Ateus e o analfabetismo histórico

Por Tim O’Neill

(Capitalização de títulos e referências a Deus e ao Filho de Deus feitas por parte do editor deste blogue)

Em Abril no ano passado, Grundy, o escritor regular deste blogue, postou o texto “A História Não É a Minha Área”, comentando o lançamento da crítica de Bart Ehrman à hipótese Jesus-Mito, Did Jesus Exist?: The Historical Argument for Jesus of Nazareth. Ao contrário da maioria dos historiadores profissionais, muitos ateus consideram o Miticismo de Jesus algo convincente, e muitos estão pouco contentes com facto do Ehrman, alguém largamente céptico e bastante ilustre, a criticar esta ideia. Grundy declarou de modo franco, “Sinceramente, tenho poucos conhecimentos para saber se Jesus existiu ou não!”, embora tenha dito depois “Eu sou de opinião que sim”.

Havendo dito isto, ele deixou bem claro o porquê dele não se deixar impressionar com o facto da esmagadora maioria dos historiadores e outros eruditos relevantes serem totalmente contra a ideia de Jesus ser um mito:

A história não presta. Okay, isto não foi justo, mas essa disciplina nunca foi assunto meu. A minha confiança na exactidão dos eventos históricos cai exponencialmente com a trilha de papel. A ideia de que a História é escrita pelos vencedores salienta os vieses do passado. Livros são queimados. Os registos desaparecem. Em quem é que eu iria confiar como forma de obter um retrato preciso dos eventos que ocorreram há 2,000 anos atrás?

Uma vez que a História *é* a minha área, respondi, fazendo alguns comentários críticos a esta atitude, e falando de alguns detalhes da forma como a História, como disciplina académica, é estudada. Grundy, ao contrário de muitos-assim-chamados “racionalistas” com quem já me deparei através dos anos, ficou feliz em ouvir-me, e convidou-me a expandir os meus pontos de vista neste post-convidado.

Ateus e o Analfabetismo Histórico

Devo começar, no entanto, por salientar que sou um ateu. Tenho sido ateu durante toda a minha vida adulta, sou membro pagante de várias organizações ateístas e cépticas, e tenho um registo de 21 anos a postar em discussões como um descrente. Ressalvo isto porque descobri que quando começo a criticar os meus colegas ateus e a sua compreensão ou a sua historiografia, as pessoas tendem a assumir que sou um tipo de apologista teísta (algo que não tem qualquer seguimento lógico mas que, mesmo assim, ocorre a toda a hora).

Depois de passar mais de 30 anos a observar e a tomar parte em debates em torno da História juntamente com os meus colegas ateus, posso dizer com toda a segurança que a maior parte dos ateus é historicamente analfabeta. Isto não á algo particular dos ateus: eles são tão historicamente ignorantes como a maior parte das pessoas visto que o analfabetismo histórico é, basicamente, a norma. Mas o que isto significa é que quando a maior parte dos ateus (não todos) faz um comentário em torno da História, ou, pior ainda, tenta usar a História em debates em torno da religião, eles fazem isso com um nível de compreensão do assunto que se encontra atrofiado ao nível da escola secundária [ed: ensino médio].

Isto dificilmente é surpreendente visto que a maior parte das pessoas não estuda História depois da escola secundária. Mas isto significa que o seu entendimento relativo a qualquer pessoa histórica, ou assunto histórico, ou evento histórico, é (tal como com a maior parte das pessoas) baseado em lições escolares mal-lembradas, um ou outro documentário televisivo e baseado na cultura popular: na sua maioria, novelas e filmes. É por isso que a maior parte dos ateus (tal como a maioria das pessoas) tem um entendimento da História que é, para dizer de modo franco, uma porcaria.

Pior ainda, isto significa também que a maior parte dos ateus (mais uma vez, tal como a maior parte das pessoas) tem um entendimento da forma como a História é estudada, e das técnicas de análise e síntese histórica que está, também, atrofiado ao nível da escola secundária – isto é, virtualmente inexistente. Com poucas excepções louváveis, os professores de História das escolas secundárias ainda tendem a reduzir a História a factos e datas organizadas segundo temas ou tópicos mais abrangentes.

A forma como podemos saber o que aconteceu no passado, com que nível de certidão podemos vir a saber isto, e as técnicas usadas para se chegarem a estas conclusões raramente são mais que tocadas ao nível secundário. Isto significa que quando o ateu comum (e mais uma vez, tal como a pessoa comum) se apercebe que o nosso conhecimento do passado não é tão directo é óbvio como o sr Wilkins, o nosso professor de História, nos fez pensar que era, ele tende a rejeitar tudo, qualificando tudo como algo altamente incerto na melhor das hipóteses, ou discurso subjectivo na pior das hipóteses. Ou, como disse Grundy, como uma “porcaria”.

Esta rejeição é mais pronunciada junto dos ateus porque muitos deles (mas não todos) chegam ao ateísmo devido ao seu estudo da ciência. A ciência parece muito exacta quando comparada com a História. Na ciência, podem-se gerar hipóteses e testá-las; na ciência, podemos de facto provar as coisas. As proposições científicas são, por definição, falsificáveis. Comparado com a ciência, a História pode parecer ser algo aleatório, onde cada pessoa pode muito bem alegar o que bem entender.

História e Ciência

BussolaNa verdade, a História é de facto uma disciplina académica muito rigorosa, com as suas regras e as suas metodologias tal como as ciências exactas. Isto não quer dizer que seja ciência. Ela é ocasionalmente referida como uma, especialmente na Europa, mas isto é no sentido mais alargado da palavra: como uma “forma sistemática de organizar e analisar o conhecimento”. Mas antes de analisarmos a forma como o método histórico funciona, pode ser útil analisar a forma como as ciências são diferentes da Historia.

As ciências exactas fundamentam-se no princípio da indução probabilística. O cientista usa uma abordagem indutiva, ou “bottom up” [“de baixo para cima”], como forma de operar a partir de observações particulares específicas (“os ratos injectados com esta droga adquirem menos gordura”) para proposições mais genéricas (“esta droga está a reduzir o seu apetite”). Estas proposições são falsificáveis a partir de testes empíricos como forma de colocar de parte outras explicações para as particularidades (“a droga está a aumentar o seu metabolismo” ou “estes ratos estão mais stressados por serem picados com seringas”) e como tal, podem ser testadas.

Tudo isto é possível nas ciências exactas devido a algumas leis de causa e efeito bem estabelecidas que formam a base deste tipo de indução. Se alguma coisa está a afectar os ratos mencionados nos meus exemplos anteriores, numa situação de igualdade, isso irá afectá-los da mesma forma amanhã. Isto permite que o cientista opere a partir da indução de modo a fazer uma avaliação da causa provável através duma avaliação empírica e fazê-lo com um elevado grau de confiança. As suas avaliações podem ser confirmadas por outras pessoas porque as aferições empíricas são controladas e duplicáveis.

Infelizmente, nada disto funciona para o estudo do passado. Os eventos, quer sejam grandes ou pequenos, ocorrem e depois desaparecem. O historiador só pode avaliar a informação relativa a eles através dos traços que – se tivermos sorte – esses eventos deixam por trás de si. Mas ao contrário dum pesquisador das ciências exactas, um historiador não pode repetir a queda do Império Romano Ocidental através duma série de experiências controladas em laboratório. Ele nem sequer consegue observar os eventos, da mesma forma que um zoólogo pode observar o comportamento dum grupo de gorilas, e extrair as suas conclusões.

Para além disso, não existem leis e princípios bem definidos (excepto num sentido bem alargado e genérico) que lhe permitam, por exemplo, simular os efeitos da ascenção da máquina impressora ou decidir o percurso exacto da queda de Napoleão da mesma forma que um físico teórico pode com a composição duma galáxia distante ou a formação duma estrela morta há muito tempo.

Tudo isto leva a que alguns ateus, que caíram vítimas da falácia do cientificismo rejeitando tudo o que não pode ser conclusivamente “provado”, rejeitem a ideia de algum grau de certeza em relação ao passado. Esta é uma posição extrema e raramente é uma posição consistente. Tal como já salientei a algumas pessoas que alegaram este nível de cepticismo histórico, acho difícil aceitar que eles mantenham esta posição quando lêem um jornal, embora eles devessem ser igualmente cépticos em torno do facto de saberem sobre o acidente que ocorreu ontem, tal como o são em relação à revolução que ocorreu há 400 anos atrás.

O Método Histórico

Só porque a História não é uma ciência exacta não significa que ela não nos possa dizer nada sobre o passado, e nem significa que ela não possa dar algum grau de certez em relação a esse mesmo passado. Historiadores antigos tais como Heródoto estabeleceram as raízes dos métodos usados pelos pesquisadores históricos modernos – embora os historiadores só tenham a começar a desenvolver uma metodologia sistemática com base em princípios acordados a partir da parte final do século 18 para frente, usando  as técnicas de Barthold Niebuhr (1776-1831) e Leopold von Ranke (1795-1886).

O Método Histórico baseia-se em três passos fundamentos, cada um deles com as suas técnicas:

1. Heurístico – Isto é a identificação do material relevante para uso como fontes de informação.

Isto pode variar do óbvio, tais como a descrição dos eventos por parte dum historiador que observou os eventos pessoalmente, até aos menos óbvios, como por exemplo, o livro de registo dum solar medieval detalhando compras para o estado. Tudo, desde achados arqueológicos, a moedas, até à heráldica, pode ser relevante aqui. A palavra chave aqui é “relevante”, e existe um elevado nível de perícia na forma como se escolhem as fontes de informação que são pertinentes para o assunto em questão.

2. Criticismo – Este é o processo de apreciação das fontes à luz da questão a ser respondida ou do sujeito a ser analisado.

Ele envolve coisas como determinar o nível de “autenticidade” da fonte (É o que ela parece ser?), a sua “integridade” (A sua descrição dos eventos é fiável? Quais são as suas ideias pré-concebidas?, o seu contexto (Qual é o seu estilo? Está ela a responder ou a reagir a outra fonte? Está ela a usar tropos literários que têm que ser analisados com cepticismo?).

As evidências materiais, tais como a arqueologia, a arquitectura, a arte, as moedas, etc, têm que ser fortemente contextualizadas como forma de serem entendidas. As fontes documentais precisam também de ser cuidadosamente contextualizadas – as condições sociais da sua produção, o seu propósito intencional, a sua intenção polémica (se tiver alguma), o motivo que levou à sua produção (mais importante quando se analisa um discurso político do que quando se analisa uma certidão de nascimento, por exemplo), o seu público-alvo, o pano de fundo e propensões do autor (se se souber quem é o autor) tem que ser levado em conta.

3.  Síntese e Exposição – Aqui é feita a declaração formal dos resultados provenientes do 1º e do 2º passo, com cada um dos resultados suportada pela referência às evidências relevantes.

A diferença principal entre este método e o método usado pelas ciências exactas é que o pesquisador coloca sistematicamente à disposição todo o seu material, a sua análise e as conclusões, mas estas conclusões são uma avaliação subjectiva de probabilidade, e não uma declaração objectiva de indução probabilística. Esta subjectividade é o que muitas pessoas com treino científico qualificam de diferente dentro da História, o que lhes leva a rejeitar esta disciplina como insubstancial.

Mas o ponto importante a entender é que os historiadores não trabalham rumo a uma declaração absoluta em torno do que definitivamente aconteceu no passado, visto que isto, de modo geral, é impossível excepto em pontos triviais (por exemplo, não existem dúvidas que Adolfo Hitler nasceu no dia 20 e Abril de 1889). Em vez disso, o historiador trabalha rumo ao que tem o nome de “o argumento em favor da melhor explicação”. Dito de outra forma, o argumento que melhor explica a maior parte das evidências relevantes com o menor número de suposições. Isto significa que o Princípio da Parcimónia, também conhecido como a Navalha de Occam, é a chave da análise histórica; os historiadores favorecem sempre a interpretação mais parcimoniosa que justifica a maior parte das evidências disponíveis.

Por exemplo, em relação à existência de Jesus, é muito mais parcimonioso concluir que a Figura Cristã de “Jesus Cristo”  evoluiu das ideias dos seguidores dum Histórico Pregador Judeu, visto que todas as evidências anteriores que temos à nossa disposição revelam que este “Jesus Cristo” foi um Pregador Histórico que foi executado em meados de 30 AD.

As pessoas já tentaram propor origens alternativas para a Figura de “Jesus Cristo”, propondo a existência duma seita Judaica anterior que acreditava numa figura puramente celestial que foi, mais tarde,”historicizada” numa figura terrena e histórica. Mas não existem evidências de tal seita proto-Cristã, e nem existem motivos para que seita tenha existido e desaparecido sem deixar qualquer evidência nos registos históricos. É por isso que os historiadores qualificam as hipóteses “Mito de Jesus” pouco convincentes – elas não são a forma mais parcimoniosa de olhar para as evidências, e elas exigem e requerem, que geremos suposições do tipo “e se?” como forma de evitar que elas entrem em colapso.

Formas Através das Quais os Ateus (Ás Vezes) Não Entendem a História.

Gerir este processo de análise histórica sistemática exige treino, práctica e um certo nível de perícia. Sem isto, é muito fácil fazer algo que parece ser uma análise histórica e obter conclusões falhas.

Tomemos como exemplo o processo heurístico inicial. Já me deparei com muitos ateus que não aceitam um Jesus Histórico com base na alegação de que “não existem referências contemporâneas a Ele, e todas as referências que existem são boatos tardios”, ou até que “não existem registos da Sua carreira por parte de testemunhas oculares”.

Portanto, eles [os ateus] invalidam todas as evidências que temos, que se referem a Jecus Cristo, com base na tese de que não são contemporâneos e/ou não são de testemunhas oculares. Mas se nós rejeitássemos qualquer referência a uma personagem antiga, medieval ou pré-moderna usando esta metodologia, teríamos que abandonar de modo efectivo o estudo da História antiga: não temos evidências contemporâneas da maior parte das pessoas do mundo antigo, e como tal, isso faria com que a maior parte das nossas fontes fossem inválidas, o que claramente é um absurdo.

Dado que não temos fontes provenientes de testemunhas oculares de figuras muito mais proeminentes, tais como Aníbal, esperar que existam tais registos provenientes de testemunhas oculares ou de fontes contemporâneas em torno Dum Pregador Camponês como Jesus é claramente ridículo. Nenhum historiador do mundo considera isto uma heurística histórica válida.

Os ateus podem frequentemente fazer também erros básicos como estes na sua crítica as fontes. Não há falta de material lúrido em torno dos horrores da Inquisição, com livros inteiros a detalhar as torturas vis e a disponibilizar relatos de centenas de milhares de vítimas infelizes a serem entregues às chamas por parte da Igreja Católica. No passado, escritores do século 19 assumiram a veracidade destas fontes e até o princípio do século 20, esta era essencialmente a história da Inquisição encontrada nos livros escolares, especialmente na esfera Anglófona (isto é, consideravelmente Protestante).

A maior parte deste relatos tinham como base fontes que tinham preconceitos enormes – na sua maioria, material polémico Protestante dos séculos 16 e 17, produzido na Inglaterra que, como inimigo político, religioso e económico de Espanha, dificilmente iriai gerar registos imparciais do uso da Inquisição por parte da igreja e da coroa Espanhola.

O uso desleixado deste material gera uma visão inimiga e distorcida da Inquisição, visão essa que foi consideravelmente refutada através duma análise cuidadosa das fontes de origem e dos registos da Inquisição. O resultado disto é que sabe-se hoje que durante os 160 anos de operação em Espanha, a Inquisição resultou na execução de 3,000-5,000 pessoas, não as centenas de milhares alegados por escritores pouco críticos do século tais como Henry Charles Lea. Basear um argumento nos relatos pouco críticos da Inquisição pode ajudar os planos dos ateus, mas isso não deixaria de ser má História.

Finalmente, a síntese e a exposição histórica exigem pelo menos um certo nível de objectividade. Um analista do passado pode ter crenças pessoas com o potencial de prejudicar a sua análise e fazê-los pender para certas conclusões. Pior ainda, estas crenças podem fazer com que eles comecem com certas suposições em relação ao passado, e como tal, fazer com que eles só escolham as evidências que estão de acordo com esta ideia à priori.

Os historiadores batalham para evitar estas coisas, esforçando-se de forma a examinar as evidências segundo os seus méritos, embora os polemistas frequentemente nem se preocupem com esta abordagem objectiva. Com relativa frequência, os ateus podem ser polemistas quando lidam com o passado, só dando valor à informação ou à análise que está de acordo com o argumento contra a religião que estão a usar, ao mesmo tempo que minimizam, rejeitam, ou ignoram as evidências e as análises que não estão de acordo com a sua agenda. Mais uma vez, isto é mau procedimento histórico e raramente tem qualquer outra utilidade que não a de pregar para os já convertidos.

Por exemplo, até ao início do século 20 a história da ciência era popularmente vista como um conflicto de século entre as mentes progressistas científicas a tentar avançar o conhecimento e o progresso humano, mas a serem constantemente perseguidas e suprimidas pelas forças religiosas retrógradas determinadas a atrasar o progresso científico.

Mais uma vez, a meio do século 20, os historiadosres re-avaliaram esta ideia generalista e rejeitaram a que é hoje conhecida como a “Tese do Conflicto”, apresentando uma análise mais complexa, cheia de nuances e mais sólida do desenvolvimento a ciência que revela que, embora tenham existido conflictos ocasionais, que raramente eram tão simples como “ciência contra a religião”, a religião era normalmente neutral na análise racional do mundo físico, e frequentemente deu o seu apoio activo.

Conflictos abertos, tais como o Caso de Galileu, eram a excepçâo e não a norma, e, nesse e em muitos outros casos, esses conflictos eram mais complicados que só a “religião” a suprimir a “ciência”.

Objectividade, Viés e Fábulas Históricas.

Nós ateus e pensadores-livres frequentemente ridicularizamos os crentes devido ao seu pensamento irracional, falta de análise crítica, e tendência de se agarrar a ideias com base na fé quando são confrontados com evidências contrárias. Infelizmente, é muito mais fácil falar de se ser racional, e criticar os outros por não o serem, do que é practicar o que pregamos. Todas as pessoas têm as suas ideias pré-concebidas e o “viés de confirmação” – a tendência de favorecer a informação que confirma as nossas crenças pré-estabelecidaas – é uma inclinação psicológica inata que dificilmente é superada, mesmo quando estamos ciente dele.

Isto significa que os ateus podem ser, em muitos casos, tão maus como os crentes na aceitação de ideias apelativas sem verificar antecipadamente os factos, na preservação  de más-concepções populares mesmo deparado com evidências contrárias, e na aceitação de de histórias simples e bonitas em vez de alternativas confusas, complexas e mais detalhadas que por acaso têm um apoio evidencial mais robusto.

A ideia de que a Igreja medieval ensinou que a Terra era achatada, que Colombo corajosamente desafiou a sua primitiiva superstição Bìblica e provou que eles estavam errados, navegando para a América, é uma boa história. Infelizmente é uma histórica – uma fábula sem qualquer base na realidade.

Já é mau o suficiente o facto de eu ter tido a experiência de observar ateus inteligentes e bem formados a repetir esta história como exemplo da Igreja a impedir o avanço do progresso, sem que eles [os ateus] se tenham preocupado em verificar se isto é verdade. É pior ainda o facto de eu ter encontrado ateus experientes, que já haviam sido confrontados com extensas e claras evidências de que a Igreja ensinou que a Terra era redonda, e que o mito da Terra Plana foi inventado pelo novelista  Washington Irving em  1828, só para os ver a rejeitar a ideia de que o mito estava errado.

Hypatia_3As elegantes fábulas históricas, tais como aquelas onde os Cristãos queimaram a Grande Biblioteca de Alexandria (que eles não fizeram), ou os Cristãos a assassinar Hipatia devido ao ódio que eles tinham do seu conhecimento e da sua ciência (que eles também não fizeram) são parábolas apelativas.

Isto significa que os ateus lutam de forma brava para preservar estas fábulas mesmo quando são confrontados com evidências que elas são contos de fadas pseudo-históricos. Os Fundamentalistas não são os únicos que podem ser dogmáticos em relação aos seus mitos.

Um dos motivos mais importantes para o estudo da História. é que este é um bom método para se entender o porquê das coisas serem como são nos dias actuais entendo o que veio antes de nós. Mas isto só funciona se obtivermos um bom entendimento da forma como podemos saber sobre o passado, os métodos de análise usados, e o material relevante sobre o qual o nosso entendimento se deve fundamentar.

Isto só funciona se lutarmos para colocar de lado o que gostaríamos que fosse verdade juntamente com qualquer preconceito (visto que normalmente estes estão errados), e olhar de forma objectiva para o material. Os ateus que tentam usar a História nos seus argumentos, e não fazem isto, não só acabam por chegar a conclusões erradas, como acabam por ficar tão estúpidos e até tão dogmáticos como os fundamentalistas, e isso não é bonita de se ver.

Tim O’Neill

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"Posterity will serve Him; future generations will be told about the Lord" (Psalm 22:30)
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5 Responses to Ateus e o analfabetismo histórico

  1. Saga says:

    Lembrar que grande parte do Evolucionismo é pautado em “História” e não em “ciência exata”. E pior essa tal de “pré-história [evolucionista]” é incontável vezes mais díficil de estudar do que a “história”. É uma adivinhação pré-histórica onde se tenta reconstituir a história da vida, das plantas, dos animais e da humanidade com base em restos de dentes e afins.

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    • Pois é, pura adivinhação! A História precisa de testemunhos, e não há qualquer testemunho nos supostos milhões ou bilhões de anos, é tudo fé cega.

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      • Saga says:

        De onde a pessoa tira aquela história do homem da caverna inventando o conceito de Deus ao ver um raio cair? E aquela outra dos ancestrais de calda pendurados na árvores? E do peixe que quis sair pra andar na terra?

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  2. Anderson says:

    Incoerência e inconsistência é o que se vê no discurso evolucionista. Importante é negar tudo que remeta a Deus, para negá-lo, enganando a sim mesmo diante das evidências contrárias.
    Muito bom o artigo, apesar de ser de um ateu. Se mostrou honesto em sua profissão, e mesmo não crendo em Deus demonstrou que muitos que não creem não tem fundamento histórico para tal posição.
    Me pergunto se ele, como historiador, conhece as profecias Bíblicas de Daniel e Apocalipse, as quais descrevem boa parte dos acontecimentos históricos relacionados com o povo de Deus. Se conhecesse, com base nisso, acho que não seria ateu.
    Quem quiser estudar este assunto, que pra mim é um dos mais fortes a favor da existência e da onisciência de Deus, segue um link para iniciá-lo(a):
    http://minutoprofetico.blogspot.com/2011/08/daniel-e-apocalipse.html

    “9 Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim;
    10 que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade;” Isaías 46:9,10

    Abraços,
    Anderson.

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  3. Ivani Medina says:

    Por que a negação da existência do Jesus histórico desperta tanta celeuma, enquanto a negação da existência de Sócrates não? Porque a história do personagem Jesus pertence a um contexto religioso, no qual se pretendia fundamentar uma crença sobrenatural. Já no caso do filósofo grego, crença fundamenta nada. O fato de Sócrates ter existido ou não, faz diferença alguma ao pensamento ocidental. O problema é que a recíproca não é verdadeira em relação ao cristianismo.

    http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/paguei-pra-ver

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