado Richard Swineshead – merecem ser conhecidos. Infelizmente, a obscurecedora sombra “do Mito” significa que eles continuam a ser ignorados ou desvalorizados até mesmo em histórias da ciência recentes e populares. O resumo de Bradwardine do discernimento-chave que estes homens trouxeram para a ciência é uma das citações mais importantes da ciência inicial e ela merece ser reconhecida como tal:

[A matemática] é a reveladora da verdade genuína…..quem quer que tenha o descaramento de estudar a física ao mesmo tempo que negligencia a matemática, tem que saber desde o princípio que nunca entrará pelos portais da sabedoria. (Citado por Hannam, p. 176)

Estes homens não só foram os primeiros a aplicar de forma genuína a matemática à física, como desenvolveram funções logarítmicas 300 anos antes de John Napier, e o Teorema da Velocidade Média 200 anos antes de Galileu. O facto de Napier e Galileu serem creditados por terem descoberto coisas que os estudiosos Medievais já haviam desenvolvido é mais um indicador da forma como “o Mito” tem distorcido a nossa percepção da história da ciência.

Nicolas_OresmeSemelhantemente, a física e a astronomia de Jean Buridan e de Nicholas Oresme eram radicais e profundas, mas de modo geral, desconhecidas para o leitor comum.  Buridan foi um dos primeiros a comparar os movimentos do cosmos com os movimentos daquela que é outra inovação Medieval: o relógio. A imagem dum universo a operar como um relógio, imagem essa que passou a ser usada com sucesso pelos cientistas até aos dias de hoje, começou na Idade Média.

E as especulações de Oresme em relação a uma Terra em rotação mostra que os estudiosos Medievais alegremente contemplavam ideias que (para eles) eram razoalmente estranhas como forma de ver se funcionariam; Oresme descobriu que esta ideia em especial na verdade funcionava muito bem.

Dificilmente estes homens eram o resultado duma “idade das trevas” e as suas carreiras estão conspicuamente livres de qualquer tipo de Inquisidores e de ameaças de queimas tão amadas e sinistramente imaginadas pelos fervorosos proponentes “do Mito”.

Galileu, Inevitavelmente.

Tal como dito em cima, nenhuma manifestação “do Mito” está completa se que o Incidente de Galileu seja mencionado. Os proponentes da ideia de que durante a Idade Média a Igreja sufocou a ciência e a racionalidade têm que empurrá-lo para a linha da frente visto que, sem ele, eles não têm exemplos da Igreja a perseguir alguém por motivos relacionados à pesquisa do mundo natural.

A ideia comum de que Galileu foi perseguido por estar certo em relação ao heliocentrismo é uma total simplificação dum assunto complexo, e um que ignora o facto do principal problema de Galileu não ser só que as suas ideias estavam em desacordo com a interpretação das Escrituras, mas também em desacordo com a ciência dos seus dias.

Ao contrário da forma como este assunto é normalmente caracterizado, nos dias de Galileu o ponto principal era o facto das objecções científicas ao heliocentrismo ainda serem suficientemente poderosas para impedirem a sua aceitação.

Em 1616 o Cardeal Bellarmine deixou bem claro para Galileu que se aquelas objecções científicas pudessem ser superadas, então as Escrituras poderiam e deveriam ser reinterpretadas. Mas enquanto essas objecções se mantivessem, a Igreja, compreensivelmente, dificilmente iria derrubar séculos de exegese em favor duma teoria errónea. Galileu concordou em só ensinar o heliocentrismo como um dispositivo de cálculo teórico, mas depois mudou de ideia e, num estilo típico, ensinou-a como um facto. Isto causou a que em 1633 ele fosse acusado pela Inquisição.

Hannam disponibiliza o contexto para tudo isto com detalhe adequado numa secção do livro que também explica a forma como o Humanismo do “Renascimento” causou a que uma nova vaga de estudiosos não só tenha buscado formas de idolatrar os antigos, mas também formas de voltar as costas às façanhas de estudiosos mais recentes tais como Duns Scotus, Bardwardine, Buridan, e Orseme.

Consequentemente, muitas das suas descobertas e muitos dos seus avanços ou foram ignorados, ou foram esquecidos (só para serem redescobertos independentemente), ou foram desprezados mas silenciosamente apropriados. O caso de Galileu usar o trabalho dos estudiosos Medievais sem reconhecimento é suficientemente condenador.

Na sua ânsia de rejeitar a “dialéctica” Medieval e emular os Gregos e os Romanos – que, curiosamente, e de muitas formas, fez do “Renascimento” um movimento conservador e retrógrado – eles rejeitaram desenvolvimentos e avanços genuínos dos estudiosos Medievais. Que um pensador do calibre Duns Scotus se tenha tornado primordialmente conhecido como a etimologia da palavra “dunce” é profundamente irónico.

Por melhor que seja a parte final do livro, e por mais valiosa que seja a análise razoavelmente detalhada das realidades em torno do Incidente de Galileu, tenho que dizer que os últimos 4 ou 5 capítulos do livro de Hannam passam a ideia de terem falado de coisas que eram demasiado complicadas de se “digerir”. Eu fui capaz de seguir o seu argumento facilmente, mas eu estou bem familiarizado com o material e com o argumento que ele está a avançar.

Acredito que para aqueles com esta ideia do “Renascimento”, e para aqueles com a ideia de que Galileu nada mais era que um mártir perseguido da ciência e um génio, a parte final do livro pode avançar duma forma demasiado rápida para eles entenderem. Afinal de contas, os mitos têm uma inércia muito pesada.

Pelo menos uma pessoa que reviu o livro parece ter achado o peso dessa inércia demasiado dura para resistir, embora seja provável que ela tenha a sua própria bagagem para carregar. Nina Power, escrevendo para a revista New Humanist, certamente que parece ter tido alguns problemas em deixar de parte a ideia da Igreja a perseguir os cientistas Medievais:

Só porque a perseguição não era tão má como poderia ter sido, e só porque alguns pensadores não eram as pessoas mais simpáticas do mundo, isso não significa que interferir no seu trabalho ou banir os seus livros era justificável nessa altura ou que seja justificável nos dias de hoje.

Bem, ninguém disse que era justificável; explicar como é que ela surgiu, e o porquê dela não ter sido tão extensa como as pessoas pensam, e como ela não teve a natureza que as pessoas pensam que teve, não é “justificar” nada, mas sim corrigir um mal-entendido pseudo-histórico.

Dito isto, Power tem algo que parece ser a razão quando salienta que “A caracterização de Hannam dos pensadores [do Renascimento] como ‘reaccionários incorrigíveis’ que ‘quase conseguiram destruir 300 anos de progresso na filosofia natural’ está em oposição com a sua caracterização mais cuidada daqueles que vieram antes.” No entanto, isto não é porque a caracterização está errada, mas sim porque a dimensão e a extensão do livro realmente não lhe dão espaço para fazer justiça a esta ideia razoavelmente complexa, e, para muitos, radical. (…)

Deixando isso de parte, este é um livro maravilhoso, e um antídoto acessível e brilhante contra “o Mito”. Ele deveria estar na lista de Natal de qualquer Medievalista, estudioso da história da ciência, ou de qualquer pessoa que tem um amigo equivocado que ainda pensa que as luzes da Idade Média eram acesas queimando cientistas.

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Será que todos aqueles cientistas estão errados?

Por Gordon Howard

Quando um criacionista sugere para a pessoa comum que a evolução [o gradualismo aleatório a gerar toda a biocomplexidade] não é cientificamente viável, a resposta comum é: “De que forma é que todos aqueles cientistas podem estar errados?”

Isto é perfeitamente compreensível visto que os livros populares, as revistas, os programas de televisão, os filmes, e até as conversas comuns, parecem confirmar de modo constante que o big bang, a origem natural da vida a partir do lodo primordial, e a evolução dos seres vivos a partir dos organismos originais, são posições aceites por todos os cientistas. Acredita-se que as únicas pessoas que colocam em causa estas coisas são os fanáticos religiosos ou os cientificamente iletrados.

Portanto, fica a pergunta: será que “todos aqueles cientistas” podem estar errados? A História claramente diz que sim, eles podem estar errados.

Note-se que, sem dados extraídos de experiências, ou sem tentativas de se falsificar uma teoria científica através das observações dos antagonistas ou através de teorias alternativas, as ideias dum cientista podem mesmo assim ser fortemente distorcidas pelos seu viés filosófico. (1) Isto é particularmente verídico na interpretação das “evidências” e não na observação actual do fenómeno, e aplica-se de modo particular às teorias em torno de eventos históricos tais como o conceito da evolução.

De facto, como iremos ver, não é apenas um mas sim um corpo imenso de cientistas que pode olhar para o mundo através dum paradigma que está errado nas suas bases. Isto é porque o cientista é como outra pessoa qualquer que pode ter uma crença forte em algo mesmo quando se depara perante evidências contraditórias. (2)

Exemplo: Astronomia

Talvez os exemplos mais conhecido de cientistas que “nadaram contra a maré” sejam os de Galileu e de Nicolau Copérnico. A “maioria dos cientistas”, que eram seus conteporâneos, acreditavam que a Terra era o centro do universo, e que todos os corpos celestiais giravam à volta dela. Tal como acontece com os cientistas modernos e com a teoria da evolução, a sua crença tinha como base um conceito filosofíco, e não as observações. E eles estavam errados.

A famosa “luta” de Galileu com a igreja não estava relacionada com a Bíblia, mas sim com líderes religiosos da época (que seguiam o que os cientistas da altura qualificavam de “verdade científica”) e também com a comunidade científica como um todo. (3)

Os cientistas da altura mantinham esta crença embora observações contínuas e cálculos contínuos revelassem que tinha que existir uma falha na ideia universalmente aceite de “epicíclos” (corpos celestes que se moviam em círculos dentro de outros círculos). Demorou muito tempo, e foi necessária a publicação de muitas evidências observacionais provenientes dos recém-criados telescópios, para que a comunidade científica começasse a aceitar que eles haviam acreditado num sistema defeituoso: a Terra não era o centro rotacional absoluto dos corpos celestes.

Observações adicionais provenientes de telescópios melhorados colocou um ponto final noutra crença também universalmente aceite durante essa altura: de que os corpos celestes eram esferas perfeitas que se moviam-se em círculos perfeitos. Foram observadas irregularidades na lua, indicando que não era uma esfera perfeita. Alarme! A órbita da Terra em redor do sol era uma elipse. Mais horror! “Todos aqueles cientistas” estavam errados e a base da sua visão do universo era falsa.

Os cientistas actuais dizem-nos que o nosso universo surgiu do nada, e por nenhum outro motivo que não o big bang. Será que é possível que todos estes cientistas também tenham uma visão errada do nosso universo, bem como da sua origem?

Exemplo: Química.

Durante o final do século 17 e durante o século 18, o “flogisto” era usado para explicar a forma como as substâncias se queimavam e se enferrujavam. Era acreditado (pela “maioria dos cientistas”) que ele [o flogisto] era uma substância contida em material combustível, e que a mesma era libertada quando os objectos entravam em combustão.

LavoisierFoi preciso o trabalho persistente de vários cientistas de renome da altura, incluindo Antoine-Laurent de Lavoisier, para demonstrar que a combustão era uma reacção química, normalmente envolvendo o oxigénio. As substâncias que ardiam ficavam normalmente mais pesadas devido ao oxigénio acrescido, e não mais leves devido à perda de flogisto. A maioria [dos cientistas] estava errada. (4)

Mais tarde, Lavoisier foi executado durante o fanaticamente anti-Cristão “reino do terror” que ocorreu na França. Diz-se que o juiz que o sentenciou afirmou:

A República não precisa nem de cientistas e nem de químicos.

Hoje em dia, a maior parte dos cientistas acredita que os químicos básicos da vida (tais como as proteínas) se organizaram a eles mesmos, posição que se encontra em oposição às probabilidades químicas experimentalmente estabelecidas. Será que existe a possibilidade dos cientistas actuais também estarem errados?

A alquimia (5) é a ideia de que os metais básicos (tais como o cobre) podem ser transformados em ouro. Este conceito persistiu durante centenas de anos, e embora as experiências que giraram em torno deste conceito tenham levado à descoberta de substâncias químicas interessantes, as experiências levadas a cabo de forma correcta provaram que isto é impossível (através de métodos químicos).

Muito mais dinheiro e tempo (e disponibilidade profissional) foi desperdiçado na investigação desta ideia científica errónea – ideia essa que impediu muitos de analisar possibilidades mais úteis. Será possível que os cientistas que buscam o fenómeno natural capaz de causar a origem da vida estão também a desperdiçar o seu tempo e as suas energias num exercício futil?

Exemplo: Medicina

Que as ideias erradas podem persistir pervasivamente durante centenas de anos é algo feito notório quando ficamos a saber da teoria do “humores” (6), cujo conceito básico remonta aos tempos de Aristóteles (384–322 A.C.), mas que foi clarificado e popularizado pelo famoso médico Hipócrates (de quem provém o código de práctica que incorpora o “Juramento de Hipócrates” tradicionalmente dito pelos médicos no princípio da sua práctica profissional).

O conceito em torno da teoria é o de que os corpos tem quatro tipos básicos de fluidos: bílis (Grego: chole), fleuma, bílis negra (Grego: melanchole), e sangue (Latim: sanguis). Era suposto isto corresponder aos quatro temperamentos tradicionais: colérico, fleumático, melancólico e sanguinário. Segundo a teoria, estes quatro têm que ser mantidos em equílbrio como forma de se ter boa saúde.

Na maior parte dos casos, o tratamento recomendado para o desequilíbrio era a dieta e o exercício, mas por vezes eram administrados laxantes e enemas como forma de purgar do corpo o “humor” indesejado. Semelhantemente, se alguém tinha febre, acreditava-se que era devido a um excesso de sangue, e como tal, a cura era o “sangramento” do paciente (normalmente através do uso de sanguessugas) num processo que tinha o nome de “sangria”.

Claro que esta “cura” era frequentemente pior que a doença. Mas mesmo assim, os médicos persistiram com a mesma metodologia através da Idade Média porque ninguém se encontrava preparado para colocar em dúvida Galeano, o médico, escritor e filósofo do primeiro século que publicitou esta ideia nos seus escritos populares e autoritários.

Apesar do exemplo de Galeano, e do ensino da observação e da experimentação, bem como das evidências acumuladas de que havia algo de errado, esta foi uma práctica comum até ao final do século 19. E mais uma vez, eles estavam errados.

Tudo o que eles defendiam em relação à causa da doença estava errado, e a propagação deste erro ocorreu  porque eles acreditavam nas teorias de outros cientistas sem as colocar em causa. Isto é parecido ao que ocorre nos dias de hoje, onde muitos cientistas acreditam na teoria da evolução apenas e só porque os cientistas que eles consideram fiáveis acreditam na teoria da evolução.

Exemplo: Biologia.

De onde é que se originam os vermes? Será que as baratas, os ratos e as larvas pura e simplesmente “aparecem” dos vegetais em decomposição e dos resíduos de origem animal, ou até mesmo das rochas? Durante muito tempo acreditava-se que sim, até mesmo por parte de pensadores famosos tais como Aristóteles (4º século antes de Cristo).

Esta ideia tinha o nome de “geração espontânea” e foi tida como um facto até meados do século 19. (7) Foi preciso que o cientista criacionista Louis Pasteur (1822–1895) provasse que a vida provém da vida (num processo com o nome de “biogénese”) para que ficasse claro que todas as pessoas que acreditavam na geração espontânea estavam erradas.

Hoje em dia, e apesar das evidências de Pasteur e das observações contínuas, muitos cientistas ainda acreditam na abiogénese (que a vida pode surgir de químicos sem vida). Os evolucionistas chamam a este processo de “mistério” visto que o mesmo encontra-se em oposição à química. Mas mesmo assim, eles acreditam nele. Porquê?

A ciência não é determinada através do voto da maioria

Na verdade, o motivo maior que leva os cientistas a acreditar na teoria da evolução é o facto da maioria dos cientistas acreditar na teoria da evolução. Isto é um tipo de “viés de confirmação”: o alegado consenso científico surgiu através da contagem de cabeças, cabeças essas que por sua vez chegaram às suas conclusões através duma contagem de outras cabeças.

Se a maior parte destes cientistas fosse alvo dum questionamento onde lhes era pedido que disponibilizassem algum tipo de evidência, muito provavelemente eles iriam dar respostas fracas provenientes de fora da sua área técnica. Por exemplo, uma das maiores autoridades no que toca aos fósseis de áves – e um crítico acérrimo do dogma evolutivo dinossauro-evoluindo-para-pássaro – é o Dr Alan Feduccia, Professor Emérito na Universidade da Carolina do Norte. Ele continua a ser um evolucionista, mas quando desafiado, a sua maior “prova” da evolução é milho que passa a ser…..milho! (8)

Tal como disse Michael Crichton (1942–2008), famoso autor que havia tido uma carreira prévia na área da medicina e da ciência:

Michael_CrichtonDeixem-me deixar as coisas bem claras: o trabalho científico de maneira alguma está relacionado com o consenso. O consenso é área da política. A ciência, pelo contrário, só precisa dum pesquisador que tem a razão do seu lado, o que significa que ele ou ela tem resultados que podem ser verificados referenciado no mundo real.

Na ciência, o consenso é irrelevante. O que é relevante é a existência de resultados que podem ser duplicados. Os maiores cientistas da História são cientistas de renome precisamente porque eles foram para além do que era aceite pelo consenso.

Não existe tal coisa com o nome de ciência consensual. Se é consensual, não é ciência. Se é ciência, não é consensual. (9)

Mesmo assim, tal como os defensores dos epicíclos, dos flogistos, dos humores, e da geração espontânea, muitos cientistas actuais acreditam na teoria da evolução. Será que todos estes cientistas podem estar errados? A Hístória revela que “sim”. Evidências acumuladas provenientes da genética, da biologia molecular, da teoria da informação, da cosmologia, e de outras áreas, revelam que sim, todos estes cientistas estão errados.

Estes cientistas acreditam no paradigma dominante – o naturalismo – apesar das evidências contra esta filosofia. Eles não querem confrontar a ideia dum Criador, e, tal como no passado, a avaliação honesta das evidências da ciência operacional irá demonstrar que eles estão errados; o Criador será Vindicado. (Romanos 1:18–22).

~ http://bit.ly/1NSVVcG

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Referências e notas:
1. Sarfati, J., Refuting Evolution, ch. 1, 4th ed., Creation Book Publishers, 2008; creation.com/refutingch1.
2. Walker, T., Challenging dogmas: Correcting wrong ideas, Creation 34(2):6, 2012; creation.com/challenging-dogmas.
3. Sarfati, J., Galileo Quadricentennial: Myth vs fact, Creation 31(3):49–51, 2009; creation.com/galileo-quadricentennial.
phlogiston, Encyclopædia Britannica, Encyclopædia Britannica Online, 2012; Britannica.com/EBchecked/topic/456974/phlogiston.
5. Alchemyanswers.com/topic/alchemy.
6. From Greek ??µ?? (chumos) meaning juice or sap; Humours, Science Museum; sciencemuseum.org.uk.
7. What is spontaneous generation? allaboutscience.org. Spontaneous Generation; allaboutthejourney.org/spontaneous-generation.htm.
8. Discover Dialogue: Ornithologist and evolutionary biologist Alan Feduccia plucking apart the dino-birds, Discover 24(2), February 2003; see also creation.com/4wings.
9. Crichton, M., Aliens cause global warming, 17 January 2003 speech at the California Institute of Technology; s8int.com/crichton.html.
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O argumento “mais um deus que tu”

Por Edward Feser

Os deuses do Olimpo, ou qualquer outro deus de algum outro panteão, são, em essência, seres finitos e contingentes como nós, tão impressionantes como os extraterrestres – que seria de facto impressionante, mas mesmo assim, dentro da ordem da criação.

De modo particular (e para ser filosoficamente mais correcto), esses deuses seriam uma mistura de actualidade e potencialidade, e uma mistura de essência e existência; todos eles seriam governados por princípios que existem fora deles mesmos. Para além disso, todos eles seriam menos que absolutamente necessários na sua existência, e imperfeitos na sua natureza.

Isto significa que, tal como nós, a sua existência iria depender do que é Actualidade Pura, Aquele que é o Próprio Ser (isto é, Aquele onde a essência e a existência são idênticas), Aquele que existe duma forma necessária e independente, e onde todas as perfeições finitas, diversas e derivativas manifestas no mundo da nossa experiência existem duma forma unificada, não-derivada e infinita.

Isto significa que eles, tal como nós, iriam depender a sua existência no Deus do Teísmo clássico.

Logo, em resposta à objecção “mais um deus que tu”, nada mais é preciso dizer que isto:

Quando tu entenderes o porquê de eu rejeitar todos os outros deuses, irás entender o porquê de eu rejeitar o teu argumento “mais um deus que tu”.

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Basicamente, o que Feser diz é que quando o anti-Cristão usa o argumento “mais um deus que tu”, ele não entende o que é que os Cristãos acreditam em relação aos outros deuses:

Porque, ainda que haja, também, alguns que se chamem deuses, quer no céu, quer na terra (como há muitos deuses e muitos senhores); Todavia, para nós, há um só Deus, o Pai, de quem é tudo, e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por Ele. 1 Cor 8:5-6

Os Cristãos não defendem que não existam seres que os humanos qualificam de “deuses”; o que nós defendemos é que só há Um Ser que é Deus por Natureza (e não por atribuição humana).

DemoniosQuando o ateu diz que o que ele acredita sobre o Deus da Bíblia é o mesmo que os Cristãos acreditam sobre os outros deuses, ele está a fazer um erro grave porque o que os Cristãos acreditam sobre os outros deuses não é o que ele defende sobre o Deus da Bíblia.

Um exemplo disto é que, em algumas situações, os Cristãos identificam os outros deuses como demónios, algo que os ateus nunca iriam defender sobre o Deus da Bíblia visto que eles não acreditam que demónios existam.

Resumindo: o Deus da Bíblia é Deus por Natureza (isto é, Nele mesmo), e Ele existe independentemente da criação – “Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que, antes que Abraão existisse, Eu Sou. (João 8:58) – mas por outro lado, os deuses pagãos são, na hipótese mais benigna, meras projecções humanas, mas na pior das hipóteses, demónios enganadores.

Antes digo que, as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demónios e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demónios. 1 Cor 10:20

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Os pterossauros voavam como os aviões modernos

“Ou voa o gavião pela tua inteligência,
estendendo as suas asas para o sul?”
Jó 39:26

Por Jonathan Sarfati

Dinossauro_Pterossauro_AviaoHá já muito tempo que os cientistas se questionam da forma como os répteis extintos com o nome de pterossauros voavam. Eles tinham a aparência de serem deselegantes para levantar vôo a partir do solo, ou para aterrar de forma segura sem partir as suas asas frágeis. Sem surpresa alguma, alguns cientistas propuseram que provavelmente existia uma maior pressão do ar no passado.

No entanto, já reportamos descobertas recentes de que os pterossauros tinham uma anatomia complexa nas suas asas, com músculos e nervos, e uma uma enorme região cerebral para processar os sinais. (1)

Isto permitia a que eles voassem de maneira mais suave e mais eficiente que os aviões com asas fixas. Para além disso, trilhas fósseis revelaram que eles também podiam aterrar de forma elegante. (2)

Mas o que dizer do início do vôo?

Cálculos antigos haviam negligenciado um pequeno osso chamado pteróide. Isto é único aos pterossauros, e anteriormente pensava-se que se dobrava para o interior, mas  Matthew Wilkinson e a sua equipa no grupo focado no vôo animal da Universidade de Cambridge, estudou os fósseis de pterossauros e descobriram que esse osso se dobrava para a frente. (3).

Claramente, isto estava de acordo com noção dum pedaço de pele na parte da frente que agia como uma aba de direccionamento móvel na asa. Darren Naish, um paleontólogo na Universidade de Portsmouth, diz que o tecido mole de pterossauro fossilizado encontrado na China é uma evidência forte em favor disto. (4)

O pteróide e a aba permitiam ao pterossauro usar “truques aerodinâmicos tais como aqueles que se encontram nos aviões modernos”. (5) A angulação desta aba iria aumentar a ascenção até aos enormes 30%, o que significava que até o maior dos pterossauros poderia ascender simplesmente abrindo as suas asas dentro duma brisa moderada.

Dinossauro_PterossauroE esta ajuda na ascenção iria significar que a sua velocidade mínima (isto é, abaixo da qual eles parariam) seria reduzida em cerca de 15%, permitindo uma aterragem suave. Para além disso, ao flexionar o pteróide numa das asas e estendendo na outra, eles poderiam ter tipos de levantamento distintos em ambas as asas, o que lhes permitiria aterrar durante as curvas.

Este design único é evidência do Engenheiro de Vôo Supremo, que criou as criaturas de vôo de modo a que elas pudessem funcionar de modo eficiente dentro da pressão atmosférica normal (Génesis 1:20–23).

http://bit.ly/1XRGaHK

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Sempre que nos deparamos com estruturas com sofisticação, engenharia, planeamento, e propósito, é seguro afirmar que há um ou mais designers na sua origem, excepto na Biologia, claro está.

Segundo o credo neo-darwinista, inferir um Designer para as estruturas biológicas é um “argumento da ignorância”, embora essa inferência tenha como base o que se sabe de engenharia, o que se sabe de arquitectura, o que se sabe de aerodinâmica, o que se sabe de informação codificada, e o que se sabe de hidrodinâmica.

O problema, obviamente, não é a inferência em si, mas sim aquilo que o naturalista tem como regra de ouro dentro da sua fé, nomeadamente, que o universo é um sistema fechado que não recebe qualquer tipo de informação a partir de fora.

Mas a ciência não se deixa aprisionar por constrangimentos naturalistas, e as evidências revelam de modo gradual e acelerado que nada na biologia faz sentido sem ser à luz da criação. Os evolucionistas são livres para ter a sua fé, mas não são livres de a qualificar de “ciência”.

Deus é o Autor da estrutura óptima dos sistemas biológicos que diariamente navegam acima de nós, e Ele também é o Autor dos sistemas de vôo que já não se encontram neste mundo marcado pelo Pecado. Ele, e não a natureza, merece toda glória pela obra das suas Mãos.

Ou se remonta a águia ao teu mandado, e põe no alto o seu ninho?
Nas penhas mora e habita; no cume das penhas, e nos lugares seguros.
Dali descobre a presa; seus olhos a avistam desde longe. Jó 39:27-29

Referências:
1. Terrific pterosaur flyers, Creation 28(2):9, 2004.
2. Pterrific pterosaurs, Creation 27(2):7, 2005.
3. Wilkinson, M.T., Unwin, D.M., Ellington, C.P., High lift function of the pteroid bone and forewing of pterosaurs, Proceedings of the Royal Society 273(1582):119–126, 7 January 2006 (DOI: 10.1098/rspb. 2005. 3278).
4. Marks, P., Where flying lizards got their lift, New Scientist 188(2521):12, 15 October 2005.
5. Lorenzi, R., Pterosaurs flew like jumbo jets, News in Science, <abc.net.au/science/news/stories/s1483770.htm>,
17 October 2005
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Evolucionistas recusam-se a aceitar as evidências que contradizem os “milhões de anos”

Por Garrett Haley

DinossauroPesquisadores confirmaram que o biomaterial descoberto num fóssil antigo é, de facto, sangue de dinossauros preservado, facto que continua a surpreender os evolucionistas que continuam a acreditar que o fóssil tem “80 milhões de anos”.

Durante a última década, os cientistas desenterraram um certo número de fósseis de dinossauro que tinham ainda vasos sanguíneos e tecido mole. Inicialmente, muitos evolucionistas trataram tais descobertas com cepticismo e incredulidade – ao mesmo tempo que outros as rejeitaram – devido à sua aparente incompatibilidade com a linha temporal evolutiva.

Num artigo do dia 23 de Novembro publicado no “Journal of Proteome Research,” cientistas da North Carolina State University confirmara que os vasos sanguíneos encontrados no fóssil dum hadrossauro (B. canadensis) é de facto sangue de dinossauro, e não material contaminado proveniente de outras fontes. Durante o comunicado de imprensa a universidade reportou, “Os seus achados juntam-se a um crescente corpo de evidências de que estruturas tais como vasos sanguíneos e células sanguíneas podem de facto persistir durante milhões de anos”.

No artigo presente na revista, os pesquisadores confessaram que, inicialmente, eles pensaram que os vasos sanguíneos cheios de proteínas não poderiam de maneira alguma durar num fóssil de dinossauro durante milhões de anos. Eles escreveram:

[A descoberta do tecido] do Tyrannosaurus rex foi controversa quando foi inicialente reportada. A sobrevivência de proteínas do período Cretáceo (há 66-145 milhões de anos atrás) era pensada e tida como impossível. Embora vasos sanguíneos de tecidos macios tenham sido observadores em múltiplos espécimes fósseis, o cepticismo contínuo em relação à prevalência e à endogeneidade dos tecidos macios e os seus compostos moleculares persiste.

Depois de analisarem de forma pormenorizada os vasos sanguíneos para garantir que eles eram de facto dum dinossauro, os pesquisadores escreveram que as suas observações estão “de acordo com a hipótese de que estas moléculas derivam directamente dos vasos sanguíneos dum B. canadensis, e que não são duma contaminação laboratorial ou ambiental”:

Os nossos resultados também apoiam de forma robusta a identificação destas estruturas ainda moles e ocas como vasos sanguíneos remanescentes produzidos por um dinossauro que viveu no passado.

Agora que a identificação dos vasos sanguíneos de dinossauro foi confirmada, os cientistas só têm duas explicações possíveis:

1) Ou o sangue de dinossauro de alguma forma contradisse as expectativas e sobreviveu 80 milhões de anos,

2) Ou o fóssil de dinossauro não é tão antigo como a maior parte das pessoas pensa que é.

O cenário mais provável, afirmam muitos cientistas Cristãos, é a segunda explicação, isto é, que os dinossauros viveram bem mais recentemente do que aquilo que defendem os evolucionistas. Ken Ham, presidente da organização Answers in Genesis, afirmou que as descobertas de vasos sanguíneos de dinossauro preservadas, e de tecido mole, não são surpresas para o Cristão que acredita no que Bíblia diz. Escrevendo no seu blogue em relação a uma descoberta semelhante, ele diz:

Isto está de acordo com a jovem idade da Terra, tal como descrita na Palavra de Deus, e de maneira alguma confirma as ideias evolucionistas em relação ao nosso passado. Claro que os evolucionistas não podem sequer considerar a possibilidade de que estes ossos não têm milhões de anos, visto que eles têm que ter os seus supostos milhões de anos como base para propor as suas ideias da evolução moléculas-para-homens. De facto, acreditar nos milhões de anos é parte necessária da religião do naturalismo (ateísmo).

Será que os evolucionistas estão a questionar as suas pressuposições? Claro que não! Em vez disso, eles apenas assumem que estes matérias sobreviveram durante [milhões de] anos porque eles acreditam com base nas pressuposições evolutivas que o fóssil é antigo.

Nós podemos confiar na Palavra de Deus como Fonte fiável em relação ao passado da Terra.

http://bit.ly/1NI9aq9

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Várias pessoas que comentam neste blogue já disseram isto  mas eu volto a duplicar as suas palavras: a teoria da evolução é uma religião e nenhuma evidência científica pode de alguma forma fazer com que um crente nos milhões de anos deixe de ter fé nesta mentira.

Os evolucionistas costumam usar a “Navalha de Ocam” como pseudo-arma contra as explicações que vão para além do seu naturalismo, mas note-se que essa mesma Navalha é colocada de parte quando ela pode ser usada contra os mitológicos “milhões de anos”: se nós encontramos material orgânico que tem aparência jovem, então a explicação mais directa e económica (Lei da Parcimónia) é que ele é de facto jovem.

Cegos_Surdos_MudosNo entanto, devido às suas pressuposições evolucionistas (que são crenças que são mantidas ANTES de se levar a cabo qualquer avaliação empírica ou factual), os evolucionistas vêem-se forçados a dizer coisas ridículas tais como “Os seus achados juntam-se a um crescente corpo de evidências de que estruturas tais como vasos sanguíneos e células sanguíneas podem de facto persistir durante milhões de anos.”

Na verdade, o “crescente corpo de evidências” está a demonstrar que 1) os dinossauros viveram há bem pouco tempo (e é possível que ainda existam alguns em zonas remotas do planeta, e nas profundezas oceânicas), e que 2) os evolucionistas colocam o seu paradigma naturalista dos “milhões de anos” acima de qualquer interpretação científica que invalide a teoria da evolução.

Para nós Cristãos, que também temos fé, mas fé no Criador e não fé nos poderes criativos da forças sem-inteligência, o ponto a ressalvar é que quando debatemos com um evolucionista, estamos a debater com uma pessoa que chegou à sua fé ANTES de ter analisado as evidências, e que todas as evidências que lhe forem lançadas serão  racionalizadas de forma a que as mesmas não abalem a sua estrutura mental e psicológica.

Claro que a Bíblia já nos tinha avisado sobre isto:

Porque as Suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o Seu Eterno Poder, como a Sua Divindade, se entendem, e claramente se vêem, pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inexcusáveis; – Romanos 1:20

Ou seja, a criação é evidência SUFICIENTE para que o ser humano saiba que há Um Criador (mas não é suficiente para salvar o condenado; para isso ele tem que aceitar Jesus Cristo como seu Exclusivo Senhor e Salvador), mas o homem que não quer obedecer a Deus vai reinterpretar o que Deus lhe mostra de modo a que ele fique na sua negação:

Porquanto, tendo conhecido a Deus, não O glorificaram como Deus, nem Lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. – Romanos 1:21

Resumindo: o material orgânico encontrado dentro dos fósseis de dinossauro confirma que a Terra é jovem; logo, todas as teorias que dependem duma Terra com “milhões de anos” estão cientificamente invalidadas. A teoria da evolução está, portanto, errado visto que a mesma depende de algo que está cientificamente refutado pelas evidências.

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O gradualismo aleatório não explica a eficiência dos organismos biológicos

Por J.Warner Wallace

Até cientistas ateus estipulam em favor da aparência de design presente nos organismos biológicos e Richard Dawkins seria o primeiro a concordar:

A Biologia é o estudo de coisas complicadas que dão a aparência de terem sido criadas tendo em vista um propósito.

Um dos exemplos de aparência de design nos organismos moleculares tem-se tornado no ícone do movimento de Design Inteligente. O bioquímico Michael Behe escreveu em torno do flagelo da bactéria há 20 anos atrás no seu famoso livro Darwin’s Black Box. O flagelo tem uma forte semelhança com os motores rotativos criados pelos construtores inteligentes:

Uma junção de mais de quarenta tipos de proteínas fazem parte do típico flagelo da bactéria. Estas proteínas funcionam de forma combinada, literalmente como um motor rotativo. Os componentes do flagelo da bactéria são análogas às partes integrantes dum motor feito pelos homens, incluindo o rotor, o estator, o eixo de transmissão, o casquilho, a junta universal, a hélice.

No meu mais recente livro, “God’s Crime Scene”, descrevi 8 atributos de design e expliquei como a presença destes atributos é melhor explicada  através da casualidade inteligente. Quando estas 8 características de design se encontram presentes nos objectos que observamos no nosso mundo, nós somos rápidos a fazer uma inferência para o design sem qualquer tipo de reserva.

Ficamos a saber agora que os mesmos 8 atributos (probabilidade duvidosa, ecos de familiaridade, sofisticação e complexidade, dependência informática, sentido objectivo inexplicabilidade natural, eficiência/complexidade irredutível, e ponderação no momento de escolha/decisão) se encontram presentes no flagelo da bactéria, fazendo dele proibitivamente difícil de explicar tendo como base apenas as mutações fortuitas e as leis da física e da química. No seu nível mais simples e fundamental, a vida demonstra um nível impressionante de complexidade eficiente.

Os estritos mecanismos naturais dos processos evolutivos não podem explicar o flagelo por um motivo simples: estes processos não são capazes de explicar as eficazes e  irredutivelmente complexas micro-máquinas.

A evolução Darwiniana requer um progresso gradual e incremental para qualquer micro-máquina completa. Tal como estruturas complexas construídas a partir dos tijolos de construção da LEGO, se as micro-máquinas sofisticadas fossem construídas através dum processo natural aditivo, então elas teriam que começar a existir de forma gradual – “tijolo a tijolo”.

Visto que ele está totalmente comprometido com os poderes criativos da selecção natural, Dawkins entende a necessidade do gradualismo e do “incrementalismo” na explicação da existência de micro-máquinas (tais como o flagelo da bactéria):

Nem sempre a evolução é, de facto, gradual. Mas ela tem que ser gradual quando está a ser usada para explicar o surgimento de objectos complicados que têm a aparência de terem sido criados, tais como os olhos [ou o flagelo da bactéria]. Porque se não for gradual nestes casos, ela deixa de ter algum tipo de poder explicativo.

Dawkins reconhece o poder que a complexidade irredutível tem para refutar as explicações naturalistas (tais como algum tipo de combinação do acaso, da lei natural, ou da  selecção natural). O próprio Charles Darwin reconheceu este dilema quando escreveu o seguinte no seu livro “A Origem das Espécies”:

Se puder ser demonstrado que qualquer um órgão complexo não poderia ser formado através de inúmeras e ligeiras modificações sucessivas, a minha teoria seria totalmente desacreditada.

O flagelo da bactéria tem dezenas de peças necessária, interactivas, e inter-dependentes. Sem uma destas partes, o flagelo pára de funcionar como o eficiente motor necessário para disponibilizar mobilidade à bactéria.

A complexidade irredutível desta enorme organização de peças significa que o design final do flagelo da bactéria tem que ser construído num único passo; ele não pode ser montado através de várias gerações, a menos que as formas intermédias disponibilizem algum tipo de vantagem para a bactéria.

Se não houver algum tipo de vantagem, e em vez disso, forem deficiências limitadoras, ou pura e simplesmente adições desnecessárias, a selecção natural não irá favorecer a presença da estrutura dentro do organismo.

Dito de outra forma, a selecção natural não irá “seleccionar” os “intermédios” de modo a que permita adições posteriores. Estruturas eficientes e irredutivelmente complexas apontam claramente para um Designer Inteligente. O filósofo e matemático William Dembski, colocou as coisas desta forma:

Mal a inteligência é colocada fora da equação, a evolução, salienta Darwin……tem que ser gradual. Não é possível materializar novas estruturas a partir do nada por magia. Tem que haver uma via-dependência. Tem que se chegar lá através duma via gradual a partir de algo que já existe.

Os novos oficiais da nossa agência policial recebem pistolas Glock Model 21. Nós preferimos estas pistolas por um certo número de motivos, incluindo o facto delas serem construídas a partir do pequeno número de partes móveis. Consequentemente, é muito mais fácil desmontá-las e limpá-las, e é muito menos comum elas terem algum tipo mau funcionamento.

Arma_Glock

Até mesmo num nível mínimo de complexidade (quando comparadas com as outras pistolas), as inferências para o design são óbvias. A minha Glock 21 é irredutivelmente complesa; a remoção de apenas uma das peças de todo o conjunto não só irá causar a que a arma se torne imprópria, mas irá, de facto, fazer com que a arma de torne mortífera, especialmente para o oficial que tentar operar com ela.

A complexidade irredutível da arma aponta para o design inteligente do seu criador. Nenhum processo aleatório, nenhuma lei natural, nem mesmo a selecção natural, podem causar algo como a Glock 21.

De modo semelhante, uma Causa Inteligente é a explicação mais razoável para a natureza irredutivelmente complexa do flagelo da bactéria, e as explicações alternativas, que  dependem de alguma combinação evolutiva da aleatoriedade, da lei natural ou da selecção natural, não são. Dembski disse:

De facto, o outro lado não foi nem capaz de imaginar uma via evolutiva, muito menos um caminho evolutivo, detalhado, passo-a-passo, totalmente articulado e testável, para o flagelo.

Flagelo_Cold_Case

A inferência mais óbvia e razoável parece ser esquiva para os naturalistas que tentam explicar a aparência de design que existe nos organismos biológicos. Nenhuma explicação que aplica as leis da física e da química de “dentro da sala” do universo natural são adequadas. A aparência de design que há na biologia é mais uma evidência que demonstra a existência do Designer Divino “externo” [ao universo]. (…)

~ http://bit.ly/1MCZWOA

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O motivo que leva os evolucio-animistas [evolucionistas + animistas] a rejeitar a inferência mais óbvia para a origem dos sistemas biológicos prende-se com o seu compromisso com o naturalismo, e a sua recusa em aceitar que algum tipo de design possa surgir de “fora” do mundo natural. Para eles, a natureza é um sistemas fechado que não recebe qualquer tipo de acrescémio de informação de “fora”. Claro que isto é uma posição de fé, e não algo que possa ser de alguma forma cientificamente testado.

Como é dito com frequência neste blogue, os evolucio-animistas são livres para ter a sua fé, mas eles não são livres de qualificar a sua fé de “ciência”. E a teoria da evolução não é ciência. A teoria da evolução nada mais é que o ser humano rebelde a rejeitar as evidências deixadas por Deus, e depois a usar essa mesma rejeição como “evidência” contra Deus.

Mas Deus já havia antecipado esta rejeição quando Ele disse o seguinte em Romanos 1:20:

Romanos_1_20

As evidências para a existência de Deus são notórias para quem quer ver; para quem continuar a ser ateu e/ou evolucionista, nem fogo do céu o irão convencer do que ele não quer acreditar.

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Células sanguíneas antigas ainda estão vermelhas, o que refuta os “milhões de anos”

Por Frank Sherwin

Será que vivêmos numa Terra que tem 4,6 mil milhões de anos ou será que vivêmos numa Terra com apenas alguns milhares de anos? A idade no nosso planeta é uma pedra de tropeço para muitos Cristãos, e este tópico impede que muitos outros cheguem a considerar a Mensagem das Escrituras – especificamente o Evangelho.

De facto, uma Terra antiga significa que a morte não é o salário do pecado (Romanos 6:23) visto que a violência, a dor, e a morte teriam que ter reinado no mundo durante milhões de anos antes do pecado ter feito o seu aparecimento. Se foi assim que as coisas aconteceram, então Deus, e não Adão, seria directamente Responsável por este regime cruel de sofrimento infindável.

Mas as Escrituras nada dizem sobre os milhões e os milhares de milhões de anos requeridos pela comunidade científica secular. O Novo Testamento declara claramente que Deus falou “pela boca dos seus santos profetas, desde o princípio do mundo” (Lucas 1:70; Actos 3:21). A Terra, o nosso sistema solar, e o universo, foram criados juntamente com o primeiro Profeta de Deus durante os seis dias da semana de criação, que ocorreu há apenas alguns milhares de anos atrás. Adão, criado no Dia 6, registou a primeira profecia em Génesis 3:15.

Os cientistas criacionistas já demonstraram que vivêmos num planeta jovem (2,3,4). A disciplina da biologia revela a juventude do nosso planeta duma forma dramática. Algumas da biomoléculas mais antigas alguma vez recuperadas foram encontradas nos fósseis de crinóides (uma classe de animais com uma longa haste) no Iowa, em Indiana, e em Ohio. (5)

CelulasOsseasOs cientistas seculares ainda estão a tentar apurar como foi possível estas biomoléculas durarem as supostas centenas de milhões de anos desde que estes crinóides foram depositados. O material vivo pura e simplesmente entra em decadência demasiado rapidamente para sobreviver muito tempo. A existência de químicos biológicos complexos e intactos faz muito mais sentido se os mesmos foram depositados durante o Dilúvio de Noé há apenas alguns milhares de anos atrás.

Foi detectado material biológico original num fóssil duma folha que é idêntica às folhas modernas (apesar de ter recebido a idade de “50 milhões de anos”). (6) Evidências claras de tecido vegetal não-fossilizado têm sido reportadas numa cratera de kimberlito no Canada. (7) Num espécime supostamente com “53 milhões de anos”, os cientistas encontraram madeira não-fossilizada muito bem preservada.

A própria Nature reportou um novo recorde para material orgânico encontrado num fóssil de dinossauro – muito provavelmente colagéno (proteína) encontrado em ovos de dinossauro do período Jurássico:

Mas não é só a idade dos fósseis que é notável, afirmam os pesquisadores. Análise espectroscópica das amostras do tecido ósseo extraídas do local de nidificação Chinês revelou o material orgânico mais antigo alguma vez visto num vertebrado terrestre. Isto foi surpreendente porque os ossos do fémur fossilizado eram delicados e porosos, o que os tornava mais vulneráveis aos efeitos corrosivos do intemperismo e das águas subterrâneas, afirma Reisz [autor principal do estudo]. (8)

Mas este material orgânico que se encontra preservado não é surpreendente se a Terra é tão jovem como indicam a Bíblia e um significante número de evidências. O artigo prossegue dizendo:

Reisz é de opinião que estas proteínas complexas que a sua equipa detectou naquele material orgânico são colagéno preservado. (8)

Mas o colagéno é um tecido macio, e os estudos já demonstraram que o mesmo não pode durar milhões de anos. (9)

Outra descoberta espantosa reportada em 2011 fala de inesperados restos de material orgânico (polissacárido e proteína) com o nome de complexo de proteína de quitina, profundamente enterrado nas camadas de sedimentos.

Cody e a sua equipa estudaram restos fósseis duma cutícula dum escorpião com 310 milhões de anos [composta por quitina e proteínas] do norte do Illinois e um   eurypterid – artrópode com a aparência dum escorpião, muito provavelmente aparentado com os caranguejos-ferradura – do Ontário (Canadá). (10)

O artigo avançou que estas descobertas “podem ter implicações significativas no nosso entendimento da orgânica do registo fóssil”. (10). Os cientistas criacionistas concordam em pleno. Eles esperam este tipo de descobertas tendo como base um dilúvio recente que rapidamente depositou estes sedimentos, preservando material orgânico em rochas de sedimentos (com aparência de cimento) antes dos tecidos se terem deteriorado por completo – preparando-os para serem descobertos apenas alguns milhares de anos depois.

E então os delicados ácidos nucleicos; será que eles podem ser preservados durante milhões de anos? “A história da vida na Terra continua a ficar cada vez mais estranha,” declara o artigo da LiveScience reportando um artigo que menciona um fungo encontrado em lama supostamente com 2,7 milhões de anos. “Esta é uma descoberta inesperada,” afirmou William Orsi, microbiólogo da “Woods Hole Oceanographic Institution” em Massachusetts.

Encontramos diatomáceas [algas microscópicas] e ácido nucleico [ADN] preservado em sedimentos com milhões de anos. (11)

Isto pode ser uma história estranha (e está a ficar mais estranha) para o evolucionista mas mais uma vez as evidências alinham-se de forma perfeita com o modelo da Terra Jovem.

IcemanMais recentemente, foram extraídos glóbulos vermelhos do famoso Iceman, um homem preservado num glacial alpino na Itália e descoberto em 1991. (12) Embora se tenha datado que ele morreu há cerca de 5,300 anos atrás, os pesquisadores foram bem sucedidos em obter amostras das suas células, fazendo destas amostras a mais antiga amostragem de tal tecido que se conhece.

Isto levanta questões interessantes para os evolucionistas: Será que não existiam glóbulos vermelhos encontrados em tecidos de dinossauros com a aparência tão avermelhada e tão intacta como as do famoso Iceman? (13) O problema é que a teoria da evolução declara que os dinossauros supostamente viveram muitos milhões de anos antes dos seres humanos, mas as evidências físicas não-degradadas aproximam perigosamente a linha temporal de uns com os outros.

Tecido macio e restos orgânicos (com base de carbono) que são encontrados bem fundo nas camadas da coluna geológica não auguram bem para os evolucionistas que insistem que os mesmos foram depositados durante a extensão de 500 mil milhões de anos. Um tempo assim tão longo significa inumeráveis procesos biológicos bem como eventos meterológicos e geológicos que iriam afectar cada centímetro da superfície do planeta várias vezes e até a zonas bem fundas.

Será que o evolucionista realmente acredita que os fósseis que têm tecido macio podem sobreviver muitos milhões de anos de bactérias, vermes, artrópodes, vulcões, tsunamis, os contantes encharcamentos, as secagens, os congelamentos, os descongelamentos, e até mesmo os terremotos? Temos também que levar me consideração extensos períodos de luz solar e as variações de pH.

Em 2008 os cientistas anunciaram a criação dum cofre do “Juízo Final” contendo a colecção de sementes do mundo. (14) Se por acaso ocorresse uma guerra mundial ou uma catástrofe natural, 4,5 milhões de amostras de sementes seriam protegidas neste recinto seguro, com temperatura controlada, numa montanha que se encontra entre o Pólo Norte e a Noruega. Não foram poupadas despesas nesta tecnologia de século 21 como forma de garantir que as sementes durem 1,000 anos.

Mas porque é que se espera que animais enterrados de maneira aleatória que supostamente fossilizaram há milhões de anos atrás, mas que claramente ainda têm tecido macio, se tenham mantido intocáveis sem que tenham tido o benefício de algum tipo de tecnologia de preservação?

Claramente, a ciência e o Registo Bíblico estão de acordo. O dilúvio global que ocorreu há apenas mais ou menos 4,500 anos atrás é a melhor explicação do porquê os cientistas estarem a encontrar plantas não-fossilizadas e material animal – incluindo glóbulos vermelhos – por toda a coluna geológica, um pouco por todo o mundo

~ http://bit.ly/1GE8N38

Referências:
1. Adam not only recorded God’s prophecy of a coming Savior in Genesis 3:15, he also prophetically named his wife Eve (“life”) in 3:20 because she would be the mother of all future humans.
2. Cupps, V. R. 2015. Rare-Earth Clocks, Sm-Nd and Lu-Hf Dating Models: Radioactive Dating, Part 5. Acts & Facts. 44 (3): 10-11.
3. Lisle, J. 2012. Blue Stars Confirm Recent Creation. Acts & Facts. 41 (9): 16.
4. Humphreys, D. R. 2005. Young Helium Diffusion Age of Zircons Supports Accelerated Nuclear Decay. In Radioisotopes and the Age of the Earth: Results of a Young-Earth Creationist Research Initiative. Vardiman L., A. Snelling, and E. Chaffin, eds. El Cajon, CA: Institute for Creation Research and Chino Valley, AZ: Creation Research Society, 25-100.
5. O’Malley, C. E., W. I. Ausich, and Y.-P. Chin. 2013. Isolation and characterization of the earliest taxon-specific organic molecules (Mississippian, Crinoidea). Geology. 41 (3): 347-350.
6. Million suns shed light on fossilised plant. Manchester University news release. Posted on manchester.ac.uk March 26, 2014, accessed May 6, 2015.
7. Wolfe, A. P. et al. 2012. Pristine Early Eocene Wood Buried Deeply in Kimberlite from Northern Canada. PLoS ONE. 7 (9): e45537.
8. Palmer, C. Oldest dinosaur embryo fossils discovered in China. Nature News. Posted on nature.com April 10, 2013, accessed May 6, 2015.
9. Thomas, B. 2014. Original-Tissue Fossils: Creation’s Silent Advocates. Acts & Facts. 43 (8): 5-9.
10. Unexpected exoskeleton remnants found in Paleozoic fossils. Carnegie Institution news release. Posted on carnegiescience.edu February 7, 2011, accessed May 12, 2015.
11. Oskin, B. Ancient Fungus Discovered Deep Under Ocean Floor. LiveScience. Posted on livescience.com March 5, 2013, accessed May 12, 2015.
12. Yirka, B. New study of Iceman reveals oldest known example of red blood cells. Phys.org. Posted on phys.org May 8, 2015, accessed May, 12, 2015.
13. Fields, H. Dinosaur Shocker. Smithsonian Magazine. Posted on smithsonianmag.com May 2006, accessed May 12, 2015.
14. Mellgren, D. ‘Doomsday’ seed vault opens in Arctic. NBC News. Posted on nbcnews.com February 27, 2008, accessed May 28, 2015.
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