Proteína bastante antiga.

Por Sean D. Pitman M.D.

Apesar das evidências reproduzíveis de que o ADN, bem como muitas proteínas, são relativamente instáveis e que decaem rapidamente, os achados positivamente reportados de tal material existente nos fósseis supostamente com milhões de anos, parece intrigante. Por exemplo,  em 1992, o Dr. Muyzer, et al., usou uma reacção de cadeia de polimerase (PCR) para amplificar a proteína que eles suspeitavam ser osteocalcina de dois dinossauros do período Cretáceo identificados como “Lambeosaurus F38” (que eles acreditavam ter 75,5 “milhões anos”), “Pachyrhinosaurus F39” (supostamente com 73,25 “milhões de anos”), e uma terceira amostra de dinossauro (…).

Foram usados dois métodos distintos para se determinar se a proteína realmente era de osteocalcina ou não. O primeiro método usado foi uma reacção imunológica. Eis a forma como funciona:

  1. Quando algumas moléculas de uma substância estranha são injectadas num animal, o sistema imunológico do animal irá, obviamente, produzir anticorpos para a combater.
  2. O tipo de anticorpos que ele produz depende do tipo de material estranho que é introduzido.
  3. Para além disso, o sistema imunitário do animal irá produzir uma quantidade imensa de anticorpos em resposta a apenas algumas moléculas, e como tal, os anticorpos são muito mais facilmente detectáveis que o material  estranho em si.

Os pesquisadores extraíram osteocalcina dos ossos dum jacaré e injectaram-no num coelho para apurarem que tipo de anticorpos este iria produzir para lutar contra a osteocalcina. Depois disso, pegaram em ossos de dinossauro em pó e injectaram-no no coelho, e este produziu o mesmo tipo de anticorpos – indicando indirectamente que havia osteocalcina nos ossos de dinossauro em pó.

O segundo método usou uma medição directa dos rácios Gla/Glu “detectados através da cromatografia de alta performance.” (7) A sua conclusão foi de que ambos os métodos apuraram que a osteocalcina ainda se encontrava presente nos três tipos de ossos de dinossauro analisados. Este estudo foi publicado em Outubro de 1992.

Uma busca pela literatura apurou que os artigos relativos ao material orgânico presente nos ossos de dinossauro foram publicados entre Abril de 1990 a Novembro de 1994 (Segundo pude apurar, nada foi publicado na Nature ou na revista Science em torno deste assunto desde então). Na mesma publicação do Dr. Muyzer (7), o Dr. Matthew Collins disse o seguinte:

Os dinossauros têm em torno de si um fascínio duradouro. Reportamos a detecção duma proteína num osso de dinossauro, publicado por volta da mesma altura que o filme Parque Jurássico, de Steven Spielberg, saiu, e como tal, essa informação estava destinada a gerar toda a atenção mediática.

O nosso relatório alegou ter detectado imunologicamente a osteocalcina, para além de ter apurado a presença pouco usual do aminoácido g-carboxiglutâmico (Gla) num osso de dinossauro de sedimentos imaturos (não-aquecidos),

A osteocalcina ajusta-se de modo peculiar a tal sobrevivência: encontra-se abundante nos ossos, liga-se fortemente a ele e tem a característica distinta de ser a única proteína antiga a ser alguma vez sequenciada. (7).

Alguns artigos sugeriram que o que foi achado trouxe para a linha da frente a possibilidade de transformar a ficção científica do Parque Jurássico num facto científico. A revista  “Elsevier” (2/10/93) declarou:

[A presença de osteocalcina] deixou os cientistas a ponderar que, se isto é possível  ocorrer com uma proteína, talvez também seja possível com o ADN.

O “Daily Telegraph” chegou até a sugerir que os restaurantes geradores de tendências podem até começar a servir sopas de dinossauro.

No entanto, a comunidade científica estava mais céptica. Num artigo de 1992 que se encontrava numa entrevista para a  Science News,  Jeff Bada (um experiente geoquímico proteico) avisou:

Fico apreensivo em relação à estabilidade do Gla. Porque é que ele se manteria sem alteração durante dezenas de milhões de anos?

Os cientistas estão a perguntar: “Como é possível esta proteína ser tão jovem e fresca quando ela se encontra dentro de ossos tão antigos?” Talvez seja mais racional considerar a possibilidade deles nunca virem a encontrar uma resposta porque estão a fazer a pergunta errada.

Talvez devamos perguntar: “Como é que estes ossos podem ser antigos quando eles têm  proteínas tão frescas?” Esta pergunta coloca a questão num prisma totalmente distinto.

Fonte: http://bit.ly/2roZ79y

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Os evolucionistas nunca irão entender como é que as proteínas e o ADN podem durar “milhões de anos” sem decair porque as proteínas e o ADN não podem durar dezenas de “milhões de anos”; a sua visão do mundo rejeita à priori qualquer interpretação que não possa ser incorporada dentro da mitologia dos “milhões de anos”, mesmo que essa interpretação esteja em total acordo com o que se pode observar.

Um cientista sério analisa todas as hipóteses e faz a inferência que melhor se ajusta aos dados observáveis: se encontramos material biológico “jovem” dentro de fósseis supostamente “antigos”, então é bem provável que esses fósseis não sejam tão “antigos” assim; talvez haja algo de errado com os métodos de datação que dão idades na ordem dos “milhões de anos” e talvez seja altura de buscar interpretações alternativas.

Mas o ateu evolucionista, que tem um compromisso com o Naturalismo e não com a ciência, não pode de maneira nenhuma colocar em causa os mitológicos “milhões de anos” visto que todo o edifício naturalista que ele criou para si depende dessa posição de fé.

Para o ateu evolucionista, todas as evidências têm que ser interpretadas à luz dos mitológicos “milhões de anos”, e tudo aquilo que não se enquadra nesta visão têm que ser colocado à parte e/ou deturpado de modo a manter a filosofia naturalista intacta.

Para nós Cristãos o facto dos dados observáveis estarem de acordo com a linha temporal Bíblica não pode de maneira nenhuma ser surpresa: ao contrário dos evolucionistas e dos crentes nos mitológicos “milhões de anos”, nós temos Uma Testemunha Ocular do que aconteceu no passado; Ele não só viu como a vida surgiu na Terra, como foi Ele Mesmo Quem a criou, e registou na Bíblia, em traços gerais, a forma como criou e o tempo que durou o processo criativo.

A Terra não tem “milhões de anos”; a evolução nunca aconteceu e nem vai alguma vez acontecer no futuro.  Os evolucionistas são livres para acreditar no que é refutado pelas evidências históricas e observáveis, mas eles não são livres para chamar de “ciência” à sua fé religiosa.

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A luta pelo criacionismo na Sérvia

A Sérvia Nacionalista foi alvo de manchetes mediáticas este mês depois de 166 intelectuais de topo terem assinado e entregue uma petição ao governo exigindo o ensino da doutrina Cristã do criacionismo nas escolas Sérvias.

Entre as assinaturas estão padres Ortodoxos, médicos, políticos e professores (sendo que alguns fazem parte da Academia de Ciências da Sérvia).

Os peritos associam este renascer do conservadorismo teológico com o reavivamento dos sentimentos nacionalistas e anti-globalistas que existem na região. Ljiljana Colic qualificou o monopólio que o Darwinismo tem nas escolas de “ofensa a todos os crentes, e não só aos [Cristãos] Ortodoxos.”

Este desenvolvimento, tal como o trabalho de Johan Huibers, o criacionista Holandês, é mais uma chapada na cara dos cientistas modernistas que gostam que afirmar que o criacionismo é um fenómeno exclusivamente existente dentro dos Protestantes Americanos.

As escolas Polacas começaram também a usar textos escolares simpatéticos com o criacionismo escritos pelo cientista Católico Romano Maciej Giertych.

A contra-revolução está a ganhar mais e mais força diariamente na Europa do Leste. Os soldados que se encontram na linha da frente em países como a Sérvia precisam agora de apoio e das nossas orações.

Que Deus lhes dê forças e perseverança nesta batalha tão importante.

Fonte: http://bit.ly/2qWXn5k

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Fósseis antigos com ADN e tecido macio

Por Sean D. Pitman M.D.

ADN Antigo??

Uma das reportagens mais antigas relativa ao ADN extraído de material antigo (isto é, com mais do que “um milhão de anos”) envolvia folhas de Magnólia (com fragmentos intactos que mediam até 820 pares de base) encontradas em sedimentos do fundo de lago da Era Miocena, supostamente com 17 a 20 “milhões de anos”.(3)

insecto_ambarEste achado foi bastante interessante visto que as folhas de magnólia foram encontradas em depósitos de argila encharcados – isto é, ainda molhadas.

Claro que o ADN desintegra-se de forma relativamente rápida quando se encontra dentro de água (a desintegração completa ocorre em menos de 5,000 anos. (33) No entanto, esta experiência foi repetida por vários cientistas e eles reportaram a extracção de cpADN de planta autêntico entre os tamanhos 700-1500 bp [inglês para “base pair”, que significa “par de base”]. (34,35)

Comentado no ADN espantosamente antigo que se encontrava na folha supostamente com 17 “milhões de anos”, Svante Paabo exclamou:

No entanto, a argila estava húmida, e isto leva-nos a questionar a forma como o ADN conseguiu sobreviver ao efeito destrutivo da água durante tanto tempo. (24)

Boa pergunta. No entanto, a maior parte do ADN supostamente “antigo” que já foi encontrado chega-nos de insectos e material botânico preservado em âmbar seco, incluindo uma térmite que se estima ter entre 25 a 30 “milhões de anos”, (2) uma folha de Hymenaea que se pensa ter entre 25 a 40 milhões de anos (5), e um gorgojo que se estima ter entre 120 a 135 “milhões de anos”. (1)  Pensava-se que o ADN do gorgojo em particular era 80 “milhões de anos” mais velho que qualquer espécime de ADN alguma vez extraído e sequenciado.

Anda mais espantoso que isto, no entanto, são os achados do Dr. Cano, microbiólogo da “California State Polytechnic University“. O que o Dr. Cano fez foi dissecar uma abelha sem ferrão Dominicana que se encontrava aprisionada em âmbar, e que se pensava que tinha entre 25 a 40 “milhões de anos”.

O que ele descobriu no seu interior foram esporos bacterianos muito bem preservados. De facto, o grau de preservação era tal que eles voltaram a crescer quando foram colocados no ambiente certo. Dito de outra forma, ainda estavam vivos. E, curiosamente, o seu ADN estava de acordo com o ADN da bactéria moderna que cresce dentro das abelhas actuais. (26).

Para além disto, e recentemente, endosporos bacterianos viáveis e proteobactérias foram isolados de cristais de sal primários (halite) datados com mais de 250 “milhões de anos”. (30,36). As experiências foram levadas a cabo em instalações laboratoriais dedicadas e devidamente isoladas, e como tal, a contaminação neste caso é vista como improvável.

Devido isto, obviamente, a idade dos cristais foi posteriormente colocada em causa. (33,37) Logicamente, e visto que está para além da imaginação humana assumir que algum tipo de vida possa permanecer viável depois de tal período de tempo, não é mais provável que os métodos de datação usados para os cristais estejam errados? Bem pensado.

É também interessante salientar que as sequências provenientes do estudo de Vreeland et al. [referência. 30] revelam apenas 13 diferenças/substituições em relação às sequências das bactérias actuais, embora as taxas de mutação conhecidas entre as bactérias da mesma família tendam a sugerir 59 diferenças. (33)

Segundo este prisma, o ADN extraído do âmbar, embora tenha sido mantido num ambiente relativamente seco, é tão problemático como as sequências de ADN provenientes dos cristais de sal antigos.

R. John Parkes, falando para a Nature em relação a este e a outros fenómenos semelhantes, disse o seguinte:

Temos também a questão da forma como os biopolímeros bacterianos se podem manter intactos durante milhões de anos dentro da bactéria adormecida; ou, dito de modo inverso, se as bactérias se encontram metabolicamente suficientemente activas para reparar biopolímeros, isto levanta a questão da fonte de energia que pode durar tal longo período de tempo. (29)

Independentemente destes problemas sérios, tais descobertas foram amplamente publicitadas pelos média sem, no entanto, qualquer tipo de comentário em relação aos problemas que estes achados levantam para a linha temporal geológica convencional.

O ADN, tal como todas as outras macromoléculas biológicas, é de forma geral bastante instável e deteriora-se espontaneamente – especialmente se estiver hidratado ou “húmido”. Quando se encontra dentro duma célula viva, o ADN é mantido vivo através de mecanismos de reparação, mas depois da morte, o ADN auto-destrói-se a um ritmo bastante acelerado.

Numa revisão publicada em torno da estabilidade química do ADN, Tomas Lindahl (1993) salientou:

Privado dos mecanismos de reparação disponibilizados pelas células vivas, o ADN totalmente hidratado é degradado espontaneamente em pequenos fragmentos durante um período de vários milhares de anos e sob temperaturas moderadas.

Lindahl prossegue alegando em favor duma “contaminação” de todos estes espécimes levado a cabo com ADN moderno, sugerindo que:

A aparente observação de que ADN de plantas, totalmente hidratadas, possam ser mantidas em forma de massa altamente molecular durante 20 milhões é incompatível com o que se sabe das propriedades químicas da estrutura do ADN. (28)

Na edição de 1991 da “Science”,  Jeremy Cherfas expressou a sua perplexidade, afirmando:

 Que o ADN possa sobreviver durante tal incrível quantidade de tempo é algo totalmente inesperado – quase inacreditável. (25)

Semelhantemente, Skypes (1991) comentou que estimativas in vitro da taxa de hidrólise espontânea implicam que nenhum ADN poderia ficar intacto muito para além dos 10,000 anos. No seu artigo de revisão, Lindahl prossegue alegando que:

Parece viável que que as sequências de ADN úteis, com milhares e milhares de anos, possam ser recuperados, parcialmente se os fósseis tiverem sido retidos a baixas temperaturas.”

Como exemplo, Lindahl fez referência ao ADN de tecido de mamute que se pensa ter 40 “mil anos”. Portanto, o nosso conhecimento da estabilidade do ADN faz com que pareça ser altamente improvável que esta molécula possa ter sido preservada durante mais do que umas poucas dezenas de milhares na melhor das hipóteses. Outras pessoas notaram que:

Certos limites físicos parecem inevitáveis. No espaço de 50,000 anos, a água remove as bases do ADN e leva à desfragmentação dos cordões em pedaços tão pequenos que nenhuma informação pode ser extraído dos mesmos. O oxigénio também contribui para a destruição do ADN. Até em condições ideias de ausência de água e oxigénio, e em baixas temperaturas, a radiação de fundo tem que, por fim, eliminar toda a informação genética. (27)

Muitos outros autores sugeriram que “o tempo máximo de sobrevivência do ADN vai dos 50,000 anos (Kyr) até a 1 milhão de anos (Myr).” (33) No entanto, crê-se que os fósseis dos quais o ADN foi recuperado têm, em alguns casos, dezenas de “milhões de anos”.

Claramente há um problema aqui. É por isso que alguns cientistas estão agora a olhar para os achados reportados (especialmente aqueles que não envolvem preservação em âmbar) de modo céptico.

Foi alegado que algum do resíduo detectado é resultado da contaminação através do ADN moderno. (33) Por exemplo,

Um estudo recente, e de larga escala, levado a cabo sob estritas condições aDNA falhou em obter ADN endógeno a partir dos insectos encontrados no âmbar, apesar da aplicação de várias extracções distintas e protocolos PCR.

Até mesmo tentativas de amplificar reproduzivelmente o ADN endógeno a partir das mesmas extracções usadas na alegação original (isto é, da abelha preservada no âmbar e com 25-40 “milhões de anos”) falharam.

Paralelamente, partes da sequência de gorgojo com 120-135 “milhões de anos” foram subsequentemente reveladas como sendo de origem fungosa e nenhuma das sequências do âmbar passou nos relativos testes de taxas. (33)

Portanto, os cientistas têm estado desde então, ou alegam estar, mais conscientes da eliminação da possibilidade de contaminação. Mesmo assim, todos os dados que sugerem a recuperação de ADN antigo não cai bem dentro da escala dos milhões de anos normalmente aceites.

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Fonte e referências:   http://bit.ly/2lJo0JU

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Mutações genéticas não causam qualquer tipo de ‘evolução’.

Por Richard William Nelson

No ano de 1620 William Bradford e Edward Winslow, colonos primordiais do nordeste Americano, enviaram um prospecto comercial: “Cape Cod parecia ser um local de boa pesca porque todos os dias nós vimos baleias enormes, e da melhor qualidade no que toca ao óleo e aos ossos.” A indústria da caça à baleia nos Estados Unidos estava a começar.

Duzentos anos mais tarde, New England havia-se tornado no maior centro de pesca de baleia no mundo. Só em 1857, mais de 10,000 homens lançaram-se ao mar só em New Bedford, Massachusetts.

moby_dickNos 100 anos que se seguiram, e durante a altura do mítico Moby Dick de Herman Melville, a indústria de pesca à baleia foi forçada a pescar cada vez mais para dentro do oceano e, eventualmente para o Atlântico Sul, deixando a população de baleias do Atlântico Norte dizimada.

Visto que menos de 100 eram tidas como ainda existentes por volta de 1935, a pesca da baleia foi globalmente banida em 1937. Embora se creia que por volta de 2013 a população tenha finalmente aumentado para 500, uma equipa de pesquisa descobriu uma mutação genética que está a levar a população à extinção – um pesadelo para a evolução da baleia.

A Mutação de Um Único Gene

Em busca duma explicação biológica para o declínio da população de baleias, uma equipa de pesquisa liderada por Lorian E. Schweikert, do “Florida Institute of Technology”, clonou e sequenciou o gene da baleia que codifica para as proteínas fotorreceptoras sensíveis à luz conhecidas como opsinas. Estas proteínas que se encontram nas células fotorreceptoras da retina agem como mediadoras na conversão da luz para sinais electromagnéticos – o primeiro passo na cascata de transdução visual.

A equipa publicou os seus resultados no “Journal of Comparative Neurology” (2016) num artigo com o título de “Evolutionary loss of cone photoreception in balaenid whales reveals circuit stability in the mammalian retina.” Como reporta o ScienceDaily:

As normais proteínas detectoras de luz nas células dos cones fotorreceptores não estão presentes nestas baleias, demonstrando pela primeira vez a perda total de detecção de luz baseada em cone num mamífero.

Quase todos os vertebrados têm na retina células fotorreceptoras em cone bem como células fotorreceptoras em forma de haste – células que desempenham papéis distintos mas complementares. Ao mesmo tempo que os fotorreceptores em haste permitem a visão em áreas com pouca luminosidade, as células fotorreceptoras em cone permitem a visão em condições de alta luminosidade.

Os cientistas apuraram que uma mutação genética nos olhos das baleias, que fragiliza a sua habilidade de ver em ambientes com bastante luminosidade, pode torná-las mais susceptíveis a emaranhamentos fatais nos aparatos de pesca…..uma das maiores causas de morte deste mamífero em perigo crítico de extinção.

No artigo com o nome de “Whales Extinction Reason: Blame Genetic Mutation,” o escritor de ciência Rodney Rafols explica o porquê: “as proteínas detectoras de luz nas células fotorreceptoras em cone das baleias não estão presentes.” O resultado desta mutação num único gene é a perda da visão. “Isto pode dificultar a sua habilidade de evitar o emaranhamento nos dispositivos de pesca,” disse Schweikert, “ que é uma das maiores causas de morte deste animal em perigo de extinção.”

Teoria Original da Mutação

As mutações genéticas foram originalmente vistas como a força motora da evolução. Em 1937, e num vácuo de evidências científicas, o geneticista Americano Theodosius Dobzhansky especulou em torno dum princípio para uma nova teoria da evolução:

As mutações e as mudanças cromossómicas…..fornecem de maneira constante e sem parar o material cru para a evolução.

theodosius_dobzhanskyDobzhansky é creditado pela frase lendária: “Nada na biologia faz sentido sem ser à luz da teoria da evolução.” Um medalhão-mosaico desta declaração reside actualmente no chão do hall principal do “Jordan Hall of Science” Universidade de Notre Dame, uma universidade de pesquisa Católica localizada na zona adjacente a South Bend, Indiana.

Esta especulação ousada tomou de assalto a indústria evolutiva. Por volta dos anos 50, ela era um selo padrão nos livros de biologia das escolas – um facto científico. No livro escolar com o nome de “An Introduction to Biology” (1957), Gaylord Simpson, curador do “American Museum of Natural History”, avançou ainda mais com a especulação:

As mutações são os materiais primários da evolução.

Em 1983, Douglas J. Futuyma, da “State University of New York”, alegou:

De longe, a forma mais importante através da qual o acaso influencia a evolução é através do processo das mutações. As mutações são, de forma única, a fonte das novas variações genéticas, e sem variações genéticas não podem ocorrer modificações genéticas. Devido a isto, as mutações são, portanto, necessárias para a evolução.

A teoria parecia explicar o problema maior, ainda por resolver, de Darwin: a origem das novas variações como forma de produzir novas espécies. Para Darwin, este problema era algo que teria que ser resolvido posteriormente:

Somos demasiado ignorantes para especular em torno da importância relativa das várias causas conhecidas e desconhecidas da variação.

Analisando as mutações

Ao conceptualizar as mutações genéticas como a fonte da variação, o não-resolvido dilema de Darwin estava finalmente resolvido. As mutações disponibilizavam um mecanismo teórico à indústria da evolução, o que lhes permitia justificar a origem das novas variações que resultavam na formação de novas espécies. Depois disto, chegaram as tecnologias científicas mais avançadas – especificamente, o microscópico electrónico (poucos anos depois de James Watson e Francis Crick deduzirem a estrutura do ADN em 1952 usando a defracção raio-X).

O acto de incorporar as evidências científicas a partir dos mais recentes avanços tecnológicos para dentro da teoria da evolução enfrentou alguns obstáculos – barreiras que colocavam em causa o status quo. Eventualmente Theodosius Dobzhansky recebeu o Prémio Nobel “por descobrir que as mutações poderiam ser induzidas através dos raios-X”, gerando um círculo perfeito em relação à sua especulação original.

Mas em 1955, e no seu livro “Evolution, Genetics and Man,” Dobzhansky admitiu finalmente o erro das suas especulações prévias:

A maior parte dos mutantes que surgem nos organismos são desvantajosos para os seus possuidores.

Tendo como base as novas evidências científicas extraídas das novas tecnologias, as coisas começaram a tomar outra forma. No seu livro de 2002 com o nome de “Acquiring Genomes: A Theory of the Origins of Species,” os evolucionistas Lynn Margulis (Universidade de Massachusetts Amherst) e Dorion Sagan, filho de Carl Sagan, explicam:

lynn_margulisSão conhecidas imensas formas de induzir mutações mas nenhuma gera novos organismos. A acumulação de mutações não leva ao aparecimento de novas espécies e nem mesmo ao aparecimento de novos órgãos ou de novos tecidos….

Até mesmo os biólogos evolucionistas profissionais têm dificuldade em encontrar mutações – quer sejam espontâneas ou induzidas – que acabem de forma positiva no que toca a mutações evolutivas.

O geneticista Italiano Giuseppe Sermonti opinou:

Um dos factos que deu ânimo à pesquisa em relação às mutações foi a esperança de que a acumulação destas pudesse levar ao aparecimento de novas espécies. Mas isto nunca ocorreu.

Um pesadelo para a teoria da evolução

As mutações genéticas, que a dada altura chegaram a ser vistas como a tábua de salvação do dilema de Darwin, emergiram agora como um pesadelo biológico para a indústria da evolução. Segundo o “Genetics Home Reference Handbook” do “U.S. National Library of Medicine”, as “mutações têm consequências sérias e elas são incompatíveis com a vida.”

Hoje em dia, as mutações genéticas nos humanos foram associadas a mais de 4,000 doenças específicas conhecidas. Segundo a Encyclopedia Britannica

Cerca de 30% de toda a mortandade infantil pós-Natal nos países desenvolvidos ocorre devido a doenças genéticas; 30% das admissões pediátricas e 10% de admissões adultas nos hospitais podem ser rastreadas até a causas genéticas.

Infelizmente, teme-se que a mutação dum único gene da baleia eventualmente leve à sua extinção – um pesadelo para a evolução da baleia. Não existem evidências de mutações a gerar novas variações, novos elos transicionais ou novas espécies. Existe, no entanto um elo claro entre as mutações genéticas e as extinções.

A construção dum novo micróbio através das mutações nunca ocorreu. A Cyanobacteria sempre foi uma Cyanobacteria e, apesar das constantes mutações genéticas, ela nunca mudou. A indústria da evolução está, actualmente, em busca desesperada por algo que tome o lugar da agora defunta teoria das mutações genéticas.

Ao contrário do que é avançado pela teoria de Darwin, não só há uma falta de evidências em favor duma evolução da baleia, algo demonstrado pela total ausência dum ancestral conhecido ou de algum elo transicional, nos mais de 2,000 genes de opsina já identificados não há elo transicional algum. As opsinas são específicas a cada espécie e isto de forma única.

Uma vez que há já muito tempo que é necessário que se crie uma nova teoria da evolução para lidar com a crise, a “Royal Society” irá, este mês, levar a cabo um encontro de cientistas (em Londres) com o propósito expresso de gerar um consenso em torno duma nova teoria da evolução.

Embora pela primeira vez em décadas o encontro tenha estado aberto à imprensa, até hoje não foi emitido um único comunicado de imprensa em torno de qualquer tipo de avanço no desenvolvimento duma nova teoria da evolução. A abertura a novas ideias não ajudou. Tal como um castelo de cartas, a outrora unificadora teoria da evolução entrou em colapso. O pesadelo em torno da evolução da baleia é emblemático da morte lenta da indústria da evolução.

Génesis

Apesar dum dilúvio de mudanças desde a publicação da Origem das Espécies (1859) por parte de Darwin, e apesar de mais de 150 anos de esforços científicos sem precedentes na história da humanidade para se provar o contrário, as evidências já examinadas na natureza, manuseadas com tecnologia sem precedentes, continua a estar de acordo com o registo de Génesis escrito por Moisés.

Robert Boyle (1627-1691), membro da “Royal Society”, tido como o primeiro químico do mundo moderno, e fundador da Lei de Boule, declarou:

Na Bíblia, o ignorante pode aprender o conhecimento mais específico, e o homem mais sábio pode discernir a sua ignorância.

A evolução, que já foi uma teoria em crise, é hoje uma crise sem uma teoria unificadora. A evolução biológica existe apenas como uma filosofia, e não como ciência.

~ http://bit.ly/2g1ONLF

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É óbvio que os evolucio-animistas nunca irão admitir publicamente que as mutações não são “material cru para a evolução” antes de poderem encontrar outra alternativa ‘natural’. A sua firme crença nos nunca-observados poderes organizadores do gradualismo aleatório nada mais é que uma expressão do que eles querem que seja verdade, e não consequência lógica das observações.

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Tom Holland: Eu estava errado em relação ao Cristianismo

“Demorei muito tempo para entender que os meus valores morais não são Gregos nem Romanos, totalmente, e orgulhosamente, Cristãos.”

Quando eu era um rapaz, a minha educação Cristã estava a ser constantemente alvo de resistência por parte dos meus entusiasmos. Primeiro, foram os dinossauros. Lembro-me vivamente do meu choque, durante a Escola Dominical, quando abri uma Bíblia para crianças e deparei-me, logo na primeira página, com ilustrações de Adão e Eva lado a lado com um braquiossauro. Eu poderia ter seis anos, mas havia uma coisa – para arrependimento meu – que eu estava certo: nenhum ser humano havia visto um saurópode.

Dinossauro_Nilo_MosaicoO facto do professor não se importar com este erro* apenas aumentou o meu sentido de raiva e de espanto.  Pela primeira vez uma sombra de dúvida começou a pairar sobre a minha fé Cristã. Com o passar do tempo, esta sombra foi escurecendo cada vez mais. A minha obsessão com os dinossauros – glamorosos, ferozes e extintos – evoluiu de forma gradual para uma obsessão pelos antigos impérios. Quando eu lia a Bíblia, o meu fascínio não era tanto pelos filhos de Israel ou por Jesus e os Seus Discípulos, mas sim pelos seus adversários: os Egípcios, os Assírios, os Romanos.

Semelhantemente, embora eu continuasse a acreditar em Deus duma forma vaga, eu considerava-O infinitamente menos carismático que os meus Olimpianos favoritos: Apolo, Atena, Dionísio. Em vez de estipularem regras e classificarem os outros deuses de demónios, eles preferiam a diversão. E quando eles se comportavam de forma vaidosa, egoísta e cruel, isso apenas servia para lhes conferir o fascínio de estrelas de rock.

Quando comecei a ler Edward Gibbon e os outros grandes escritores do Iluminismo, estava mais do que pronto para aceitar a sua interpretação da História: nomeadamente, de que o triunfo do Cristianismo havia dado início a uma era de “superstição e de credulidade”, e que a modernidade havia sido fundada após o renascimento dos há muito esquecidos valores clássicos.

O meu instinto infantil de pensar no Deus da Bíblia como inimigo da liberdade e da diversão foi racionalizado. A derrota do paganismo havia gerado o reinado do Ninguém, e o reinado de todos os cruzados, inquisidores e puritanos de chapéu preto que haviam servido de acólitos. O colorido e a excitação haviam sido retirados do mundo. “Venceste, Ó Galileu pálido”, escreveu  Swinburne, ecoando a lamentação apócrifa de Juliano o Apóstata, o último imperador pagão de Roma. “O mundo acinzentou-se devido à Tua respiração.” Instintivamente, concordei.

Devido a isto, não é surpresa alguma que tenha continuado a apreciar a antiquidade clássica como o período que mais me motivou e mais me inspirou. Quando me sentei para escrever a minha primeira obra de História, “Rubicon”, escolhi um tema que havia sido particularmente apreciado pelos filósofos: a era de Cícero.

O tema da minha segunda obra, “Persian Fire”, foi um que até no século 21 serviu para Hollywood, tal como havia servido para Montaigne e Byron, como um arquétipo do triunfo da liberdade sobre o despotismo: as invasões Persas à Grécia.

julioceserOs anos que passei a escrever estes estudos sobre o mundo clássico – vivendo de maneira íntima na companhia de Leónidas e de Júlio César, dos Hoplitas que haviam morrido em Termopilas, e dos legionários que haviam triunfado em Alesia – serviu apenas para confirmar o meu fascínio: porque Esparta e Roma, mesmo quando sujeitas à investigação histórica mais minuciosa, não pararam de parecer possuídas pelas qualidades dum predador de topo. Elas continuaram a perseguir o meu imaginário tal como haviam feito no passado – como um tiranossauro o faz.

Mas até os carnívoros gigantescos, por mais maravilhosos que fossem, eram por natureza aterrorizadores. Quanto mais tempo eu passava imerso no estudo da antiquidade clássica, mais estranha e perturbadora eu a considerava. Os valores morais de Leónidas, cujo povo practicava uma forma de eugenia particularmente assassina, e que treinava os mais jovens a matar pela calada da noite os Untermenschen atrevidos, não eram em nada aquilo que eu considerava os meus; nem o eram os de César, que alegadamente matou 1 milhão de Gauleses e escravizou mais um milhão.

Não foram só os extremos de insensibilidade que considerei chocantes, mas também a ausência de qualquer sentido de que os pobres ou os fracos poderiam ter algum valor intrínseco. Devido a isto, o fundamento basilar do Iluminismo – que em nada devia à Fé dentro da qual a maioria das grandes figuras haviam nascido – tornou-se gradualmente indefensável.

“Todo o homem sensível,” escreveu Voltaire, “todo o homem honrado, tem que ter horror à seita Cristã.” Em vez de reconhecer que os seus princípios éticos poderiam dever algo ao Cristianismo, ele preferiu derivá-los duma vasta gama de fontes – não só a literatura clássica, mas também da filosofia Chinesa e dos próprios poderes racionais.

No entanto Voltaire, na sua preocupação para com os fracos e para com os oprimidos, estava marcado de forma duradoura com o selo da ética Bíblica mais do que ele se preocupava em admitir. O seu desprezo pelo Deus Cristão, e num paradoxo que certamente não existia só nele, dependia de motivações que eram, em parte, reconhecidamente Cristãs.

“Nós pregamos Cristo Crucificado”, declarou São Paulo, “escândalo para os judeus e loucura para os gentios.” E ele estava certo. Nada estava mais contra as mais profundas pressuposições dos contemporâneos de Paulo – Judeus, Gregos e Romanos. A noção de que um deus havia sofrido tortura e morte numa cruz era tão chocante como era repulsiva.

A familiaridade com a narrativa da Crucificação atenuou os nossos sentidos de forma a não vermos como a Divindade de Cristo era novidade. No mundo antigo, era papel dos deuses que alegavam governar o universo manter a ordem infligindo o castigo – e não sofrendo eles mesmos.

Hoje em dia, mesmo quando a fé em Deus esmorece por todo o Ocidente, os países que foram no passado conhecidos como Cristandade continuam a ter o selo da revolução com dois mil anos que o Cristianismo representa.

madreteresaÉ por esse motivo que, de forma geral, a maior parte de nós que vive em sociedades pós-Cristãs, continua a aceitar sem questionar que é mais nobre sofrer do que infligir sofrimento.

É também por isso que assumimos de forma geral que toda a vida humana é igual em valor.

Nos meus valores morais e na minha ética, aprendi que não sou nem Grego nem Romano, mas totalmente e orgulhosamente Cristão.

Tom Holland

~ http://bit.ly/2i5vUfA

* * * * * * *

* Note-se como um mau entendimento da cronologia Bíblica levou Holland a colocar em causa toda a Bíbla. O facto das igrejas evitarem falar na co-existência de humanos com dinossauros, longe de fortalecer a Bíblia como alguns podem ser levados a pensar, faz exactamente o contrário.

1. Os dinossauros e a Bíblia http://wp.me/pbA1e-32r
2. Evidências suprimidas pela “comunidade científica” em relação aos dinossauros http://wp.me/pbA1e-30T
3. Mosaico de Palestrina mostra humanos com dinossauros http://wp.me/pbA1e-2YO
4. Evidências da coexistência entre humanos e dinossauros http://wp.me/pbA1e-300
5. Referências históricas aos dinossauros e como isso refuta os mitológicos “milhões de anos” http://wp.me/pbA1e-2YX
6. Será que Marco Polo viu um dinossauro? http://wp.me/pbA1e-2Yk
7. A Bíblia fala de dinossauros? http://wp.me/pbA1e-2Vw
8. Os dinossauros da Papua Nova Guiné http://wp.me/pbA1e-2iR
9. Será que os nossos antepassados usaram fósseis para retratar os dinossauros? http://wp.me/pbA1e-2fz
10. Será que os Aborígenes viram dinossauros? http://wp.me/pbA1e-2fi

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A ciência está a evoluir para algo pouco fiável

Por Peter Dockrill

Não há escassez de avisos por parte da comunidade científica de que a ciência, tal como a conhecemos, está a ser drasticamente afectada pelas pressões comerciais e pelas pressões institucionais que são exercidas sobre os pesquisadores nas revistas científicas mais importantes. Agora uma nova simulação revelou que a deterioração está de facto a acontecer.

computadoresPara chamar atenção para a forma como bons cientistas são pressionados para publicar má ciência (leia-se “resultados surpreendentes e sensacionais”), pesquisadores dos Estados Unidos desenvolveram um modelo informático para simular o que acontece quando os cientistas competem por prestígio e por empregos.

Neste modelo, desenvolvido por pesquisadores da “University of California, Merced”, todos os grupos de laboratório que eles colocaram neste cenário eram honestos – eles não mentiram e nem falsificaram intencionalmente os resultados. Mas eles receberiam mais recompensas se publicassem dados “novos” – tal como acontece no mundo real. Eles tinham também que levar a cabo mais esforços como forma de serem rigorosos nos seus métodos – algo que iria aumentar a qualidade das suas pesquisas mas diminuir a sua produção académica.

O pesquisador principal Paul Smaldino explicou ao The Conversation:

Resultado: Com o passar do tempo, os esforços diminuíram até ao seu valor mínimo, e a taxa de falsas descobertas aumentou.

Mais ainda, o modelo sugere que os “maus” cientistas (se se pode usar este termo) que tomam a via mais fácil em relação aos incentivos que estão à disposição acabam por transmitir os seus métodos à geração seguinte de cientistas que também trabalham nos seus laboratórios, gerando, para todos os efeitos, um enigma evolutivo que recebeu, por parte dos pesquisadores, o nome de “a selecção natural de má ciência”.

Smaldino disse o seguinte a Hannah Devlin do “The Guardian”:

Enquanto existirem incentivos para resultados inovadores e surpreendentes, algo que se passa mais em algumas revistas de alto relevo do que noutras, aspectos mais  nuancizados da ciência, e prácticas de má-qualidade que maximizam a habilidade individual de gerar tais resultados, irão existir de forma desenfreada.

Não é a primeira vez que ouvimos alegações desta natureza – embora seja bem provável que nenhum pesquisador tenha de facto calculado as coisas através duma simulação computacional. A ciência encontra-se numa espécie de cruzamento, e os pesquisadores estão a salientar o que eles chamam de “crise de reprodutibilidade”.

cientista_fraudeIsto ocorre, de modo efectivo, devido à publicação de “falsas descobertas” – resultados científicos difíceis de reproduzir e que são algo como ruído dentro dos dados cientificos, mas que são escolhidos para publicação por parte dos cientistas das revistas científicas porque são novos, sensacionais e de alguma forma surpreendentes.

Este tipo de resultados cativa o nosso interesse humano devido à sua componente inovadora e chocante – mas eles arriscam-se a prejudicar a credibilidade da ciência, especialmente se os cientistas se sentem pressionados para embelezar os seus artigos de modo a que possam gerar este tipo de impressões.

Mas isto é um círculo vicioso visto que tais pesquisas espantosas geram imensa atenção e ajudam os pesquisadores a verem os seus artigos publicados, o que, por sua vez, os ajuda a obter financiamento da instituições para poderem continuar com as suas pesquisas. Smaldino escreve:

A evolução cultural da ciência de má qualidade em resposta aos incentivos para a publicação não requer uma estratégia, uma mentira ou esquemas conscientes por parte dos pesquisadores individuais. Sempre irão existir pesquisadores dedicados que usam métodos rigorosos e que se encontram vinculados à integridade científica. Mas enquanto os incentivos institucionais recompensarem os resultados novos e positivos, em detrimento do rigor, a taxa de má ciência irá, em média, aumentar.

E o problema é aumentado ainda mais com as medidas quantitativas criadas para avaliar a importância dos pesquisadores e dos seus artigos visto que este tipo de aferições, tal como o controverso valor-p, podem ser enganadores, gerando um rol de falsas impressões que, de forma geral, prejudicam a ciência.

Vince Walsh, da “University College London” no Reino Unido, e que não fez parte do estudo, afirma:

Concordo que a pressão para publicar seja corrosiva e anti-intelectual. Os cientistas são humanos, e se as organizações são suficientemente burras para os avaliar com base nas dados de venda, eles irão fazer descontos como forma de atingir os objectivos, tal como acontece com qualquer outra pessoa envolvida nas vendas.

Dito isto, qual é a solução? Bem, não será fácil, mas Smaldino afirma que, ao nível institucional, temos que nos afastar da mentalidade de aferir os cientistas quantitativamente.

No seu artigo, os pesquisadores escrevem:

Infelizmente, os custos a longo-prazo do uso métrica quantitativa simples para aferir o mérito do pesquisador são enormes. Se formos sérios nos esforços de garantir que a nossa ciência é, ao mesmo tempo, significativa e duplicável, temos que garantir que as nossas instituições incentivem este tipo de ciência.

Enquanto isso, estudos tais como este, que incidem uma luz crítica à ciência – estudos esses que são francamente “novos” e geradores de atenção em si mesmos – podem ajudar a manter as pessoas cientes do quão sério este assunto realmente é. Smaldino afirma:

Quanto mais pessoas cientes dos problemas que existem dentro da ciência, e pessoas dispostas a melhorar as instituições, existirem, mais cedo e mais facilmente ocorrerá a mudança institucional.

~ http://bit.ly/2e1Ue1Q

* * * * * *

Enquanto que os cientificamente ignorantes atribuem à ciência uma aura de infalibilidade inexistente, as pessoas que se encontra dentro do mundo da ciência afirmam que este mundo, tal como toda a área sob influência humana, está corrompida. Lembrem-se disto sempre que alguém disser que a publicação de um artigo é sinal de rigor científico. ou que a não publicação e sinal de falta do mesmo.

Adorando_Ciencia

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As descobertas de Galileu e a reacção da Igreja Católica

Pergunta: “Porque é que a Igreja Católica olhou para as descobertas telescópicas de Galileu em relação à Lua, que o levaram a concluir que a Lua era imperfeita, como heréticas?”

Resposta por Tim O’Neill (medievalista ateu)

A questão é estranha visto que ela pergunta algo que nunca chegou a acontecer. A Igreja Católica não qualificou de “heréticas” as conclusões de Galileu em relação à Lua. De facto, a Igreja Católica levou os seus próprios astrónomos a confirmá-las, e posteriormente celebrou-as e honrou Galileu por isto e por outras descobertas telescópicas. Portanto, a pergunta parece basear-se numa versão distorcida da História, e não no conhecimento dos eventos em questão.

siderius_nunciusGalileu foi a primeira pessoa a usar o recém-inventado telescópio para observações astronómicas, e ele começou a fazer isto no final do ano de 1609. Ele muito rapidamente fez um certo número de descobertas, incluindo as nebulosas, as fases de Vénus, as luas de Júpiter, e o facto da nossa Lua estar coberta com crateras e montanhas. Ele publicou estas descobertas no seu livro de 1610 com o nome de “Siderius Nuncius” (“O Mensageiro das Estrelas”).

O livro causou sensação porque muitas das suas descobertas contradiziam a cosmologia Aristotélica que já era dominante há séculos, e alguns dos filósofos recusarem-se a aceitar que as observações de Galileu fossem genuínas, alegando que as mesmas eram um artefacto do seu telescópio.

Na verdade, esta era uma objecção potencialmente razoável por aquela altura visto que os telescópios eram novos e ainda não eram bem entendidos, e também variavam imenso em termos de qualidade de lente o que, consequentemente, ocasionalmente distorciam as coisas e pareciam exibir coisas que não estavam lá.

Ao contrário de mitos comuns em torno da atitude da Igreja em relação à ciência daquele período, a reacção das autoridades religiosas na Itália foi de curiosidade cautelosa. O mais respeitado astrónomo da Europa de então era o estudioso Jesuíta Cristóvão Clávio. Ele entendeu as implicações da descoberta de Galileu, mas como um bom cientista, antes de as levar mais em consideração ele queria vê-las confirmadas.

Após convite do Cardeal Belarmino, Clávio instruiu um comité de astrónomos Jesuítas do “Collegium Romanum” para construírem um telescópio e verem se conseguiam confirmar as observações de Galileu. Os cientistas Jesuítas Christoph Grienberger, Paolo Lembo e Odo van Malecote fizeram isto, e depois reportaram de volta que as observações estavam correctas. Clávio aceitou este veredicto, embora tenha mais tarde expressado dúvidas em relação à ideia de existirem montanhas na Lua.

Longe de condená-lo por heresia, a Igreja celebrou as descobertas de Galileu. No dia 29 de Março de 1611 Galileu chegou a Roma (proveniente de Florença) e encontrou-se, inicialmente, com o grande patrono da ciência, o Cardeal Francesco del Monte. O Cardeal, que o havia ajudado a garantir as suas primeiras palestras em Pisa e posteriormente em Pádua, ouviu com interesse a descrição de Galileu relativa às suas descobertas astronómicas.

No dia seguinte, Galileu dirigiu-se ao “Collegium Romanum” onde se encontrou com dois cientistas que haviam confirmado as suas descobertas: Grienberger e Maelcote, pessoas que Galileu salientou numa carta que estavam a trabalhar em novas observações das luas de Júpiter “como forma de encontrarem as suas fases de rotação”. Longe de rejeitarem os seus estudos como “heréticos”, estes clérigos trabalhavam para acrescentar mais dados aos mesmos.

urbano_viii_maffeo_barberiniNo dia 2 de Abril, Galileu visitou o poderoso Cardeal Maffeo Barberini – que se tornaria no Papa Urbano VIII – que, posteriormente, lhe escreveu para lhe garantir todo o apoio possível. Depois disso, Galileu visitou o Cardeal Ottavio Bandini, que o convidou para fazer uma demonstração do seu telescópio no seu jardim privado a membros da sua família e à fina flor da cidade Romana. Finalmente, Galileu recebeu permissão para uma audiência perante o Papa Paulo V no Vaticano, e escreveu mais tarde como o papa o havia honrado imenso durante o encontro.

No dia 13 de Maio os Jesuítas e os cientistas do “Collegium Romanum” conferiram a Galileu o equivalente a uma qualificação honorária, com Maelcote a discursar de forma elogiosa durante o banquete em honra de Galileu – louvando as suas descobertas e incluindo a descrição da superfície da Lua. No entanto, por deferência às contínuas dúvidas de Clávio em relação a este tópico, Maelcote deixou em aberto a questão dos traços observados através do telescópico serem ou não montanhas e crateras, ou se isto se devia “à densidade desigual e à raridade do corpo lunar”, como acreditavam alguns cépticos. Antes de Galileu, os pontos e os outros traços da Lua eram atribuídos às condições atmosféricas e à ilusão de óptica. Isto devia-se parcialmente ao facto das partes iluminadas da Lua (em todas as suas fases) serem arredondadas, sem qualquer tipo de relevo que é o que seria de esperar se ela tivesse uma superfície desigual.

Portanto, longe de ser condenado como herético pelas suas observações lunares, e por outras descobertas suas, uma vasta gama de cientistas Jesuítas, o maior astrónomo de então, os três cardeais da altura (um deles tornar-se-ia Papa), e o Papa Paulo V encontraram-se com Galileu, expressaram um interesse enorme pelas suas descobertas, celebraram-no e honraram-no pelas mesmas. A pergunta que dá origem ao post não faz sentido nenhum.

Mas isto prende-se com o facto da história em torno de Galileu estar rodeada de mitos. Obviamente, mais tarde Galileu foi condenado por heresia, mas não devido às suas descobertas. E nem foi devido ao facto dele usar as suas descobertas em apoio do modelo heliocêntrico de Copérnico, algo que ele fez durante algum tempo sem que ninguém da Igreja se mostrasse preocupado.

Galileu só começou a atrair a atenção da Igreja quando começou a tentar interpretar partes da Bíblia à luz da sua convicção de que Copérnico estava certo. No contexto da Contra-Reforma e da Guerra dos Trinta Anos, com metade da Europa a batalhar em torno da ideia de que qualquer pessoa, e todas as pessoas, poderiam interpretar a Bíblia como elas bem quisessem, isto não caiu bem junto dos teólogos, que consideravam a interpretação Bíblica fora do domínio dum mero matemático, por mais celebrado que ele fosse.

julgamento_galileuA equívoco-chave mais popular em relação ao Caso de Galileu é aquele que defende que a Igreja opunha-se à ciência, e que ela se encontrava convencida de que a Bíblia deveria ser interpretada literalmente. Na verdade, tal como se pode ver pelo que foi escrito em cima, a Igreja era uma grande apoiante da ciência, e muitos dos seus estudiosos encontravam-se na crista da onda das descobertas da altura. E a Igreja aceitou por completo que a Bíblia poderia ser reinterpretada para acomodar as mais recentes descobertas científicas, algo que não viu necessidade de fazer por aquela altura visto que a larga maioria dos cientistas ainda rejeitava o heliocentrismo por motivos meramente científicos (…).

Mas esta visão mais nuancizada e mais fiel do Caso Galileu não se ajusta aos preconceitos que muitas pessoas têm em relação à religião e/ou ao Catolicismo, e a visão mais caricaturada do Caso Galileu como uma batalha entre a “ciência” e a “religião” é uma parábola mais agradável e mais polida. Devido a isso, obtemos respostas totalmente erradas e distorcidas para esta (também errónea) pergunta (….).

http://bit.ly/2dILIP2

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Resumidamente, Galileu não foi condenado por ter feito descobertas científicas, mas sim porque querer forçar a sua interpretação da Bíblia tendo como base essas descobertas. Isto leva-nos a concluir que todas as pessoas que usam o Caso de Galileu como arma de ataque contra o Cristianismo ou não sabem do que estão a falar, ou sabem, mas estão a mentir.

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