Artigo médico fragiliza teoria da evolução

Por Casey Luskin

Medicina_Mayo_ClinicUm recente artigo científico presente na prestigiosa revista médica Mayo Clinic Proceedings, e com o nome de The Childhood Obesity Epidemic as a Result of Nongenetic Evolution: The Maternal Resources Hypothesis,” alega que, em relação às bases da hereditariedade, a síntese evolutiva moderna encontra-se fatalmente errada.

De facto, afirma o Dr Edward Archer (Universidade do Alabama), muitos aspectos da vida humana, da fisiologia, e da saúde, não fazem sentido à luz do modelo neo-Darwiniano tradicional. Falando do famoso adágio de Theodosius Dobzhansky [“Nada na Biologia faz sentido sem ser à luz da teoria da evolução”], o Dr Archer escreve:

Embora possa ser verdade que “nada na biologia faz sentido ser ser à luz da teoria da evolução”, durante a maior parte do século 20, os vectores não-genéticos da hereditariedade e as consequências evolutivas da dinâmica de desenvolvimento que culminaram no aparecimento de novos fenótipos, foram largamente ignorados.

Este é um limite à priori da hereditariedade e a evolução não tem qualquer fundamento empírico ou teórico; no entanto, visto que a teoria afecta a pesquisa, a práctica clínica, e as políticas de saúde publica, a exclusão de caminhos não-genéticos para a transmissão intergeracional da obesidade e dos fenótipos de elevado riscos foi improdutiva.

Tal como ressalvado por Harris (1904) há mais de 100 anos atrás, “A selecção natural pode explicar a sobrevivência do mais apto, mas não explica o aparecimento do mais apto.”

Dada a heterogeneidade do meio-ambiente onde o organismo pode nascer, e também do facto das interacções fenótipo/meio-ambiente serem o substrato sobre o qual a selecção natural opera, a aptidão evolutiva (isto é, a maior sobrevivência e a maior reprodução) necessita de mecanismos através dos quais as exposições ambientais salientes que geraram o (bem sucedido) fenótipo da mãe sejam traduzidas para a descendência (isto é, o “aparecimento do mais apto”).

Uma vez que alterações ambientais consideráveis normalmente ocorrem de uma geração para a outra, os fenótipos adaptativos não serão necessariamente gerados através da herança genética.

Devido a isto, eu afirmo que a “herdabilidade desaparecida” nas aceleradas alterações fenotípicas exibidas durante o século passado (isto é, hereditariedade não explicada pelos paradigmas genecêntricos) não serão encontrados no genoma, e proponho uma nova conceptualização da herança onde os vectores não-genéticos da evolução (isto é, os efeitos maternais e a evolução soció-ambiental e fenotípica) são os elementos casuais predominantes no aumento recente da prevalência da obesidade infantil.

O artigo continua, propondo um modelo não-Darwiniano através do qual a obesidade infantil tem aumentado nas últimas décadas largamente como resultado de herança não-genética, escolhas humanos, e avanços médicos (tais como as cesarianas) a influenciar os padrões do desenvolvimento humano.

(…)

http://goo.gl/LaTQGV

* * * * * * *

As palavras do médico Edward Archer fazem parte dum crescente leque de palavras provenientes de cientistas com créditos firmados a demonstrar como a teoria da evolução é cientificamente irrelevante, e como este paradigma filosófico serve, na verdade, como um obstáculo para o progresso científico e médico.

Mas, como já sabemos, a teoria da evolução não é fragilizada com as descobertas científicas e médicas uma vez que a teoria da evolução é uma filosofia de vida, ou visão religiosa do mundo, e não uma teoria científica cuja existência depende exclusivamente dos dados científicos observáveis.

Dito de outra forma, nenhuma evidência científica, ou dado observável, tem por si só o poder de fazer um evolucionista deixar de ser evolucionista porque não foram as evidências científicas que lhe fizeram acreditar nessa teoria.

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23 motivos que levam os estudiosos a rejeitar a noção de que Jesus é uma “cópia” de mitos pagãos

Por James Bishop

Dan Brown, no seu livro “O Código Da Vinci”, escreve: “Nada do Cristianismo é original”. Nos tempos mais recentes. um largo número de pessoas está a alegar que Jesus não só mais não é que um novo arranjo de religiões pagãs secretas antigas, como também um arranjo de religiões com deuses a morrer e a ressuscitar. Nós vêmos isto mascarado de “verdade” em filmes tais como “Zeitgeist”, “O Código Da Vinci”, e “Irreligious” que, para a pessoa comum, têm a aparência de serem factuais e convincentes.

Mas quão factuais são estas alegações? Certamente que qualquer pessoa pode fazer uma má caracterização das evidências de modo a que elas passem a estar de acordo com as suas crenças pré-estabelecidas, especialmente se estas pessoas não querem acreditar em algo.

O primeiro passo que deve ser tomado pela pessoa que tenta entender estas questões é consultar os estudiosos das áreas de especialização relevantes e necessárias. O que é que eles dizem disto tudo? Será que este tópico se encontra em debate nos dias de hoje? Se sim, ou se não, porquê? Resumidamente, este estudo focar-se-á em analisar estas comparações [entre o Senhor Jesus e as religiões pagãs], as opiniões educadas dos estudiosos, e tentará apurar se alguns destes paralelos pagãos se encontram no Jesus do Novo Testamento.

Quem são os mitologistas?

Bart Ehrman, o mais importante estudioso do Novo Testamento (e céptico), pergunta:

Bart_EhrmanQuem está no controle da agenda mitologista? Porque é que eles se esforçam tanto para mostrar que Jesus nunca existiu? Não tenho uma resposta definitiva, mas tenho um palpite. Não é acidental o facto de virtualmente todos os mitologistas (de facto, segundo sei, todos eles) serem ou ateus ou agnósticos. Aqueles sobre os quais eu sei alguma coisa, são ateus militantes e até virulentos.

Certamente que Ehrman está certo no seu palpite. Um dos mitologistas principais dos dias de hoje é Richard Carrier, e por acaso ele é um ávido ateu que escreve para o site  Secular Web. Carrier, juntamente com mais dois ou três outros proponentes, são os únicos estudiosos em favor desta visão mitologista; os restantes nem chegam a ser peritos nas áreas de especialização relevantes – algo que é visto em pessoas tais como Bill Maher (“Irreligious”), Dan Brown (“O Código Da Vinci”) , James Coyman (“Zeitgeist”), e Brian Flemming (“The God Who Wasn’t There”).

Embora ignorados pelos historiadores, pelos estudiosos do Novo Testamento, pelos eruditos do período Clássico, e pelos conhecedores do Cristianismo primitivo, os dois principais mitologistas actuais são provavelmente o em cima citado Carrier, e outro homem com o nome de Robert Price; estes dois são os únicos homens que mereceram algum tipo de atenção pela corrente principal da comunidade académica – ou pelo menos a atenção de um ou dois estudiosos do mainstream. Para além destes, o mitologista é ignorado pela maioria dos estudiosos das áreas de especialização relevantes.

A essência da alegação

Os defensores deste ponto de vista, conhecidos como mitologistas, afirmam que Jesus nada mais é que uma cópia de deuses de fertilidade que morrem e renascem, provenientes dos mais avariados locais do mundo – incluindo deuses como Tamuz na Mesopotâmia, Adónis na Síria, Átis na Ásia Menor, e Hórus no Egipto. Só mais recentemente é que estas alegações mitologistas voltaram a ganhar força devido à ascenção da Internet e da distribuição em massa de informação por parte de fontes inimputáveis.

Tudo o que um utilizador online precisa de ter em seu favor é o oxigénio que respira; qualquer pessoa pode postar algo online e mascarar isso como uma verdade. Neste artigo iremos examinar esses paralelos, e ver se eles resistem ao escrutínio. Vamos, então, revelar os muitos motivos que fazem com que “os estudiosos saibam que Jesus não é uma cópia das religiões pagãs”.

Motivo 1: Os estudiosos rejeitam de forma unânime a alegação de que Jesus é uma cópia pagã.

Actualmente, quase todos os eruditos das especializações históricas relevantes rejeitam de forma unânime a noção de que Jesus é uma cópia de deuses pagãos, algo que parece indicar que as evidências disponíveis os persuadiu contra os alegados paralelos. Por exemplo, T.N.D Mettinger da Universidade de Lund, opina: “Tanto quanto sei, não existem evidências prima facie de que a morte e a ressurreição de Jesus são construções mitológicas.”

Warner Wallace, antigo detective de homicídios, e dono do site “Cold Case Christianity“, escreve: “Quanto mais analisamos a natureza dos deuses que eram adorados antes de Jesus, mais nos apercebemos das suas distinções e da desonestidade daqueles que tentam comparar esses deuses pagãos com Jesus.”

O Professor Ronald Nash, filósofo e teólogo eminente, salienta no seu livro ‘Was the New Testament Influenced by Pagan Religions?’:

As alegações duma dependência inicial do Cristianismo perante o Mitraísmo foram rejeitadas por diversos motivos. O Mitraísmo não tinha conceito algum da morte e da ressurreição do seu deus, e nenhum conceito do renascimento – pelo menos durante as suas fases iniciais. (…) Actualmente, a maior parte dos eruditos Bíblicos consideram isto um assunto morto.

Outro eminente estudioso no Novo Testamento, Craig Keener, escreve: “Quando as comparações são feitas, acabamos com mais diferenças que semelhanças.” JZ Smith, historiador da religião e estudioso da religião Helenista, escreve: “A ideia de deuses que morrem e ressuscitam é, de forma generalizada, um equívoco fundamentado em reconstruções imaginativas e em textos excessivamente tardios ou altamente ambíguos.”

Michael Bird, que faz parte do conselho editorial do “Journal for the Study of the Historical Jesus” e é um Membro do “Centre for Public Christianity”, claramente demonstra o seu aborrecimento quando escreve:

Normalmente, eu sou uma pessoa cordial e colegial, mas, para ser honesto, tenho pouca paciência para investir na refutação das fantasias loucas dos “mitologistas de Jesus”, tal como eles são conhecidos. Isto prende-se com o facto de, dito de maneira honesta, nós que trabalhamos na profissão académica da Religião ou da História temos muita dificuldade em levá-las a sério.

Por fim, James Dunn no seu artigo sobre “Mito” no “Dictionary of Jesus and the Gospels”, escreve: “‘Mito’ é um termo com, pelo menos, relevância duvidosa para o estudo de Jesus e dos Evangelhos.”

Motivo 2: Todos os peritos na matéria concordam de forma unânime que Jesus existiu, e que podemos saber coisas sobre Ele, o que é totalmente diferente do que acontece com os deuses pagãos.

Para mais informação em relação a isto, consultem o meu outro artigo,36 motivos que levam os académicos a concordar que Jesus existiu. Este extracto chega-nos do ponto 2 desse artigo.

Os mais credíveis académicos do Novo Testamento, da Bíblia, da História e do Cristianismo primitivo, com as mais variadas crenças, concordam de forma clara que Jesus existiu. Claro que o debate centra-se no que podemos saber sobre Jesus, mas isso é irrelevante para a discussão. Isto separa de forma clara Jesus dos muitos deuses que morrem e ressuscitam que frequentemente não têm qualquer lugar na História. Tal como o Professor Bultmann, Professor de Estudos do Novo Testamento, a dada altura escreveu:

Claro que a dúvida em torno da existência de Jesus não não tem qualquer fundamento e nem é digna de refutação. Nenhuma pessoa sã pode duvidar que Jesus é o Fundador por trás do movimento histórico cuja fase inicial distinta é representada pela mais antiga comunidade Palestina.

Tal como Paul Maier, antigo Professor de História Antiga, ressalva, “A totalidade ds evidências é tão avassaladora, tão absoluta, que só o mais superficial dos intelectos pode colocar em causa a existência de Jesus.”

Craig Evans, que é amplamente conhecido pelos seus escritos em torno do Jesus Histórico, diz que, “Nenhum historiador sério de qualquer classe religiosa ou não-religiosa duvida que Jesus de Nazaré viveu no primeiro século e que foi executado sob a autoridade Pôncio Pilatos, governador da Judeia e Samaria.”

Até Bart Ehrman, o mais céptico dos eruditos do Novo Testamento (que não é de maneira alguma amigo do Cristianismo) declara que:

Estes pontos de vista (de que Jesus não existiu) são tão extremos e tão pouco convincentes para 99,99% dos peritos genuínos que alguém que os mantenha é tão susceptível de obter um cargo de professor num departamento religioso consagrado, tal como um criacionista da Terra Jovem é susceptível de obter um cargo profissional num departamento de biologia bona fide [ed: existem vários cientistas criacionistas a trabalhar em departamentos de Biologia].

Grant diz: “Resumindo, os modernos métodos de crítica falham em dar apoio à teoria Cristo-mito. Essa tese foi repetidamente respondida e aniquilada por académicos conceituados.”

A admissão mais reveladora chega-nos dum académico ateu Alemão com o nome de Gerd Ludemann, que escreve, “Pode ser tomado de forma historicamente certa que Pedro e os discípulos tiveram experiências [da ressurreição] depois da morte de Jesus onde Ele lhes apareceu como Cristo Ressuscitado.”

Portanto, se se pode dizer alguma coisa, a alegação de que Jesus nunca existiu nem se encontra em discussão junto da comunidade académica histórica, e está, sim, colocada à margem. Eu penso como Burridge e Could pensam, citando, “Tenho que dizer que não conheço nenhum académico crítico respeitado que ainda diga isso (que Jesus nunca existiu)”.

Motivo 3: Sabemos muito pouco destas religiões pagãs secretas.

Como história, parece que essas religiões pagãs só eram realmente conhecidas pelas pessoas das comunidades relevantes, e a maioria não tinha intenção de as partilhar com estranhos. Claro que isto deixaria os historiadores modernos numa situação complicada, visto que temos pouca informação sobre quem eram esses grupos e quais eram as suas prácticas. Como diz o próprio Bart Ehrman, estudioso do Novo Testamento e académico de renome:

Na verdade, sabemos muito pouco destas religiões misteriosas – afinal, o propósito das religiões misteriosas era o de mantê-las em segredo! Logo, acho que é maluquice construir um argumento na ignorância como forma de fazer uma alegação deste tipo.

C.S Lewis, um nome reconfortante e familiar para muitos Cristãos, escreve: “As histórias pagãs centram-se todas em alguém morrer e ressuscitar, quer seja todos os anos, ou então ninguém sabe onde e ninguém sabe quando.” Tal como citei de modo semelhante no ponto 1, J.Z. Smith, historiador de religião e académico da religião Helenista, escreve: “A ideia de deuses que morrem e ressuscitam é, de forma generalizada, uma caracterização imprópria fundamentada em textos ambíguos e excessivamente tardios.”

Se nós temos textos ambíguos, uma falta de textos, e muitos desses textos com data posterior ao Cristianismo, então, pergunto eu, de onde chegam estes alegados paralelos  que estes mitologistas dizem que existem? Tal como salienta J.Z.Smith em cima, estes alegados paralelos chegam-nos de “reconstruções imaginativas” altamente especulativas provenientes da mente dos mitologistas.

Motivo 4. A maior parte do que sabemos sobre as religiões misteriosas tem origem depois do Cristianismo, e não antes.

Se é verdade que a maior parte do que sabemos destas religiões secretas tem data posterior ao Cristianismo, então, pergunto eu, porque é que os mitologistas estão a avançar com a tese de que este textos têm datas anteriores ao Cristianismo? Porque é que eles alegam que a igreja Cristã primitiva copiou elementos destas religiões secretas quando, logicamente, eles nunca o poderiam ter feito?

O Professor T. N. D. Mettinger (Universidade Lund), bem como a maioria dos académicos das áreas de especialização relevantes, acreditam que antes de Cristo, ou antes do advento do Cristianismo no princípio do século 1, não existiam deuses que morriam e ressuscitavam: “O consenso – quase universal – entre os estudiosos modernos é que não existiam deuses que morriam e que ressuscitavam antes do Cristianismo. Todos eles datam de eras posteriores ao primeiro século….As referências à ressurreição de Adónis foram datadas essencialmente para momentos já dentro da Era Cristã.”

Edwin Yamauchi escreve que “a suposta ressurreição de Átis não aparece até 150 AD.” O próprio professor Ronald Nash opina que “O Mitraísmo floresceu depois do Cristianismo – e não antes – e como tal, o Cristianismo nunca poderia ter copiado do Mitraísmo. Se por acaso o Mitraísmo tivesse influenciado o desenvolvimento do Cristianismo do primeiro século, o timing está totalmente errado.”

Motivo 5: Os Judeus eram pessoas que certamente não deixariam que mitos pagãos invadissem a sua cultura.

Para começar, por diversas vezes no Antigo Testamento os Judeus rejeitaram o Deus Verdadeiro enveredando pela idolatria; nós sabemos disso porque foi reportado. No entanto, não existem evidências de que isto aconteceu na Palestina do primeiro século durante a altura em que Jesus vivia, para além do facto dos Fariseus que Ele encontrou certamente que não encorajarem a religião pagã.

Mesmo assim, os Judeus eram uma comunidade rigorosa quando o tópico era o que eles acreditavam ser verdade e o que eles pensavam que se deveria practicar em conformidade com essa crença. Eles eram rigidamente monoteístas (crendo Num só Deus), e isto pode ser visto nas Narrativas do Antigo Testamento onde as leis eram estritamente colocadas em práctica como forma de evitar a influência das religiões externas das outras pessoas perversas (tais como os Cananeus). Até o Primeiro Mandamento emitido aos Judeus por parte de Deus diz:

Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egipto, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de Mim. –  Êxodo 20:2-3

Os Judeus eram a única cultura que não permitiria que a sua herança e as suas tradições fossem manchadas pelo paganismo – que, para eles, era uma abominação e uma desgraça. William Lane Craig, um conhecido intelectual Cristão, filósofo, e conhecedor do Novo Testamento, escreve no seu artigo ‘Jesus and Pagan Mythology’: “Jesus e os Seus discípulos era Judeus Palestinos do primeiro século, e é de acordo com este pano de fundo que eles têm que ser entendidos.”

Também Ben Witherington, Professor de estudos do Novo Testamento, ressalva que:

Até uma leitura superficial das partes relevantes dos clássicos Gregos e Latinos revela que esta noção [a ressurreição] não era parte normal do léxico pagão em relação à vida depois da morte. De facto, tal como Actos 17 sugere, era mais provável eles ridicularizarem esta ideia, do que não ridicularizarem. Posso entender a teoria apologética se, e só se, os Evangelhos fossem dirigidos de forma geral aos Judeus Farisaicos ou aos seus simpatizantes. No entanto, não conheço académico algum que tenha alegado em favor dessa posição.

William Craig prossegue escrevendo que “A superficialidade dos alegados paralelos é apenas um indicador de que a mitologia pagã é a estrutura interpretativa errada para se entender a crença dos discípulos da ressurreição de Jesus”, e que “…qualquer pessoa que prossiga com esta objecção tem o ónus da prova. Esta pessoa tem que mostrar que as narrativas são paralelas e que elas se encontram unidas por casualidade.”

Craig conclui o seu texto, dizendo: “É algo que confunde a nossa mente pensar que os discípulos originais subitamente e sinceramente tenham começado a acreditar que Jesus de Nazaré tinha ressuscitado dos mortos só porque eles tinham ouvido alguns mitos pagãos sobre a morte e a ressurreição de deuses sazonais.”

E.P. Sanders parece sugerir que Jesus faz mais sentido dentro do mundo Judaico do primeiro século: “… actualmente, a visão dominante [entre os académicos] parece ser a de que podemos saber muito bem o que Jesus Se propôs a cumprir, que podemos saber muito bem o que Ele disse, e que estas duas coisas fazem sentido dentro do Judaísmo do primeiro século.”

O Professor Martin Hengel salienta: “As religiões misteriosas Helenísticas … não conseguiriam obter algum tipo de influência [na Palestina Judaica].”

Motivo 6: O cânone do Novo Testamento é História, ao contrário das religiões pagãs secretas.

Os Evangelhos canónicos do Novo Testamento (onde eles residem) são os nossos mais fiáveis pedaços de informação que temos de Jesus. Estes Textos são classificados como biografia Greco-Romana, tal como escreve Graham Stanton da Universidade Cambridge: “Não creio que actualmente seja possível negar que os Evangelhos são um sub-conjunto dum alargado género de literatura antiga em torno de “vidas”, isto é, biografias.”

Semelhantemente, no seu livro com o nome “What Are the Gospels”, Charles Talbert, distinto académico do Novo Testamento, escreve de forma muito favorável sobre outro livro importante que influenciou os académicos sobre o verdadeiro género dos Evangelhos: “Este volume deveria colocar um fim a qualquer negação legítima ao carácter biográfico dos Evangelhos Canónicos.”

Até David Aune, proeminente especialista em literatura antiga, opina: “Portanto, embora [os escritores dos Evangelhos] tivessem um importante objectivo teológico, o próprio facto deles terem escolhido adoptar para o seu relato da história de Jesus as convenções biográficas Greco-Romanas, indicava que eles tinham a preocupação central de comunicar o que eles pensavam que realmente havia acontecido.”

O que corrobora ainda mais o facto dos Evangelhos serem literatura biográfica é a arqueologia, tal como Urban von Wahlde – membro da “Society of Biblical Literature” e da  “Studiorum Novi Testamenti Societas” – conclui: “[A arqueologia] demonstra toda a extensão da precisão e do detalhe do conhecimento do Evangelista…… As referências topográficas…..são totalmente históricas…… algumas [partes dos Evangelho] são bastante exactas, detalhadas e históricas.”

Bart Ehrman também comenta: “Se os historiadores querem saber o que Jesus disse e fez, eles estão mais ou menos constrangidos a usar os Evangelhos do Novo Testamento como as suas fontes primárias. Deixem-me salientar que isto não é por motivos religiosos ou teológicos – por exemplo, que só estes são fiáveis; é pura e simplesmente por motivos históricos.”

O que isto revela é que os Evangelhos encontram-se enraizados na História, ao contrário do que ocorre com as religiões pagãs secretas.

Motivo 7: Ao contrário das religiões pagãs secretas, Jesus é Uma Figura Antiga de Quem podemos saber algumas coisas, o que foi que Ele ensinou, e o que Ele fez como Figura Histórica da História.

Quer alguém acredite que Jesus realmente era o Filho do Homem, e desde logo o Próprio Deus [ed: Daniel 7:13], ou apenas um Génio Religioso do primeiro século, segundo os académicos podemos sempre extrair informação e factos da Sua vida e do Seu ministério. Um dos mais importantes académicos do Novo Testamento é Craig Evans, e ele é sobejamente conhecido e respeitado devido aos seus escritos em torno do Jesus Histórico. Isto é o que ele pensa de Jesus: “e o consenso é o de que, pronto, Ele existiu, Ele era Judeu, Ele não queria violar a Lei mas sim realizá-la. Ele via-Se a Ele mesmo como o Ungido do Senhor e  o Messias.”

E.P Sanders, outro importante académico do Novo Testamento declara que:

A reconstrução Histórica nunca é absolutamente certa, e no caso de Jesus é ocasionalmente altamente incerta. Apesar disto, nós temos uma boa ideia das linhas gerais do Seu ministério e da Sua mensagem. Sabemos Quem Ele era, o que Ele fez, o que Ele ensinou, e o porquê de ter morrido. ….. actualmente, a visão dominante [entre os académicos] parece ser o de que podemos saber muito bem o que Jesus Se propôs a realizar, e podemos saber muito do que Ele disse, e estas duas coisas fazem sentido dentro do mundo Judaico do primeiro século….. Sou de opinião de que podemos ter a certeza de que a fama inicial de Jesus resultou das curas, especialmente dos exorcismos.

Stanton, um proeminente e sobejamente respeitado académico do Novo Testamento, que já se encontra morto, opinou a dada altura que “Poucas pessoas duvidam que Jesus tinha dons pouco usuais de cura, embora sejam no entanto disponibilizadas várias explicações.”

J. Tomson, conferencista do Novo Testamento na “Sydney Missionary and Bible College” (Austrália) declara que:

Embora Ele aparentemente Se visse como o celestial “Filho do Homem” e o ” Filho Unigénito” de Deus, e nutrisse ambições Messiânicas extensas, Jesus era igualmente reticente em torno destas convicções. Mesmo assim, o facto de, depois da Sua morte e ressurreição, os Seus discípulos O terem proclamado como o Messias, pode ser entendido como um desenvolvimento directo dos Seus próprios ensinamentos.

Robert Grant, Professor Emérito de Humanidades e de Novo Testamento e Cristianismo Primitivo na Universidade de Chicago, acredita que “Jesus introduziu uma inovação singular, visto que Ele alegou também que Ele poderia perdoar os pecados. …. Jesus viveu os Seus últimos dias, e morreu, com a crença de que a Sua morte tinha como propósito salvar a raça humana.”

Maurice Casey, outro importante académico dos estudos em torno do Novo Testamento e da História, diz: “Ele [Senhor Jesus] acreditava que a Sua morte iria cumprir a vontade de Deus de redimir o Seu povo de Israel.” Mais uma vez, E.P. Sanders diz que: “Que os seguidores de Jesus (e mais tarde, Paulo) tiveram experiências de ressurreição é, segundo o meu juízo, um facto. O que realmente deu origem a estas experiências é algo que não sei”.

O que esta lista de citações dos mais proeminentes académicos do Novo Testamento dos nossos dias revela é que podemos saber muito sobre o Jesus da História. Dito de outra forma, a consenso maioritário entre os historiadores é que Jesus realmente existiu, que podemos saber o que Ele tinha em Mente a cumprir, e o que Ele pensava de Si Mesmo. Isto é totalmente diferente das tradições soltas que encontramos em redor das religiões secretivas. Ocorre com frequência os historiadores estarem altamente incertos em relação à existência de algumas destas figuras históricas por trás de algumas religiões pagãs.

Motivo 8: O Jesus da História não se enquadra n perfil de Alguém que seria um mito.

Em quase todos os aspectos, a vida de Jesus é única. Isto era tão cativante para as pessoas dos Seus dias que eles seguiram-No (mesmo até à morte). Os académicos actuais continuam a ficar surpresos e intrigados com Este Homem que andou pelas terras da Palestina do primeiro século. Tal como Edwin Judge, historiador proeminente da Universidade Macquarie, salienta:

O historiador antigo não tem problemas em olhar para o fenómeno de Jesus como histórico. Os Seus muitos aspectos surpreendentes só servem para o ajudar ainda mais a ancorar-Se na História. A mitologia e a lenda teriam gerado uma Figura muito mais previsível. Os escritos que emergiram relativos a Jesus revelam-nos também um movimento de pensamento e uma experiência de vida tão incomuns que algo muito mais substancial que a imaginação é necessário para os explicar.

C.S. Lewis é mais conhecido pelos seus ensaios sobre o Cristianismo e pela série de fantasia com o nome de “As Crónicas de Narnia”. Mesmo nos dias de hoje, quase 50 anos depois da sua morte, os escritos de Lewis ainda se encontram entre os mais lidos e os mais discutidos dentro das comunidades Cristãs. Para além disto, Lewis era também um estudioso da literatura medieval, para além de ser alguém muito versado na arte da escrita. Em relação aos Evangelhos, ele comenta:

Tudo dentro da minha vida privada centra-se no facto de eu ser um crítico literário e um historiador; esse é o meu trabalho. Estou preparado para dizer com base nisto que, se alguém pensa que os Evangelhos são lendas ou novelas, essa pessoa só está a mostrar a sua incompetência como crítico literário. Li muitas novelas e sei o suficiente sobre as lendas que surgiram entre as pessoas primitivas, e sei também que os Evangelhos não são esse tipo de coisas.

No centro dos Evangelhos está a actividade, a vida, o ministério da Pessoa de Jesus. A maior parte do que está registado nos Evangelhos encontra-se concretamente fundamentado nos registos históricos e desde logo não podem ser mitos e nem sequer podem ser comparados aos mitos – tal como Lewis salientou, “os Evangelhos não são esse tipo de coisas.”

Motivo 9: A maior parte destas religiões secretas têm muito pouco em comum com a História concreta.

Se estas religiões pagãs secretas tinham pouco em comum com o que se sabe da História, então porque é que algumas pessoas estão tão determinadas em concluir que Jesus é uma cópia? Tal como Edwin Yamauchi, Professor Emérito de História ressalva: “Todos estes mitos são representações repetitivas e simbólicas da morte e do renascimento da vegetação. Isto não são figuras históricas.” William Lane Craig escreve: “De facto, e propriamente falando, a maior parte dos académicos começou a colocar em causa a existência de mitos de deuses a morrer e a renascer!”

Motivo 10: Trabalho académico desconexo e desonesto – exemplo: Dorothy Murdock.

Outra mitologista mais ou menos conhecida é Dorothy Murdock. Eu já interagi pessoalmente com ela através da sua página no Facebook, do Youtube, bem como ter também consultado alguns dos seus artigos que se encontram no seu site com o nome de ‘The Christ Conspiracy‘. Essa interacção não acabou bem visto que quando eu tentei salientar os erros dos seus argumentos (e eles são imensos e óbvios!) fui acusado de ser sexista e chauvinista. Mas, diga-se de passagem, nunca disse que eu era perfeito. :-)

Mas falando sério, essa foi literalmente a sua resposta para mim, e eu subsequentemente banido da sua página do Facebook.

Temos também a longa interacção com Mike Licona através do seu site “Risen Jesus”, que se encontra aberto a todas as pessoas interessadas no debacle total do mitologismo (vêr a referência no final do texto).

Mike Licona é outro académico importante actual conhecedor do Novo Testamento, e também ele criticou o trabalho de Dorothy Murdoch duma forma bastante convincente. De facto, algumas das citações mais embaixo são de autoria de Mike Licona provenientes dessa interacção. Ele consultou estudiosos de áreas especializadas de conhecimento como forma de comentar mais ainda a tese de Dorothy Murdock; irei incluir essas citações.

Ressalvo que não tenho como objectivo rebaixar Dorothy Murdock, nem quero que se veja isto como um ataque pessoal visto que essa não é a minha intenção; o meu propósito é mostrar a forma como a maior parte dos estudiosos das áreas relevantes olham para os quadrantes mitologistas.

Primeiro, Bart Ehrman, que está longe de ser amigo do Cristianismo, analisa o livro de Dorothy Murdock ‘The Christ Conspiracy’, e diz que o mesmo..

Tem tantos erros factuais e tantas alegações bizarras que é difícil acreditar que a autora está a falar a sério. …. Os pontos principais de Acharya estão, na verdade, errados. …. Os mitologistas desta laia não podem ficar surpresos com o facto de não serem levados a sério pelos verdadeiros estudiosos, de não serem mencionados pelos peritos na área, e de nem chegarem a ser lidos pelos académicos.

Até o estudioso ateu Bob Price qualifica o trabalho de Murdock de “sophomoric” [ed: ao nível dum estudante universitário do 2º ano]. Ele comenta também que o livro dela é “um aleatório saco excentricidades (na sua maioria recicladas), algumas poucas dignas de consideração, a maior parte delas bastantes trémulas, e muitas claramente amalucadas.

No seu livro, Dorothy Murdock alega que Jesus é uma cópia de um dos deuses hindus, Krishna. De facto, Murdock está até disposta a levar as coisas mais adiantes no seu livro ‘Suns of God: Krishna, Buddha and Christ Unveiled’. No entanto, em relação ao ponto de Krishna ter sido crucificado antes de Jesus, Edwin Bryant, Professor de Hinduísmo na Universidade Rutgers, e alguém que traduziu o Bhagavata-Purana (a vida de Krishna) para a “Penguin World Classics”, responde:

Isto é uma idiotice de todo o tamanho. Não há parte alguma onde existe uma alusão à crucificação. Ela nem sabe do que está a falar! Vithoba era uma forma de Krishna adorado no estado de Maharashtra. Não existem deuses Indianos alguns caracterizados como crucificados.

Em relação aos alegados paralelos que Murdock tenta estabelecer entre o Hinduísmo e o Cristianismo, Benjamin Walker, no seu livro ‘The Hindu World: An Encyclopedic Survey of Hinduism’, escreve: “Não podem existir dúvidas de que os Hindus emprestaram histórias [do Cristianismo] mas não o nome.”

Murdock prossegue alegando que o Cristianismo não foi bem sucedido na Índia porque “os Brahmans reconheceram os Cristianismo como uma imitação relativamente recente das suas tradições mais antigas.” Em relação a isto, Bryant simplesmente comentou, “Comentário estúpido.” Mike Licona continua, dizendo que “a alegação de Murdock de que o Cristianismo emprestou substancialmente do Hinduísmo não tem qualquer tipo de mérito. As suas alegações são falsas, sem evidências, e revelam uma falta de entendimento da fé Hindu.”

Para além de Krishna, Murdock cita semelhanças entre Buda e Jesus como um exemplo da forma como o Cristianismo copiou do Budismo. O Professor Chun-fang Yu encontra-se na Presidência do Departamento de Religião da Universidade Rutgers, e é um especialista da fé Budista; ele comenta:

[A mulher de quem vocês falam] é uma total ignorante no que toca ao Budismo. É muito perigoso propagar tal tipo de falsa informação. Não se deve honrar [Dorothy Murdock] entrando em algum tipo de discussão com ela. Por favor, peçam a ela que faça um curso básico da religião do mundo, ou do Budismo, antes de proferir mais alguma palavra sobre um assunto que ela não sabe.

Subsequentemente, Murdock escreve sobre Josefo que menciona Jesus no seu livro ‘The Antiquities of the Jews’: “Embora muito se tenha dito destas ‘referências’, elas foram rejeitadas pelos académicos e pelos apologistas Cristãos, e qualificadas de falsificações, tal como o foram aquelas que fazem referência a João Baptista e Tiago, ‘irmão de Jesus’.”

Em resposta, Mike Licona comenta que: “A alegação de Dorothy Murdock é grosseiramente ingénua, para além de falsa. A passagem de Josefo sobre João Baptista é considerada como autêntica e dificilmente colocada em causa pelos estudiosos. “

Edwin Yamauchi, Professor de Históra na Universidade de Miame, escreve: “Nenhum estudioso colocou em causa autenticidade desta passagem, embora existam algumas diferenças entre a descrição de Josefo e a dos Evangelhos….”

Jesus_RamosRobert Van Voorst, estudioso do Novo Testamento no “Western Theological Seminary” também comenta que esta passagem de Josefo em relação a João Baptista é “tida como inquestionavelmente genuína por parte da maioria dos interpretadores” e que “os académicos são de opinião de que ela é independente do Novo Testamento.”

John Meier, Professor de Novo Testamento na “Catholic University of America” escreve que a menção a João Baptista por parte de Josefo é “aceite como autêntica por parte de quase todos os estudiosos” e que “é simplesmente inconcebível como trabalho Cristão de qualquer que seja o período.” O estudioso Judeu Louis Feldman, da Universidade Yeshiva e talvez o perito mais proeminente dos escritos de Josefo, fala desta passagem:

Não pode existir qualquer tipo de dúvida em relação à genuinidade da passagem de Josefo em relação a João Baptista.

Portanto, os comentários de Dorothy Murdock, de que esta passagem “foi rejeitada tanto pelos estudiosos como pelos apologistas Cristãos, e qualificada de falsificação” é claramente falsa.

No seu livro, Murdock alega que a mitologia envolveu o Cristianismo logo ao princípio devido aos “sinais ou constelações do Zodíaco”. Na sua resposta a isto, Noel Swerdlow, Professor de Astronomia e Astrofísica na Universidade de Chicago, diz: “…. ela está dizer algo que ninguém do mundo antigo teria pensado visto que a constelação das estrelas fixas onde estivesse o equinócio vernal era algo sem significado  e uma ideia totalmente moderna que nos chega, penso eu, da astrologia do século 20.”

Em resposta à alegação de Murdock de que Jesus nunca existiu na História, Mike Licona oferece um desafio: “Desafio a senhora Murdock a citar uma pessoa para além de Jesus, que viveu no primeiro século (Augusto, Tibério, Nero, etc), que seja mencionada por 17 pessoas que não partilham das suas convicções, e que escrevem no espaço de 150 anos depois da sua vida. Nenhuma figura do primeiro século estão tão bem confirmada como Jesus.”

As coisas tornam-se ainda mais aflitivas para Murdock quando Mike pesquisa as fontes que ela havia citado como fundamento para o seu trabalho:

Practicamente todas as fontes são secundárias e não primárias. Por exemplo, ela cita Adolf Hitler a dizer que eram as suas convicções Cristãs que o levavam a tentar exterminar os Judeus. Onde foi que Hitler disse isto? Nunca ficaríamos a saber a partir do seu livro visto que a sua fonte é “The Woman’s Encyclopedia of Myths and Secrets”! Noutro ponto, ela cita Otto Schmiedel, no entanto, se analisarmos a nota final, ficaremos a saber que a sua fonte é Rudolf Steiner, um místico.

Licona prossegue fazendo uma analogia em relação ao trabalho de Murdock: “É como alguém alegar que o terrorismo justifica-se, e depois citar 10 terroristas a alegar que o terrorismo é justo. No entanto, isto de maneira alguma serve de apoio à  sua posição de que o terrorismo justifica-se, mas sim que algumas pessoas pensam que sim. Isto indica também que ela não verificou as alegações das suas fontes, mas aceitou-as de modo acritico.”

Mike Licona conclui dizendo que: “…..em termos deste livro ser uma descrição responsável das origens do Cristianismo, isso não tem aproveitamento algum.”

Seria sensato da minha parte não definir de forma abrangente os mitologistas da mesma forma que se define Murdock visto que outros, tais como Price e Carrier, exigem uma maior atenção (embora de maneira nenhuma eles sejam vistos como convincentes pela esmagadora maioria dos estudiosos das disciplinas relevantes). Foi o trabalho de pessoas como Dorothy Murdock que causou a que quase todo o consenso académico virasse as suas costas aos mitologistas.

Motivo 11: Nenhum dos académicos mitologistas é um académico na áreas relevantes sobre as quais eles escrevem.

Antes de levarmos em conta qualquer argumento que os mitologistas colocam sobre as mesas, temos que ficar imediatamente alertas. Temos que perguntar o porquê  de nenhum dos profissionais das áreas relevantes, ou alguém que de facto dê aulas em universidades credenciadas um pouco por todo o mundo, parece defender este ponto de vista radical. Tal como Ben Witherington, Professor de Estudos do Novo Testamento, ressalva: “Nenhum destes autores e fontes é perito na Bíblia, na História Bíblica, no Antigo Médio Oriente, Egiptologia, ou qualquer dos campos relativos….. Eles não são fontes de informação fiáveis sobre as origens do Cristianismo, Judaísmo, ou de qualquer outra coisa relevante para a discussão.”

John Dickson, historiador de Cristianismo antigo e de Judaísmo, declara, “Mas qualquer pessoa que mergulhe superficialmente nas milhares de monografias seculares e nos artigos de revistas profissionais sobre o Jesus Histórico, irá rapidamente descobrir que os mitologistas são vistos por 99% da comunidade académica como ‘discrepantes’, e na periferia da periferia.”

Subsequentemente, Michael Bird, que se encontra no conselho editorial do “Journal for the Study of the Historical Jesus”, como é também um Membro do “Center for Public Christianity”, prossegue dizendo, “Existe uma razão do porquê este ponto de vista só ser mantido por um energético grupinho de ateus periféricos e nunca ser visto como uma possibilidade por parte dum académico experiente e respeitado que trabalhe no campo das Origens do Cristianismo.”

Parece que muitos destes mitologistas são conhecidos por serem ateus, e do grupo de ateus que é vocalmente anti-religião. Será que é por isto que eles são defensores da teoria mitologista? Isto faria sentido, visto que atacar a Pessoa por trás da religião – neste caso, Jesus – é a melhor forma de desacreditá-la. Faço minhas as palavras de Mettinger: “A partir dos anos 30 [do século 20]  . . . gerou-se o consenso de que os “deuses que morrem e ressuscitam” morriam mas não voltavam e nem ressuscitavam. Aqueles que pensam de outra forma são vistos como membros residuais duma espécie quase extinta.”

Motivo 12: O nascimento virginal de Jesus é único.

Um dos muitos eventos que os Cristãos do mundo inteiro celebram é o nascimento de Jesus no dia 25 de Dezembro. Claro que em lugar algum da Bíblia existe a alusão a esta data específica para o nascimento de Jesus; nós pura e simplesmente não sabemos quando foi que Ele nasceu. Mas em relação à singularidade da concepção virginal de Maria, o académico Bíblico Raymond Brown conclui: “Nenhuma busca por paralelos nos forneceu uma explicação satisfatória da forma como os Cristãos primitivos chegaram à ideia da concepção virginal.”

Para aqueles que alegam que Mitra – o deus pagão- – nasceu exactamente da mesma forma que Jesus, Manfred Clauss, professor de história antiga na “Free University of Berlin”, escreveu o seguinte no seu livro ‘The Roman Cult of Mithras‘: “Segundo nos é possível apurar, a sequência de imagens da descrição mitológica da vida e das explorações de Mitra tem início com o nascimento do deus. Neste ponto, as fontes literárias são poucas mas inequívocas: Mitra era conhecido como o deus que havia nascido duma rocha.”

Subsequentemente, depois da sua análise crítica a esta alegação, Louis Matthews Sweet escreve:

Depois dum cuidadoso, laborioso, e ocasionalmente cansativo, estudo das evidências disponibilizadas e das analogias avançadas, estou convencido de que o paganismo não tem conhecimento de nascimentos virginais. Existem muitos nascimentos sobrenaturais, mas nunca duma virgem ao estilo do Novo Testamento, e nunca sem uma geração física  –  excepto em alguns casos isolados de nascimentos mágicos a partir de mulheres cuja virgindade nunca havia sido previamente alegada. Em todos os casos registados que fui capaz de examinar, se a mãe era virgem antes da concepção ter ocorrido, ela não poderia fazer essa alegação posteriormente.

No seu livro ‘The Virgin Birth’, Thomas Boslooper salienta que: “A literatura mundial é prolífica com narrativas de nascimentos pouco usuais, mas ela contém precisamente zero analogias ao nascimento virginal presente em Mateus e Lucas. O “nascimento virginal” de Jesus não é ‘pagão'”. O eminente filósofo e académico do Novo Testamento William Lane Craig escreve: “As histórias dos Evangelhos relativas à concepção virginal não têm, na verdade, paralelos com qualquer outra história do Oriente Próximo.”

O nascimento virginal de Jesus é, se é alguma coisa, explicitamente único, e este facto convenceu a larga maioria dos académicos do campo. Parece que aqueles que alegam o contrário encontram-se em oposição à conclusão mantida pelos académicos do mundo da História.

Motivo 13: A morte e a ressurreição de Jesus tiveram um impacto radical nos Seus discípulos, bem como em muitas pessoas – algo que nenhum deus pagão pode alegar.

Num artigo presente no New York Times, Peter Steinfels – jornalista Americano e educador melhor conhecido pelos seus escritos relativos a tópicos religiosos – questiona o que pode ter alterado de maneira drástica as vidas de tantas pessoas depois da morte de Jesus:

Pouco depois de Jesus ter sido executado, os Seus seguidores foram subitamente galvanizados de um grupo perplexo e encolhido para um grupo cuja mensagem em torno Dum Jesus Vivo e do Seu reino vindouro, pregado com risco para as suas vidas, eventualmente alterou um império. Alguma coisa aconteceu. … Mas o quê?

Até o notável e céptico académico do Novo Testamento, Bart Ehrman, nota que: “Podemos afirmar com certeza absoluta que, algum tempo depois, alguns dos Seus discípulos insistiram … que Ele lhes havia aparecido, convencendo-os de que Ele havia ressuscitado dos mortos.” E.P Sanders escreve que “Segundo o meu julgamento, que os seguidores de Jesus (e mais tarde Paulo) tiveram experiências de ressurreição é um facto. O que eu não sei é o que foi que gerou estes experiências.”

Rudolph Bultmann, tido como um dos mais influentes académicos do Novo Testamento, escreve que: “Tudo o que o criticismo confirmou foi que os primeiros discípulos vieram a acreditar na ressurreição.” Luke Johnson, académico do Novo Testamento na Universidade Emory, prossegue dizendo que “Para gerar o tipo de movimento que o Cristianismo primitivo foi, é preciso que ocorra algum tipo de experiência poderosa e transformadora.”

Dale C. Allision, outro proeminente académico do Novo Testamento e historiador do Mundo Antigo nota que: “Estou certo que os discípulos viram Jesus depois da Sua morte”. O que torna este caso ainda mais convincente é que estes mesmos seguidores, e até os cépticos Paulo e Tiago, seguiram até à morte proclamando que Jesus realmente lhes tinha aparecido (exceptuando João que foi exilado na ilha de Patmos). O que é que pôde alterar de forma tão drástica a vida de tantos homens? Nada disto pode ser atribuído a mitos.”

Motivo 14: A ressurreição dos mortos de Jesus é única.

Como um evento histórico dentro do contexto Judaico do primeiro século, a ressurreição de Jesus é um evento único. Os alegados paralelos que os mitologistas parecem criar entre Jesus e os deuses pagãos são espúrios. Como diz o académico Bart Ehrman, “nada na história deles [Hèrcules e Osíris] fala em morte e ressurreição” e “É verdade que Osíris ‘regressa’ à terra….. Mas isto não é uma ressurreição do seu corpo visto que o mesmo permanece morto. Ele mesmo encontra-se em Hades, regressando ocasionalmete para fazer o seu aparecimento na Terra.”

T.D. Mettinger escreve: “não existiam ideias de ressurreição associadas a Dumuzi / Tammuz” e “A categoria de deuses que morrem e ressuscitam, tal como propagada por  Frazer, ja não pode ser confirmada.” Edwin Yamauchi diz: “não há qualquer ressurreição de Marduk ou de Dionísio …… não houve uma genuína ressurreição de Tammuz.”

Jonathan Z. Smith na ‘The Encyclopaedia of Religion‘ diz: “Não há uma instância histórica não-ambígua duma divindade que morre e que ressuscita.” T.N. Mettinger da Universidade de Lund diz que “Embora estudada favoravelmente segundo o pano de fundo da crença Judaica da ressurreição, a fé na morte e na ressurreição de Jesus retém a sua natureza única dentro da história das religiões. O enigma permanece.”

O professor Ronald Nash acrescenta: “Alegações duma dependência do Cristianismo primitivo em relação ao Mitraísmo foram rejeitadas por diversos motivos. O Mitraísmo não tinha um conceito da morte e da ressurreição do seu deus, e em lugar algum fala dum conceito de renascimento – pelo menos não durante as suas fases iniciais.”

O proeminente teólogo Norman Geisler escreve que existem diferenças enormes nas ressurreições de Osíris e de Jesus:

O único relato conhecido duma deus a sobreviver a morte que predata o Cristianismo é o do deus Egípcio Osíris. Neste mito, Osíris é cortado em 14 bocados, espalhado por todo o Egipto, e mais tarde remontado e trazido de volta à vida por parte da deusa Ísis. No entanto, Osíris não chega a regressar para uma vida física mas permanece como membro do submundo sombrio.…Isto é muito diferente da descrição da ressurreição de Jesus.”

Podemos ver os peritos mais importantes deste campo a ressalvar de forma unânime que os alegados paralelos nem chegam a ser paralelos, mas sim comparações forçadas e espúrias a todos os níveis. Não só isso, mas todos estes alegados deuses pagãos chegaram depois do Cristianismo, e desde logo, os Cristãos da Palestina do primeiro século nunca poderiam ter sido os plagiadores. O único alegado paralelo que precede o advento do Cristianismo primitivo é o do deus Egípcio Osíris, mas como já vimos, e como ressalvou Norman Geisler, não há qualquer ligação lógica entre isso e o Jesus Histórico.

Motivo 15: A noção de Jesus ser uma cópia de Mitras é rejeitada pelos académicos.

Algumas pessoas alegam que Jesus á uma cópia de Mitra, fundamentado as suas alegações  nas comparações que se seguem.

1. Mitra sacrificou-se.
2. Ele ressuscitou.
3. Ele tinha discípulos.
4. Mitra nasceu no dia 25 de Dezembro.
5. Ele foi chamado de “O Messias”.
6. Ele nasceu duma virgem.

Tudo isto é bastante duvidoso visto que pouco se sabe sobre o Mitraísmo (porque nenhum texto foi alguma vez encontrado, e nenhum existe). Tudo que sabemos chega-nos da arqueologia sob a forma de centenas de mithraea que foram descobertas, e sob a forma de escritos de Cristãos e de outros pagãos do 2º e do 3º século.

Segundo: os estudiosos não encontraram evidência clara de Mitraísmo até meados do 1º século, isto é, depois do estabelecimento do Cristianismo. Logo, os Cristãos primitivos nunca poderiam ter copiado coisa alguma visto não existia nada para copiar.

Terceiro: as comparações são espúrias a todos os níveis. Para começar, Mitra não se sacrificou de maneira nenhuma e ninguém sabe de forma exacta SE ou COMO foi que ele morreu. Os académicos parecem acreditar que Mitra foi morto por um touro e esta matança por parte do touro parece ser a fonte do ritual Mitraísta conhecido como o  taurobolium – a matança do touro e a permissão de se deixar que o sangue ensope o adorador.

Diga-se de passagem que podem existir paralelos entre este ritual e o sacrifício de animais Judaico, ou a Eucaristia Cristã, mas a referência mais antiga a este ritual é datado de meados do 2º século, e estas comparações, mesmo que estejam certas, são mais recentes que o Cristianismo. Como salientou Ronald Nash: “De facto, existem evidências inscripturais provenientes do 4º século AD que, longe de terem influenciado o Cristianismo, aqueles que usavam o taurobolium foram influenciados pelo Cristianismo.”

Da mesma forma que não temos qualquer evidência de Mitra a morrer, também não temos qualquer evidência dele a ressuscitar – especialmente não da mesma forma que Jesus ressuscitou. A alegação de que Mitra tinha discípulos está incorrecta; não existem evidências dele ter existido como figura histórica, e não existem evidências dele alguma vez ter tido discípulos. Ele era visto como um deus e não como um ser humano.

Quarto: Mitra não nasceu duma virgem (a menos que olhemos para as rochas como virgens). Tal como Clauss, professor de História Antiga na “Free University of Berlin” explicou no seu livro ‘The Roman Cult of Mithras‘: “Segundo podemos saber, a sequência de imagens provenientes da descrição mítica da vida e explorações de Mitra têm início no nascimento do deus. Neste ponto as fontes são escassas mas inequívocas: Mitra era conhecido por ser um deus nascido duma rocha.”

Quinto: Encorajo qualquer pessoa a avançar-me com evidências de Mitra a ser chamado de “Messias” visto que não existem evidências em favor desta alegação. Tal como  concluiu Gary Lease, Professor na Universidade da Califórnia: “Depois de quase 100 anos de trabalho incessante, a inevitável conclusão é de que nem o Mitraísmo nem o Cristianismo foram uma influência óbvia e directa um para o outro”.

O académico Edwin Yamauchi salienta: “Não sabemos nada sobre a morte de Mitra…. Temos muitos monumentos, mas quase nem temos evidências textuais devido ao facto desta ser uma religião secreta. Mas não conheço referência alguma a uma suposta morte e ressurreição.”

Motivo 16: A noção de Jesus ser uma cópia de Hórus é rejeitada pelos académicos, e eis o porquê.

Algumas pessoas alegam que Jesus é um cópia de Hórus, avançado com as comparações que se seguem:

1. Hórus nasceu no dia 25 de Dezembro
2. Mary [Maria], a Mãe de Jesus, é uma cópia do relato de Hórus.
3. Hórus nasceu duma virgem.
4. Três sábios vieram adorar o “salvador” recém-nascido.
5. Era um salvador.
6. Tornou-se num professor com a idade de 12 anos.
7. Tal como Jesus, Hórus foi “baptizado”.
8. Teve um “ministério”.
9. Teve 12 “discípulos”.
10. Foi crucificado, esteve enterrado durante 3 dias, e foi ressuscitado depois de 3 dias.

Hórus nasceu no mês de Khoiak, que seria equivalente a Outubro ou a Novembro, e certamente que não seria o dia 25 de Dezembro tal como alegam os mitologistas. É importante salientar que nós não sabemos quando foi que Jesus nasceu, e quase de certeza que não foi no dia 25 de Dezembro. Consequentemente, este alegado “paralelo” tem que ser rejeitado imediatamente.

Segundo: Hórus teve como mãe Isis, e não há qualquer menção dela alguma vez vir a ser chamada de “Mary” por alguém, em parte alguma. Pior ainda para quem usa isto como paralelo é o facto de “Mary” ser a forma Anglicizada do seu verdadeiro nome, que é na verdade Miryam or Miriam; desde logo, “Mary” não foi usado nos manuscritos originais.

Terceiro: Isis não era virgem, mas sim a viúva de Osíris com quem havia concebido Hórus. O que lêmos é que “[Isis] causou a que se levantasse o desamparado membro [pénis] daquele cujo coração estava amparado, ela extraiu dele a sua essência [esperma], e ela fez daí que surgisse um herdeiro [Hórus].(Encyclopaedia Mythica)

Quarto: Não há qualquer registo de três reis a visitar Hórus aquando do nascimento deste último. Isto torna-se ainda mais erróneo se levarmos em conta que os relatos do Evangelho nunca declaram o número de reis que vieram ver Jesus aquando do Seu nascimento. Este paralelo provavelmente é mais uma criação da mente do mitologista visto que não podemos esquecer que, quando Ele nasceu, foram oferecidos a Jesus três presentes distintos (ouro, incenso e mirra), e desde logo, ele [o mitologista] conclui que eram três reis. Sugiro a qualquer pessoa que leia os Evangelhos em Mateus 2:1-12.

Quinto: Hórus não era de maneira alguma um salvador, e ele nem chegou a morrer pelos outros como Jesus fez.

Sexto: Desafio qualquer pessoa a encontrar uma única evidência de Hórus a ser identificado como professor com a idade de 12 anos; não há, e nenhum académico encontrou alguma.

Sétimo: Hórus não foi “baptizado” – pelo menos não da forma como Jesus foi baptizado por João Baptista no Rio Jordão. O único relato de Hórus que envolve água é aquela onde Hórus é despedaçado, o que levou a Isis a requisitar ao deus-crocodilo que o pescasse das águas. Soa mesmo como o baptismo, certo?

Oitavo: Não temos evidência alguma de Hórus a ter um “ministério”, especialmente não um como o de Jesus.

Nono: Hórus não tinha 12 discípulos. Segundo os dados, Hórus tinha 4 semi-deuses que o seguiam, e existem alguns indícios de 16 seguidores humanos e um número desconhecido de ferreiros que foram para a guerra com ele. Devido a isto, eu pergunto: onde estão esses “12 discípulos”?

Décimo: existem várias descrições da forma como Hórus morreu, e nenhuma delas envolve uma crucificação.

Por fim: Não temos qualquer registo de Hórus a ser enterrado durante 3 dias, e também não temos qualquer registo de Hórus a ressuscitar – pelo menos não na forma Corporal como Jesus.  Não há qualquer registo de Hórus a sair do túmulo com o mesmo corpo com que foi enterrado. Alguns relatos falam de Hórus/Osiris a ser trazido de volta para a vida e tornando-se posteriormente o senhor do submundo.

Todos estes alegados paralelos são, na melhor das hipóteses, espúrios. Encorajo todas as pessoas que lêem este texto a separarem uma hora das suas vidas para pesquisar a discussão Hórus-Jesus. Acabarão por ficar a coçar a cabeça tal como aconteceu comigo.

Motivo 17: A noção de que Jesus é uma cópia de Dionísio foi rejeitada pelos estudiosos, e eis porquê.

Algumas pessoas alegam que Jesus é uma cópia de Dionísio, e listam os seguintes paralelos:

1. Dionísio nasceu duma virgem.
2. Ele nasceu no dia 25 de Dezembro.
3. Transformou água em vinho.

O ponto 2 pode ser imediatamente colocado de parte porque não sabemos quando foi que Jesus nasceu. De qualquer forma, Dionísio está associado ao regresso sazonal da Primavera.

Segundo: Existem duas histórias comuns em relação ao nascimento de Dionísio. Uma envolve o deus Zeus – que é o seu pai – a engravidar uma mulher mortal com o nome de Semele, ou a engravidar Perséfone (Rainha Grega do submundo). Isto não está relacionado com um nascimento virginal. Na outra narrativa não só não há qualquer nascimento virginal, como ela parece ter sido copiada da Bíblia visto que está a descrever o que o Livro de Génesis havia dito milhares de anos antes. Nesta narrativa do nascimento de Dionísio é descrita a presença de anjos caídos e deles a engravidar mulheres humanas.

Portanto, quem é que está a copiar?

Todos nós estamos familiarizados com a história de Jesus a transformar água em vinho, mas será isto uma cópia do deus Dionísio? Primeiro, Dionísio deu ao Rei Midas a capacidade de transformar em ouro o que quer que ele tocasse. Semelhantemente, ele deu às filhas do Rei Anius o poder de transformar em vinho, milho ou óleo tudo o que elas tocassem. Mas nada disto pode ser surpreendente visto que Dionísio era o deus do vinho. No entanto, existem histórias de Dionísio a preencher de modo sobrenatural  vasos vazios com vinho, mas o acto explícito de transformar água em vinho não ocorre.

Motivo 18: A noção de Jesus ser uma cópia de Krishna foi rejeita pelos estudiosos, e eis o porquê.

Alguns alegam que Jesus é uma cópia de Krishna, listando as comparações que se seguem:

1. Krishna nasceu duma virgem.
2. Ocorreu um massacre infantil.
3. Havia uma estrela no Oriente que orientou os sábios até ao seu local de nascimento.
4. Krishna foi crucificado.
5. Ele ressuscitou.
6. O pai de Krishna era um carpinteiro, tal como o pai de Jesus.

Para começar, nenhum nascimento virginal é alguma vez atribuído a Krishna. De facto, antes dele, os seus pais tiveram sete filhos. Alguns mitologistas alegam que Krishna nasceu da virgem Maia, no entanto o que nós apuramos é que isto está incorrecto visto que, segundo os textos Hindus, Krishna é o sétimo filho da Princesa Devaki e do seu marido Vasudeva.

Nos Evangelhos, vêmos que  o Rei Herodes sentiu-se ameaçado com o nascimento de Jesus. e devido a isso, recorreu à matança dos bebés de Belém. Será isto uma cópia duma narrativa relativa a Krishna? O que ficamos a saber é que os seis filhos prévios de Devaki foram assassinados pelo seu primo – o Rei Kamsa – devido a uma profecia que antecipava a sua [do Rei Kamsa] morte pela mão dum dos filhos de Devaki. Esta narrativa diz que Kamsa apenas atacou os filhos de Devaki e que nunca emitiu uma ordem de matança aos bebés do sexo masculino – totalmente diferente dos relatos dos Evangelhos. Eis o que ‘Bhagavata, Bk 4, XXII:7‘ diz:

E portanto, seis filhos nasceram de Devaki e também Kamsa matou estes seis filhos consecutivamente à medida que eles iam nascendo.

Terceiro: o que dizer da estrela e dos sábios? Isto é logicamente uma falácia visto que Krishna nasceu numa prisão e não num estábulo; os seus país deram-lhe à luz em segredo.

Algumas pessoas chegaram a alegar que Krishna foi crucificado tal como Jesus foi, mas a crucificação não chega a ser mencionada uma única vez no texto Hindu. No entanto, é-nos dita a forma exacta como Krishna morreu. A narrativa diz que ele estava a meditar na floresta quando foi acidentalmente atingido no pé pela seta dum caçador.

E a ressurreição? Antes de mais, convém ressalvar que não temos qualquer tipo de evidência de que Krishna desceu ao túmulo durante 3 dias, voltando mais tarde a aparecer a várias testemunhas como Jesus – paralelo que os mitologistas dizem que existe. Em vez disso, o relato diz que Krishna regressa imediatamente à vida, e que ele fala só para o caçador como forma de o perdoar pelas suas acções.

Independentemente disso, existem diferenças óbvias entre a ressurreição de Jesus e os aparecimentos de Krishna ao caçador que o matou:

• A ressurreição de Jesus derrotou o poder do pecado e da morte; a ressurreição de Krishna não teve efeito real nenhum sobre a humanidade.

• Jesus apareceu a aproximadamente 500 testemunhas no Novo Testamento; Krishna só apareceu ao caçador.

• Jesus ressuscitou dos mortos 3 dias mais tarde; Krishna regressou imediatamente para a vida.

• Jesus não ascendeu imediatamente ao Céu mas fê-lo depois da Grande Comissão; Krishna “ascendeu” imediatamente para a vida depois da morte.

• Jesus sabia o que estava em vias de acontecer; Krishna não sabia antecipadamente os detalhes sobre a sua morte.

• Jesus ascendeu para um domínio físico (Céu); Krishna transcendeu para um estado mental (ou região inconcebível). Os conceitos de Céu (Cristianismo) e Nirvana (Hinduísmo) são muito distintos.

Por fim, era o pai de Krishna, Vasudeva, um carpinteiro tal como o era o pai Terreno de Jesus? De facto, é verdade que se diz que o pai de Krishna era também um carpinteiro, mas nada disto está evidente dentro dos textos Hindus. O que nos é dito é que Vasudeva era um fidalgo na corte de Mathura visto que ele era casado com a Princesa Devaki. No entanto, quando Krishna fugiu da ira de Kamsa com os seus pais adoptivos, é-nos dito que o seu pai-adoptivo – Nanda – era um pastor de vacas:

Tu és o mais amado de Nanda, o Pastor de Vacas (Bhagavata, Bk 8, I, pg 743).

Motivo 19: A noção de que Jesus é uma cópia de Átis é rejeitada pelos académicos, e seguidamente vamos ver o porquê.

Algumas pessoas alegam que Jesus era uma cópia de Átis, citando as seguintes comparações:

1. Átis nasceu duma virgem
2. Nasceu no dia 25 de Dezembro.
3. Foi crucificado.
4. Ressuscitou.

Antes de alguma coisa ser levada em consideração, os relatos que temos de Átis são muito abrangentes e, como tal, não são muito fiáveis. De qualquer forma, podemos ver que Átis não nasceu duma virgem. De facto, segundo esta lenda, Agdistis surge da Terra como descendente de Zeus. Agdistis dá à luz o Rio Sangario que gera a ninfa, Nana, que ou tem um amêndoa junto ao seu peito e engravida da amêndoa, ou se senta por baixo duma árvore onde uma amêndoa cai no seu colo e engravida-a.

Mais tarde, Nana abandona a criança que é, então, criada por uma cabra. Somos levados a assumir que Átis foi concebido a partir duma semente de amêndoa que caiu duma árvore como consequência do sémen derramado de Zeus – e não um nascimento virginal.

Mais uma vez, e tal como dito repetidamente, o dia 25 de Dezembro não tem qualquer significado visto não sabermos quando foi que Jesus nasceu, e desde logo, qualquer paralelo não pode ser, logicamente, um paralelo pagão.

Terceiro: o que dizer da crucificação? Mais uma vez podemos ver que este é um paralelo falso uma vez que Átis castra-se a si mesmo por baixo duma árvore e morre de se esvair em sangue até à morte. Átis castrou-se depois de ter sido enlouquecido antes do seu casamento com Agdists. Subsequentemente, o seu sangue flui pelo chão (proveniente do seu pénis cortado) e gera um trecho de violetas. De que forma é que crucificação é aludida aqui?

Quarto: Será que Átis ressuscitou tal como Jesus ressuscitou? Existem relatos distintos em relação a isto. Numa das narrativas ficamos a saber que Agdistis é sobrepujada de remorso pelo que fez (ter causado a que Átis se castra-se e morresse devido a isso), e como tal, pede a Zeus que preserve o corpo de Átis de forma que ele nunca entre em decomposição. Onde está a ressurreição?

Noutro relato, Agdistis e a Grande Mãe Terra carregam o pinheiro de volta para a caverna onde ambas choram a morte de Átis. Não só não ocorre ressurreição alguma, como temos também o facto das histórias em torno duma ressurreição só surgirem muito mais tarde quando Átis é transformado num pinheiro. Ser transformado num pinheiro é diferente de Jesus ressuscitar fisicamente dos mortos. Actualmente, é por demais óbvio que Jesus não é uma cópia do deus pagão Átis.

Motivo 20: A noção de Jesus ser uma cópia de Buda (Gautama) é rejeitada pelos académicos, e seguidamente vamos ver o porquê.

Algumas pessoas alegam que Jesus é uma cópia de Buda, fornecendo as seguintes comparações como evidência:

1. Buda nasceu duma virgem.
2. Aquando do nascimento de Buda, estavam presentes alguns sábios.
3. Foram oferecidos (como presentes) ouro, incenso e mirra.
4. Buda nasceu no dia 25 de Dezembro.
5. Buda era de descendência real, tal como Jesus.
6. Buda foi crucificado.

Antes de mais, Buda não nasceu duma virgem mas sim de Suddhodana e da sua esposa de 20 anos, Maya. Outro motivo para se rejeitar a alegação de que Maya era virgem é devido ao facto dela ser a esposa favorita do rei.  Os “Actos de Buda” revelam Maya e o seu marido Suddhodana a ter relações sexuais (“os dois experimentaram as delícias do amor…..”).

Segundo: parece não haver qualquer menção a sábios nos textos Budistas, e nem parece haver menção a presentes específicos (ouro, incenso e mirra). O que é, no entanto, mencionado nos escritos pós-Cristianismo é que os deuses (e não sábios) deram a Gautama sândalo, chuva, nenúfares, e flores de lótus como presentes – que são símbolos Budistas que não estão minimamente relacionados com o Cristianismo. Isto não é minimamente surpreendente visto que na cultura Budista os nascimentos reais são frequentemente celebrados com festivais e com ofertas.

Mais uma vez, não sabemos quando foi que Jesus nasceu, e como tal, não pode existir um paralelo. No entanto, e a quem interessar, o nascimento de Buda é celebrado pelos seguidores no mês primaveril de Vesak.

Ao contrário de Jesus, Gautama era um descendente real directo nascido numa situação privilegiada, enquanto que Jesus era um Descendente Distante do Rei David nascido na pobreza; eles são fundamentalmente opostos.

Não parece existir qualquer tipo de menção a uma crucificação em qualquer fonte Budista, De facto, é-nos dito que, a verdade, Gautama morre de causas naturais com 80 anos. Os seus seguidores acompanham-no até a um rio e dão-lhe uma cama:

‘Sejam suficientemente bondosos e estendam uma cama para mim…. visto que estou cansado e quero deitar-me…..’ Então [Buda] caiu num profundo sono de meditação, e atravessou as quatro jhanas e entrou no Nirvana.

Motivo 22: A noção de Jesus ser uma cópia paralela de Zoroastro é rejeitada pelos académicos, e eis aqui o porquê.

Algumas pessoas alegam que Jesus é uma cópia de Zoroastro, e avançam com os seguintes paralelos:

1. Zoroastro nasceu duma virgem.
2. Foi tentado no deserto.
3. Deu início ao seu ministério com a idade de 30 anos, tal como Jesus.
4. Sacrificou-se pelos pecados da humanidade.

Não há qualquer menção a uma nascimento virginal nos textos Zoroastrianos, e os eventos em torno do nascimento de Zoroastro não parecem ter qualquer tipo de relação com Jesus. De facto, existem duas narrativas em torno do seu nascimento. Numa das narrativas, os pais de Zoroastro – Dukdaub e Pourushasp – são um casal normal que concebeu através de métodos naturais. É dito que Zoroastro riu-se aquando do seu nascimento, como também é dito que ele tinha em redor dele uma aura visível e brilhante:

[Zoroastro] havia chegado à posterioridade..…que são Pourushasp, o seu pai, e Dukdaub, que é a sua mãe. E também no momento em que ele estava nascer, e durante a sua vida, ele produziu um esplendor, uma incandescência e um brilho a partir do lugar da sua habitação. (Denkard, Bk 5 2:1-2)

Noutra narrativa, que é um texto mais tardio, é acrescentado um embelezamento por parte dos seus seguidores Zoroastrianos. Nesta narrativa, é-nos dito que Ahura Mazda (a principal divindade do Zoroastrianismo) implantou a alma de Zoroastro na planta sagrada Haoma e através do leite da planta Zoroastro nasce. Em parte alguma o nascimento virginal está presente.

Mas será que Zoroastro foi também tentado por um espírito maligno como forma de renunciar a sua fé através da promessa de receber poder sobre as nações tal como Jesus foi? Esta história é evidente em Vendidad, um texto Zoroastriano que lista a leis relativas aos demónios. No entanto, este texto foi escrito muito depois da Vida de Jesus – cerca de 250 a 650 AD. Devido à sua data tardia, os Cristãos primitivos nunca poderiam ter copia algo presente nestes textos. De qualquer das formas, o que nós lêmos é muito parecido com os 40 dias no deserto por parte de Jesus. Em ‘Vendidad Fargad 19:6‘ lêmos:

E o Criador do mundo maligno, Angra Mainyu, disse-lhe: ‘Não destruas as minhas criaturas, Ó santo Zaratustra… Renuncia à boa Religião dos adoradores de Mazda, e  obterás um benefício tal…..como o governante das nações.’

Tal como Jesus, acredita-se que Zoroastro começou a ensinar com a idade de 30 anos. Embora tecnicamente Zoroastro tenha saído da sua reclusão e tenha dado início aos seus ensinamentos quando tinha 30 anos de idade, ele foi evitado e ignorado durante 12 anos até que a sua religião foi aceite pelo Rei Vishtaspa. No entanto, a narrativa em redor de Jesus varia de modo considerável; Jesus atraiu seguidores instantaneamente.

Acredita-se que Zoroastro foi morto quando tinha 77 anos enquanto que Jesus foi Morto quando tinha 33 anos. Isto torna-se ainda mais espúrio quando se sabe que Zoroastro só é mencionado em textos mais tardios datados de 225 AD – isto é, quase 200 anos depois do Cristianismo já estar em circulação. Logo, quem copiou quem? Certamente que não foram os Cristãos primitivos.

Por fim: foi a morte de Zoroastro espiritualmente significativa? Acredita-se que Zoroastro foi morto quando tinha 77 anos depois de ter sido chacinado por invasores Turanianos num dos altares dum dos seus templos, mas este aspecto da sua vida é motivo de debate entre os estudiosos. De qualquer das formas, a sua morte nunca foi vista como expiação de pecado ou vista de alguma forma espiritual.

Motivo 23: Resumidamente, a crucificação de Jesus é única, quando comparada a outras divindades.

No seu livro ‘The World’s Sixteen Crucified Saviors’, Kersey Graves lista os nomes das divindades que se seguem como se tivessem sido divindades crucificadas (o que, desde logo, implica que a crucificação de Jesus é pagã). Iremos agora analisar estas “crucificações” para ver se elas são realmente crucificações. Se, na verdade, elas foram crucificações, então temos que compará-las com a crucificação de Jesus e ver se é a mesma coisa.

Mitra – Foi levado, vivo, para o céu numa carruagem; isto não é uma  crucificação.

Bali – Existem vários relatos sobre a sua morte. Uma delas diz que ele foi fisicamente forçado para o submundo depois de ter sido enganado por Vamana, um avatar de Vishnu. Noutros relatos, diz-se que Bali foi libertado e foi feito membro da realeza. Nenhuma crucificação ocorre em ambos os relatos

Rómulo – Ele não foi crucificado, mas diz-se que ele foi levado para o céu ainda vivo.

Quirino – Não existem registos dele a morrer.

Iao e Wittoba – Não parece existir informação relativa à morte destes duas figuras nas fontes originais.

Orfeu – Ele não foi crucificado mas diz-se que foi morto por uma das bacantes frenéticas de Dionísio depois de se recusar a adorar outro deus que não Apolo.

Bel – Ele é frequentemente associado a Zeus, e não existem registos que pareçam indicar a sua morte.

Prometeu – Ele foi acorrentado a uma montanha como castigo por parte de Zeus e diariamente  uma águia comia o seu fígado. Mais tarde, Hércules libertou-o. Não houve crucificação.

Indra – Existem relatos distintos da morte de Indra. Num dos relatos ele foi engolido vivo por uma serpente chamada Vritra, que mais tarde o cospe a mando dum dos deuses. Uma vez que Indra foi salvo pelos deuses, não houve morte e nem crucificação.

Dionísio – Não houve crucificação; em vez disso, ele foi comido vivo pelos Titãs durante a sua infância.

Esus/Hesus – Os seus seguidores iriam participar em sacrifícios humanos enforcando as vítimas nas árvores depois da evisceração. Não há qualquer menção a uma crucificação.

Átis – Sangrou até a morte depois de se castrar.

Alcestis – Ela concorda em morrer pelo seu marido depois deste último ter feito um acordo com os deuses. Quando chega o momento, diz-se que Alcestis se encontra na sua cama. Os deuses ficam tocados com a sua devoção, ficam com pena dela, e reunem-na com o seu marido. Não há indicação duma crucificação.

Tammuz – Ele foi alegadamente morto por demónios enviados por Ishtar depois dela o ter encontrado no trono dela. Não há cruficificação.

Krishna – Como vimos em cima, sabemos que Krishna não foi crucificado visto que ele foi atingido no pé por uma seta no preciso momento em que meditava.

Osiris – Ele foi enganado por Set, selado dentro dum cofre, e largado no Rio Nilo. O método de crucificação nem sequer havia sido inventado por esta altura.

Questzalcoatl – Ele nunca foi crucificado. Numa das narrativas, ele imolou-se devido à culpa que sentia por ter dormido com uma sacerdotisa celibatária.  Noutra narrativa é-nos dito que ele foi queimado vivo com um fogo enviado pelos deuses.

Em conclusão:

Sou de opinião de que o prego foi espetado de forma bem profunda no caixão do mitologista. O que nós vêmos nos argumentos dos mitologistas são paralelos espúrios que são todos duma época posterior ao Cristianismo. Devido a isso, não é possível  que os Cristãos tenham copiado o que quer que seja, sendo até mais provável (tal como observamos explícitamente no caso de Zoroastro) que as religiões pagãs secretas tenha copiado de Jesus.

Temos também o caso da vasta maioria dos estudiosos das áreas de especialização relevantes não verem qualquer paralelo entre o Jesus da História e as religiões secretas. Não só os académicos vêem isso, mas salientam também que o Jesus Histórico é Uma Personagem Histórica Única, e que olhar para Ele através do contexto Judaico do 1º Século faz com que qualquer interpolação de paralelos pagãos muito pouco provável.

Os Judeus não só eram monoteístas rigorosos, como moldavam a sua comunidade segundo esta crença. Vêmos também nos Evangelhos que não só os Judeus tinham uma opinião muito negativa dos pagãos Romanos, como também que durante o período do Antigo Testamento olhavam para as religiões pagãos circundantes como repugnantes. Isto leva-nos a ver que estas pessoas eram muito pouco susceptíveis de incorporar elementos pagãos no seu sistema de crenças.

Vimos também que se Jesus é um cópia pagã, Ele seria muito mais previsível, coisa que Ele não é; Ele é totalmente Único no Seu ministério e no impacto que Ele teve no mundo.

Estes são apenas alguns dos motivos que fazem com que os argumentos dos mitologistas estejam mortos e enterrados, estado em que já estão há muito tempo. Tal como escreveu Mettinger a dada altura, “Começando nos anos 1930……desenvolveu-se um consenso de que “deuses que morrem e ressuscitam” morriam mas já não voltavam à vida. Aqueles que pensam de maneira distinta são vistos como membros residuais duma espécie quase extinta..”

Recursos adicionais:  Mike Licona vs. Dorothy Murdock  (Revisão do debate)

http://goo.gl/WjtdcN

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A datação por carbono confirma os “milhões de anos”?

Por John D. Morris, Ph.D.

DiamanteÉ bem provável que nenhum outro conceito seja tão mal entendido na ciência como a “datação por carbono”. A maioria das pessoas acredita que a datação por carbono confirma que a Terra tem milhões ou milhares de milhões de anos, mas a realidade dos factos é que este tipo de datação não pode ser usado para as rochas e nem para os fósseis, mas pode ser útil em formas de vida que ainda tenham carbono dentro de si (carne, ossos ou madeira). Uma vez que as rochas e os fósseis são compostos unicamente por material inorgânico, eles não podem ser datados segundo este método de datação.

O carbono normalmente ocorre como Carbono-12, mas o radioactivo Carbono-14 pode por vezes ser formado na atmosfera externa à medida que o Nitrogénio-14 sofre bombardeamento de raios cósmicos. O resultante C-14 é instável e entra em decaimento de volta para N-14 com uma meia-vida medida na ordem dos (aproximadamente) 5,730 anos. Consequentemente, o rácio do C-12 estável para o instável N-14, que é conhecido no ambiente aberto actual, altera com o passar do tempo dentro das espécies isoladas.

Consideremos a datação dum pedaço de madeira. Enquanto a árvore estiver viva, ela absorve o carbono proveniente da atmosfera sob a forma de dióxido de carbono – tanto o C-12 como o C-14. Mal a árvore morre, ela pára de absorver novas quantidades de carbono, e o C-14 que se encontre presente entra em decaimento. O rácio da mudança de C-12 para C-14 indica a duração temporal desde que a árvore parou de absorver carbono, isto é, desde o momento em que morreu.

Obviamente que se metade de C-14 decai no espaço de 5,730 anos, e mais outra metade noutros 5,730, depois de 10 meias-vidas (57,300) já não existiria quase nenhum traço de C-14. Logo, ninguém considera usar a datação por carbono para datas com estes intervalos. Teoricamente, esta datação pode ser útil para a arqueologia, mas não para a geologia ou a paleontologia.

Para além disso, as pressuposições sobre as quais assenta esta datação, e as condições que têm que ser satisfeitas, são altamente duvidosas; em práctica, ninguém confia neste método para datas que estão para além dos 3,000 ou 4,000 anos – e mesmo assim, só se ela poder ser confirmada através de outro método histórico.

Entre outras coisas, este método assume que a idade da Terra excede o tempo que demoraria para que a produção do C-14 esteja em equilíbrio com o decaimento do C-14. Uma vez que só seriam precisos 50,000 anos para se atingir o equilíbrio (a partir dum mundo onde inicialmente não existia nenhum C-14), esta pressuposição parecia ser boa. Mas esta crença só durou até que as aferições tivessem começado a revelar desequilíbrios significativos.

As taxas de produção ainda excedem o decaimento em cerca de 30%. Segundo as actuais taxas de produção e acumulção, todo o C-14 actual iria acumular em menos de 30,000 anos! Isto significa que a atmosfera não pode ser mais antiga que isto. Os esforços que visam salvar a datação por carbono são muitos e variados – com curvas de calibração a tentar harmonizar as “datas” de C-14 com as datas históricas – mas previsivelmente estes esforços produzem resultados altamente suspeitos.

Um tipo de pensamento de-regresso-a-Génesis insiste que o Dilúvio que ocorreu nos dias de Noé teria removido uma grande parte do carbono que existia na atmosfera e nos oceanos, especialmente à medida que o calcário (carbonato de cálcio) era precipitado. Mal os processos do Dilúvio terminaram, o C-14 lentamente começou a acumular rumo ao equilíbrio com o C-12 (uma acumulação que ainda não está completa).

Portanto, a datação por carbono não nos diz nada sobre os milhões de anos, e frequentemente exibe falta de precisão com espécimes históricos, negando da forma que nega o grande Dilúvio. Na verdade, o seu desequilíbrio aferido aponta para tal evento catastrófico que ocorreu a não muitos anos atrás.

http://goo.gl/Ma4Y0K

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O Cristão que coloca que em causa a linha temporal Bíblica devido aos mitológicos “milhões de anos”, está a operar sobre uma plataforma que os próprios evolucionistas ateístas sabem não ser fiável. Se os inimigos de Deus não confiam na precisão desses “métodos de datação”, porque é que um Cristão iria duvidar da Palavra de  Deus quando esta diz que o universo foi construído no espaço de seis dias normais?

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O vôo do ganso e a irrelevância da teoria da evolução

Por Evolution News & Views

Subir o Monte Evereste é um dos desafios físicos mais duros para o ser humano. Imagine-se chegar ao topo da montanha e ser recebido por um bando de gansos a voar por cima das nossas cabeças. Se por acaso viram o filme Flight: The Genius of Birds, é provável que se lembrem dos registadores de dados [“data loggers”] que apuraram a migração de Pólo a Polo da andorinha do Mar Ártico.

Cada vez mais os pesquisadores estão a usar estes engenhos nos animais migratórios como forma de descobrir os seus segredos. Uma das experiências mais recentes revelou alguns segredos surpreendentes dos gansos com faixa Asiático.

GansoEstes gansos, mais pesados que 98% das aves, voam duas vezes por ano sobre os Himalaias sob condições que seriam letais para os seres humanos. Esta pesquisa, reportada na Science, foi entusiasticamente recebida pelos repórteres visto que ela envolve um espectacular passeio numa “montanha russa” sobre a mais elevada montanha da Terra. Isso, sim, é um passeio emocionante.

Uma equipa internacional de investigadores liderada por C.M. Bishop (Universidade Bangor – Reino Unido) equipou sete gansos com registadores de dados que documentaram a temperatura, a pressão, a aceleração e a frequência cardíaca das aves à medida que elas voavam durante 391 horas sobre a montanhas. Os investigadores não sabiam bem o que esperar:

 Embora um dos gansos tenha sido directamente registado quando ele se encontrava à 7,290 metros de altura durante alguns breves momentos, nenhuma aferição da performance fisiológica e biomecânica do seu vôo havia alguma vez sido feito na natureza.

Pode-se pensar que as aves voam a estas elevadas alturas como forma de economizar a sua energia, mas isso haveria de as colocar rodeadas de ar excepcionalmente frio e rarefeito, o que iria causar a que os seus músculos se vissem privados de oxigénio. Pode-se pensar também que as aves voam tão alto como forma de minimizar o batimento das asas e, consequentemente, economizar energia.

As aves enganaram os cientistas ao aproveitarem-se da estratégia “montanha-russa” que, embora exija mais batimento de asas, na verdade conserva mais energia. Num curto resumo dos dados presente na Science, Sacha Vignieri explica:

A migração animal disponibiliza numerosos exemplos de proezas espantosas. Espantosa entre estas é a imigração do ganso-de-cabeça-listrada através das Montanhas dos Himalaias, que atinge alturas na ordem dos milhares de metros. Bishop et al. monitorizaram remotamente a frequência cardíaca, os movimentos e a temperatura corporal das aves durante a migração. O ganso “abraçou” as formas geográficas aproveitando-se das formas e dos padrões de vento. Esta estratégia inesperada economiza energia, embora isso signifique que o ganso tenha que, repetidamente, perder e recuperar altitude.

Este “comportamento inteligente” que permite que as aves “conquistem altitudes que o homem nunca poderá atingir sem ser com um avião” é descrito mais ainda por Elisabeth Pennisi na Science:

Para os seres humanos, o vôo transcontinental sem motores a jacto, sem cabines pressurizadas, e sem dezenas de milhares de quilogramas de combustível é algo quase  impensável.  Mas todos os anos, o ganso-de-cabeça-listrada voa da Mongólia para a Índia e de volta para a Mongólia, atravessando as montanhas mais elevadas do mundo munido apenas com as suas asas e pouca gordura corporal extra. Os pesquisadores ficaram a saber agora a forma como estas aves com 3 quilos fazem a sua viagem. Em vez de voarem em altas altitudes durante todo o seu vôo, estes gansos seguem o terreno, aproveitando-se dos ventos ascendentes para recuperar a altitude necessária.

Uma das aves foi medida a descer 1000 metros em apenas 20 minutos, e seguidamente a ascender 2000 metros durante a hora e meia seguinte. Este viagem louca, com as suas subidas gritantes e descidas aceleradas, deve ser tremendamente aventurosa para os gansos. Imaginem fazer com que um deles use um câmara GoPro durante o seu vôo.

Mas isto não é um parque de diversões visto que as aves imigram para sobreviver e para se reproduzirem. Como é que elas respiram estando elas imersas nesse tipo de ar?

Os dados fisiológicos explicam o porquê. Quando elas se encontram a voar em elevadas altitudes, as aves batem as suas asas não só de forma mais rápida, mas também de forma mais profunda (para cima e para baixo) como forma de se manterem no ar. O aumento da frequência do batimento das asas aumenta de modo exponencial a frequência cardíaca – que por vezes chega aos 450 batimentos por minutos – e a energia necessária.

Nas elevações mais baixas, onde o oxigénio é mais abundante, o batimento cardíaco é bem menor – cerca de 300 batimentos por minuto – e a energia necessária é muito menor, o que faz com que as descidas valham a pena. Mesmo quando elas estão a subir, muitas vezes elas não têm que se esforçar tanto como têm que se esforçar para manter o nível de vôo quando estão bem lá em cima. Bishop afirma que aparentemente elas “montam-se” nos ventos desviados do solo como forma de recuperar a elevação perdida

Como resultado, durante toda a sua viagem a média do batimento cardíaco é de 330 batimentos por minuto, revelando que “durante a maior parte do tempo estas enormes aves voaram bem longe da sua capacidade fisiológica máxima, apesar das condições extremamente difíceis”, escreve Bishop.

A BBC disponibilizou fotos das aves no seu habitat natural juntamente com os dados recolhidos da reportagem, e exibiu também um pequeno vídeo dos gansos em acção.  Para além das suas marcas, estes gansos parecem-se com a espécie presente no filme Flight na secção dos músculos de vôo. Ao contrário de muitas aves, os gansos listrados não pairam. Numa medição, alguns gansos listrados foram vistos a bater as asas constantemente durante 17 horas.

Bater as asas é uma actividade energeticamente intensa e, em altitudes elevadas, é ainda mais complicado gerar uma elevação no meio de ar tão fino e de densidade tão baixa.

Bishop diz ainda que, “Os gansos não treinam e nem se aclimatam. Eles poderiam muito bem andar no topo do Monte Evereste e não ter qualquer tipo de problema.” Ele espera também que estudos genéticos possam revelar como é que os gansos-de-cabeça-listrada conseguem fazer isso.

Este é mais um exemplo espectacular da migração animal. Um pouco por todo o mundo, em quase todos os habitats, e em filos totalmente distintos, os animais continuam a surpreender-nos com as suas proezas navigacionais.

Para fazerem o que eles têm que fazer, cada um deles precisa de equipamento para avaliar a sua localização, sistemas sensoriais para identificar marcas geográficas de referência, sistemas propulsores como forma de se movimentarem de forma mais eficaz, e instintos que os façam activar os comportamentos certos. Todos estes sistemas entrelaçados desenvolvem-se a partir de instruções complexas embutidas nos seus genes.

Na série Design of Life, a Illustra Media já revelou a forma como borboletas com o peso duma grama podem migrar milhares de quilómetros do Canadá para o México, e a forma como a andorinhas Árcticas podem voar dum Pólo para o outro. O seu próximo filme, agendado para o Verão de 2015, irá partilhar exemplos dos mares que são, de certa forma, ainda mais espectaculares.

Ganso

http://goo.gl/RuqqjO

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Embora o artigo de Elizabeth Pennisi faça uma leve alusão aos poderes criativos da natureza ao afirmar que “Os animais são extremamente hábeis em encontrar a maneira energeticamente mais eficaz de se movimentar através dos seus respectivos ambientes”, a realidade dos factos é que essa é uma declaração de fé sem qualquer suporte científico. Ou será que teremos que ser levados a acreditar que os animais foram testando (e morrendo durante o processo) as melhores formas de voar sobre altas elevações usando a menor quantidade de energia possível?

Os animais não “encontraram a maneira energeticamente mais eficaz” para a sua migração; eles NASCERAM a saber como é que isso se fazia. Dito de outra forma, uma vez que todo o aparato biológico necessário para a migração do ganso tinha que estar todo pronto e funcional desde o princípio, é por demais óbvio que esta capacidade não é o resultado dum processo gradual, mas sim o efeito dum processo criativo.

Deus é o Autor das capacidades migratórias dos animais e devido a isso, qualquer outra explicação é falha e, consequentemente, cientificamente irrelevante.

“Conheço todas as aves dos montes; e Minhas são todas as feras do campo.”
Salmo 50:11

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A ciência durante a Idade Média

Pergunta: “Porque é que a ciência fez poucos progressos reais durante a Idade Média?”

Resposta por Tim O’Neill (ateu)

Resumo: Esta pergunta baseia-se na crença comum, mas errónea, de que não houve progresso científico durante a Idade Média. Na verdade, há já muito tempo que os contemporâneos historiadores da ciência sabem que isto é um mito, como têm também desenvolvido esforços para demonstrar que, longe de ser uma idade das trevas científica, o período Medieval lançou as bases da ciência moderna.

O Mito da Idade das Trevas Científica

Esta questão baseia-se na concepção comum de que a Idade Média foi uma idade de trevas para a ciência, e que houve “poucos progressos reais” naquilo que chamamos de ciência. Esta é a concepção popular desse período, e é essencialmente a forma como a maior parte das pessoas entende as coisas: nada de mais aconteceu na ciência, ou “filosofia natural”, durante o período Medieval até que o Renascimento alterou tudo e a Revolução Científica aconteceu.

Mas esta ideia já não é mais aceite pelos modernos historiadores da ciência e a parte final da Idade Média é, na verdade, vista como um período onde não só ocorreu a mais profunda investigação científica desde os Gregos antigos, mas também como o período dentro do qual os fundamentos intelectuais da genuínca ciência empírica moderna foram lançados.

A concepção comum da Idade Média como um período cientificamente vazio tem persistido todo este tempo, para além de se encontrar impregnada na mente popular, largamente devido às suas profundas raízes sectárias e culturais, e não porque exista algum tipo de base para ela. Esta concepção é parcialmente baseada no preconceito anti-Católico da tradição Protestante, que olhava para a Idade Média como nada mais que um ignorante período da opressão da Igreja.

Para além disso, esta mesma posição foi promulgada por estudiosos do Iluminismo – tais como Voltaire e Condorcet – que tinham um preconceito contra o Cristianismo dos seus dias, e haviam projectado isto para o passado através dos seus polémicos escritos anti-clericais. Mais para o final do século 19, o “facto” da Igreja ter suprimido a ciência durante a Idade Média era algo inquestionável, embora essa crença nunca tenha sido examinada de forma objectiva e adequada.

Foi um pioneiro historiador da ciência, o físico e matemático Francês chamado Pierre Duhem, que começou a desacreditar esta polemicamente-motivada visão da História. Enquanto pesquisava a história da estática, da mecânica e da física clássicas, Duhem analisou o trabalho dos cientistas da Revolução Científica, tais como Newton, Bernoulli e Galileu. Enquanto lia os seus trabalhos, Duhem ficou surpreso por encontrar algumas referências a estudiosos mais antigos, aqueles que operaram na Idade Média supostamente vazia de conhecimento científico.

Quando ele fez o que nenhum historiador antes dele havia feito, e leu os trabalhos de físicos Medievais tais como Roger Bacon (1214-1294), Jean Buridan (c. 1300- c. 1358),  e Nicholas Oresme (c. 1320-1382), ele foi surpreendido pela sua sofisticação, o que lhe levou  a dar início a um estudo sistemático do florescimento científico Medieval do período que ia do século 12 ao século 15, coisa que havia sido ignorada até essa altura.

O que ele e os contemporâneos historiadores de ciência descobriram foi que os mitos Iluministas da Idade Média como uma sombria idade das trevas científica onde havia uma supressão por parte da mão morta da Igreja não faziam sentido. Duhem era um meticuloso pesquisador histórico e alguém fluente no latim; isto significava que ele conseguia ler obras Medievais que haviam sido ignoradas durante séculos.

E como um dos físicos mais renomados dos seus dias, ele encontrava-se numa posição única para avaliar a sofisticação das obras que ele estava a descobrir, e também para reconhecer que estes estudiosos Medievais haviam, na verdade, descoberto elementos na física e na mecânica que há já muito tempo haviam sido atribuídos a cientistas posteriores tais como Galileu e Newton.

As descobertas de Duhem não foram bem aceites pela elite intelectual anti-clerical dos seus dias, e os seus editores foram pressionados para não publicar o último volume do seu “Systeme de Monde: Histoire des Doctrines cosmologiques de Platon à Copernic”; o establishment da altura não estava confortável com a revogação da ideia da Idade Média como era de trevas para ciência. Em 1916 Duhem morreu com o seu trabalho meticuloso, em grande parte, por publicar, e foram só os esforços com a duração de 30 anos por parte da sua filha Helene que causaram a que o trabalho do seu pai visse a luz do dia e a obra de 10 volumes fosse finalmente publicada em 1959.

Por essa altura Duhem já não estava sozinho ao qualificar de mito sem fundamento a tese de que a Idade Média havia sido uma era vazia de avanços científicos. O historiador de ciência Americano Lynn Thorndike já havia seguido a mesma trilha e chegado às mesmas conclusões – nomeadamente, de que os cientistas da Idade Média haviam sido erradamente ignorados e negligenciados desde o Iluminismo (largamente por motivos políticos e ideológicos). No seu 8º volume “History of Magic and Experimental Science” (1923-1958) também ele descobriu que a ciência durante a Idade Média era vasta, especulativa e altamente sofisticada.

Estes pioneiros dos primórdios da história da ciência foram agora seguidos por uma longa lista de historiadores focados no assunto, e eles têm causado a que este período da história científica se tenha tornado ainda mais claro. Os mais importantes e contemporâneos académicos da área, tais como David Lindberg, Ronald Numbers e Edward Grant, têm revolucionado o nosso entendimento da forma como os cientistas da Idade Média construíram o seu trabalho com base no que herdaram dos Gregos e dos Árabes [*] , e também da forma como eles avançaram ainda mais com o conhecimento e lançaram as bases da ciência moderna, tal como a conhecemos.

O  inovador trabalho de Grant, com o nome de “The Foundations of Modern Science in the Middle Ages”, revela detalhadamente que a Revolução Científica do século 17 simplesmente não poderia ter acontecido se o conhecimento do mundo académico da Europa Ocidental tivesse permanecido idêntico ao que era antes do princípio do século 12, ou se tivesse ficado no nível que tinha na parte final do século 3º . Não só foram necessários os avanços cientificos mas também as alterações intelectuais  da parte final da Idade Média para preparar o caminho para Galileu e Newton.

Longe de ter sido uma idade das trevas, a parte final da Idade Média tornou possível a ciência moderna. Mais recentemente, o livro “God’s Philosophers: How the Medieval World Laid the Foundations of Modern Science” (2009) de James Hannam apresentou uma popularização da erudição moderna (aclamada pela crítica) do assunto, numa tentativa de tentar corrigir vários séculos de preconceito e erro que ainda existem na imaginação popular.

​A Verdadeira Idade das Trevas Científica

Certamente que existiu um período no mundo Ocidental durante o qual a filosofia natural estagnou, enfraqueceu, e onde toda a tradição científica dos Gregos e dos Romanos esteve em risco de se perder. Mais tarde, os estudiosos Helénicos e Romanos herdaram o trabalho dos proto-cientistas Gregos do século 4º e 5º AC. e construíram sobre ele.

Por volta do Primeiro Século AD os estudiosos Romanos tinham a tendência de ler o Grego de forma a poderem ler as obras de Aristóteles e Arquimedes na sua língua original, mas havia também uma crescente tradição de colecções enciclopédicas de sumários de pontos-chave dos trabalhos anteriores provenientes dos Gregos, que tendiam a ser compilados em Latim. Os estudiosos do Primeiro e do Segundo século adicionaram algumas contribuições à ciência, especialmente Ptolomeu (astronomia e matemática)  e Galeno (medicina), mas muitos estudiosos Romanos orientaram-se com sumários e enciclopédias em Latim como forma de entender melhor obras prévias.

No entanto, por volta do Terceiro Século ocorreram enormes agitações sociais e políticas que interromperam a vida Romana, incluindo a vida académica – algo que teve, mais tarde, consequências profundas. O Império entrou no que é hoje chamado de “Anarquia Militar”, onde imperadores rivais ascenderam e caíram em rápida sucessão e o Império foi torturado década após década com guerras civis e opressão política. O Império enfraquecido sofreu invasões por parte dos recém-ressurgentes Persas Sassânidas e também por parte das maiores e mais agressivas federações de bárbaros Germânicos. Cidades que haviam estado em paz há séculos começaram agora a construir muralhas defensivas, recursos que dantes iam para edifícios e obras públicas iam agora para guerras infindáveis, e a dada altura o Império foi dividido em três partes.

Sob a direcção de Diocleciano e dos seus sucessores, foi imposta uma forma de estabilidade através dum tipo de monarquia imperial mais centralizada, para além de terem sido levadas a cabos reformas económicas e uma melhoria do exército e da administração Imperial. Mas apesar destas medidas, partes do Império nunca mais foram totalmente  recuperadas, especialmente no ocidente.

A vida intelectual e a educação, que haviam sido fortemente perturbadas durante o longo século de caos, certamente que não voltaram a ter a sua antiga pujança, e no ocidente, cada vez menos estudiosos eram letrados no Grego. Consequentemente, obras que só estavam disponíveis em Grego, especialmente obras científicas detalhadas, obras filosóficas e obras técnicas, eram lidas e copiadas cada vez menos e, desde logo, começaram a ser ignoradas. A ciência Grego-Romana passou a ser cada vez mais preservada na enciclopédica tradição Latina em vez de ser estudada detalhadamente através das originais obras Gregas.

BarbarosPor volta do Quinto Século, a divisão administrativa entre o Império Ocidental Latino e o Império Oriental Grego não só se tornou permanente, como se tornou também numa divisão política. O Império Ocidental, mais fraco, mais pobre e mais vulnerável, nem chegou a sobreviver o século, com o seu colapso final a ocorrer em 476 AD após mais um século de guerras civis, invasões, e declínio incremental. O que se seguiram foram séculos de invasões, fragmentações e caos, com breves momentos de estabilidade e autoridade centralizada. A frágil tradição intelectual, que já estava em declínio desde o Segundo Século, atingou um novo ponto baixo.

[O Papel da Igreja na Preservação do Conhecimento Greco-Romano]

A instituição que conseguiu impedir que esta frágil tradição [intelectual] morresse por completo durante estes séculos de invasões bárbaras e de desintegração, foi, na verdade, a mesma que o Iluminismo (erradamente) acusa de ter causado o declínio. A Igreja Cristã veio a obter poder político quando o declínio no conhecimento já estava a decorrer no ocidente há mais de um século; consequentemente, ela não o pode ter causado.

Inicialmente, o Cristianismo era ambivalente em relação à filosofia e ao conhecimento Grego, mas proeminentes pensadores Cristãos, que haviam sido treinados na filosofia, conseguiram olhar para isso como algo a ser abraçado. Deus, alegaram eles, era Uma Inteligência Racional e Ele havia criado o universo segundo linhas orientadoras racionais. Fazia sentido, portanto, que os humanos pudessem e devessem usar a razão para entender a Sua criação. Clemente da Alexandria alegou que, da mesma forma que os Judeus haviam recebido o dom divino da Revelação religiosa especial, os Gregos haviam recebido o dom da análise racional. Ambos os dons tinham que ser aceites e usados.

Portanto, quando o Ocidente entrou em colapso, há muito que a Igreja se havia entendido com a filosofia e a ciência dos Gregos, e havia encontrado formas de incorporar e reconciliar ambas dentro da sua religião. E foram os estudiosos Cristãos que viram que o declínio do conhecimento da língua Grega no ocidente significava que muitos dos trabalhos originais dos Gregos se estavam a perder. Tanto Cassiodoro como Boécio tentaram preservar as obras principais traduzindo-as para o Latim.

Boécio foi executado antes de poder completar o seu ambicioso plano de traduzir todas as obras de Aristóteles, mas ele conseguiu traduzir a maior parte das principais obras de lógica – algo que significava que a lógica, e desde logo, a razão, haviam tido um papel central na educação durante o início da Medieval – mesmo durante os mais sombrios séculos de caos. As sementes do renascimento Medieval da ciência foram plantadas com esse acto de sorte.

​O Encapsulamento Medieval da Razão

Um escritor comparou a longa marcha de retorno da catástrofe intelectual do colapso da Império Romano do Ocidente em assuntos relativos ao conhecimento na Europa Ocidental, a um grupo de pessoas a tentar reavivar a ciência moderna após um holocausto nuclear tendo como base nada mais que alguns poucos volumes de Enciclopédia Britânica e uma cópia do livro de Bill Bryson com o título de “A Short History of Nearly Everything”.

Durante os Séculos 8 ou 9, os estudiosos tinham suficientes fragmentos de informação para saberem que eles não tinham quase nada, mas tinham o suficiente para dar início à reconstrução do que havia sido perdido. O que é interessante foi a atitude dos Medievais em relação ao pouco que tinham: eles reverenciaram o que estava nas suas mãos. Estes escritores antigos, na sua maioria pagãos, eram tidos como autoridades omniscientes e o que quer que tivesse sobrevivido foi estudado com uma reverência imensa e analisado de forma incansável.

Isto significava que uma atenção particular foi dada à uma das poucas áreas onde um número razoável de obras havia sobrevivido: a lógica, ou a “dialéctica” tal como ela era conhecida. O conhecimento da lógica era central na educação Medieval, e o estudante tinha que saber isso – através das traduções de Aristóteles e de outras obras por parte de Boécio – antes de poder lidar com outros tópicos. Isto teve o curioso efeito do encapsulamento da razão como a chave de todo o conhecimento – um desenvolvimento que é totalmente distinto da visão popular da Idade Média, e da Igreja Medieval em particular, como estando imóveis sobre dogmas inquestionáveis e superstição irracional.

Igreja_Medieval_Idade_MediaCertamente que havia coisas que os académicos Medievais aceitavam com base na fé mas cada vez eles começaram a sentir mais que poderiam chegar a essas coisas, e a outro tipo de entendimento relativo ao universo, através da razão. De certa forma, a perda de muita da filosofia Grega teve o efeito de focar a atenção nos elementos que haviam sobrevivido, e teve o efeito de encapsular a razão no centro do pensamento Medieval duma forma nunca dantes vista.

Por volta do 11º Século as ondas dos invasores Avaros, Magiares, Sarracenos e Vikings havia começado a receder, e a Europa havia-se recuperado economicamente e se estabilizado politicamente, estando, na verdade, perto dum período de expansão para o exterior. Durante esse tempo, houve uma expansão da alfabetização e do interesse no conhecimento, para além duma apurada realização da perda das obras antigas e do que os estudiosos da altura lamentavam como a “Latinorum penuria” (“a pobreza os Latinos”).

Pode-se saber o quão intelectualmente pobre era o ocidente Latino através duma troca de correio entre dois estudiosos do princípio do Século 11 – Ragimbold de Colónia e Radolf de Liége – em torno de problemas matemáticos que não iriam perturbar um estudante secundário dos dias de hoje. Temos aqui dois homens claramente inteligentes que, durante os seus dias, eram vistos como estudiosos de topo (tendo as suas cartas sido copiadas e amplamente difundidas) a competir entre si para resolver problemas básicos de geometria, mas sendo forçados a fazer isso usando fracções de geometria adquiridas em manuais de agrimensura duma enciclopédia de Século 6º que pouco mais fez que definir os termos. Isto é uma ilustração tanto do quanto que havia sido perdido durante o cataclismo, mas também do quão ansiosas as pessoas estavam por recuperar o conhecimento perdido.

O noção de que o cosmos era racional e poderia ser analisado com base na razão certamente que  foi resistida por alguns conservadores, mas uma nova onda de estudiosos ganhou proeminência, incluindo William de Conches, Honório de Autun, Bernard Silvester, Adelard de Bath, Thierry de Chartres e Clarenbold de Arras. William de Conches escreveu com desdém sobre aqueles que estavam suspeitos da veneração da razão e da análise racional:

Sendo eles mesmos ignorantes das forças da natureza, e querendo ter companhia na sua ignorância, eles não querem que as pessoa analisem nada; eles querem que acreditemos como camponeses e não perguntemos o motivo por trás das coisas….. Mas nós dizemos que o motivo por trás das coisas deve ser sempre buscado! – William de Conches (c. 1090-1154 AD), “Philosophia mundi”

Intelectuais como William estava cada vez mais a atrair comunidades de estudantes e a reunirem-se com estes estudantes como forma de partilhar ideias, lançando as bases das escolas que mais tarde se tornariam nas universidades. O palco estava montado para um avivamento genuíno e para um florescimento do conhecimento enquanto a Europa ainda sentia a falta dos livros perdidos dos Gregos e dos Romanos.

O Novo Conhecimento e as Universidades

​Por volta do 11º Século os estudiosos Europeus não só estavam cientes do quanto que a Europa ocidental havia perdido, mas estavam também cientes que muitas destas obras haviam sobrevivido e poderiam ser recuperadas. Eles usaram a frase “Latinorum Penuria” porque eles sabiam que havia outros que não estavam tão pobres – nomeadamente, os Gregos e os Árabes [ed: embora a ciência “dos Árabes” tenham na verdade, origem nos Assírios Cristãos].

Com o avivamento da Europa ocidental, agora em expansão militar em todas as direcções, tornou-se mais fácil para os estudiosos ansiosos obter acesso a estes trabalhos e equilibrar a balança. A conquista do grande centro de aprendizagem muçulmano de Toledo em 1085 levou muitos estudiosos até Espanha em busca pelos livros perdidos, e a conquista Normanda de Sicília em 1091 deu livrarias de tesouros literários em Árabe, Hebraico e Grego. E por volta do 12º Século, os estudiosos convergiram para a Sicília, sul de Itália, e para a Espanha, para traduzir estes livros para o Latim, e trazê-los para casas. Um desses estudiosos era o jovem Inglês Daniel de Morely:

Ouvi dizer que a doutrina dos Árabes, que se encontra totalmente devotada ao quadrivium [as quatro artes (na Idade Média – aritmética, geometria, música e astronomia)], era o que se encontrava na moda em Toledo durante esses dias. Apressei-me em ir lá o mais rápido que pude de modo a que pudesse ouvir os filósofos mais sábios do mundo. … Eventualmente os meus amigos imploraram-me que regressasse de Espanha; e logo, a seu convite,  cheguei a Inglaterra, trazendo comigo uma preciosa multitude de livros.

Durante os dois séculos que se seguiram muitas outras “preciosas multitudes de livros” seguiram o seu caminho para norte, para escolas e para as florescentes universidades da Europa, e o “novo” ensino Grego começou a invadir a Europa exactamente no momento em que a cultura intelectual de lá estava pronta para estimulação.

Igreja_Idade_MediaO que é notável  nisto tudo é a lista de livros que foram o alvo principal dos tradutores. Não havia uma escassez de livros teológicos Gregos Ortodoxos ou antigas peças e antigos poemas Gregos e Romanos disponíveis na Sicília e na Espanha, mas estes foram de modo geral ignorados. Os ansiosos estudiosos do norte concentraram-se de modo esmagador na matemática, na astronomia, na física e na filosofia, bem como na medicina, na óptica e na história natural. Eles não estavam interessados nas peças e nos poemas (deixando-os para serem “redescobertos” mais tarde pelos estudiosos humanistas do Renascimento) – estes estudiosos Medievais estavam interessados nos frutos da razão: ciência, lógica, e filosofia.

O impacto que estas obras recuperadas tiveram, e as obras dos comentadores Gregos e estudiosos Árabes posteriores que as acompanharam, foi revolucionário na rede de universidades que começaram a nascer um pouco por toda a Europa ocidental. Estes novos centros de conhecimento tomaram para si a estrutura académica do currículo das antigas escolas catedráticas baseadas nas “sete artes liberais”, combinadas com a estrutura da embarcação e das guildas mercantis (que é de onde se originou também o nome “universitas”).

Tal como nas guildas, os estudantes tinham que escolher operar sob a orientação dum “Mestre”, passar por um aprendizado longo, estruturado e escrutinizado e só mais tarde passar por uma série de testes e examinações orais antes de serem considerados eles mesmos “Mestres”, e passando depois a serem “Doutores” ou professores. Esta estrutura, hierarquia e examinação rigorosa fizeram da universidae Medieval muito diferente das escolas superficialmente parecidas que se encontravam no mundo islâmico ou na Grécia antiga.

A outra novidade radical e crucial no sistema universitário era a forma através da qual o progresso e a proeminência dentro deste sistema eram obtidos não só através do domínio do material dos textos centrais, mas através da disputa e do debate usando um conjunto de regras de lógica formal estabelecidas. Os mestres e os doutores mantinham as suas posições e as suas reputações (e desde logo, o seu rendimento proveniente dos estudantes) através da sua habilidade de vencer debates, frequentemente através da abertura do palco de debates a todas as pessoas.

Os estudantes mais brilhantes podiam ascender rapidamente na reputação e no reconhecimento enfrentando um destes mestres, e vencendo-o [no debate]. Pelo menos duas vezes por ano a universidade fazia uma “quodlibeta” – um torneio com a duração de vários dias, onde ocorriam disputas lógicas rigorosas e onde qualquer pessoa poderia propor e defender qualquer posição em qualquer tópico da sua escolha. Com relativa frequência, ideias altamente controversas, paradoxais ou até heréticas, eram apresentadas e os participantes tinham que as defender ou atacá-las usando apenas a lógica e a razão.

A ideia duma [era] racional, livre para todos, onde as melhores mentes da altura só poderiam usar a razão para disputar ideias tais como “Deus é, na verdade, maligno” ou “o universo não teve início” certamente que não se ajusta à ideia que a maior parte das pessoas tem das Idade Média, mas isto eram ocorrências frequentes nas universidades Medievais.

A Revolução Proto-Científica da Era Medieval

Neste novo ambiente de avivamento do conhecimento antigo, de rigorosa análise racional, e de debates e investigação vigorosos, a Europa Medieval foi testemunha do primeiro florescimento real da inovação científica desde os antigos Gregos. Desenvolvendo ideias propostas previamente por estudiosos Árabes tais como Al Battani, Robert Grosseteste propôs que o académico não só poderia derivar leis universais através das indicações e depois aplicar leis a casos particulares (“o princípio de indução” de Aristóteles), mas eles deveriam também fazer experiências como forma de verificar as indicações.

Roger Bacon desenvolveu ainda mais esta ideia, propondo um método baseado num repetitivo cíclo de observação, hipótese e experimentação. Ambos os homens aplicaram este médito no estudo da óptica, a natureza física da luz, a funcionalidade do olho, e a natureza das lentes. Foi esta análise, que era uma área científica que os estudiosos Medievais consideravam particularmente fascinante, que parece ter levado à invenção dos olhos de vidro. Bacon descreveu também a construção e a funcionalidade do telescópio, embora não esteja claro se ele chegou a construir um.

Com o desenvolvimento Medieval dos basilares princípios científicos da observação e experimentação repetida muito provavelmente veio a mais revolucionária contribuição Medieval para a ascenção da genuína ciência moderna: o uso da matemática como línguagem descritiva do mundo físico. Aristóteles e os Gregos haviam considerado uma má práctica tentar extrapolar duma disciplina (tal como a matemática ou a geometria) para outra (tal como a física).

Mas com o desenvolvimento de ideias mais sofisticadas de raciocínio a partir da observação e indução durante o Século 13 – graças a pessoas tais como Grosseteste e Bacon, os académicos do Século 14 obtiveram a ideia de tornar a observação a indução mais precisas através do uso da matemática e da linguagem da física. Thomas Bradwardine escreveu:

[A matemática] é a reveladora de toda a verdade genuína visto que ela sabe todos os segredos ocultos e tem consigo a chave para todas as subtilezas das cartas. Quem quer que seja, portanto, que tenha a afronta de seguir no estudo da física ignorando a matemática, tem que saber à partida que nunca fará a sua entrada através dos portais da sabedoria.

Bradwardine era uma das pessoas do grupo de estudiosos que trabalhou em áreas-chave na física usando este novo discernimento. Juntamente com William Heytesbury, Richard Swineshead e John Dumbleton, e baseando-se no trabalho de William de Occam e Walter Burley, estes estudiosos da Universidade de Oxford ficaram conhecidos como os “Merton Calculators” e eles lançaram as bases da física moderna, tal como a conhecemos.

Mais importante ainda, ao distinguirem a cinemática da dinâmica, eles derrubaram a anterior concepção Grega do movimento. Aristóteles e os outros estudiosos Gregos haviam olhado para o movimento puramente como um tópico de força externa, enquanto que os estudiosos de Merton olharam para a persistência do movimento através do ímpeto – mensurável através do volume material e da velocidade. Isto lançou as bases para o posterior entendimento-chave do momentum, mas permitiu também que formulassem a “Mean Speed Theorum”. Durante muito tempo, isto foi atribuído a Galileu, mas actualmente está claro que foram os “Merton Calculators” que descobriram e provaram este princípio muito antes de Galileu ter nascido (existem também algumas evidências de que ele leu o trabalho dos estudiosos de Merton, mas que apresentou isto como ideia sua sem creditar os verdadeiros autores).

Estas ideias relativas ao ímpeto permitiu mais tarde que os estudiosos Medievais desenvolvessem ainda mais a física e dessem início à sua aplicação na astronomia. Nicole Oresme foi, portanto, capaz de usar o ímpeto para demonstrar que a maior parte das objecções dos antigos Gregos à possibilidade duma Terra giratória eram inválidas. Ele ainda acreditava que a Terra encontrava-se imóvel por outros motivos, mas os seus argumentos foram mais tarde tomados e usados por Copérnico para desenvolver o heliocentrismo.

Orseme, Jean Buridan e Nicolau de Cusa foram também capazes de demonstrar a forma como o ímpeto era constante motivador de poder até que é corrompido ou até que encontre alguma forma de resistência. Isto permitiu que os físicos Medievais colocassem de lado a ideia Grega de que o movimento celestial ocorria em alguma esfera celestial incorruptível onde a física terrena não se aplicava, e significava que as pessoas poderiam começar a aplicar os princípios descobertos na Terra para os movimentos celestiais.

A ideia de que Copérnico, Kepler, Galileu e Newton haviam todos eles desenvolvidos ideias que não se encontravam enraizadas no pensamento que havia sido gerado nos dois ou três séculos que os havia precedido é claramente ridícula, mas esta tem sido a alegação do mito pós-Iluminista relativo à Idade Média. No entanto, a pesquisa moderna objectiva demonstrou que sem o trabalho de pessoas tais como Grosseteste, Bacon, Occam, os estudiosos de Merton, Oresme e Buridan, a “Revolução Científica” nunca teria ocorrido. A revolução teve alicerces Medievais.

​A Igreja Suprimiu Ideias?

Na verdade, nada do que foi detalhado em cima se ajusta de forma confortável com a ideia da Igreja Medieval como uma teocracia violenta, e intolerante que, de modo imediato, consignava qualquer pessoa com um esboço duma ideia nova à fogueira. De facto, os parâmetros para a especulação e investigação dentro da natureza do mundo físico eram bastante amplos visto que a Igreja Medieval considerava o cosmos como um produto racional da Mente Racional de Deus, e que os seres humanos haviam recebido o dom da razão parcialmente para que eles pudessem entender e investigar o universo de forma racional.

Foi por esse motivo que Tomás de Aquino passou anos e muitos milhões de palavras a aplicar de forma meticulosa os princípios racionais da dialéctica dos antigos Gregos à teologia Cristã numa tentativa de mostrar que todas as ideias-chave da crença Cristã poderiam ser atingidas através do uso só da razão. É também por isso que os debates  quodlibeta que decorriam nas universidades Medievais eram abertas a todos, e onde todas as ideias radicais, e até heréticas, poderiam ser propostas como forma de se averiguar se elas poderiam sobreviver à análise racional.

[ed: A porção pró-Darwiniana que se segue é refutada neste link, e também neste]

A Igreja Medieval também não insistiu numa interpretação da Bíblia (o literalismo fundamentalista é uma ideia largamente moderna e Protestante). Isto significava que ela não tinha problemas em ver aspectos da Bíblia como puramente alegóricos, e nem com a exploração como forma de se ver como é que estas verdades simbólicas se aplicavam ao mundo real. A maior parte das pessoas olha para o período Medieval como um onde os literalistas Bíblicos suprimiam o pensamento original embora o medo seja algo de difícil explicação se levarmos em conta, por exemplo, as obras de William de Conches.

Já no Século 12, esta académico sediado na Catedral de Chartres, aceitava que a sua audiência já entendia que a história da criação presente em Génesis era simbólica [[ed: Não é simbólica], e prossegui interpretando-a “segundo a natureza”. Ele propôs uma forma através da qual as forças naturais colocadas em movimento por Deus haviam produzido os céus e a Terra tal como os temos hoje em dia.

Ele continuou, falando da vida a surgir duma lama primordial através da acção natural do calor, e da forma como ela se desenvolveu a partir de formas mais simples. Ele chega até a falar da forma como o homem surgiu de forma semelhante, e da forma como, em teoria, outras espécies de seres humanos poderiam surgir da mesma forma através de processos naturais. Todas estas ideias com sonoridade actual (e até Darwiniana) eram aceite pelos estudiosos Medievais sem o mínimo problema, e a Igreja não tinha qualquer dificuldade com elas – de facto, William de Conches, tal como todos os outros cientistas Medievais, era um eclesiástico.

O mais perto que a Igreja esteve de suprimir a ciência de alguma forma foi quando, em reacção às ideias que estavam a ser debatidas na Universidade de Paris no ponto mais alto da redescoberta do pensamento Aristotélico durante o Século 13, a Faculdade de Teologia tentou colocar alguns limites em torno do que poderia ser discutido pela Faculdade das Artes. Nos anos de 1210, 1270 e outra vez em 1277, o Papa – a pedido da Faculdade Teológica de Paris – publicou uma lista de ideias propostas por Aristóteles, ou implicadas pela sua filosofia, que eram contrárias à doutrina Crista, e como tal, estas foram proibidas.

O que é espantoso em relação a isto, antes de mais, é o quão pouco dos escritos de Aristóteles, etc, era de facto proscrito através destas Condenações.

Segundo: é espantoso o quão ineficazes as Condenações foram. Elas só foram aplicadas em Paris, enquanto que a discussão de todos estes tópicos continuou sem qualquer tipo de perturbação em Oxford e nas outras universidades. E, tal como indica o facto destas Condenações terem que ser repetidas duas vezes, elas foram amplamente ignoradas.

Estas Condenações tiveram também um outro efeito: ao alegarem que Aristóteles estava errado em vários pontos, elas estimularam uma análise mais crítica ao trabalho do filósofo Grego, o que levou a que várias das suas ideias fossem analisadas de modo crítico e apuradas como falsas (por exemplo: a ideia de que os objectos mais pesados caiam mais depressa que os objectos mais leves). Duma forma curiosa, as Condenações falharam em suprimir a ciência, e, na verdade, ajudaram a estimulá-la.

A realidade dos factos é que a ideia da Igreja a suprimir a ciência e a análise racional é um mito. Não houve um único estudioso Medieval que tenha sido queimado, preso ou oprimido pela Igreja Medieval por fazer uma alegação relativa ao mundo físico. É por isso que os proponentes modernos deste mito têm sempre que citar um exemplo excepcional pós-Medieval como forma de sustentar esta ideia: o caso de Galileu.

Conclusão:

Portanto, a alegação de que a “ciência fez pouco progresso claro na Europa da Idade Média” baseia-se numa ignorância profunda desse período, e depende dum mito preconceituoso que não tem qualquer base. Mal a Europa Medieval se recuperou do caos que se seguiu à queda de Roma, ela rapidamente avivou a antiga tradição da filosofia natural que havia estado abatida deste o tempo dos Romanos.

Os estudiosos Medievais envolveram-se num espantoso processo de análise do universo físico usando a razão e a lógica e, ao fazerem isso, desenvolveram os princípios que se tornariam os fundamentos da ciência moderna tal como a conhecemos. E eles aplicaram estes princípios de formas que corrigiam os erros que os Gregos haviam feito, levando a cabo o trabalho de base que levaram a descobertas posteriores na física e na astronomia, que deram inicio à Revolução Científica.

Embora as pessoas sem um conhecimento detalhado dos estudos modernos relativos à história da ciência ainda se agarrem aos mitos do Século 19 em torno da Igreja a suprimir a ciência, é hoje claro que sem o florescimento da especulação e da análise durante o período compreendido entre o Século 12 e o Século 15, a ciência ocidental nunca teria surgido.

Ciencia_Segundo_A_Historia

Bibliografia
David C. Lindberg, The Beginnings of Western Science, 600 B.C. to A.D. 1450(1992)
David C. Lindberg, Science in the Middle Ages (1978)
Ronald Numbers, Galileo Goes to Jail, and Other Myths about Science and Religion (ed.) (2009)
Edward Grant, The Foundations of Modern Science in the Middle Ages (1996)
Edward Grant, God and Reason in the Middle Ages (2001)
James Hannam, God’s Philosophers: How the Medieval World Laid the Foundations of Modern Science (2009)

http://goo.gl/92vGe4

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A teoria da evolução e a ascenção do racismo

Por Paul G. Humber

O racismo dos evolucionistasO racismo já atormenta a humanidade há milhares de anos, e ele mostrou a sua verdadeira natureza especiamente nos últimos séculos. Pensem na quantidade de Negros levados de África e vendidos no Novo Mundo, e mais recentemente, o racismo óbvio da Alemanha Nacional Socialista. Mesmo nos dias de hoje, existem preocupações justificadas nesta ordem de ideias.

É fácil condenar os pecados dos outros, mas, é importante perguntar, como foi possível que um líder como Hitler conseguiu atrair milhares – ou mesmo milhões – de Alemães inteligentes para a sua causa? Uma coisa é dizer que Hitler era maluco mas outra é dizer que todos os Alemães eram tão malucos como ele. Há uma hipótese que não foi adequandamente levada em conta. Sir Arthur Keith, fervoroso evolucionista, alega:

O Fuhrer Alemão ….. tentou de modo consciente que o modo de vida da Alemanha  se ajustasse à teoria da evolução. (1)

Noutro sítio, Keith escreveu:

O líder da Alemanha é um evolucionista, não só em teoria, mas, tal como muitos sabem à sua própria custa, no rigor da sua práctica. Para ele, a “frente” nacional da Europa é também a “frente” evolutiva; ele olha para si mesmo, e em relação a isto, como a incarnação da vontade da Alemanha, sendo o propósito dessa vontade guiar o destino evolutivo do seu povo. (2)

Hitler usou a palavra Alemã para “evolução” (Entwicklung) consistentemente por todo o seu livro. De facto, não é de todo irrazoável propor que o próprio titulo do seu livro (“A Minha Luta”) foi influenciada pelo sub-título de Darwin, “Luta Pela Existência”, e pelo proponente da teoria da evolução, Ernst Haeckel, que em 1905 publicou um livro com o título de “Der Kampf um den Entwicklungs-Gedanken” (“A Luta em Torno do Pensamento Evolutivo”, ou em inglês “The Struggle over Evolutionary Thinking”).

No livro “Mein Kampf”, Hitler falou dos “tipos humanos inferiores”, e criticou os Judeus por trazerem os “Negros para a Rinelândia” com o propósito de “arruinar a raça branca através da resultante bastardização.” Ele falou das “monstruosidades a meio caminho entre o homem e o macaco” e lamentou o facto dos Cristãos irem para “África Central” com o propósito de fundar “missões para os Negros”, resultando na transformação de “seres humanos saudáveis em ninhadas apodrecidas de bastardos”.

No seu capítulo com o título de “Nação e Raça”, Hitler disse:

O mais forte tem que dominar e não se misturar com o mais fraco, evitando assim sacrificar a sua grandeza. Só aqueles que nasceram fracos podem olhar para isto como algo cruel, mas no final de contas, ele nada mais é que um homem fraco e limitado; se por acaso esta lei não tivesse prevalecido, qualquer tipo de desenvolvimento superior  (Hoherentwicklung) dos seres vivos orgânicos seria impensável.

Algumas páginas depois, Hitler disse:

Aqueles que querem viver têm que lutar, e aqueles que não querem lutar neste mundo de luta constante não merecem viver. (3)

Era Darwin um racista?

Os Darwinistas actuais, em larga maioria, não querem ser identificados com o racismo, e devido a isso não é surpreendente que as declarações de Darwin relativas a esta assunto recebam muito pouca atenção. Darwin falou dos “gorilas” e dos “negros” como seres que ocupavam posições evolutivas a meio caminho entre o “Babuíno” e as “raças humanas civilizadas” (“Caucasianas”):

Em dado período futuro, não muito distante quando medido em séculos, as raças humanas civilizadas irão certamente exterminar, e tomar o lugar, das raças selvagens por todo o mundo. Por essa altura, os macacos antropomorfos . . . . serão sem sombra de dúvida exterminados. A distinção entre o homem e os seus aliados mais próximos será, então, mais largo visto que irá intervir entre o homem num estado civilizacional mais avançado, como esperamos, e por essa altura os Caucasianos, e alguns macacos inferiores como um babuíno, em vez do que é agora entre o negro [sic] ou o Australiano e o gorila. (4)

Mais adiante no mesmo livro, Darwin escreveu:

É frequentemente dito . . . . que o homem pode resistir com impunidade as maiores adversidades climáticas e outras mudanças; mas isto só é verdade junto das raças civilizadas. O homem no seu estado selvagem parece ser neste aspecto quase tão susceptível como os seus aliados mais próximos, os macacos antropóides, que até agora nunca sobreviveram muito tempo depois de terem sido removidos do seu país. (5)

Falando do livro “Sobre a Origem das Espécies”, escrito por Darwin, Stephen Jay Gould, professor da Universidade de Harvard, escreveu:

Argumentos biológicos em favor do racismo podem ter sido comuns antes de 1859, mas eles aumentaram por ordens de magnitude depois da aceitação da teoria da evolução. (6)

Ele prossegue citando várias fontes como forma de confirmar a sua tesse, mas dois nomes que não aparecem na sua secção com o nome de “Racismo”, são  Edwin G. Conklin e Henry Fairfield Osborn. (…)  É importante reconhecer que estes dois homens escreveram antes da versão Hitleriana da teoria da evolução se ter revelado na Europa. Alguma da linguagem tanto de Conklin como de Osborn é uma reminiscência de Darwin, se não do próprio Hitler.

É também importante não esqueer quem eram estes homens: Conklin foi professor de Biologia na Universidade de Princeton entre 1908 a 1913, havendo sido também  Presidente da Associação para o Avanço da Ciência em 1936 (o ano dos Jogos Olímpicos de Berlin). Ele escreveu:

Uma comparação entre qualquer raça humana com os tipos Neanderthal ou Heidelberg revela que todos sofreram modificações, mas as raças negróides assemelham-se mais ao estoque original que as raças brancas ou amarelas. (7) Todas as considerações devem levar aqueles que acreditam na superioridade da raça branca a lutar para preservar a sua pureza e a estabelecer e manter uma segregação entre as raças, visto que quanto mais longa esta segregação for mantida, maior será a preponderância da raça branca. (8)

Henry Fairfield Osborn era um professor de Biologia e Zoologia na Universidade de Columbia. Por 25 anos (1908-1933) ele foi o Presidente Conselho de Administradores do Museu Americano de História Natural. Osborn escreveu:

O estoque Negróide é mais antigo que o Caucasiano e Asiático, algo que pode ser comprovado através duma análise não só ao cérebro, do cabelo, e das características físicas . . . mas também dos instintos e da inteligência. O padrão de inteligência do Negro adulto comum é semelhante ao de uma criança de 11 anos da espécie Homo Sapiens. (9)

No seu livro dedicado a John T. Scopes (o professor evolucionista feito famoso durante o “julgamento do macaco” em Scopes), Osborn escreveu:

O princípio ético inerente da teoria da evolução é que só os melhores têm o direito de sobreviver. . . (10)

No seu livro, Osborn afirmou que estava a resumir um artigo que ele havia escrito para o New York Times no dia 26 de Fevereiro de 1922. Só podemos especular se Hitler obteve ou não acesso aos seus escritos antes de ter escrito o seu livro Mein Kampf, dada a semelhança que esta última declaração de Osborn tem com o que Hitler acreditava e escreveu por essa altura.

É fácil acreditar que Hitler tinha um interesse especial na luta de boxe entre Joe Louis e o Alemão Max Schmeling (19/06/36).  O mesmo “estava repleto de conotação política e racial…” (11) Menos de um ano antes disso, Paul Gallico, escritor para o New York Daily News, afirmou:

Louis, o animal magnífico . . . . Ele come. Ele dorme. Ele luta. . . É todo ele instinto, todo ele animal? Ou será que os milhões de anos deixaram uma dobra no seu cérebro? Eu vejo neste homem colorido algo tao frio, tão duro e tão cruel que me questiono da sua bravura. A coragem nos animais é o desespero. A coragem nos seres humanos é algo incalculável e divino. (12)

Ainda existem exemplos de racismo científico nos dias de hoje?

Em Abril de 1986, a “Pennsylvania Gazette” (Universidade da Pennsylvania) publicou um artigo exibindo um artigo com o título de “NEGRO/LUNÁTICO.” O sub-título que se encontrava por baixo da foto dizia:

Racismo “científico”: crânios como este, alojados no Museu Universitário, foram usados no passado para “provar” a supremacia dos brancos. (13)

Em Novembro de 1985, a National Geographic Society mostrou ao público (na sua revista) uma exibição de “4,000,000 anos de bipedalismo”. Nove “hominideos”, fortemente sugestivos dum desenvolvimento evolutivo, são desenhados – começando pelo Australopithecus-afarensis (um tipo de “Lucy”), até aod moderno Homo sapiens. Os primeiros cinco da sequência tinham uma pele mais escura, e os últimos quatro uma pele mais clara. O editor reconheceu que a cor da pele é especulativa, mas na edição de Março de 1986 da National Geographic (“Members Forum”), eles disseram o seguinte:

Uma vez que as três variações de H. sapiens retratadas baseiam-se nas evidências fósseis encontradas na Europa, o sr Matternes deu-lhes uma cor de pele mais clara. (14)

Mas isto parece ser enganador visto que as quatro últimas imagens da sequência têm uma cor de pele mais clara, mas o quarto a contar do fim baseia-se em evidências encontradas no Quénia, em África! Será que isto nada mais é que uma subtil forma de racismo ainda a afectar o público actual?

O Cristão, como seguidor do Senhor Jesus Cristo, não tem a opção do racismo; o Senhor Jesus não era Racista, e Ele mesmo ordenou que amássemos os nossos inimigos – e não que os matemos. Ele buscou “atrair todos os homens” para Si (João 12:32). “Deus criou primeiro um homem e desse vieram todas as raças humanas que vivem no mundo inteiro.”(Actos 17:26).

Fonte: http://goo.gl/sGdMAE

Referências
1. Sir Arthur Keith, Evolution and Ethics (New York: G.P. Putnam’s Sons, 1947), p. 230.
2. Ibid., p. 10.
3. Adolf Hitler, Mein Kampf (Boston: Houghton Mifflin Co., 1943), pp. 286, 295, 325, 402, 403, 285, 289 respectively.
4. Charles Darwin, The Descent of Man (London: John Murray, 1901), pp. 241-242.
5. Ibid., pp. 291-292.
6. Stephen Jay Gould, Ontogeny and Phylogeny (Cambridge, Mass: Harvard University Press, 1977), p. 127.
7. Edwin G. Conklin, The Direction of Human Evolution (New York: Scribner’s, 1921), p. 34.
8. Ibid., p. 53.
9. Henry Fairfield Osborn, “The Evolution of Human Races,” Natural History, April 1980, p. 129–reprinted from January/February 1926 issue.
10. Henry Fairfield Osborn, Evolution and Religion in Education (London: Charles Scibner’s Sons, 1926), p. 48.
11. Christ Mead, “Black Hero in a White Land,” cf. Sports Illustrated, September 16, 1985, p. 94.
12. Ibid., p. 92.
13. “Gazetteer,”The Pennsylvania Gazette (University of Pennsylvania), April 1986, p. 19.
14. “Members Forum,”National Geographic, March 1986.
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Matemática e a teoria da evolução

Por Granville Sewell

No ano de 1996, Michael Behe, bioquímico da Universidade de Lehigh, publicou o seu livro com o título de “Darwin’s Black Box”, cujo tema central era a tese de que as células vivas encontram-se preeenchidas com características e processos bioquímicos que são “irredutivelmente complexos” – isto é, eles requerem a existência de componentes numerosos e complexos, cada um deles essencial para o funcionamento. Logo, estes traços e processos não podem ser explicados através duma gradual melhoria Darwiniana uma vez que até que todos os componentes estejam operacionais, estas estruturas são inúteis e não conferem qualquer vantagem selectiva.

Behe passa mais de 100 páginas a descrever detalhadamente alguns destes sistemas bioquímicos irredutivelmente complexos, e depois sumariza os resultados duma exaustiva busca na literatura bioquímica por explicações Darwinianas. Ele conclui que, embora os textos de Bioquímica frequentemente prestem homenagem verbal à ideia de que a selecção natural das mutações aleatórias pode explicar tudo o que existe dentro da célula, tais alegações são puro “ruído” visto que “não existe qualquer publicação dentro da literatura científica que descreva a forma como a evolução molecular de qualquer sistema bioquímico, real e complexo, ocorreu ou pode vir a ocorrer.”

MatematicaQuando o Dr Behe esteve na Universidade do Texas – El Paso – em Maio de 1997 como palestrante convidado, disse-lhe que ele poderia encontrar um maior apoio às suas ideias nos departamentos de Matemática, Física e Ciência Computacional do que na sua própria área. Conheço muitos bons matemáticos, físicos e cientistas computacionais que, como eu, estão estarrecidos com o facto das explicações de Darwin para o desenvolvimento da vida serem tão amplamente aceites pelas ciências da vida [ed: biologia, zoologia, microbiologia, fisiologia, bioquímica, e áreas relacionadas]. Poucos desses matemáticos, físicos e cientistas computacionais chegam a falar ou a escrever sobre este assunto – muito provavelmente porque sentem que o assunto encontra-se fora do seu domínio.

Apesar disso, acredito que existem dois argumentos centrais contra o Darwinismo, e ambos parecem ser muito do agrado daqueles que se encontram dentro das ciências matemáticas.

1. A pedra angular do Darwinismo é a ideia de que melhorias maciças (complexas) podem-se ir acumulando através de melhorias menores; que novos órgãos e novos sistemas de órgãos, que deram origem às novas ordens, novas classes, e novos filos, desenvolveram-se gradualmente, através de muitas melhorias menores.

Temos que salientar inicialmente que o registo fóssil não confirma esta ideia; por exemplo, George Gaylord Simpson, paleontólogo de Harvard, escreve:

É característica do registo fóssil conhecido que a maior parte dos táxons apareçam abruptamente. Em regra geral, eles não se vão formando através duma sequência de mudanças quase imperceptíveis de precursores, tal como Darwin acreditou que seria normal dentro da evolução… Este fenómeno torna-se mais universal e mais intenso à medida que a hierarquia de categorias é ascendida. As lacunas entre as espécies conhecidas são esporádicas e pequenas. As lacunas entre as ordens, as classes, e os filos são sistemáticos e quase sempre enormes.

Estas peculiaridades do registo fóssil são um dos mais importantes problemas teóricos de toda a história da vida: É o aparecimento súbito das categorias mais elevadas um fenómeno da evolução, ou só do registo devido à recolha tendenciosa [de fósseis] e outras inadequações? – [“The History of Life,” in Volume I of “Evolution after Darwin,” University of Chicago Press, 1960]

Em Abril de 1892, um artigo da Life Magazine (excerto do livro de Francis Hitching “The Neck of the Giraffe: Where Darwin Went Wrong”) contém a seguinte informação:

Quando procuramos elos entre os principais grupos de animais, eles pura e simplesmente não estão lá….“Em vez de encontramos um desdobramento gradual da vida”, escreve David Raup, Curador do Field Museum of Natural History em Chicago, “o que os geólogos do tempo de Darwin, bem como os geólogos actuais, encontram é um registo fóssil altamente desigual e irregular; isto é, as espécies aparecem no registo fóssil muito subitamente, exibem pouca ou nenhuma modificação durante a sua existência, e depois desaparecem abruptamente.” Isto não são falhas insignificantes mas sim períodos, presentes nas principais transições evolutivas, durante os quais mudanças fisiológicas imensas teriam que ter acontecido.

Mesmo entre os biólogos, a ideia de órgãos novos, e desde logo categorias superiores, se poderem desenvolver gradualmente através de pequenas melhorias, tem sido alvo de contestação. De que forma é que a “sobrevivência do mais apto” poderia controlar o desenvolvimento de órgãos durante as fases iniciais sem utilidade, durante as quais elas obviamente não apresentavam qualquer vantagem selectiva (isto é frequentemente identificado como “o problema das novidades”), ou orientar o desenvolvimento total de novos sistemas, tais como o sistema nervoso, o circulatório, o digestivo, o respiratório, e o reprodutor – algo que exigiria o desenvolvimento simultâneo de vários órgãos interdependentes, nenhum deles útil ou possuindo alguma vantagem selectiva isoladamente?

O biólogo Francês Jean Rostand, por exemplo, escreveu:

Não parece totalmente impossível que as mutações tenham introduzido para dentro do reino animal as diferenças que existem entre uma espécie e a próxima…..logo, é muito tentador deixar também à sua porta as diferenças entre as classes, famílias, e ordens, e, basicamente, toda a evolução. Mas é óbvio que tal extrapolação envolve uma atribuição gratuita, às mutações do passado, duma magnitude e dum poder inovador muito maior do que aquele que é mostrado pelas mutações de hoje. [“A Biologist’s View,” Wm. Heinemann Ltd. 1956]

O livro de Behe é, primordialmente, um desafio a esta pedra angular da Darwinismo ao nível microscópico. Embora nós possamos não estar familiarizados com os sistemas bioquímicos complexos que são estudados no seu livro, acredito que os matemáticos encontram-se muito bem qualificados para avaliar as ideias gerais envolvidas. E embora uma analogia seja apenas uma analogia, talvez a melhor forma de entender o argumento de Behe seja comparando o desenvolvimento do código genético da vida com o desenvolvimento dum programa de computador.

Imaginem que um engenheiro tenta criar uma análise estrutural dum programa de computador, escrevendo a análise numa línguagem de máquina totalmente desconhecida para ele. Ele simplesmente digita caracteres aleatórios com o seu teclado, e periodicamente executa testes ao programa de modo a reconhecer e escolher as melhorias fortuitas sempre que elas ocorrem. As melhorias são permanentemente incorporadas no programa ao mesmo tempo que as outras mudanças são rejeitadas.

Se o nosso engenheiro continuar com este processo de alterações aleatórias e testes durante um longo período de tempo, será que ele eventualmente seria capaz de desenvolver um sofisticado programa de análise estrutural? (Claro que quando seres humanos inteligentes decidem o que é uma “melhoria”, isto é, na verdade, selecção artificial, e devido a isso, esta analogia é demasiado generosa para o Darwinismo).

Se mil milhões de engenheiros estivessem a digitar ao mesmo ritmo um caracter aleatório por segundo, não há qualquer possibilidade de qualquer um deles, e no espaço de 4,5 mil milhões de anos da idade da Terra [ed: segundo os crentes nos milhões de anos] duplicar acidentalmente uma melhoria com 20 caracteres. Logo, o nosso engenheiro não pode contar em fazer algum tipo de melhoria só de forma aleatória.

Mas será que o engenheiro não conseguiria talvez fazer algum tipo de progresso através da acumulação de pequenas melhorias? O Darwinista presumivelmente diria que sim, mas para alguém com experiência mínima de programação, esta ideia é igualmente implausível. As melhorias principais dum programa de computador normalmente exigem uma adição ou modificação de centenas de linhas [de código] interdependentes, e nenhuma delas faz qualquer sentido, ou resulta em alguma melhora, se adicionada/modificada por si só.

Até a mais pequena das melhorias normalmente requer o adição de várias linhas. É concebível que um programador, incapaz de olhar mais além que 5 ou 6 caracteres, seja capaz de fazer algumas melhorias ínfimas a um programa de computador, mas é inconcebível que ele seja capaz de criar algo minimamente sofisticado sem uma habilidade de olhar mais além e modificar as suas alterações tendo em vista um plano geral.

Se arqueólogos duma sociedade futura por acaso desenterrarem as muitas versões do meu PDE solver, PDE2D , que eu criei durante os últimos 20 anos, certamente que eles iriam notar um aumento constante de complexidade com o passar do tempo, e iriam notar também nas muitas óbvias semelhanças entre cada uma das novas versões e as prévias. No princípio, o programa só era capaz de resolver uma equação linear única, 2D, steady-state numa região poligonal. Desde então, o PDE2D desenvolveu muitas novas habilidades (…).

Um arqueólogo que tentasse explicar a evolução deste programa de computador em termos das suas muitas pequenas melhorias, ficaria confuso se por acaso viesse a descobrir que todos estes avanços maiores (novas classes ou filos??) haviam aparecido subitamente como versões novas; por exemplo, a capacidade de resolver problemas em 3D [três dimensões] apareceu pela primeira vez na versão 4.0. Outras melhorias maiores (novas famílias ou ordens??) apareceram subitamente nas novas sub-versões – por exemplo, a capacidade de resolver problemas em 3D com condições de contorno periódicas apareceram pela primeira vez na versão 5.6.

De facto, o registo do desenvolvimento do PDE2D seria muito semelhante ao registo fóssil, com lacunas enormes onde os traços principais apareceram, e lacunas menores onde os traços menores surgiram. Isto prende-se com o facto da multitude de programas intermediários entre as versões e sub-versões que os arqueólogos poderiam esperar encontrar nunca terem chegado a existir porque – por exemplo – nenhuma das modificações que eu fiz à versão 4.0 fazia algum sentido, ou disponibilizava ao PDE2D alguma vantagem na resolução de problemas em 3D (ou qualquer outra coisa), até que centenas de novas linhas de código foram acrescentadas.

Quer seja ao nível microscópico ou ao nível macroscópico, os principais e complexos avanços evolutivos, envolvendo novos traços (em oposição às quantitativas mudanças menores tais como o aumento do comprimento do pescoço da girafa (1), ou o escurecimento das asas das mariposas, que claramente poderiam ocorrer de foram gradual) também envolvem a adição de muitas peças interligadas e interdependentes.

Estes avanços complexos, tais como aqueles feitos aos programas de computador, nem sempre são “irredutivelmente complexos” – por vezes existem fases intermédias úteis. Mas da mesma forma que as melhorias principais ao programa de computador não podem ser feitas com 5 ou 6 caracteres de cada vez, certamente que nenhum avanço evolutivo considerável é redutível a uma série de pequenas melhorias – cada uma delas suficientemente pequena para ser unida através duma simples mutação aleatória.

2. O outro ponto, que é bastante simples mas que também só parece ser apreciado pelas pessoas com orientação mais matemática, é: atribuir o desenvolvimento da vida na Terra à selecção natural é atribuir a ela – e só a ela, acima de todas as outras “forças” naturais – a capacidade de violar a 2ª Lei da Termodinâmica (SLT), e causar a que a ordem apareça da desordem.

É alegado com frequência que, visto que a Terra não é um sistema fechado – por receber energia do Sol, por exemplo – a 2ª Lei da Termodinâmica não se aplica neste caso. É verdade que a ordem pode aumentar localmente se esse aumento de ordem for compensado com uma diminuição de ordem noutro sítio qualquer – isto é, um sistema aberto pode ser visto como um estado menos provável através da importação de ordem externa. Por exemplo, podemos transportar um camião cheio de enciclopédias e computadores para a Lua sem que com isso violemos a 2ª Lei.

Mas esta Lei da Termodinâmica –  pelo menos o princípio básico da lei – diz simplesmente que as forças naturais não conseguem causar o acontecimento de eventos extremamente improváveis (2), e consequentemente, é um absurdo alegar que, visto que a Terra recebe energia do Sol, este princípio não foi violado quando ocorreu o arranjo original de átomos para enciclopédias e computadores.

O biólogo estuda os detalhes da história natural, e quando olha para as semelhanças entre duas espécies de borboletas, ele está compreensivelmente relutante em atribuir ao sobrenatural a causa das pequenas diferenças. Mas o matemático ou o físico é mais susceptível de olhar para as coisas duma forma mais alargada. Eu imagino-me a visitar a Terra quando ela era nova, e voltar agora e encontrar auto-estradas com carros sobre elas, aeroportos com aviões, e edifícios altos cheios de equipamentos complicados tais como televisões, telefones e computadores.

Depois imagino a construção dum gigantesco modelo informático que começa com as condições inicias da Terra há 4 mil milhões de anos atrás [ed: posição refutada pela ciência] e que tenta simular os efeitos que as quatro forças físicas conhecidas (gravitavional, electromagnética, força nuclear forte, e força nuclear fraca) teriam em todos os átomos e partículas sub-atómicas do nosso planeta (provavelmente usando geradores de números aleatórios como forma de simular as incertezas quânticas!).

Se por acaso nós executássemos essa simulação até aos dias de hoje, será que isso iria prever que as forças básicas da Natureza iriam reorganizar as partículas básicas da Natureza até que elas formassem livrarias cheias de enciclopédias, textos científicos e novelas, usinas eléctricas, porta-aviões com jactos supersónicos estacionados no convés, e computadores ligados a impressoras a laser, CRT e teclados? Se por acaso nós pudéssemos exibir graficamente a posição dos átomos no final da simulação, será que ficaríamos a saber que carros e camiões haviam sido formados, e que super-computadores haviam surgido? Certamente que não, e nem acredito que adicionar a luz do Sol ao modelo iria ajudar muito.

Com a origem e o desenvolvimento da vida, e especialmente com o desenvolvimento da consciência e criatividade humana, claramente algo extremamente improvável aconteceu no nosso planeta.

Fontes: Discovery.orgUniversity of Texas at El Paso – Mathematical Sciences

* * * * * * * *

E que evento “extremamente improvável” foi esse que adicionou quantidades imensas de informação no nosso planeta?

Frase_Genesis_1

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